Desenvolvimento de fármacos

Desenvolvimento de fármacos

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Química Farmacêutica 48

Prof. Antonio Távora

Desenvolvimento de Fármacos

1. Fontes de Fármacos.

Antigamente o tratamento das doenças consistia em uso de drogas de origem animal e vegetal, mas ainda desconhecendo o modo de ação dessas substâncias.

Para estabelecer uma relação entre doença, sintoma e as drogas, alguns estudiosos, como Paracelso (1493 a 1541) pai da farmacoquímica ou iatroquímica e fundador da medicina moderna, adotaram a doutrina da assinatura, onde, os talos da hepática, cuja forma é semelhante à do fígado, seriam úteis no tratamento de doenças hepáticas; o açafrão, por ter cor amarela, curaria a icterícia; as raízes vermiformes seriam eficientes medicamentos contra vermes intestinais; a flor de verônica, que se assemelha a um olho, debelaria as doenças oculares; as folhas de ervacidreira, cordiformes ajudariam nas moléstias cardíacas; a mucosa do estômago de carneiro eliminaria as perturbações gástricas.

Tal doutrina embora fundada em crenças populares e na superstição, contribuiu, para o progresso das ciências médicas.

Observando casualmente os efeitos curativos produzidos por partes de determinadas plantas ou certos órgãos animais, o homem comprovou que as raízes do ruibarbo tinham ação purgativa; que a mandrágora possuía propriedades analgésicas; que o fígado de peixe fazia desaparecer a cegueira noturna; que as glândulas adrenais preveniam as hemorragias; que sementes de determinadas plantas (café, chá-mate, noz, cola, guaraná, cacau) eram estimulantes do SNC.

Só com a descoberta de alcalóides, entre 1803 e 1920, que o estudo dos fármacos recebeu grande impulso.

Até 1930 as drogas usadas na Medicina eram, em sua maioria, de origem natural: vegetal, animal e mineral.

A descoberta acidental de que fungos e outros microrganismos produzem antibióticos, que podem inibir processos vitais de outros organismos, mesmo em

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Contudo, graças ao grande progresso da Química Orgânica, no arsenal terapêutico predominam atualmente os fármacos de origem sintética.

A síntese química vem contribuindo cada vez mais com novos fármacos, mormente depois que passou a aplicar os conhecimentos dos mecanismos de reações químicas e bioquímicas e dispor de eficientes e rápidos métodos analíticos e de identificação, principalmente cromatografia, espectrofotometria, espectroscopia, RMN e difração de raios X.

Ao lado dos produtos de origem microbiana (antibióticos e vitaminas principalmente), de novos alcalóides e daqueles obtidos totalmente por síntese química, o arsenal terapêutico foi também enriquecido por muitos fármacos semisintéticos, introduzidos mediante modificação química de produtos vegetais, animais ou microbianos, como alcalóides, hormônios e antibióticos, respectivamente.

Outrossim, o progresso da Microbiologia e da Imunologia possibilitou, a fabricação de soros e vacinas.

Atualmente possuímos aproximadamente 5.0.0 substâncias químicas, perfeitamente identificadas e caracterizadas.

A este número se acrescentam anualmente cerca de 100.0 compostos novos. São de uso comum aproximadamente 63.0 substâncias químicas, das quais 4.0 são fármacos e 2.0 são aditivos de medicamentos; outras 2.500 a 5.0 são aditivos alimentares e mais 1.500 se empregam como ingredientes em agrotóxicos (também denominados, embora erroneamente, pesticidas, praguicidas e defensivos agrícolas). A percentagem de medicamentos de origem natural (vegetal, animal, mineral e

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Hoje em dia, dos fármacos mais usados na terapêutica, 50% são de origem sintética, 18% de origem vegetal, 10% de origem animal, 9% de origem mineral, 5,5% de origem microbiana, 3,5% de origem semi-sintética, 3% são vacinas e 1% soros.

Origem dos fármacos mais usados na terapêutica

Sintética Vegetal Animal Mineral Microbiana Semi-sintética Vacinas Soros

2. Custo e Local de Desenvolvimento de Fármacos.

O arsenal terapêutico foi muito enriquecido, de 1940 a 1975, no mercado norte-americano, foram introduzidos 971 fármacos novos, sendo estes os mais utilizados hoje em dia na terapêutica.

Os países que mais concorreram para isso foram: Estados Unidos, com 622 (64,0% do total); Suíça, com 68 (7,0% do total); Inglaterra, com 51,5 (5,4% do total); Alemanha, com 48 (4,9% do total); e França, com 27 (2,9% do total). O Brasil, infelizmente, não contribuiu, neste período, com nenhum fármaco novo.

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Desenvolvimento de Fármacos de 1951-1975

USA Suíça Inglaterra Alemanha França

A introdução de novos fármacos é atualmente muito onerosa. Na década passada custava 6.0.0 de dólares na França e 8.0.0 na

Inglaterra.

Os Estados Unidos, vêm despendendo cada vez mais em suas pesquisas. Onde a introdução de cada fármaco novo, desde a sua concepção até a comercialização, custou cerca de 60.0.0 de dólares.

O motivo desse alto custo quando deve-se às dispendiosas fases compreendidas na gênese de um medicamento, que leva em média 7 a 10 anos.

Há ainda outras razões para a introdução de um novo fármaco na clínica médica ser tão cara. Uma delas é o fato de ser cada vez mais difícil desenvolver novos fármacos.

Em 1958, das 14.600 substâncias sintetizadas e ensaiadas como fármacos potenciais. 47 encontraram emprego clínico.

Hoje em dia, calcula-se que é necessário sintetizar ou extrair de fontes naturais e ensaiar de 3.0 a 5.0 compostos químicos para que, desta triagem longa e onerosa, resulte 01 fármaco de uso terapêutico.

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Nos últimos 20 anos, 90% dos novos fármacos foram desenvolvidos em indústrias, 9% nas universidades e outras instituições acadêmicas e 1% nos laboratórios de pesquisas oficiais. Estes dados contrastam com os das décadas anteriores, quando as universidades contribuíam com cerca de 50%.

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Indituições que desenvolveram fármacos no Sec. X

Indústria Universidades Lab oficiais

3. Busca de Novos Fármacos.

Com o objetivo de descobrir novos agentes terapêuticos úteis, muitas substâncias estão sendo sintetizadas e testadas todos os anos.

Calcula-se que até hoje foram ensaiadas mais de 15.0 sulfas, 40.0 tuberculostáticos potenciais, 220.0 antimaláricos potenciais, 50.0 compostos organofosforados como inseticidas potenciais, 250.0 esquistossomicidas potenciais e, só nos Estados Unidos, mais de 300.0 antineoplásicos potenciais.

Potenciais Fármacos testados sulfas tuberculostáticos antimaláricos organofosforados esquistossomicidas antineoplásicos

O arsenal terapêutico está agora relativamente bem suprido com diversos tipos de fármacos, tais como anti-histamínicos, antiespasmódicos, miorrelaxantes e barbitúricos. Por esta razão, novos fármacos pertencentes a um destes tipos atraem pouco interesse. Por outro lado, devido à situação atual da terapêutica, grande esforço está

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