Transporte Coletivo em Manaus

Transporte Coletivo em Manaus

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Transporte Coletivo: Um Estudo sobre o Nível de Satisfação dos Usuários a partir dos Cinco Terminais e Paradas de Ônibus de Manaus

Manuel do Carmo da Silva Campos1

Luiz Carlos Rodrigues França 2

Ricardo Jorge da Cunha Costa Nogueira 3

Sylvanio Rodrigues Medeiros 4

Eliana Silva da Rocha 5

Evelen da Silva de Lima 6

Karley Carvalho de Abreu 7

Luis Roberto Napoleão da Costa 8

Rosane Pinheiro da Silva 9

Resumo

Este artigo pretende analisar o nível de satisfação dos usuários de transporte coletivos a partir dos terminais e paradas de ônibus de Manaus. O Sistema de Transporte Coletivo tem enfrentado dificuldades oriundas principalmente da crescente demanda populacional que exige mais e melhores serviços, não só os de locomoção, como os de saúde, educação, segurança, água, energia elétrica e lazer. A cidade tem sofrido com um crescimento horizontal desenfreado e precisa diante desse crescimento desenvolver-se econômica e socialmente, esses cidadãos advindos de diversas partes do Brasil, chegam em busca de oportunidades, como emprego e moradia, ampliando assim as estatísticas dessa região. A metodologia utilizada envolveu demonstração e comparação dos dados levantados e tratados estatisticamente, dos referenciais teóricos e da consulta à população usuária do transporte coletivo. São várias as opções de transporte, mas, a população tem preferência pelo transporte coletivo e que mesmo diante de tantas dificuldades

1 Professor Doutor de graduação e pós-graduação – Mestrado em Ensino de Ciências na Amazônia da Escola Normal Superior – UEA e Líder do Grupo de Pesquisa Ciência,Tecnologia, Ética, Ambiente e Sociedade – CNPq e Professores do Departamento de Administração da Faculdade Salesiana Dom Bosco - FSDB Manaus e Orientadores do Programa de Iniciação Científica. 2 Professor M.Sc. membro do Grupo de Pesquisa Ciência, Tecnologia, Ética, Ambiente e Sociedade – CNPq. 3 Professor M.Sc. membro do Grupo de Pesquisa Ciência, Tecnologia, Ética, Ambiente e Sociedade – CNPq. 4 Professor M.Sc. membro do Grupo de Pesquisa Ciência, Tecnologia, Ética, Ambiente e Sociedade – CNPq. 5 Discente do curso de Administração da Faculdade Salesiana Dom Bosco – FSDB Manaus. 6 Discente do curso de Administração da Faculdade Salesiana Dom Bosco – FSDB Manaus. 7 Discente do curso de Administração da Faculdade Salesiana Dom Bosco – FSDB Manaus. 8 Discente do curso de Administração da Faculdade Salesiana Dom Bosco – FSDB Manaus. 9 Discente do curso de Administração da Faculdade Salesiana Dom Bosco – FSDB Manaus.

pessoais, sinaliza com grande insatisfação a segurança e a qualidade dos veículos que trafegam pelas ruas.

Palavras-chave: Coletivo; Satisfação; Transporte.

Introdução

Neste artigo, evidencia-se a avaliação sobre o sistema de transporte coletivo de Manaus, proveniente de uma pesquisa10

A análise procura diagnosticar a real situação do transporte coletivo para a cidade, com dados levantados e refletidos a partir de descrição documental e de entrevistas diretas à população, tendo em vista que, os meios de comunicação social da cidade nos últimos anos têm sinalizado o transporte coletivo como um problema que vem transformando o trânsito em verdadeiro caos.

feita com os usuários nos cinco terminais, paradas de ônibus e dependências da Faculdade Salesiana Dom Bosco.

Acredita-se que, de acordo com fontes sindicais do Sindicato das

Empresas de Transporte Coletivo do Amazonas (SINETRAM), quase “1.556 ônibus” estão trafegando pelas ruas da cidade de Manaus para uma população de aproximadamente 700.0 usuários por dia contabilizados nos terminais11

Se considerarmos que a cidade possui, de acordo como o Instituto

Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um contingente populacional aproximado de “1.646.602 habitantes”

municipal e estadual através de subsídios para manter o sistema funcionando

, ou seja, 42,51% da população dependente desse serviço, quase a metade da população manauara com inúmeras demandas sociais, a frota disponível de veículos torna-se fragilizada, principalmente para uma atividade que não funciona vinte e quatro horas por dia e necessita da intervenção

1 DIÁRIO DO AMAZONAS. Caderno Cidades. Manaus, 07/01/09, p. 9

10 A entrevista é o procedimento mais usual no campo de trabalho. Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos autores. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta de fatos relatados pelos autores, enquanto sujeito-objeto, da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada (Minayo, 2002, p.57). 12 DIÁRIO DO AMAZONAS. Caderno Cidades. Manaus, 04/01/09, p. 1.

O Contexto da Pesquisa

Manaus possui cinco grandes terminais além de inúmeras paradas de ônibus espalhadas pelos bairros: o T1, localizado na Avenida Constantino Nery na confluência com a Rua Leonardo Malcher e Boulevard Álvaro Maia; o T2, localizado no bairro da Cachoeirinha à rua Leonardo Malcher limitado pelas ruas Marciano Armoud mais conhecida como Carvalho Leal e a rua Borba; T3, localizado no bairro Cidade Nova na Avenida Noel Nutles; o T4, localizado na extremidade da zona norte com a zona leste próximo a feira do produtor e o T5, localizado na zona leste, nas proximidades dos bairros do São Jose e Zumbi dos Palmares. A situação de dependência pelo serviço de transporte coletivo leva os usuários a se submeterem por tempos indeterminados à espera dos veículos que se constituem na maioria dos casos a única opção de translado dessa população operária.

“Existem atos que são mais severamente reprimidos do que fortemente reprovados pela opinião publica” (Durkheim, 1999, p.53). Continua o autor: “[...] se esses atos não ofendem diretamente nenhum sentimento coletivo não há porque reprová-los” (Durkheim, 1999, p.53-54).

De fato, parece que a população espera e se conforma com a situação, existe um atenuante descaso proposital, aparentemente a solução não está possibilitada para aqueles que estão à espera do ônibus, mas sim para aqueles que detêm o poder sobre o sistema, infelizmente a solução que emanaria das decisões isoladas e coletivas está nula ou impedida de operar.

Só a zona Leste possui quarenta e três comunidades surgidas através de invasões nos últimos cinco anos, com uma população aproximada de 282.083 pessoas, encontra-se, praticamente, quase toda urbanizada, com processos dinâmicos de eliminação de grande parte da cobertura vegetal, pavimentação asfáltica e edificações diversas, constitui-se na maior demanda pelo serviço de transporte coletivo de toda a cidade e ao que tudo indica não consegue ter suas representações populares ativas e oriundas de suas próprias camadas.

A construção histórica do sistema de transporte coletivo urbano de uma cidade pode revelar a memória econômica e social de um povo, bem como as transformações ocorridas em sua estrutura viária e ainda possibilita a verificação de suas principais necessidades de circulação (Magalhães, 2003, p.17).

A pesquisa de campo foi estimada para 1.064 usuários sobre os 700.0 por dia nos terminais, sendo pesquisados aproximadamente 152 usuários em cada terminal, dependências da Faculdade Salesiana Dom Bosco e paradas de ônibus. Desses entrevistados 43,26% foram homens e 56,73% mulheres escolhidos aleatoriamente, a organização familiar com 27,75% dos entrevistados declaram comportar cinco ou mais pessoas no mesmo domicílio para 9,35% viverem sozinhos, o restantante distribuídos entre dois a quatro pessoas, sendo que 18,6% possuíam idade entre 31 a 36 anos; 19,79% idade entre os 26 a 30 anos; 24,82% idade com mais de 36 anos e 36,71% dos entrevistados idade entre 16 a 25 anos. Esses dados demonstram que a demanda maior pelo transporte coletivo revela a necessidade das mulheres e sobretudo dos jovens. Manaus é uma cidade jovem, estudantil e trabalhadora. A atividade escolar municipal e estadual com 423 e 208 escolas respectivamente atendem a uma demanda de aproximadamente “250 mil escolares somente na rede municipal”13 , enquanto que “260 mil escolares na rede estadual de ensino”14

, ou seja, 30,97% da população total, isso sem avaliarmos o setor particular de ensino.

A expansão urbana e o crescimento demográfico fazem do transporte coletivo um serviço público essencial. Sua importância é fundamental na solução de problemas de distância, no atendimento às necessidades de locomoção das pessoas, sendo, portanto, elemento indispensável ao progresso e ao convívio social nas cidades contemporâneas. Porém esse é um setor que requer melhorias constantes, visto que a eficiência deste sistema ocorre quando se consegue atender qualitativamente a todas as áreas da cidade e, principalmente, as mais carentes, que se ampliam em velocidade crescente (Magalhães, 2003, p. 17).

Um dos fatores que muito influencia na demanda pelo transporte coletivo é o da renda familiar e pode não ser a menor renda familiar que leva a utilização do sistema de transporte coletivo, e sim a comodidade e a economia provocada nesse meio de locomoção. Dos entrevistados 23,37% declararam possuir renda mensal entre R$ 601,0 a R$ 80,0; 37,59% declararam possuir renda entre R$ 40,0 a R$ 60,0; e 39,03% declararam possuir renda familiar acima de R$ 801,0. Com isso percebe-se que a população usuária do sistema constitui-se em uma população economicamente ativa e contribuinte, geradora de renda e potencial consumidora

13 DIÁRIO DO AMAZONAS. Caderno Cidades. Manaus, 07/01/09, p. 10

14 DIÁRIO DO AMAZONAS. Caderno Cidades. Manaus, 04/01/09, p. 2.

numa economia em flanco desenvolvimento, por isso tais serviços devem corresponder a esse perfil social.

Não devemos supor que o homem seja capaz de criar novas coisas ou mesmo de destruir os bens externos. A sua capacidade está limitada no sentido do aumento ou do desenvolvimento do valor das coisas. Na realidade, existem dois fatores originários da produção, os quais seriam o homem e a natureza, pois todos os bens físicos e serviços utilizados pelo homem, na produção, provêm ou dos seus semelhantes ou do meio físico. Produzir, pois, significa transformar bens naturais em riquezas econômicas, mediante a inteligência e a técnica (Gastaldi, 2006, p. 101).

Esse mesmo homem que se utiliza dos serviços é na sua grande maioria criativo para o trabalho. A pesquisa revelou que ao contrário do que nos impõem o Pólo Industrial de Manaus (PIM), um número expressivo de pessoas usuárias do sistema são autônomas, divididas entre 28,26% para autônomos declarados e 37,20% para outras atividades declaradas independentes, ficando 1,43% pensionistas, 2,36% aposentados, 12,94% funcionários públicos e 17,78% para os trabalhadores oriundos do distrito industrial, mas isto também pode significar dizer que os industriários gozam de transporte fornecido pela estrutura industrial e mesmo aqueles que não fazem uso desse transporte devem receber algum tipo de vale transporte para uso no sistema público.

A este fato junta-se a questão do desemprego estrutural na economia mundial, mesmo antes dessa avalanche de fuga de capitais que se pode perceber com a economia norte-americana, a economia manauara já havia estabelecido fundamentações de sua própria economia, em suas atividades culturais, turísticas, comerciais, de serviços e, sobretudo da manufatura local, por isso esse dado contribui para outro aspecto relevante, embora se tenha o único pólo de microeletrônica da América Latina em Manaus, possamos ter um povo criativo que diante das catástrofes nos mercados financeiros internacionais, que abalam consideravelmente as multinacionais instaladas no PIM, possa-se ter geração de emprego e renda e alternativas comerciais para esta cidade incrustada na maior floresta tropical do planeta.

O Sistema de transporte em Manaus

Na cidade de Manaus podem-se perceber pelo menos sete categorias distintas de transporte nas vias públicas, sendo seis delas oferecidos à população, algumas atividades exploradas pelas mesmas empresas que estão em uma ou outra atividade concomitantemente: (i) micro-ônibus conhecidos como alternativos, ou mesmo executivos, chegam a “260 veículos operando com autorização ou por meio de liminares além de 70 que fazem o serviço de forma ilegal”15

(i) articulados ou mais conhecidos como expressos, 3,78% dos entrevistados disseram utilizar o expresso não como opção principal, mas somente em casos específicos de irem de uma zona a outra da cidade, o motivo aparente descrito consiste na viagem demorada que o expresso desenvolve ao longo do percurso e na maioria das vezes apresentar-se lotado;

, trafegam por toda a cidade, a pesquisa revelou que 6,95% dos entrevistados costumam usufruir desse serviço de forma indeterminada, a área mais explorada dessa atividade são as imediações da Avenida Grande Circular, na zona Leste e toda a sua confluência regional e Distrito Industrial;

(i) van (lotação), mais conhecidas aqui em Manaus como “Kombi lotação”, esse tipo de transporte ainda utilizado na cidade é considerado muito perigoso, irregular na maioria dos casos e utilizado por 1,43% dos entrevistados, que dizem recorrer a essa categoria em situações extremas e de maior dificuldade de locomoção. Em Manaus a Kombi é muito utilizada para o transporte escolar particular, mas não se adequou as necessidades públicas em decorrência de sua estrutura e estabilidade frágil à pressão coletiva que não só quer transporte, mas transporta consigo mercadorias entre outras coisas, a Kombi é admitida para o transporte de passageiros sentados e não para o frete de mercadorias em grande proporção; (iv) moto-Táxi, no tocante ao veículo de duas rodas, trata-se de uma atividade recente no sistema de transporte em Manaus através de cooperativas, congrega aproximadamente “4 mil moto taxistas”16

15 DIÁRIO DO AMAZONAS. Caderno Cidades. Manaus, 04/01/09, p. 1.

espalhados pelos bairros é considerado pelas autoridades como um transporte clandestino, embora se tenha registro que já exista um sindicato da categoria essa questão ainda não foi regulamentada pelo poder público, 0,3% da população pesquisada afirma utilizar o moto-táxi como última alternativa de sua locomoção, mesmo porque a corrida de um moto-taxista não é tarifada, não existe uma tabela de preços para trajetos ou

16 DIÁRIO DO AMAZONAS. Caderno Cidades. Manaus, 04/01/09, p. 1.

deslocamentos específicos, o motoqueiro estipula o preço da corrida e o cliente ou usuário paga se puder. Constitui-se num transporte muito perigoso para atender os usuários do sistema, pois em alguns casos o cliente utiliza o moto-taxi para transportar mercadorias, ranchos e crianças na garupa aumentado assim o risco e o número de acidentes; a moto em si constitui-se num veículo de transporte seguro individual e muito econômico e admite no máximo duas pessoas na garupa, nas vias da cidade, nos corredores principais como avenida Constantino Nery, avenida Djalma Batista, avenida Torquato Tapajós e avenida Grande Circular além das múltiplas ruas incrustadas nos bairros e invasões, dentro do perímetro urbano, a velocidade máxima permitida pela autoridade competente é de 60Km/h e o que se percebe é um tráfego intenso pautado por altos índices de velocidade; (v) táxi, quanto à essa categoria de transporte, 0,2% dos usuários do sistema de transporte coletivo afirmam utilizar como transporte o táxi comum, mas não com regularidade em decorrência do preço da bandeirada, somente em casos de necessidades que envolvam questões de saúde ou viagem, são aproximadamente “3.910 veículos”17

(vi) ônibus comum, trafega geralmente de dentro dos bairros diretamente para os terminais, paradas e centro da cidade, conta com a preferência de 80,06% da população usuária do sistema, sem dúvida porque o ônibus comum pode se locomover dentro dos bairros colhendo os usuários com maior eficiência, segurança e menor custo, em determinados casos o usuário prefere esperar por essa categoria de transporte do que ficar pulando de terminal para terminal ou de parada para outra parada até chegar em seu destino final, por isso o nível de satisfação do ônibus que sai do bairro em direção ao centro da cidade é baixo, chegando a insatisfação total;

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