Postos de Trabalho

Postos de Trabalho

(Parte 1 de 2)

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS

TRABALHO DE ERGONOMIA

Ergonomia Aplicada ao Posto de Trabalho

Professor: Luiz Tepedino

Alunos: Victor Thomas de Sousa Stein RGU: 06425259

Gustavo Muniz RGU: 07100156

Rodrigo Luiz Zetto RGU:

INTRODUÇÃO

Historicamente o projeto do posto de trabalho surgiu antes da Ergonomia, ou seja, surgiu com o trabalho, e este, como sabemos, é tão antigo quanto a humanidade.

A Ergonomia como ciência teve suas origens em estudos e pesquisas na área da Fisiologia do Trabalho, mais especificamente na fadiga e no consumo energético provocado pelo trabalho. Estes estudos tiveram como objetivo diagnosticar os problemas que causavam a fadiga no trabalho e, consequentemente, procurar soluções que pudessem eliminar e / ou minimizar a fadiga no trabalho.

Na Inglaterra, durante a I Guerra Mundial (1914 à 1917), fisiologistas e psicólogos foram chamados para colaborar no setor industrial, como recurso para aumentar a produção de armamentos com a criação da Comissão de Saúde dos Trabalhadores na Indústria de Munições, em 1915. Com o fim da guerra, esta comissão foi transformada no Instituto de Pesquisa da Fadiga Industrial, que, por sua vez, realizou diversas pesquisas sobre o problema da fadiga na indústria.

Em 1929, com a reformulação do Instituto de Pesquisa da Fadiga Industrial, que se passou a chamar Instituto de Pesquisa Sobre Saúde no Trabalho, o campo de atuação e abrangência das pesquisas em Ergonomia foi ampliado. Nele foram realizados pesquisas sobre posturas no trabalho e suas conseqüências, carga manual e esforço físico, seleção e treinamento de trabalhadores, bem como, foram analisados as conseqüências das condições ambientais ( iluminação, ventilação e etc.) na saúde e no desempenho do indivíduo no trabalho, delineando deste então a necessidade de agregação de conhecimentos interdisciplinares ao estudo do trabalho.

O projeto de design do posto de trabalho torna-se ergonômico na medida em que os conhecimentos científicos relativos ao homem são utilizados na concepção do projeto de design, com vistas a reduzir a fadiga física, facilitar a operação dos equipamentos e instrumentos, proporcionar segurança, eficiência e eficácia.

Nos dias atuais o que estamos percebendo é que a maioria dos problemas ergonômicos estão exatamente onde sempre estiveram, ou seja, no projeto das máquinas, dos equipamentos, das ferramentas, do mobiliário e do posto de trabalho e, evidentemente, agravados pelas inadequações relativas a organização do trabalho.

Desta forma, se não houver a adaptação ergonômica do projeto do posto de trabalho os problemas ergonômicos continuarão a existir. Estes problemas podem ser minimizados com ações paleativas ( ginástica laborativa, pausas durante a jornada de trabalho, redução da jornada de trabalho, rotatividade de tarefas e etc. ), mas, jamais eliminados em sua totalidade, pois com estas ações, não se combate a causa, e sim o efeito. Por este motivo, é que se deve aplicar os conhecimentos ergonômicos na concepção do projeto dos postos de trabalho, das máquinas, das ferramentas, do mobiliário e, até mesmo no planejamento da organização do trabalho.

VISÃO ERGONÔMICA

As mudanças tecnológicas e as novas técnicas de gestão dos negócios, tem causado várias alterações nos métodos e processos de produção. Para acompanhar estas mudanças, é necessário proporcionar aos funcionários/colaboradores condições adequadas para que estes possam exercer suas tarefas e atividades com conforto e segurança. Desta forma, é necessário projetar o posto de trabalho e, organizar o sistema de produção com concepção ergonômica.

Tendo como premissa que a conquista da qualidade dos produtos ou serviços e, o aumento da produtividade, só será possível com a qualidade de vida no trabalho, o projeto ergonômico do posto de trabalho e do sistema de produção não é mais apenas uma necessidade de conforto e segurança, e sim, uma estratégia para a empresa sobreviver no mundo globalizado.

Os profissionais de Segurança e Medicina do Trabalho, (engenheiros de segurança do trabalho, médicos do trabalho, técnicos de segurança, enfermeiros do trabalho e higienistas ocupacionais ), devem estar plenamente conscientes, capacitados e habilitados para utilizarem a Tecnologia Ergonômica em toda a sua plenitude (multidisciplinaridade e abrangência), para proporcionar as organizações empresarias e governamentais, meios de adequar ergonomicamente as condições de trabalho, como forma de proporcionar qualidade de vida no traba lho tanto em ambientes industriais, quanto em ambientes administrativos.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Tendo em vista o processo de desenvolvimento pelo qual passa os setores industrial e de serviços em nosso país com o processo de automação e informatização, a adequação ergonômica dos postos de trabalho e do sistema de produção são necessidades imediatas.

Com o processo de globalização que estamos vivenciando, a empresa para sobreviver precisa tornar-se competitiva, portanto é necessário que ela modernize seus recursos técnicos (máquinas, equipamentos, ferramentas métodos e processos de produção), qualifique e capacite seus recursos humanos ( funcionários / colaboradores) e proporcione boas condições de trabalho aos mesmos.

A produtividade e a qualidade do produto ou do serviço, está diretamente ligada ao posto de trabalho e ao sistema produtivo, e estes, deverão estar ergonomicamente adequados aos funcionários / colaboradores, para que estes possam realizar suas tarefas com conforto, eficiência e eficácia, sem causar danos a saúde física, psicológica e cognitiva.

O futuro das organizações dependerá cada vez mais da criatividade e da participatividade dos funcionários/colaboradores na solução dos problemas e, isto só será possível, se o ambiente de trabalho estiver ergonomicamente adequado.

O que temos observado na maioria das empresas brasileiras, especialmente as empresas do setor industrial, é um total descaso para com as condições de trabalho e, consequentemente, com a qualidade de vida dos funcionários / colaboradores.

Somente em algumas empresas multinacionais ou transnacionais como estão sendo denominadas atualmente e, em algumas grandes empresas nacionais, a Ergonomia esta sendo utilizada como ferramenta para melhorar a eficiência e eficácia dos funcionários / colaboradores nos postos de trabalho.

Os profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho, necessitam conhecer melhor a ciência Ergonomia, e utilizar os recursos da Tecnologia Ergonômica em suas empresas, não só para proporcionar melhores condições de trabalho, mas também, contribuir para melhoria contínua dos novos métodos de gestão da produção e da gestão administrativa.

Posto é uma palavra oriunda da linguagem militar;

Indica um local onde alguém é colocado para realizar uma determinada tarefa ou função;

Normalmente, o posto de trabalho é uma localização situada dentro de um sistema de produção;

O posto de trabalho corresponde, então, a um papel definido, que comporta instruções e procedimentos (o que fazer, quando fazer e como fazer) e meios (onde fazer, com que fazer), a ser ocupado por um determinado sujeito.

POSTOS DE TRABALHO

Baseia-se no estudo dos movimentos corporais do ser humano, necessários para executar uma tarefa, e na medida do tempo gasto em cada um desses movimentos;

A seqüência dos movimentos necessários para executar a tarefa é baseada em uma série de princípios de economia de movimentos, sendo que o melhor método é escolhido pelo critério do menor tempo gasto;

O desenvolvimento do melhor método é feito geralmente em laboratório de engenharia de métodos, onde os diversos dispositivos, materiais e ferramentas, são colocados em posições mais convenientes, baseados em critérios empíricos e em experiências pessoais dos próprios analistas de métodos

Posto de Trabalho: é definido como a menor unidade produtiva em um sistema de produção. O posto de trabalho envolve o homem, seu local de trabalho, e toda ajuda material que o indivíduo necessita para realizar suas tarefas, abrangendo: máquinas, ferramentas, equipamentos, mobiliário, softwares, sistemas de proteção e segurança, EPIs e o próprio sistema de produção. O projeto do posto de trabalho tem basicamente dois enfoques historicamente conhecidos; o enfoque taylorista e o enfoque ergonômico tradicional e, com o advento da automação, informatização e dos novos sistemas de gestão dos negócios.

Enfoque Taylorista: é baseado no estudo dos movimentos corporais para realizar uma tarefa e no tempo gasto em cada um desses movimentos. O melhor método de trabalho é escolhido pelo menor tempo consumido na realização das tarefas. O enfoque taylorista não leva em consideração as características físicas e psicológicas dos usuários / operadores, muito menos, as necessidades individuais dos mesmos.

Enfoque Ergonômico Tradicional: é baseado no princípio da redução das exigências biomecânicas no intuito de minimizar a fadiga física, ou seja, leva em consideração os limites e capacidades do indivíduo do ponto de vista da biomecânica ocupacional e, as características antropométricas dos usuários / operadores. No enfoque ergonômico tradicional, o posto de trabalho é considerado um prolongamento do corpo humano, visto que este trata apenas dos fatores físicos do posto de trabalho. O enfoque ergonômico tradicional é aplicado na concepção e/ou adaptação de postos de trabalhos tradicionais.

Enfoque Ergonômico Global: segue os mesmos princípios do enfoque ergonômico tradicional, abrangendo ainda os aspectos psicológicos e cognitivos do indivíduo, bem como, os sistemas de produção (incluindo os hardwares e softwares).

No enfoque ergonômico global, o posto de trabalho é considerado um prolongamento do corpo e da mente humana, pois trata além dos fatores físicos do posto de trabalho, os aspectos cognitivos ( na interface homem x máquina e processo de produção ), bem como, as relações pessoais e motivacionais no ambiente de trabalho. O enfoque ergonômico global é aplicado na concepção e / ou adaptação de postos de trabalho e/ou ambientes de trabalho informatizados e automatizados em ambientes industriais e administrativos.

NORMA NR17

A Análise Ergonômica de que trata a Norma , diz respeito a 4 frentes:

 Levantamento, transporte e descarga individual de materiais;

 Mobiliário do posto de trabalho;

 Condições ambientais de trabalho; e

 Organização do trabalho.

A Portaria número 3751 de 23/11/90 criou a Norma Regulamentadora NR-17 (Ergonomia) do Ministério do Trabalho - MTE, que obriga as empresas regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT a realizar a Análise Ergonômica das Condições de Trabalho e a adequar as condições de trabalho a proporcionar conforto e segurança nas tarefas e atividades realizadas nos postos e ambientes de trabalho.

Carga Manual

Sempre que possível, o levantamento, o transporte e a descarga manual de objetos pesados devem ser evitados.

Mobiliário

Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem ser adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. Adequados à natureza do trabalho significa que os equipamentos devem facilitar a execução da tarefa específica.

Às vezes, uma simples cadeira ergonômica pode fazer a diferença. A altura de uma bancada pode estar adequada a uma pessoa alta, mas não para outra, baixa. Produtos e postos de trabalho inadequados provocam tensões musculares, dores e fadiga. Ás vezes, podem levar a lesões irreversíveis. Na maioria dos casos, os problemas podem ser evitados com a melhoria dos postos de trabalho e dos equipamentos em uso no trabalho.

Ambiente de Trabalho

A abordagem ambiental sob a ótica da Ergonomia, é centrada no ser humano e abrange tanto o critério da saúde quanto os de conforto e desempenho.

Assim, com relação ao posto de trabalho, principalmente nos ambientes cobertos (residência, galpão, escritório, fábrica, armazém, silo, etc.), devem ser observados os cuidados construtivos e operativos necessários para propiciar ao trabalhador: conforto térmico, acústico, luminosidade, instalações sanitárias e locais para dessedentação e descanso.

Organização do Trabalho

A organização do trabalho define quem faz o que, como e em quanto tempo. É a divisão dos homens e das tarefas, principalmente nas empresas agropecuárias, vez que, quando o agricultor é o proprietário e trabalha a sua própria terra, é o dono do seu nariz e organiza o trabalho ao seu jeito, sem interferência da figura do patrão.

ANÁLISE DO POSTO DE TRABALHO EM UMA INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES

Para tal análise foram abordados os seguintes pontos da Ergonomia:

  • Delimitar o objeto de estudo a um aspecto da situação de trabalho: decomposição em um sistema humano-tarefa;

  • Abordagem globalizante que impõe uma recomposição da situação de trabalho;

  • Este processo de decomposição/recomposição é a base da metodologia proposta.

  • Conhecimentos sobre o comportamento do ser humano em atividade de trabalho;

  • Discussão dos objetivos do estudo com o conjunto das pessoas envolvidas;

  • Aceitação das pessoas que ocupam o posto a ser analisado;

  • esclarecimento das responsabilidades

  • O estudo ergonômico do posto de trabalho comporta três fases:

Análise da demanda: é a definição do problema a ser estudado, a partir do ponto de vista dos diversos fatores sociais envolvidos;

Análise da tarefa: análise das condições ambientais, técnicas e organizacionais de trabalho;

Análise das atividades: análise dos comportamentos do ser humano no trabalho (gestuais, informacionais, regulatórios e cognitivos).

Participaram desta pesquisa 10 indivíduos, sendo todos do gênero feminino

com idade média de 34 anos; e tempo médio de trabalho superior a um ano. Todos os indivíduos trabalham numa única empresa, fundada em 1999 e que confecciona roupas infanto-juvenis, com diferentes tamanhos, com constante renovação de suas coleções. Seus produtos são comercializados em todo o país por meio dos shoppings de atacadistas e sua loja de fábrica.

Instrumentos

Foram utilizados: um Protocolo de Avaliação e Análise Ergonômica de

Postos de Trabalho (Ergonomic Workplace Analisys) do Finnish Institute

of Occupational Health – Ergonomics Section, (AHONEN, et al. 1989)

(Parte 1 de 2)

Comentários