(Parte 1 de 2)

CefetQuímica – URJ

Geografia

Profª.: Edilmeire

Thalita Martins

Turma: TM111

Guerra Fria

“Um período em que a guerra era improvável, e a paz, impossível”

Guerra Fria 1

“Um período em que a guerra era improvável, e a paz, impossível” 1

Guerra Fria 3

O início e o fim da Guerra Fria 3

Socialismo X Capitalismo 3

A influência da Propaganda 3

Corrida Armamentista e Espacial 4

CIA e KGB: Métodos de Espionagem 6

O Terrorismo 6

Guerra Fria e a Europa 7

Ergue-se o Muro de Berlim 8

Guerra Fria e a Ásia 8

Guerra do Vietnã 9

Guerra Fria e o Oriente Médio 9

Surgimento de Israel 10

Guerra do Golfo 10

Guerra Fria e a América Latina 11

Guerra Fria e o Brasil 12

A influência Cultural 13

Fim da Guerra Fria: A Era Gorbatchev 15

A Queda do Muro de Berlim e o Fim do Pacto de Varsóvia 17

A Tentativa de Golpe de Gorbatchev 17

O Fim da União da Soviética 18

A Nova Ordem Mundial 19

Neoliberalismo 19

Blocos Comerciais 20

A Nova Superpotência 20

Referências Bibliográficas 22

Guerra Fria

A divisão do mundo em dois blocos, logo após a Segunda Guerra Mundial, transformou o planeta num grande tabuleiro de xadrez, em que um jogador só podia dar um xeque-mate simbólico no outro. Com arsenais nucleares capazes de destruir a Terra em instantes, os jogadores, Estados Unidos e União Soviética, não podiam cumprir suas ameaças, por uma simples questão de sobrevivência.

O início e o fim da Guerra Fria

Não existe um consenso sobre a data exata do início e do fim da Guerra Fria. Para alguns estudiosos, o que marcou seu início foi a explosão nuclear sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Outros acreditam que se deu em fevereiro de 1947, quando o presidente norte-americano Harry Truman lançou no Congresso dos Estados Unidos a Doutrina Truman, que previa uma luta sem tréguas contra a expansão comunista no mundo. E há também estudiosos que lembram a divisão da Alemanha em dois Estados, em outubro de 1949. O surgimento da Alemanha Oriental, socialista, estimulou a criação de alianças militares dos dois lados, tornando oficial a divisão da Europa em dois blocos antagônicos. Poderia ser esse o marco inicial da Guerra Fria. Não Alguns historiadores acreditam que o fim deu-se em novembro de 1989, com a queda do Muro de Berlim, um dos grandes símbolos do período de tensão entre as superpotências. Nessa mesma perspectiva, o marco final da Guerra Fria poderia ser a própria dissolução da União Soviética, em dezembro de 1991, num processo que deu origem à Comunidade dos Estados Independentes. E outros analistas, ainda, consideram que o período terminou não em dezembro, mas em fevereiro de 1991, quando os Estados Unidos saíram da Guerra do Golfo como a maior superpotência de uma nova Ordem Mundial.

Socialismo X Capitalismo

A Guerra Fria se manifestou em todos os setores da vida e da cultura, representando a oposição entre dois ideais de felicidade: o ideal socialista e o ideal capitalista. Os socialistas idealizavam uma sociedade igualitária. O Estado era o dono dos bancos, das fábricas, do sistema de crédito e das terras, e era ele, o Estado, que deveria distribuir riquezas e garantir uma vida decente a todos os cidadãos. Para os capitalistas, o raciocínio era inverso. A felicidade individual era o principal. O Estado justo era aquele que garantia a cada indivíduo as condições de procurar livremente o seu lucro e construir uma vida feliz. A solução dos problemas sociais vinha depois, estava em segundo plano. É por isso que a implantação de um dos dois sistemas, em termos mundiais, só seria viável mediante o desaparecimento do outro. Nenhum país poderia ser, ao mesmo tempo, capitalista e comunista. Esta constatação deu origem ao maior instrumento ideológico da Guerra Fria: a propaganda.

A influência da Propaganda

O mundo foi bombardeado com imagens que tentavam mostrar a superioridade do modo de vida de cada sistema. Para ridicularizar o inimigo, os dois lados utilizavam muito a força das caricaturas. A propaganda serviu para consolidar a imagem do mundo dividido em blocos.

A novidade era o surgimento do bloco socialista na Europa, formado pelos países com governos de orientação marxista.

No mundo ocidental, os capitalistas procuravam mostrar que do seu lado a vida era brilhante. As facilidades tecnológicas estavam ao alcance de todos. Os cidadãos comuns possuíam carros e bens de consumo, tinham liberdade de opinião e de ir e vir.

Segundo a propaganda ocidental, a vida no lado socialista, retratada em diversos filmes de Hollywood, era triste e sem brilho, controlada pela polícia política e pelo Partido Comunista.

No mundo socialista, as imagens mostravam exatamente o contrário. A vida no socialismo era alegre e tranqüila. Os trabalhadores não precisavam se preocupar com emprego, educação e moradia. Tudo era garantido pelo Estado.

A cada dia, as novas conquistas tecnológicas, especialmente na área militar e espacial, mostravam a superioridade do socialismo. A propaganda socialista mostrava, ainda, o mundo ocidental como decadente e individualista, onde o capitalismo garantia, para alguns, uma vida confortável. E para a maioria, uma situação de miséria, privações e desemprego.

Corrida Armamentista e Espacial

A corrida teve início com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Quatro anos depois, em 1949, foi a vez da União Soviética anunciar a conquista da tecnologia nuclear. Foi o mesmo ano da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN. A aliança consagrava, no aspecto militar, a divisão da Europa em dois blocos antagônicos. A resposta viria em 1955, quando a União Soviética construiu sua própria aliança, o Pacto de Varsóvia. As superpotências passaram a acumular um poder nuclear capaz de aniquilar o planeta em instantes.

Um componente fundamental da corrida armamentista foi a disputa pelo espaço. Em 1957, os soviéticos colocaram em órbita da Terra o primeiro satélite construído pelo homem, o Sputnik-1. Em 61, os soviéticos fariam uma nova demonstração de avanço tecnológico: lançaram o foguete Vostok, a primeira nave espacial pilotada por um ser humano. O jovem cosmonauta Yuri Gagarin viajou durante cerca de 90 minutos em órbita da Terra, a uma altura média de 320 quilômetros.

Em rebate, em 1969, o grande momento: o astronauta Neil Armstrong, comandante da missão Apollo-11, e o piloto Edwin Aldrin pisam o solo lunar. A conquista norte-americana foi transmitida ao vivo pela TV, e acompanhada por mais de 1 bilhão de pessoas no mundo todo.

A combinação da tecnologia nuclear com as conquistas espaciais colocou o mundo na era dos mísseis balísticos intercontinentais. Um míssil disparado em Washington, por exemplo, poderia atingir Moscou em cheio em apenas 20 minutos. O aperfeiçoamento constante das armas acentuou a corrida armamentista. A conquista sistemática de novas tecnologias, nos dois blocos, incentivou o desenvolvimento de um ofício milenar: a espionagem.

A rota dos mísseis intercontinentais e dos mísseis de médio alcance sobre a Europa tinha uma função, durante a Guerra Fria, estritamente estratégica. Ela contava com o fato de que o temor disseminado entre os países da região central - onde se daria o eventual ataque - contribuiria para que a pressão política impedisse a guerra dos dois lados. Ou seja, a guerra nuclear, na verdade, sempre foi um jogo político, ela nunca foi planejada para de fato acontecer. Nessa mesma linha, a rota do (oceano) Pacífico não interessava a qualquer dos dois blocos, exatamente por essa razão. Não havia poder político a ser exercido naquela região, literalmente despovoada. O que interessava era obter a conquista de corações e mentes da Europa, da área que seria eventualmente pulverizada por uma guerra nuclear”. (Roberto Godoy).

CIA e KGB: Métodos de Espionagem

As duas grandes agências de espionagem, a KGB soviética e a CIA americana, treinavam agentes para atos de sabotagem, assassinatos, chantagens e coleta de informações. Nos dois lados criou-se um clima de histeria coletiva, em que qualquer cidadão poderia ser acusado de espionagem a serviço do inimigo.

A CIA, no início, funcionava em coordenação com o Departamento de Defesa e com o Conselho de Segurança Nacional. Criou-se a noção de uma comunidade de informações, da qual a CIA tornou-se a principal expoente. Em pouco tempo a agência tinha um quadro de milhares de funcionários, a um custo anual de 5 bilhões de dólares. Na mesma época, o FBI, Birô Federal de Investigação, a polícia federal dos Estados Unidos, marcava presença em ações inspiradas pelo clima de "caça às bruxas" desencadeado pelos setores conservadores da política americana. Esse clima agravou-se em 1949, com o julgamento e condenação do ex-funcionário do Departamento de Defesa Alger Hiss, acusado de fornecer segredos de Estado aos soviéticos.

"Podemos afirmar que a KGB era a própria alma do sistema soviético. é simples mostrar isso. No auge do império comunista, após a Segunda Guerra, a União Soviética era formada por 15 repúblicas que abrangiam um território de 22 milhões de km² , quase três vezes o tamanho do Brasil, e com uma população de mais de 200 milhões de habitantes. Essa população era composta por povos que falavam pelo menos 300 idiomas e professavam todas as grandes religiões conhecidas. Apesar dessa tremenda diversidade cultural, e das diferenças econômicas e históricas, só havia um partido político legalizado: o Partido Comunista. É claro que a ditadura de partido único só podia se manter às custas da mais feroz repressão. Sem a KGB, não existiria a União Soviética." (José Arbex Jr.)

O Terrorismo

O desenvolvimento da tecnologia nuclear, a partir do fim da Segunda Guerra, causou uma importante mudança na mentalidade das pessoas, do ponto de vista psicológico e cultural. A morte deixou de ser uma conseqüência natural da vida para se tornar uma questão política. A preservação da espécie humana passou a depender da decisão das superpotências de iniciar ou não um confronto nuclear fatal para o planeta. O mundo dos anos 50 não apresentava perspectivas muito animadoras. Na primeira metade do século, guerras, revoluções e conflitos localizados haviam consumido a vida de pelo menos 150 milhões de pessoas. Além disso, a tragédia atômica em Hiroshima e Nagasaki havia colocado o mundo sob a sombra permanente de um holocausto nuclear.

Na época da Guerra Fria, a falta de confiança na classe política era problemática. O ambiente internacional, contaminado pelo relacionamento pouco amistoso entre as superpotências, contribuía para a expansão de um dos maiores obstáculos à paz no mundo: o terrorismo. O uso da força e o terror estão presentes em todo o século XX. Mas, foi no período da Guerra Fria que se multiplicaram as ações de grupos radicais. Organizações antigas, como o grupo basco ETA e o IRA, Exército Republicano Irlandês, intensificaram suas atividades. No Oriente Médio, a OLP, Organização para a Libertação da Palestina, surgiu em 64 e centralizou as atividades de diversos grupos radicais palestinos. Nos anos 70, as Brigadas Vermelhas, na Itália, e o grupo Baader-Meinhof, na Alemanha, formados por estudantes e intelectuais, praticaram atentados desvinculados de compromissos políticos ou ideológicos.

O terrorismo assustou muitos os países da Europa nos anos 70. Diante do terror não há países atrasados ou adiantados, fortes ou fracos. Todo o planeta sente a mesma insegurança sob o fantasma constante de bombas lançadas contra pessoas inocentes. O fato de o terrorismo atingir em cheio os países desenvolvidos deixava temporariamente em segundo plano uma visão imperialista muito utilizada pelas superpotências nos anos 60, que dividia o planeta em Primeiro Mundo e Terceiro Mundo.

Guerra Fria e a Europa

Josef Stalin, da União Soviética, Harry Truman, dos Estados Unidos, e Winston Churchill, da Grã-Bretanha, reuniram-se na Conferência de Potsdam, no subúrbio de Berlim, de 17 de julho a 2 de agosto de 1945. Na cúpula de Berlim, o mundo foi partilhado entre comunistas e capitalistas, dando origem aos blocos da Guerra Fria. O líder soviético, Josef Stalin, apresentou um fato consumado: seu país já ocupava toda a região da Europa a leste da Alemanha. Na conferência, a área foi formalmente reconhecida como de influência soviética.

Em abril de 49, antes mesmo do fim do bloqueio de Berlim, os Estados Unidos criaram a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, com a participação do Canadá, França, Grã-Bretanha, Bélgica, Dinamarca, Islândia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega e Portugal. A Grécia e a Turquia ingressariam em 52, a Alemanha Ocidental em 55 e a Espanha em 82.

Uma das principais resoluções da OTAN garantia a defesa em bloco no caso de um ataque armado a qualquer país membro da organização.Os Estados Unidos queriam assegurar a hegemonia militar na Europa capitalista, e também garantir um ataque rápido e eficiente no caso de um confronto com a União Soviética.

Ao mesmo tempo, Khruschev tornava-se o principal arquiteto do Pacto de Varsóvia, um organismo militar criado em maio de 1955 como resposta à adesão da Alemanha à OTAN. O Pacto teve, no início, a participação da União Soviética, Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Tchecoslováquia, Romênia, Polônia e Hungria. Em 1956, aconteceu na Hungria a primeira intervenção das forças do Pacto.

A época era de crise econômica nos países socialistas, a começar pela União Soviética. O país enfrentava problemas como desemprego, falta de alimentos, prostituição e consumo de drogas. No Cáucaso soviético, o desemprego atingia cerca de um terço da população economicamente ativa. A não ser pelos progressos do setor militar e espacial soviético, a indústria no mundo socialista não acompanhava os avanços tecnológicos do Ocidente. O obsoletismo do parque industrial refletia-se no abastecimento da população. Na União Soviética, o racionamento de alimentos e a escassez de produtos como sabonete, roupas e calçados provocavam grandes filas nas principais cidades.Em oposição ao quadro de crise, uma camada da população, formada pelos funcionários da burocracia do Estado e do Partido Comunista, tinha acesso a bens e serviços fora do alcance do cidadão comum. Nos anos 80, sob o governo de Brejnev, mais do que em outras épocas, o conceito de socialismo foi deturpado pelos próprios dirigentes da União Soviética. A opinião pública ocidental tomou conhecimento de denúncias de corrupção generalizada na cúpula do poder de Moscou, garantida pela repressão da KGB, a polícia política soviética.

Ergue-se o Muro de Berlim

Em agosto de 1961, Khruschev determinou a construção do Muro de Berlim. Surgiu na capital da Alemanha Oriental uma barreira de 45 quilômetros de extensão e 3 metros de altura, com diversos postos de vigilância policial, dividindo os lados leste e oeste da cidade.

A União Soviética queria conter o êxodo de milhares de professores, intelectuais e trabalhadores alemães-orientais para o outro lado, atraídos pela propaganda capitalista. E queria também controlar a entrada de dinheiro e mercadorias do Ocidente, fatores de instabilidade na economia da Alemanha Oriental. Além do aspecto econômico, havia também questões de estratégia envolvidas. O lado ocidental de Berlim era considerado um portão de entrada de espiões para o mundo socialista. O muro serviria para diminuir um pouco esse fluxo.

Era, em resumo, um conjunto de fatores que poderia levar as superpotências a um impasse perigoso para o futuro do planeta. Nesse sentido, o Muro de Berlim pode ter evitado um mal pior, que seria um confronto aberto entre Estados Unidos e União Soviética.De qualquer maneira, o Ocidente soube explorar bem a existência do Muro para efeito de propaganda política. Em 1962, o presidente Kennedy faria referências ao tema num de seus mais famosos discursos, durante uma visita à Alemanha.O assunto Muro de Berlim foi deslocado para segundo plano com o abrupto afastamento do dirigente Nikita Khruschev do comando da União Soviética, em 1964. O mundo viveu momentos de dúvida e apreensão sobre os novos rumos da política de Moscou.

Guerra Fria e a Ásia

Em 1937, o império nipônico iniciou a invasão da China em larga escala. Um ano antes, o Japão e a Alemanha de Hitler haviam firmado o Pacto Anti-Komintern, um prenúncio da formação do Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Em 42, o Japão já ocupava a Indochina, a Indonésia, Malásia, Filipinas, Papua Nova Guiné, Hong Kong, as Ilhas Salomão, Cingapura, Birmânia e as ilhas Guam, além de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados da China.

Uma dessas regiões, a Ásia, entrou de forma espetacular nesse contexto. Foi em 1949, quando o líder comunista Mao Tsé-tung tomou o poder na China, um país que na época contava 600 milhões de habitantes. O comunismo chinês alterou o equilíbrio geopolítico no continente asiático. A revolução de Mao Tsé-tung encorajou a Coréia do Norte a atacar a Coréia do Sul, em 1950.

A guerra, que teve a intervenção militar dos Estados Unidos, durou 3 anos e causou a morte de mais de dois milhões de pessoas. Na época, a Índia, que havia conquistado sua independência em 1947, mantinha-se neutra, sem aderir a nenhum dos grandes blocos econômicos. Em 1954, foi a vez de a França sofrer uma derrota humilhante na Ásia, durante a Guerra da Indochina. A vitória do líder comunista vietnamita Ho Chi Min consolidou a formação do Vietnã do Norte e aumentou a preocupação dos Estados Unidos com o rumo político dos países do sudeste asiático.

Alarmado com a expansão comunista na região, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, envolveu seu país na Guerra do Vietnã, em 1960. Depois de treze anos de batalhas, a maior superpotência do planeta seria derrotada por soldados pobremente armados e por guerrilheiros camponeses munidos de facas e lanças de bambu. Os Estados Unidos perderam a guerra não pelas armas, mas pela falta de apoio da opinião pública de todo o mundo, em particular da americana.

Guerra do Vietnã

Desde a independência do Vietnã, do Laos e do Cambodja, em 54, a existência do Vietnã do Norte comunista nunca foi aceita por Washington. Com receio das aspirações de Ho Chi Min, de unificar o Vietnã sob a bandeira socialista, e antevendo a "teoria do efeito dominó" do secretário de Estado, Foster Dulles, os americanos estimulavam escaramuças entre sul-vietnamitas e seus vizinhos do norte.

Para não perder o aliado para o bloco socialista, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, passou a enviar centenas de assessores militares para a região, em 1960. Cinco anos depois, 184 mil soldados norte-americanos estavam em luta nas selvas do Vietnã. Em 67 eles eram 485 mil e, em 68, 536 mil.

Contra o pequeno e bravo inimigo auxiliado pela China e pela União Soviética, os Estados Unidos promoveram um dos mais sangrentos massacres da história da humanidade. Aviões bombardeavam aldeias, matando mulheres e crianças. Desfolhantes químicos, como o agente laranja, devastavam as florestas, poluíam os rios e tornavam a terra imprópria para a lavoura.

Mas a política de Washington não rendeu os resultados esperados. Pressionado pela opinião pública americana e por escândalos políticos, Nixon foi obrigado a reconhecer a derrota e retirar suas tropas do Vietnã, em 1973.

"Inicialmente, foi um conflito interno. De um lado existiam os guerrilheiros do Vietnã do Sul, chamados genericamente de vietcongs, que queriam derrubar o governo sul-vietnamita. Esses guerrilheiros eram apoiados pelo Vietnã do Norte, comunista desde 1954. E, de outro lado, os Estados Unidos apoiavam o governo do Vietnã do Sul. É claro que a União Soviética apoiou o governo comunista do Vietnã do Norte e, indiretamente, os vietcongs do sul”. (Nélson Bacic Olic)

Guerra Fria e o Oriente Médio

A Guerra Fria envolveu também uma das áreas mais fascinantes e estratégicas do planeta: o Oriente Médio. Habitada desde tempos imemoriais, a região destaca-se por três razões. Do ponto de vista econômico, é a mais rica em reservas de petróleo. Do ponto de vista geopolítico, serve de passagem entre Ásia e Europa. E no aspecto cultural, é o berço das três principais religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Com todas essas características, o Oriente Médio tornou-se um dos centros nevrálgicos da Guerra Fria. O interesse pela região já era visível nos anos 40, quando as principais potências mundiais negociaram a criação do Estado de Israel, em 1948. Havia muitos interesses geopolíticos em jogo no Oriente Médio. A União Soviética, de um lado, e os Estados Unidos, de outro lado, acreditavam que Israel poderia se tornar um importante parceiro político na região. Os palestinos e os países árabes vizinhos, no entanto, nunca aceitaram a criação de Israel. A primeira guerra árabe-israelense, vencida por Israel em 1949, teve como conseqüência o fim do Estado árabe-palestino. Foi dividido entre Israel, Jordânia e Egito. Nas décadas seguintes, outras três guerras modificariam o panorama geopolítico do Oriente Médio. Por trás de cada conflito estava um jogo de alianças internacionais que evidenciava o interesse das superpotências na região. Somente em 1993, quando Israel e a OLP assinaram um acordo de paz, é que se acendeu uma pequena luz de esperança na região.

A revolução iraniana era um fato novo no cenário internacional no fim dos anos 70. Até hoje, terminada a Guerra Fria, o Islã continua sendo um grande enigma contemporâneo. A Guerra Fria, na verdade, permeou os principais fatos políticos no mundo inteiro, desde o término da Segunda Guerra até o final dos anos 80. O complexo jogo das superpotências envolveu todos os continentes, inclusive a África.

Surgimento de Israel

Desgastados e impossibilitados de dar uma solução satisfatória para os conflitos, os britânicos decidiram abandonar a Palestina, passando o problema para a ONU. Em 1948, as Nações Unidas aprovaram a partilha da Palestina entre os Estados árabe e judeu. Havia um clima internacional favorável à criação de Israel, por causa do holocausto praticado pelos nazistas. Mas havia também muitos interesses geopolíticos em jogo.

Estava começando o período de tensão entre as superpotências, que iria se estender até o fim dos anos 80. Dessa forma, podemos dizer que os acontecimentos que conduziram à criação de Israel e transformaram o Oriente Médio foram influenciados pela lógica da Guerra Fria.

O dirigente soviético Josef Stalin acreditava que Israel poderia se tornar um país simpático à União Soviética, já que milhares dos imigrantes judeus de nacionalidade russa eram socialistas. Por outro lado, a França, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos viam em Israel um provável representante dos interesses ocidentais, numa região estratégica.

Os palestinos e os Estados árabes não aceitaram a criação do novo país. Eclodiu assim a primeira guerra árabe-israelense. Israel venceu o conflito em 1949. O Estado árabe-palestino desapareceu, dividido entre Israel, Jordânia, que ficou com a Cisjordânia, e o Egito, que ficou com a Faixa de Gaza.

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