Livro didático público de arte

Livro didático público de arte

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Este livro é público - está autorizada a sua reprodução total ou parcial. 2ª. Edição

Governo do Estado do Paraná Roberto Requião

Secretaria de Estado da Educação Mauricio Requião de Mello e Silva

Diretoria Geral Ricardo Fernandes Bezerra

Superintendência da Educação Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde

Departamento de Ensino Médio Mary Lane Hutner

Coordenação do Livro Didático Público Jairo Marçal

Depósito legal na Fundação Biblioteca Nacional, conforme Decreto Federal nº 1825/1907, de 20 de Dezembro de 1907.

É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Avenida Água Verde, 2140 - Telefone: (0XX) 41 3340-1500 e-mail: dem@seed.pr.gov.br 80240-900 CURITIBA - PARANÁ

Catalogação no Centro de Editoração, Documentação e Informação Técnica da SEED-PR

Arte / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2006. – 336 p. ISBN: 85-85380-30-6

1. Ensino de arte. 2. Ensino médio. 3. História da arte. 4. Música. 5. Artes visuais. 6.

Dança. 7. Teatro. I. Folhas. I. Material de apoio pedagógico. II. Material de apoio teórico. IV. Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. V. Título.

CDU 7+373.5

2ª. Edição IMPRESSO NO BRASIL

Autores

Carlos Alberto de Paula Marcelo Cabarrão Santos

Marcelo Galvan Leite Maysa Nara Eisenbach

Sonia Maria Furlan Sossai

Tania Regina Rossetto Viviane Paduim

Equipe Técnico – Pedagógica

Carlos Alberto de Paula Jackson Cesar de Lima Marcelo Cabarrão Santos Viviane Paduim

Assessora do Departamento de Ensino Médio Agnes Cordeiro de Carvalho

Coordenadora Administrativa do Livro Didático Público Edna Amancio de Souza

Equipe Administrativa

Mariema Ribeiro Sueli Tereza Szymanek

Técnicos Administrativos Alexandre Oliveira Cristovam Viviane Machado

Consultora Rose Meri Trojan - UFPR

Colaboradoras

Consuelo Alcioni B. D. Schlichta Isis Moura Tavares

Leitura Crítica

Carla Juliana Galvão Alves Warken - UEL

Juciane Araldi - UEM Margarida Gandara Rauen - UNICENTRO

Consultor de direitos autorais Alex Sander Hostyn Branchier

Revisão Textual

Luciana Cristina Vargas da Cruz Renata de Oliveira

Projeto Gráfico, Capa Editoração Eletrônica Eder Lima/Icone Audiovisual Ltda

Editoração Eletrônica Icone Audiovisual Ltda

Carta do Secretário

Este Livro Didático Público chega às escolas da rede como resultado do trabalho coletivo de nossos educadores. Foi elaborado para atender à carência histórica de material didático no Ensino Médio, como uma iniciativa sem precedentes de valorização da prática pedagógica e dos saberes da professora e do professor, para criar um livro público, acessível, uma fonte densa e credenciada de acesso ao conhecimento.

A motivação dominante dessa experiência democrática teve origem na leitura justa das necessidades e anseios de nossos estudantes. Caminhamos fortalecidos pelo compromisso com a qualidade da educação pública e pelo reconhecimento do direito fundamental de todos os cidadãos de acesso à cultura, à informação e ao conhecimento.

editorial absurdamente concentrado e elitista

Nesta caminhada, aprendemos e ensinamos que o livro didático não é mercadoria e o conhecimento produzido pela humanidade não pode ser apropriado particularmente, mediante exibição de títulos privados, leis de papel mal-escritas, feitas para proteger os vendilhões de um mercado

Desafiados a abrir uma trilha própria para o estudo e a pesquisa, entregamos a vocês, professores e estudantes do Paraná, este material de ensino-aprendizagem, para suas consultas, reflexões e formação contínua. Comemoramos com vocês esta feliz e acertada realização, propondo, com este Livro Didático Público, a socialização do conhecimento e dos saberes.

Apropriem-se deste livro público, transformem e multipliquem as suas leituras.

Mauricio Requião de Mello e Silva Secretário de Estado da Educação

Aos Estudantes

Agir no sentido mais geral do termo significa tomar iniciativa, iniciar, imprimir movimento a alguma coisa. Por constituírem um initium, por serem recém-chegados e iniciadores, em virtude do fato de terem nascido, os homens tomam iniciativa, são impelidos a agir. (...) O fato de que o homem é capaz de agir significa que se pode esperar dele o inesperado, que ele é capaz de realizar o infinitamente improvável. E isto, por sua vez, só é possível porque cada homem é singular, de sorte que, a cada nascimento, vem ao mundo algo singularmente novo. Desse alguém que é singular pode-se dizer, com certeza, que antes dele não havia ninguém. Se a ação, como início, corresponde ao fato do nascimento, se é a efetivação da condição humana da natalidade, o discurso corresponde ao fato da distinção e é a efetivação da condição humana da pluralidade, isto é, do viver como ser distinto e singular entre iguais.

Hannah Arendt A condição humana

Este é o seu livro didático público. Ele participará de sua trajetória pelo Ensino Médio e deverá ser um importante recurso para a sua formação.

Se fosse apenas um simples livro já seria valioso, pois, os livros registram e perpetuam nossas conquistas, conhecimentos, descobertas, sonhos. Os livros, documentam as mudanças históricas, são arquivos dos acertos e dos erros, materializam palavras em textos que exprimem, questionam e projetam a própria humanidade.

Mas este é um livro didático e isto o caracteriza como um livro de ensinar e aprender. Pelo menos esta é a idéia mais comum que se tem a respeito de um livro didático. Porém, este livro é diferente. Ele foi escrito a partir de um conceito inovador de ensinar e de aprender. Com ele, como apoio didático, seu professor e você farão muito mais do que “seguir o livro”. Vocês ultrapassarão o livro. Serão convidados a interagir com ele e desafiados a estudar além do que ele traz em suas páginas.

Neste livro há uma preocupação em escrever textos que valorizem o conhecimento científico, filosófico e artístico, bem como a dimensão histórica das disciplinas de maneira contextualizada, ou seja, numa linguagem que aproxime esses saberes da sua realidade. É um livro diferente porque não tem a pretensão de esgotar conteúdos, mas discutir a realidade em diferentes perspectivas de análise; não quer apresentar dogmas, mas questionar para compreender. Além disso, os conteúdos abordados são alguns recortes possíveis dos conteúdos mais amplos que estruturam e identificam as disciplinas escolares. O conjunto desses elementos que constituem o processo de escrita deste livro denomina cada um dos textos que o compõem de “Folhas”.

Em cada Folhas vocês, estudantes, e seus professores poderão construir, reconstruir e atualizar conhecimentos das disciplinas e, nas veredas das outras disciplinas, entender melhor os conteúdos sobre os quais se debruçam em cada momento do aprendizado. Essa relação entre as disciplinas, que está em aprimoramento, assim como deve ser todo o processo de conhecimento, mostra que os saberes específicos de cada uma delas se aproximam, e navegam por todas, ainda que com concepções e recortes diferentes.

Outro aspecto diferenciador deste livro é a presença, ao longo do texto, de atividades que configuram a construção do conhecimento por meio do diálogo e da pesquisa, rompendo com a tradição de separar o espaço de aprendizado do espaço de fixação que, aliás, raramente é um espaço de discussão, pois, estando separado do discurso, desarticula o pensamento.

Este livro também é diferente porque seu processo de elaboração e distribuição foi concretizado integralmente na esfera pública: os Folhas que o compõem foram escritos por professores da rede estadual de ensino, que trabalharam em interação constante com os professores do Departamento de Ensino Médio, que também escreveram Folhas para o livro, e com a consultoria dos professores da rede de ensino superior que acreditaram nesse projeto.

Agora o livro está pronto. Você o tem nas mãos e ele é prova do valor e da capacidade de realização de uma política comprometida com o público. Use-o com intensidade, participe, procure respostas e arrisque-se a elaborar novas perguntas.

A qualidade de sua formação começa aí, na sua sala de aula, no trabalho coletivo que envolve você, seus colegas e seus professores.

2 – Afinal: a arte tem valor?24
3 – Você suporta Arte?42
sonhadores ou criadores irreverentes?64
5 – A arte é para todos?82
6 – Imagine som98
7 – Cores, corese mais cores? ....................................................112
8 – Arte: Ilusão ou realidade?126
9 – Teatro para quê?142
10 – O som nosso de cada dia156

4 – Esses fazedores de Arte: loucos Sumário

12 – No peito dos desafinados também bate um coração188
13 – Acertando o Passo200
14 – Arte Brasileira: uma ilustre desconhecida216
15 – Arte do Paraná ou Arte no Paraná?234
16 – Música e Músicas256
17 – Uma Luz na História da Arte272
18 – Afastem as carteiras, o Teatro chegou!288
19 – Quem não dança, dança!302

10 Introdução Ensino Médio

11Arte: Quem tem uma explicação?

Arte evemos buscar sempre uma explicação, quando estamos em contato com uma obra de arte? A arte precisa de uma explicação? Afinal, quando você está diante de uma obra de arte, muitas vezes você não questiona: “O que é arte?” ou “O que não é arte?”

Barroco, Rococó, Art-nouveauVocê os conhece? O que

Muitas vezes ouvimos falar em vários termos como: Bienal, eles representam para a arte? Alguns desses termos aparecem na música Bienal, de autoria dos compositores e cantores Zeca Baleiro e Zé Ramalho. Vamos ouvir a música, se possível, e analisar a letra.

1Colégio Estadual Lysimaco Ferreira da Costa - Curitiba - PR 2Colégio Estadual Frei Beda Maria - Itaperuçu - PR 3Colégio Estadual Dr. Willie Davids - Maringá - PR 4Colégio Estadual Campos Sales - Campina Grande do Sul - PR 5Colégio Estadual Natália Reginato - Curitiba - PR 6Colégio Estadual Douradina - Douradina - PR 7Colégio Estadual Padre Manuel da Nóbrega - Umuarama - PR

12 Introdução

Ensino Médio

Desmaterializando a obra de arte no fim do milênio

Faço um quadro com moléculas de hidrogênio

Fios de pentelho de um velho armênio Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Meu conceito parece à primeira vista

Um barrococó figurativo neo-expressionista Com pitadas de art-nouveau pós-surrealista Calcado na revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez, disse-me um dia Vendo minha obra exposta na galeria

Meu filho isso é mais estranho que o cu da jia E muito mais feio que um hipopótamo insone

Pra entender um trabalho tão moderno

É preciso ler o segundo caderno Calcular o produto bruto interno

Multiplicar pelo valor das contas de água luz e telefone

Rodopiando na fúria do ciclone Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto

Da arte desmaterializada no presente contexto

Reciclando o lixo lá do cesto Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiat

Nova Iorque me espere que eu vou já

Picharei com dendê de vatapá Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva

Com tampinhas de Pepsi e Fanta Uva Um penico com água da última chuva Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria

Com a arte pulsando na artéria Boto fogo no gelo da Sibéria Faço até cair neve em Teresina Com o clarão do raio da Silibrina Desintegro o poder da bactéria Com o clarão do raio da Silibrina Desintegro o poder da bactéria

Zeca Baleiro. Fonte: <http://cifraclub.terra.com.br/cifras/cifras.php?idcifra=6072> acesso em 30/10/2005 n

13Arte: Quem tem uma explicação?

Arte

Você, algum dia já se sentiu como essa mãe que é citada na música? Já ouviu falar em barrococó, figurativo, neo-expressionista, rodopio, art-nouveau, subtexto, pós-surrealista, psicodélica, natureza morta, pulsação? Você sabe quem é Basquiat?

Por trás de cada um desses termos, vislumbramos uma série de conteúdos da Arte. Na sua opinião, o que é “um resultado estético bacana”? Justifique sua escolha.

Vamos tentar compreender um pouco disso começando por analisar o próprio título da música: Bienal. Mas, o que significa Bienal?

Bienal

“Exposição internacional de arte montada a cada dois anos e julgada por um comitê internacional. A primeira e mais famosa bienal foi a de Veneza, instituída em 1895 com o nome de “Exposição Internacional de Arte da Cidade de Veneza” e que pretendia representar “as mais notáveis atividades do espírito moderno, sem distinção de nacionalidade”. A esta Bienal acorreram artistas de 16 países, e o comitê incluiu individualidades tão célebres quanto Burne- Jones, Israëls, Libermann, Gustave Moreaux e Puvis de Chavannes. A exposição logo adquiriu prestígio mundial, e quando foi montada, após a Segunda Guerra Mundial, em 1948, tornou-se uma espécie de ponto de encontro da vanguarda internacional. Henri Moore, por exemplo, consolidou sua reputação quando recebeu em 1948 o prêmio Internacional de Escultura. Outras Bienais foram inauguradas segundo o modelo de Veneza; dessas, as mais prestigiosas são a de São Paulo, fundada em 1951, e a de Paris, fundada em 1959”. (CHILVERS, 1996, p.61)

Bienal é um evento – completo e complexo também – que pode envolver diversas modalidades artísticas, na qual podem ser expostas obras de Artes Visuais, Audiovisuais, Teatro e Dança (a Performance é um exemplo). Assumindo formato próximo ao das bienais, há também as exposições em Salões de Arte. Por exemplo: o Salão de Arte Paranaense, que ocorre uma vez por ano, atualmente no Museu de Arte Contemporânea, em Curitiba.

Enquanto os Salões são momentos de apresentação da produção mais recente dos artistas, as bienais são eventos responsáveis por projetar obras inusitadas, pouco conhecidas e por refletir as tendências mais marcantes no cenário artístico global.

Por isso, quem imagina que nesses eventos encontrará apenas obras consideradas pelo senso comum como “bonitas”, e que podem ser colocadas nas paredes como simples objetos decorativos, está muito enganado. Leia o quadro a seguir e analise o que Cristina Costa escreveu sobre isto:

14 Introdução

Ensino Médio

“Muitos falam em arte referindo-se às obras consagradas que estão em museus, às músicas eruditas apresentadas em grandes espetáculos ou ainda aos monumentos existentes no mundo. Alguns consideram arte apenas o que é feito por artistas consagrados, enquanto outros julgam ser arte também as manifestações de cultura popular, como os romances de cordel, tão comuns no Nordeste do Brasil. Para muitos, as manifestações de cultura de massa, como o cinema e a fotografia, não são arte, ao passo que outros já admitem o valor artístico dessas produções, ou pelo menos de parte delas. Não são poucos os que, mesmo diante das obras expostas em eventos artísticos famosos, sentem-se confusos a respeito do que vêem”. (COSTA, 1999, p. 07)

Então, após ter refletido sobre a citação acima, a qual conclusão você chegou? Uma obra de arte, para ter qualidade, tem que ser necessariamente bonita? Por quê?

Além do termo Bienal, e retomando outros da música de Zeca Baleiro, você sabia que “Barrococó” é nada mais, nada menos do que a junção do nome de dois movimentos e períodos da História da arte denominados: Barroco e Rococó?

Talvez você já tenha ouvido algo semelhante a isto: “A grade da janela de minha casa é cheia de rococós”. O que são estes “rococós”? De onde vêm estes termos?

A arte está presente no nosso dia-a-dia, faz parte de nossa vida e às vezes nem a percebemos. Por quê? As aulas de arte possibilitariam uma melhor compreensão dessas e de outras questões?

Afinal o que é arte?

A arte, como veremos a seguir, tem sido definida de diferentes formas, sendo que nenhuma delas chegou a esgotar o seu conteúdo ou significado.

Arte, para JANSON (1993, pg. 1), é, em primeiro lugar, uma palavra que pode significar tanto o conceito de arte como a existência do objeto arte.

Para KOSIK (2002) a arte é parte integrante da realidade social, é elemento de estrutura de tal sociedade e expressão da prática social e espiritual do homem.

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