Apostila Completa de Ergonomia 2

Apostila Completa de Ergonomia 2

(Parte 1 de 6)

5.DORT - DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO

5.1.Diagnóstico04
5.2.Fatores de Risco04
5.3.Os Fatores Biomecânicos Ligados ao Trabalho07
5.4.Patologias Associadas1
5.5.Os Fatores Psicossociais Relacionados com a Empresa1
5.6.Análise/Quantificação do Conjunto de Fatores de Risco de Dort15
I.NIOSH- National Institute for Occupational Safety and Health15
I.RULA (Rapid Upper Limb Assessment)16
Malchaire, B. Indesteege20
Checklists2
5.7.Ações Preventivas dos DORT23
6.LOMBALGIA24
6.1.O Transporte de Cargas26
6.2.Fatores de Risco de Lombalgia26
6.3.Prevenção das Lombalgias29
7.FADIGA30
8.ANTROPOMETRIA34
9.BIOMECÂNICA39
9.1.Trabalho Muscular Estático e Dinâmico43
9.2.A Postura de Trabalho46
9.3.Escolha da Postura de Trabalho51

TRABALHO . 03 I.INRCT- Institut National de Recherche sur des Conditions de Travail, J. 10.CONCEPÇÃO DO POSTO DE TRABALHO . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

10.1.A Concepção do Posto52
10.2.As Exigências Visuais53
10.3.Escolha da Postura de Trabalho53
10.4.A Altura do Plano de Trabalho “em Pé”54
10.5.Espaço de Trabalho5
10.6.O Espaço Para os Pés56
10.7.A Altura do Plano de Trabalho “Sentado”56
10.8.Adaptação às Dimensões Individuais57
10.9.Suporte Para o Pés58
10.10.Características das Cadeiras59
10.1.As Informações Visuais59
10.12.O Arranjo Físico dos Diversos Elementos que Compõem o Posto60
1.CONCEPÇÃO DE MOSTRADORES, COMANDOS E FERRAMENTAS
1.1.Mostradores61
1.2.Comandos62
1.3.Ferramentas62
12.TRABALHO COM MONITORES DE VÍDEO68
12.1.Monitor de Vídeo68
12.2.O Teclado70
12.3.O Desenho Físico do Posto de Trabalho71
12.4.Iluminação de Terminais de Vídeo74
12.5.Nível Sonoro nos Terminais de Vídeo75
12.6.Condições Termohigrométricas76
12.7.Organização das Tarefas com Terminais de Vídeo e Entrada de Dados7
12.8.NBR 13965-7 - Móveis para Informática79
13.CONDIÇÕES AMBIENTAIS80
13.1.Iluminamento80
13.2.Condição Térmica85
13.3.Condição Acústica85
13.4.Vibrações86

. 61 14.A SÍNDROME DO EDIFÍCIO ENFERMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 90

15.ERGONOMIA E SEGURANÇA DO TRABALHO

16.BIBLIOGRAFIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 93

Rosemary Dutra Leão – DRTE/SC Claudio Cezar Peres – DRTE/RS

5D O R T -- D i s t ú r b i o s O s t e o m u s c u l a r e s
R e l a c i o n a d o sa o T r a b a l h o

“As Lesões por Esforços Repetitivos (LER), denominadas atualmente como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), se constituem num dos mais sérios problemas de saúde pública da economia mundial. Sua ocorrência hoje, tanto no Brasil como em diversos países é preocupante. As LER/DORTs acometem uma quantidade crescente de trabalhadores. Há empresas no Brasil com índices de afastamento do trabalho acima de 10% da sua população, provocando profundo sofrimento, perda da capacidade produtiva e comprometimento da vida social e familiar.

Os custos sociais e financeiros destas doenças ligadas ao trabalho são enormes. Calcula-se prejuízos da ordem de bilhões de dólares somente na América do Norte. No Brasil esta cifra chega a atingir mais de R$ 1.0,0 por funcionário ao ano. E naturalmente este cálculo não considera custos de oportunidade como as perdas das centrais de atendimento que deixariam de atender, das linhas de produção que produzem aquém da capacidade instalada, das empresas de telemarketing que acumulariam lucros cessantes.” (extraído do boletim de agosto 1998 da ABERGO-Associação Brasileira de Ergonomia ).

Na literatura internacional são utilizados termos tais como: USA

CTD - Cumulative Trauma Disorders, (Distúrbios por trauma cumulativo), França e Bélgica TMS - Troubles Musculosquelettiques (Problemas Musculoesqueléticos), entre outros. Estes termos são utilizados para indicar uma alteração patológica do sistema musculo-esquelético resultante de uma degradação progressiva, proveniente da acumulação de micro traumatismos e também da sobrecarga muscular estática. Como a aparição dos sintomas é progressiva, os mesmos são inicialmente ignorados podendo evoluir para uma fase mais crônica com lesões irreversíveis(Malchaire e col.,1997).

Para o INSS a terminologia DORT que substituiu a LER, descreve as afecções que podem atingir tendões, sinóvias, músculos, nervos, fáscias ou ligamentos, de forma isolada ou associada, com ou sem degeneração dos tecidos, afetando principalmente, mas não somente, os membros superiores, região escapular e pescoço, de origem ocupacional, decorrentes do: -uso repetitivo de grupos musculares;

-uso forçado de grupos musculares;

-manutenção de postura inadequada.

5.1.Diagnóstico

História clínico-ocupacional Exames físicos Testes de sinais

5.2.Fatores de Risco

Os fatores ligados às condições de trabalho: forças, posturas, ângulos, repetitividade, ...;

relações,;

Os fatores organizacionais: organização da empresa, clima social,

enfermidades,

Os fatores individuais: capacidade funcional, habilidade,

Estas três categorias de fatores, não podem ser vistas separadamente, pois suas interações são freqüentemente as responsáveis do desenvolvimento dos problemas osteomusculares. Na figura abaixo, apresentamos dois modelos que permitem relacionar estes fatores de risco, tais modelos estão descritos no livro “Troubles Musculosqulettiques – Analyse du Risque”- Malchaire e Col. INRCT, 1997.

Num dos modelos, proposto por Cnockaert e Claudon (1994) Figura 2, os autores definem risco como “o resultado de um desequilíbrio entre o que se exige que a pessoa faça e a sua capacidade funcional”. A solicitação ao indivíduo é expressa em três fatores biomecânicos fundamentais que representam os esforços, a repetitividade dos movimentos e as posturas extremas. Estes três fatores se descrevem segundo a sua duração. A capacidade funcional do indivíduo depende de sua condição física, do envelhecimento de seu aparato locomotor, do grau de estresse e dos parâmetros da “equação pessoal”, ou seja, de seu estado geral de saúde, em parte geneticamente determinado, e de seus antecedentes patológicos.

ESFORÇOREPETITIVIDADE POSTURAS
RISCO = SOLICITAÇÃO

7 CAPACIDADE FUNCIONAL

CONDIÇÃO ENVELHECIMENTO ESTRESSE
FÍSICA PESSOAL

EQUAÇÃO Figura 2 : Equação ligando os diferentes fatores de risco Cnockaert & Claudon, 1994

O outro modelo elaborado por Aptel (1993), Figura 3: mostra de um lado os fatores próprios do indivíduo e de outro os fatores encontrados na empresa. Ou seja, os fatores de risco diretos e os fatores de risco indiretos (cofatores). Os fatores de risco diretos são de um lado, os do indivíduo, que se incluem dentro da chamada “equação pessoal”(estado de saúde e antecedentes patológicos) e de outro, os fatores biomecânicos e outros fatores, que estão relacionados com as condições de trabalho. E os fatores de risco indiretos estão compreendidos também de um lado, pelo que tem o indivíduo (essencialmente o grau de estresse) e de outro, pela organização do trabalho, que depende da empresa.

tel 199Ape3) Figura 3: Aptel, 1993

Estes modelos mostram claramente que não existe DORT sem uma grande demanda biomecânica, mas que os fatores de risco de DORT não se limitam somente a estes fatores (Malchaire e Col.,1997).

5.3. Os Fatores Biomecânicos Ligados ao Trabalho

I. A força

A força é um conceito fácil de definir, mas um parâmetro difícil de estimar. Resumindo, pode-se dizer que existem dois enfoques de estimação importantes:

EQUAÇÃO PESSOAL (sexo, idade,antecedentes médicos)

FATORES BIOMECÂNICOS OUTROS FATORES DE RISCO (repetitividade, esforços, postura, frio, luvas e vibrações) a) a força vista como fator de risco: a carga externa, os pesos manipulados; b) a força vista como uma conseqüência: seu impacto nas estruturas corporais.

É importante fazer a distinção entre o peso do objeto a ser manipulado e a força necessária para manipulá-lo (Kuorinka e Forcier, 1995). O efeito do peso absoluto do objeto ou da ferramenta manipulada depende muito da posição do objeto ou da ferramenta em relação ao eixo do corpo. Em função das posições do braço em alavanca, a manipulação de objetos ou ferramentas de pouco peso pode exigir esforços importantes e aumentar o risco para as articulações do ombro e do cotovelo (Keiserling e col., 1991).

A avaliação do grau de nocividade do fator força depende: - da posição do objeto em relação ao corpo;

- do tempo de manutenção;

- da freqüência;

- da forma da ferramenta ou objeto manipulado;

- do uso de luvas ou de ferramentas vibrantes;

I. A repetitividade

A repetitividade nem sempre é definida da mesma forma, abaixo temos algumas das definições obtidas na literatura:

Tanaka e col. (1993): o n.º de produtos similares fabricados por unidade de tempo.

Luoparvi e col. (1979): o n.º de ciclos de trabalho efetuados durante uma jornada de trabalho.

Silverstein e col. (1987): consideram repetitividade elevada quando o tempo de ciclo é inferior à 30 segundos ou quando mais de 50% do tempo de ciclo é composto pela mesma seqüência de gestos.

Malchaire e Cock (1995) definem repetitividade como sendo o n.º de passagens, por unidade de tempo de uma situação neutra à uma situação extrema em termos de movimentos angulares, de força ou ainda de movimentos e força.

Kilbom, 1994: separa a repetitividade por partes do corpo, de acordo com o quadro abaixo:

Parte do corpoRepetições por minuto

OmbrosAcima de 2 ½

Braço/cotovelo Acima de 10 Antebraço/punho Acima de 10 Dedos Acima de 200

I. As posturas

As posturas desfavoráveis podem conduzir ao desenvolvimento de

DORT, quer se trate de posturas estáticas ou de variações posturais de grande amplitude ou com grande velocidade durante a execução da tarefa.

As posturas desfavoráveis mais citadas são: elevação dos ombros (associados ao trabalho dos braços acima dos ombros), flexão com torção ou inclinação lateral da cabeça, posturas extremas dos cotovelos como a flexão, extensão, a pronação e/ou a supinação (as epicondilites são associadas aos movimentos extremos de rotação do antebraço eventualmente combinadas aos movimentos de flexão e extensão do punho), os desvios dos punhos como a flexão, extensão, os desvios radiais e cubitais extremos (as tenossinovites ao nível da mão e punhos são principalmente associadas à repetição dos movimentos em flexão e extensão e agravadas pelos desvios cubitais e radiais extremos) - Malchaire e col.1997.

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