Sementes

Sementes

(Parte 1 de 6)

Prof. Dr. Silmar Teichert Peske

Engª Agrª Drª Mariane DAvila Rosenthal Engª Agrª Drª Gladis Rosane Medeiros Rota

Endereço Pelotas - RS - BRASIL

Direitos adquiridos por

EDITORA Rua Pelotas - RS - BRASIL

Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária CRB 10/213

Capa: Revisão: I S B N

CAPÍTULO 1 - PRODUÇÃO DE SEMENTES12
1. INTRODUÇÃO13
2. ELEMENTOS DE UM PROGRAMA DE SEMENTES14
2.1. Pesquisa15
2.2. Produção de sementes genética e básica16
2.3. Produção de sementes comerciais17
2.4. Controle de qualidade20
2.5. Comercialização21
2.6. Consumidor2
3.1. Setor público2
3.2. Coordenação de atividades2
3.3. Legislação23
3.4. Certificação de sementes23
4. PROTEÇÃO DE CULTIVARES26
4.1. Alguns conceitos relacionados incluídos no convênio da UPOV27
4.2. O melhoramento vegetal tradicional27
4.3. Os efeitos negativos de uma isenção completa28
4.4. Variedade essencialmente derivada29
5. ATRIBUTOS DE QUALIDADE DE SEMENTES30
5.1. Genéticos30
5.2. Físicos31
5.3. Fisiológicos3
5.4. Sanitários34
6. NORMAS DE PRODUÇÃO DE SEMENTES34
6.1. Origem da semente e cultivar35
6.2. Escolha do campo36
6.3. Semeadura39
6.4. Adubação40
6.5. Manutenção de variedade41
6.6. Irrigação43
6.7. Isolamento4
6.8. Descontaminação (depuração)47
7. FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DAS SEMENTES49

Página 3. RELAÇÕES ENTRE ELEMENTOS DO PROGRAMA DE SEMENTES 2 7.1. Fecundação ..................................................................................... 49

8. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE SOJA5
8.1. Deterioração no campo5
8.2. Momento de colheita56
8.3. Seleção de regiões e épocas mais propícias para produção de sementes56
8.4. Aplicação de fungicidas foliares57
8.6. Danos causados por insetos58
9. PRODUÇÃO DE SEMENTES DE MILHO HÍBRIDO58
10. DEMANDA DE SEMENTE61
10.1. Distribuição do risco61
10.2. Produção fora de época62
10.3. Controle de qualidade62
10.4. Comentário final63
1. COLHEITA63
1.1. Colheitadeira65
1.2. Perdas na colheita – quantidade69
1.3. Danificações mecânicas72
1.4. Misturas varietais7
1.5. Comentário final79
12. RESUMO DAS PRÁTICAS CULTURAIS79
13. INSPEÇÃO DE CAMPOS PARA PRODUÇÃO DE SEMENTES81
13.1. Período de inspeção81
13.2. Tipos de contaminantes83
13.3. Como efetuar a inspeção86
13.4. Caminhamento em um campo para sementes8
13.5. Como efetuar as contagens de plantas no campo89
13.6. Comentário sobre inspeção91
14. BIBLIOGRAFIA91
CAPÍTULO 2 – FUNDAMENTOS DA QUALIDADE DE SEMENTES94
1. INTRODUÇÃO95
2. CICLO DE VIDA DE UMA ANGIOSPERMA95
2.1. Macrosporogênese95
2.2. Microsporogênese97
2.3. Polinização97
2.4. Embriogênese98
3. ESTRUTURA DA SEMENTE9
4. TRANSPORTE DE RESERVAS PARA SEMENTE100

7.2. Maturidade ...................................................................................... 51 8.5. Estresse ocasionado por seca e alta temperatura durante o enchimento de grãos . 57 5. PRINCIPAIS CONSTITUINTES DA SEMENTE ................................. 102

6.1. Síntese de amido103
6.2. Enzimas ramificadoras104
7. PROTEÍNAS DE RESERVA105
7.1. Fatores fisiológicos que influenciam o conteúdo de N na semente109
8. LIPÍDEOS110
8.1. Síntese de lipídeos112
SEMENTE113
9.1. Efeitos das condições ambientais sobre a qualidade da semente115
10. MATURAÇÃO FISIOLÓGICA117
1. A REGULAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA SEMENTE18
1.1. Tolerância à dessecação120
1.2. Dormência121
1.3. Germinação122
12. PRÉ-CONDICIONAMENTO DE SEMENTES130
12.1. Vantagens do pré-condicionamento130
12.2. Como o pré-condicionamento atua na semente130
12.3. Tipos de pré-condicionamento131
12.4. Pré-condicionamento e longevidade da semente132
13. DETERIORAÇÃO DA SEMENTE133
13.1. Redução das reservas essenciais da semente134
13.2. Danos a macromoléculas134
13.3. Acumulação de substâncias tóxicas135
14. BIBLIOGRAFIA136
CAPÍTULO 3 – ANÁLISE DE SEMENTES138
1. INTRODUÇÃO139
2. AMOSTRAGEM140
2.1. Objetivo e importância140
2.2. Definições140
2.3. Homogeneidade do lote de sementes141
2.4. Peso máximo dos lotes142
2.5. Obtenção de amostras representativas142
2.6. Tipos de amostradores e métodos para amostragem dos lotes143
2.7. Intensidade da amostragem144
2.8. Pesos mínimos das amostras médias145
2.9. Embalagem, identificação, selagem e remessa da amostra145
2.10. Obtenção das amostras de trabalho146

6. AMIDO ................................................................................................... 103 9. EFEITOS DE FATORES AMBIENTAIS SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA 2.1. Armazenamento das amostras ....................................................... 148

3.1. Objetivo149
3.2. Definições149
3.3. Equipamentos e materiais150
3.4. Procedimento151
4. DETERMINAÇÃO DO NÚMERO DE OUTRAS SEMENTES155
4.1. Objetivo155
4.2. Definições155
4.3. Tipos de testes155
4.4. Procedimento156
4.5. Exame de sementes nocivas156
4.6. Informação dos resultados156
5. TESTE DE GERMINAÇÃO157
5.1. Objetivo157
5.2. Definição157
5.3. Condições para a germinação157
5.4. Materiais e equipamentos160
5.5. Condições sanitárias164
5.6. Metodologia165
SEMENTES175
6.1. Teste de tetrazólio175
6.2. Teste de embriões expostos183
6.3. Teste de raio X184
7. VERIFICAÇÃO DE ESPÉCIES E CULTIVARES185
7.1. Objetivo185
7.2. Princípios gerais185
7.3. Exame das sementes186
7.4. Exame em plântulas189
7.5. Exame das plantas em casa de vegetação ou câmara de crescimento189
7.6. Exame das plantas em parcelas de campo190
7.7. Informação dos resultados190
8. DETERMINAÇÃO DO GRAU DE UMIDADE190
8.1. Objetivo e importância190
8.2. Formas de água na semente191
8.3. Métodos para a determinação do grau de umidade191
9. DETERMINAÇÃO DO PESO DE SEMENTES197
9.1. Objetivo197
9.2. Metodologia197

3. ANÁLISE DE PUREZA ......................................................................... 149 6. TESTES RÁPIDOS PARA DETERMINAR A VIABILIDADE DAS 9.3. Informação dos resultados .............................................................. 198

10.1. Definição199
10.2. Procedimento199
10.3. Cálculo e informação dos resultados200
1. TESTE DE SEMENTES REVESTIDAS201
1.1. Objetivo201
1.2. Definições201
1.3. Avaliações202
12. TESTE DE SEMENTES POR REPETIÇÕES PESADAS202
12.1. Objetivo202
12.2. Metodologia203
12.3. Informação dos resultados203
13. TOLERÂNCIAS203
14. VIGOR204
14.1. Definições204
14.2. Testes de vigor205
INTERNACIONAL213
15.1. Certificado Internacional de Análise de Sementes213
15.2. Informação de resultados214
15.3. Validade do certificado214
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO215
16.1. Área física218
16.2. Instalações e equipamentos219
16.3. Pessoal220
17. BIBLIOGRAFIA2
CAPÍTULO 4 - PATOLOGIA DE SEMENTES224

10. DETERMINAÇÃO DO PESO VOLUMÉTRICO ................................ 199 15. ANÁLISES E CERTIFICADOS PARA O COMÉRCIO 16. LABORATÓRIO DE ANÁLISE DE SEMENTES:

SEMENTES DE ALTA QUALIDADE225
1.1. Introdução225
1.2. Transmissão de patógenos associados às sementes225
1.3. Perdas provocadas por patógenos em nível de campo229
1.4. Efeito de patógenos sobre a qualidade das sementes235
2.1. Objetivos238
2.2. Princípios238

1. IMPORTÂNCIA DA PATOLOGIA NA PRODUÇÃO DE 2. PRINCÍPIOS E OBJETIVOS DO TESTE DE SANIDADE DE SEMENTES 238 3. MÉTODOS USADOS PARA A DETECÇÃO DE MICRORGANISMOS EM SEMENTES ................................................................................... 240

3.2. Exame da semente incubada243
3.3. Análise através de bioensaios ou procedimentos bioquímicos252
4. CAUSAS DE VARIAÇÕES DOS TESTES DE INCUBAÇÃO259
4.1. Fatores relacionados com a qualidade das sementes259
4.2. Potencial de inóculo260
4.3. Reações dos patógenos às condições do teste260
4.4. Variações devido à amostragem260
4.5. Condições de armazenamento das amostras261
4.6. Recipiente a ser usado para os testes262
4.7. Condições do pré-tratamento262
4.8. Fatores de variações na incubação263
4.9. Umidade265
4.10. Luz266
4.1. Interação entre luz e temperatura267
4.12. Fatores bióticos268
4.13. Período de incubação268
4.14. Identificação e registro dos patógenos269
5. TRATAMENTO DE SEMENTES270
5.1. Introdução270
5.2. Tipos de tratamento de sementes271
6. BIBLIOGRAFIA279
CAPÍTULO 5 - SECAGEM DE SEMENTES281
1. INTRODUÇÃO282
2. UMIDADE DA SEMENTE282
2.1. Equilíbrio higroscópico282
2.2. Propriedades físicas do ar284
3. PRINCÍPIOS DE SECAGEM290
4. MÉTODOS DE SECAGEM291
4.1. Natural291
4.2. Artificial293
5. AERAÇÃO312
6. SECA-AERAÇÃO314
7. FLUXO DAS SEMENTES NO SISTEMA DE SECAGEM315
8. CONSIDERAÇÕES GERAIS315
8.1. Demora na secagem315
8.2. Capacidade de secagem316
8.3. Danos mecânicos316

3.1. Exame da semente não-incubada .................................................... 240 8.4. Temperatura de secagem ................................................................ 316

8.6. Danos térmicos317
8.7. Fluxo de ar317
8.8. Supersecagem318
8.9. Uniformização ou homogeneização da umidade318
8.10. Desconto da umidade318
9. BIBLIOGRAFIA319
CAPÍTULO 6 - BENEFICIAMENTO DE SEMENTES321
1. INTRODUÇÃO322
2. RECEPÇÃO E AMOSTRAGEM322
2.1. Recepção322
2.2. Amostragem324
3. PRÉ-LIMPEZA E OPERAÇÕES ESPECIAIS324
3.1. Pré-limpeza324
3.2. Operações especiais325
4. LIMPEZA DE SEMENTES328
4.1. Largura, espessura e peso329
4.2. Densidade340
4.3. Comprimento344
4.4. Forma346
4.5. Textura superficial348
4.6. Condutibilidade elétrica349
4.7. Afinidade por líquidos350
4.8. Separação pela cor350
5. CLASSIFICAÇÃO350
6. TRATAMENTO DE SEMENTES355
6.1. Introdução355
6.2. Equipamentos355
7. TRANSPORTADORES DE SEMENTES357
7.1. Elevador de caçambas357
7.2. Transportador de parafuso (rosca sem-fim, caracol)359
7.3. Correia transportadora359
7.4. Transportador vibratório359
7.5. Transportador pneumático359
7.6. Transportador por corrente360
7.7. Empilhadeira360
8. PLANEJAMENTO DE UBS360
8.1. Fluxograma na UBS361

8.5. Velocidade de secagem ................................................................... 317 8.2. Seleção do equipamento ................................................................. 361

8.5. Regulagem de fluxo de sementes363
9. BIBLIOGRAFIA364
CAPÍTULO 7 - ARMAZENAMENTO DE SEMENTES366
1. INTRODUÇAO367
SEMENTES368
2.1. Sementes de vida longa e vida curta368
2.2. Sementes ortodoxas e recalcitrantes371
3. DETERIORAÇÃO DE SEMENTES372
3.1. Definição372
3.2. Teorias da deterioração de sementes374
3.3. Causas da deterioração376
4. FATORES QUE AFETAM A CONSERVAÇÃO DAS SEMENTES378
4.1. Fatores genéticos378
4.2. Estrutura da semente380
4.3. Fatores de pré e pós-colheita381
4.4. Teor de umidade da semente382
4.5. Umidade e temperatura ambiente386
4.6. Danos causados às sementes depois da colheita389
4.7. Idade fisiológica das sementes390
5. TIPOS DE ARMAZENAMENTO DE SEMENTES391
5.1. Armazenamento a granel391
5.2. Armazenamento em sacos395
5.3. Armazenamento sob condições de ambiente controlado400
6. PRAGAS DAS SEMENTES ARMAZENADAS E SEU CONTROLE403
6.1. Insetos e ácaros403
6.2. Fungos409
6.3. Roedores e pássaros410
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS413

8.3. Tipos de UBS ................................................................................. 362 8.4. Aspectos importantes a considerar no planejamento de uma UBS . 363 2. LONGEVIDADE E POTENCIAL DE ARMAZENAMENTO DAS 8. BIBLIOGRAFIA ..................................................................................... 414

CAPÍTULO 1

Produção de Sementes

Prof. Dr. Silmar Teichert Peske Prof. Dr. Antonio Carlos Souza Albuquerque Barros

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos

A semente é o veículo que leva ao agricultor todo o potencial genético de uma cultivar com características superiores. Em seu caminho, do melhorista à utilização pelo agricultor, pequenas quantidades de sementes são multiplicadas até que sejam alcançados volumes em escala comercial, no decorrer do qual a qualidade dessas sementes está sujeita a uma série de fatores capazes de causarem perda de todo potencial genético. A minimização dessas perdas, com a produção de quantidades adequadas, é o objetivo principal de um programa de sementes.

Na agricultura tradicional, ainda é comum o agricultor separar parte de sua produção para utilizar na safra seguinte como semente. Além dessa prática, pouca distinção é feita entre o grão, que se utiliza para alimentação, e a semente utilizada para multiplicação. A agricultura moderna, porém, requer a multiplicação e disseminação rápida e eficaz das cultivares melhoradas, tão logo sejam criadas.

Novas cultivares melhoradas só se tornam insumos agrícolas quando suas sementes de alta qualidade estão disponíveis aos agricultores e são por eles semeadas. A justificativa de um programa de sementes é, portanto, a extensão do comportamento varietal superior demonstrado por uma cultivar em ensaios regionais. Convém lembrar que sementes de alta qualidade, utilizadas com práticas culturais inadequadas, não terão condições de corresponder ao esperado e, fatalmente, levarão ao insucesso.

Os benefícios de um programa de sementes que produz e distribui sementes de alta qualidade de cultivares melhoradas incluem: a) aumento de produção e produtividade; b) utilização mais eficiente de fertilizantes, irrigação e pesticidas, devido a maior uniformidade de emergência e vigor das plântulas; c) reposição periódica mais rápida e eficiente das cultivares por outras de qualidade superior; d) menores problemas com plantas daninhas, doenças e pragas do solo.

Outros aspectos a serem considerados são: a) um eficiente programa de sementes serve, não só para o desenvolvimento agrícola, mas também como um mecanismo para rápida reabilitação da agricultura, após calamidades públicas, como inundações, secas, etc. e b) sementes da maioria das grandes culturas são insumos reproduzíveis e multiplicáveis, onde facilmente pode-se estabelecer uma indústria de sementes.

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos

2. ELEMENTOS DE UM PROGRAMA DE SEMENTES

Um programa de sementes devidamente organizado proporcionará que as sementes das cultivares melhoradas (com maior rendimento, resistência, precocidade, etc.) estejam à disposição dos agricultores num menor espaço de tempo e em quantidades adequadas (Fig. 1), com grandes benefícios para todos.

Figura 1 – Estádios de adocação de uma cultivar.

Os componentes de um programa de sementes são vários, interligando-se de tal forma que, se um deles não funcionar, o programa se tornará ineficiente, com problemas de fluxo e qualidade de sementes (Fig. 2).

Figura 2 – Componentes de um programa de sementes a.Programa de sementes Progresso devido s/Programa de sementes c/Programa de sementes

Anos após liberação

Taxa u t i l i z ação d e s e me nt e

Sementes: Fundamentos Científicos e Tecnológicos

A integração harmoniosa entre os diversos componentes do programa de sementes requer principalmente que: a) ocorra um esforço comum, em nível estadual e nacional, onde se considere a participação dos setores público e privado; b) haja efetiva coordenação, colaboração e confiança entre os participantes e c) o Estado desenvolva uma ação de continuidade.

2.1. Pesquisa

O valor agronômico de uma cultivar é constituído de várias características, sendo as mais importantes as seguintes: a) potencial de rendimento; b) resistência a doenças e insetos; c) resistência a fatores ambientais adversos; d) qualidade de seus produtos; e) resposta a insumos e f) precocidade. Para a liberação de uma cultivar1 com características superiores, é necessário que a mesma seja registrada em órgão competente do governo com base em resultados obtidos de diferentes locais, anos e tipos de ensaios realizados. No processo de registro, o obtentor deverá informar o valor de cultivo e uso (VCU) da cultivar, significando que um novo material não necessita necessariamente ter um maior potencial de produtividade em relação a uma cultivar testemunha, mas sim ter atributos agrônomicos ou industriais que assim justifiquem seu registro para cultivo.

Uma cultivar também pode ser protegida por lei e para isso necessita ser estável, homogêna e diferente. A proteção confere ao obtentor um retorno de seu capital investido na criação da nova cultivar. Para um produtor de sementes multiplicar as sementes de uma cultivar protegida necessita ter a permissão do obtentor da cultivar.

No Brasil o órgão que aufere registro e proteção de cultivares é o Serviço

Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC).

Para efeitos práticos, não haverá uma indústria forte de sementes sem melhoramento vegetal. Atualmente as cultivares, são provenientes de entidades governamentais como de privadas. Delas se abastecem, como se fosse matériaprima, todos os produtores de sementes individuais ou organizados em forma de empresas ou associações.

1Para efeitos práticos, será utilizado indistintamente os termos cultivar e variedade.

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2.2. Produção de sementes genética e básica

O custo e o tempo requerido para criação e liberação de uma nova cultivar são grandes. Assim, alguns mecanismos devem ser utilizados para manter essa cultivar pura e multiplicá-la em quantidade suficiente para colocá-la à disposição dos agricultores. Para isso utiliza-se um sistema com controle de gerações com quatro classes de sementes genética, básica, registrada e certificada.

A produção de sementes genéticas e básicas está sob a responsabilidade da empresa ou instituição que criou a cultivar e essa, por convênio ou outro mecanismo, pode autorizar outros a produzirem sementes básicas.

A semente genética é a primeira geração obtida através de seleção de plantas, em geral, dentro da estação experimental, com supervisão do melhorista, enquanto a semente básica é a segunda geração obtida da multiplicação da semente genética, com pouca supervisão do melhorista, e em geral, obtida em unidades especiais, fora do setor de melhoramento.

Como a quantidade de semente necessária para os agricultores é grande, a semente básica é multiplicada por mais duas gerações. O produto da primeira geração da básica designa-se semente registrada, enquanto a semente obtida da classe registrada, designa-se certificada.

Como exemplo, será apresentado o cálculo da quantidade de sementes de soja requerida em cada classe de sementes, em um cultivo de 500.000ha e uma taxa de utilizaçao de sementes comerciais de 60%, ou seja, 60% dos agricultores comprarão sementes para instalarem seus campos de produção de grãos. Dessa maneira, ter-se-á 500.0 x 0,6 = 300.0ha semeados com sementes certificadas. Considerando uma densidade de semeadura de 60kg/ha e uma produção média de 1,2t/ha de sementes (semente seca, limpa e aprovada ) tem-se a necessidade de 37.5ha para produção de semente básica (Tabela 1).

Com uma produção anual de 2,25t de semente genética, obtém-se a quantidade necessária para suprir toda a demanda de sementes. Dessa maneira, com um trabalho criterioso de produção, pode-se obter facilmente semente básica com pureza varietal, pois a área necessária para produção é pequena (menos de 40ha). Isso colocaria no programa sementes de alta qualidade que, se conduzidas com práticas culturais adequadas, proporcionariam a obtenção de semente certificada para atender a demanda. Somente iniciando com sementes de alta qualidade é que haverá chance de também obter sementes comerciais de alta qualidade.

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Tabela 1 – Quantidade de sementes e área necessária para suprir a demanda de arroz para 450.000ha.

Área (ha)

Densidade semeadura/

Produção Quantidade (t)

Classe

450.0 2.500 1.125 56,3 2,82

0,15 t/ha 3 t/ha

3 t/ha 3 t/ha 3 t/ha

67.500 3.375 169 8,49

Certificada Registrada

Básica Genética

O mesmo exemplo pode ser utilizado para outras culturas no processo de manutenção de pureza varietal e produção de sementes livres de plantas daninhas.

2.3. Produção de sementes comerciais

A produção de sementes comerciais é um dos componentes mais importantes do programa de sementes, constituindo seu elo central.

Existem vários tipos de produtores de sementes, sendo alguns altamente tecnificados e organizados. A produção de sementes envolve grandes investimentos e a aplicação de elevados recursos financeiros a cada ano, exigindo do produtor a escolha de terras adequadas, condições ecológicas favoráveis e o compromisso de seguir normas rigorosas de produção, diferenciadas da tecnologia utilizada na produção agrícola de grãos. O produtor desenvolve uma atividade econômica e socialmente muito relevante.

Os produtores de sementes podem ser classificados em, empresas produtoras, produtor individual e cooperante.

2.3.1 Produtor individual Caracteriza-se este tipo de produtor por possuir infra-estrutura mínima, em geral constituída de terras próprias, máquinas e equipamentos agrícolas e pouca capacidade de beneficiamento de suas sementes. Atua como pessoa física com poder de decisão sobre suas sementes, não estando, em geral, submetido a estruturas complexas de organização. Produz sob contrato ou através de um acerto informal com o comprador de sua produção.

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Confunde-se o produtor individual com a figura do cooperante na produção de sementes, face à atuação de ambos no processo. Entretanto, o produtor individual, apesar de não estar vinculado à estrutura de produção, é um produtor registrado e, como tal, amparado pela legislação, enquanto o cooperante não necessita estar registrado.

2.3.2. Empresas produtoras Empresas, companhias ou firmas produtoras de sementes são organizações especializadas e classificadas como pessoas jurídicas.

Quanto à razão social, tais entidades apresentam variação entre sociedade anônima e de responsabilidade limitada. Segundo a forma de sua constituição, tamanho, etc., a sistemática de decisão é mais direta (uma só pessoa) ou depende de um grupo de pessoas, diretoria, assembléia ou outros tipos de estrutura.

Quanto à atividade de pesquisa, há dois tipos de empresas produtoras de sementes: uma que executa a pesquisa, objetivando a criação de cultivares, comercializando as sementes de suas próprias cultivares, e outra, mais comum, caracterizada juridicamente como produtora de sementes, com a finalidade específica de semeadura, assistida por responsável técnico, sem no entanto possuir trabalho próprio de melhoramento. Essas empresas utilizam os resultados de pesquisa desenvolvidos por outros.

As cooperativas podem ser enquadradas, quanto ao sistema de produção, como empresas produtoras.

2.3.3. Cooperante É toda pessoa que multiplica sementes para um produtor devidamente registrado sob um contrato específico, orientado por responsável técnico.

Em geral, o cooperante utiliza sua própria terra para a produção de sementes, considerada como prestação de serviço, recebendo do produtor contratante, geralmente, as sementes a serem multiplicadas, não havendo, no caso, operação de compra e venda. Em geral, o cooperante recebe uma bonificação de 15-20% a mais, em relação ao preço do grão.

O cooperante vem se tornando cada vez mais importante na produção de sementes melhoradas, pois permite às empresas de sementes, que normalmente não dispõem de terras próprias em quantidade, expandir sua produção. Apresenta vantagens para todos, entretanto, exige do produtor uma maior capacidade de controle, não só sob o aspecto técnico, como também sob o ponto de vista comercial. Crê-se que mais de 80% da produção de sementes melhoradas no mundo sejam produzidas através do sistema de cooperantes.

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As relações de produtores de sementes com obtentores vegetais pode ser dada das seguintes formas:

a) Licenciamento Com a Lei de Proteção de Cultivares (LPC), iniciou-se um novo estilo de relacionamento entre as empresas.

O licenciamento de cultivares passou a ser uma das formas mais adotadas para a comercialização com o reconhecimento dos direitos de proteção intelectual do desenvolvimento de novas cultivares. A soja é o produto que mais rapidamente se desenvolveu tendo já registrados mais de 300 cultivares junto ao Cadastro Nacional de Cultivares Protegidas.

Esse processo de licenciamento consiste basicamente em que o produtor de sementes para ter a permissão de multiplicar e conercializar as sementes de uma cultivar protegida, deve pagar um royalty para o obtentor, em muitas situações esse valer é ao redor de 5% do valor de venda da semente.

(Parte 1 de 6)

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