Jogos Empresariais

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(Parte 5 de 7)

2.2.1 Breve histórico e definição

O termo empreendedorismo é derivado da palavra empreendedor que, por sua vez, tem sua origem no termo francês entrepreneur. Não existe uma unanimidade entre os autores acerca do período em que o termo foi usado inicialmente. De acordo com Dolabela (1999), era usado no Século XII para designar aquele que incentivava brigas. Já Longen (1997) afirma que, em princípio, a palavra foi empregada no Século XVI, com o objetivo de identificar as pessoas envolvidas nas atividades de coordenação das operações de forças militares e, por volta de 1700, começou a ser utilizada para designar aquelas pessoas que se associavam aos grandes proprietários de terras e aos trabalhadores assalariados.

De acordo com Filion (1999) e Lynskey (2002), o termo empreendedorismo tem sua origem na disciplina econômica, com a publicação, em 1755, da obra Ensaio sobre a Natureza do Comércio em Geral, de Cantillon (2002), que o empregou, pela primeira vez, com uma conotação de economia e apresentou uma concepção da função empreendedora baseada na assunção do risco.

Apesar de Cantillon ter sido o primeiro a definir as funções do empreendedor, o título de pai do empreendedorismo pertence ao economista francês, Jean-Baptiste Say. Em sua obra, Tratado de Economia Política, publicada em 1803, o autor foi o primeiro pesquisador a estabelecer os fundamentos do campo de estudo do empreendedorismo (FILION, 1999; LYNSKEY, 2002).

Diferentemente de Cantillon (2002), Say (1983) não considerava os riscos ou a incerteza como um aspecto central da função do empreendedor, mas sim, o papel de coordenação da produção e da distribuição, com o objetivo de alcançar o máximo de lucro e de vendas. O autor associou o empreendedor a um agente de mudanças.

Os economistas Cantillon (1680-1734) e Say (1767-1832) tiveram a sua atenção despertada para o papel do empresário ao analisar o surgimento de novas empresas e as dificuldades na sua administração, cabendo-lhes, naquela época, a primazia de destacar o empresário como centro do processo econômico. Assim, foram os economistas os primeiros a constatarem a relevância da função do empreendedor e a reconhecer a sua importância no sistema produtivo. Eles perceberam que aquela função demandava uma atenção nas variações do mercado, uma percepção de oportunidades e a assunção de riscos.

O alicerce para o campo do empreendedorismo, entretanto, foi estabelecido a partir dos estudos realizados pelo economista da escola austríaca, Joseph Alois Schumpeter. Assim como Say, Schumpeter considera que os empreendedores têm a função de inovar, isto é, de combinar, de forma mais eficiente, os fatores de produção. Além disso, Schumpeter (1985) também evidencia a importância do empreendedorismo e da inovação para o desenvolvimento econômico, que pode ser definido como um deslocamento definitivo do estado de equilíbrio previamente existente na economia.

Melo Neto e Froes (2002) afirmam que empreendedorismo é um neologismo derivado da simples tradução do termo entrepreneuship, utilizado para fazer referência aos estudos relacionados ao empreendedor, seu perfil, origens, atividades e área de atuação. Segundo Hisrish (1989), o termo designa uma pessoa que assume riscos e começa algo novo.

Na visão de Kuratko e Hodgetts (1998), empreendedorismo não é apenas a criação de negócios, é também a arte de criar oportunidades e assumir riscos calculados. Paiva e Cordeiro (2002), entre outros autores, conceituam o empreendedorismo como sendo a criação de uma organização econômica inovadora, com o propósito de obter lucratividade ou crescimento, sob condições de risco e de incerteza. Em contrapartida, Longenecker, Moore e Petty (1998) apresentam uma concepção mais ampliada da ação empreendedora, definindo-a tanto como aquela relacionada a uma pessoa que inicia um negócio quanto a que o opera e desenvolve um empreendimento. Nessa prática, podem ser incluídos todos os proprietários-gerentes ativos da empresa. O conceito, sob esse prisma, agrega, inclusive, os membros da segunda geração de empresas familiares e proprietáriosgerentes, que compram empresas já existentes.

para elaboração do conceito

Gartner (1988) afirma que a literatura não faz distinção entre o empreendedorismo e o empreendedor, já que os mesmos estão intimamente ligados. Nos estudos, de forma geral, o empreendedor cria empresas e tenta mantêlas, inovando e adaptando as mudanças do mercado. Nessa perspectiva, Dolabela (1999) ressalta que existe um significativo número de definições acerca do termo empreendedor, e que essa variação tem sua origem nas diferentes áreas de atuação dos pesquisadores, que utilizam os princípios de suas próprias áreas de interesse

O Quadro 3, a seguir, apresenta um cronograma do desenvolvimento do conceito de empreendedor até chegar ao conceito de empreendedorismo.

_ Participante e pessoa encarregada de projetos de produção em grande escala.

_ Pessoa que assume riscos de lucro ou prejuízo em um contrato de valor fixo com o governo.

1725 Richard Cantillon Pessoa que assume riscos é diferente da que fornece o capital. 1803 Jean Baptiste Say Lucros do empreendedor separados dos lucros do capital.

1876 Francis Walker Distinguiu entre os que forneciam fundos e recebiam juros e aqueles que obtinham lucros com habilidades administrativas.

1934 Joseph Schumpeter O empreendedor é um inovador e desenvolve tecnologia. 1961 David McClelland O empreendedor é alguém dinâmico que corre riscos moderados. 1964 Peter Drucker O empreendedor maximiza oportunidades.

1975 Albert Shapero O empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais e econômicos e aceita riscos de fracasso.

1980 Karl Vésper O empreendedor é visto de modo diferente por economistas, psicólogos, negociantes e políticos.

1983 Gifford Pinchot O intraempreendedor é um empreendedor que atua dentro de uma organização já estabelecida.

Robert Hisrich O empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal.

Quadro 3 - Desenvolvimento do conceito de empreendedorismo Fonte: Hisrich (2004, p.27), com adaptações.

Analisando os conceitos apresentados no quadro anterior, verificamos o uso das palavras risco, inovador, dinâmico, iniciativa e criar, como inerentes ao empreendedor. Esses termos representam as diferentes visões de áreas distintas do conhecimento sobre o tema empreendedorismo, conforme apresentado no tópico abaixo.

2.2.2 As diferentes visões sobre empreendedorismo

Diante dos diversos conceitos sobre empreendedorismo, percebe-se que existe uma visão multifacetada, com influência de várias áreas do conhecimento. Nessa perspectiva, Filion (1999) apresenta cinco escolas que trazem diferentes aspectos do empreendedorismo: a Escola Econômica, a Escola Comportamentalista, a Escola Fisiológica, a Escola Positivo-funcional e a Escola do Mapeamento Cognitivo.

Dentre as diferentes escolas apresentadas por Filion (1999), destacam-se duas: a Econômica e a Comportamentalista. Enquanto o enfoque comportamental se concentra nas características criativas e intuitivas dos indivíduos empreendedores, o enfoque econômico tende a associar empreendedorismo a inovação (SOUZA; GUIMARÃES, 2005).

O Quadro 4 apresenta as cinco principais escolas do empreendedorismo, descrevendo aspectos como ênfase, abordagem da organização, conceito de organização, principais representantes, características básicas da administração, concepção de homem, comportamento organizacional do indivíduo, sistema de incentivos, relação entre os objetivos organizacionais e individuais e os resultados almejados.

Com base nas descrições feitas por Schumpeter (1978), McClelland (1972),

Harrell (1994), Miner (1998) e Cossete (1994), verifica-se que elas se enquadram nas escolas propostas por Filion, segundo mostra o quadro a seguir:

Ênfase

Influência do comportamento na economia

Características comportamentais/ modelagem social

Natureza do ser humano

Evolução no empreendimento

Perfil estratégico

Abordagem da organização Formal Formal Informal Formal e informal Formal

Conceito de organização Estrutura formal Estrutura formal com diversificação

Sistema social com foco no conhecimento e no desenvolvimento

Sistema social com objetivos a alcançar

Sistema vivo com forte influência do ambiente

Principais

representantes

Schumpeter (1978)

McClelland

Filion, Miner

Características básicas da administração

Alto rendimento Alta produtividade

Normatização com foco na diversificação e na expansão

Abordagem sistêmica Foco em fim específico

Técnica social complexa com administração por objetivos

Lógica estratégica com foco nas mudanças ambientais

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