Nutrição De Suínos

Nutrição De Suínos

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Boletim Informativo Pesquisa & Extensão

Publicação conjunta do Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves – EMBRAPA e da

Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER/RS DEZEMBRO/1999

Suínos e AvesAdemirOtavioZardo Gustavo J. M. M. de Lima

ANO 8 BIPERS no 12 DEZEMBRO/1999

Boletim Informativo de Pesquisa—Embrapa Suínos e Aves e Extensão—EMATER/RS

Articulação da Embrapa Suínos e Aves com a

Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER/RS

Circulação: Semestral Tiragem: 2000 Coordenação: Ademir Otavio Zardo, Engo Agro

Correspondências, sugestões e questionamentos sobre a matéria constante neste boletim poderão ser enviados à Coordenação do BIPERS.

Embrapa Suínos e Aves

BR 153, km 110, Vila Tamanduá Caixa Postal 21 CEP 89700-0 – Concórdia, SC Fone: (49) 442-8555 Fax: (49) 442-8559 http://www.cnpsa.embrapa.br/ sac@cnpsa.embrapa.br

Rua Botafogo 1051 Caixa Postal 2727 CEP 90150-053 – Porto Alegre, RS Fone: (51) 233-3144 Fax: (51) 229-6199 http://www.emater.tche.br/

Alimentos para suínos

Ademir Otavio Zardo1 Gustavo J. M. M. de Lima2

1Eng. Agr., Extensionista, EMATER/RS 2Eng. Agr., Ph.D., Embrapa Suínos e Aves

Sumário

1.1 Anatomia do trato digestivo dos suínos7
1.2 Digestão e absorção9
1.3 Carboidratos10
1.4 Lipídios1
1.5 Proteínas12
1.6 Aminoácidos13
1.7 Energia14
1.8 Vitaminas15
1.9 Minerais15
1.10 Exigências nutricionais16
1.1 Formulação de ração16

1 Conceitos básicos de nutrição 7

2.1 Alfafa (Medicago sativa)17
2.1.1 Importância econômica17
2.1.2 Composição química e energética17
2.1.3 Normas para a alimentação animal17
2.1.4 Uso da alfafa na alimentação de suínos17
2.2 Arroz (Oryza sativa)18
2.2.1 Importância econômica18
2.2.2 Composição química e energética19
2.2.3 Normas para a alimentação animal19
2.2.4 Uso de arroz na alimentação de suínos20
2.3 Aveia (Avena sp.)21
2.3.1 Importância econômica21
2.3.2 Composição química e energética2
2.3.3 Normas para a alimentação animal2
2.3.4 Uso de aveia na alimentação de suínos2
2.4 Cevada (Hordeum vulgare)23
2.4.1 Importância econômica23
2.4.2 Composição química e energética23
2.4.3 Normas para a alimentação animal24
2.4.4 Uso da cevada na alimentação de suínos24
2.5 Mandioca (Manihot sp.)25
2.5.1 Importância econômica25
2.5.2 Composição química e energética da mandioca25
2.5.3 Normas para a alimentação animal26
2.5.4 Uso da mandioca na alimentação de suínos26
2.6 Milho (Zea mays)29
2.6.1 Importância econômica29
2.6.2 Composição química e energética29
2.6.4 Uso do milho na alimentação de suínos31
2.7 Soja (Glycine max)3
2.7.1 Importância econômica3
2.7.2 Composição química e energética34
2.7.3 Normas para a alimentação animal34
2.7.4 Uso de soja na alimentação de suínos36
2.8 Sorgo (Sorghum sp.)39
2.8.1 Importância econômica39
2.8.2 Composição química e energética40
2.8.3 Normas para a alimentação animal40
2.8.4 Uso do sorgo na alimentação de suínos41
2.9 Soro de leite43
2.9.1 Importância econômica43
2.9.2 Composição e características químicas43
2.9.3 Normas para a alimentação animal43
2.9.4 Uso do soro de leite na alimentação de suínos4
2.10 Trigo (Triticum sp.)45
2.10.1 Importância econômica45
2.10.2 Composição química e energética45
2.10.3 Normas para a alimentação animal45
2.10.4 Uso do trigo na alimentação dos suínos46
2.1 Triticale (Triticale hexaploide)48
2.1.1 Importância econômica48
2.1.2 Composição química e energética49
2.1.3 Normas para a alimentação animal49
2.1.4 Uso do triticale na alimentação de suínos50
3.1 Exigências nutricionais dos suínos nas fases pré-inicial e inicial52
3.2 Exigências nutricionais dos suínos na fase de crescimento53
3.3 Exigências nutricionais dos suínos na fase de terminação54
3.5 Exigências nutricionais dos suínos na fase de lactação56

3 ANEXO I – EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DOS SUÍNOS 51 3.4 Exigências nutricionais dos suínos nas fases de reposição e gestação . 5 4 Referências Bibliográficas 59

Introdução

A suinocultura moderna exige, cada vez mais, o uso adequado das tecnologias de produção disponíveis. O desenvolvimento genético de linhagens de suínos, mais produtivas e mais exigentes em ambiente, nutrição e manejo, traz a necessidade de se buscar um maior profissionalismo na atividade, com a adoção de tecnologias e procedimentos que maximizem o desempenho ao menor custo de produção possível.

A alimentação é o componente de maior participação no custo de produção, exigindo uma atenção especial dos suinocultores. Isto implica na escolha cuidadosa dos alimentos, na formulação precisa das rações, e também, na correta mistura dos ingredientes.

Apesar da existência de muitos trabalhos sobre alimentação e nutrição de suínos, julgou-se importante reunir as mais recentes informações da pesquisa, sobre os principais alimentos disponíveis no meio rural, especialmente do Rio Grande do Sul, com o objetivo de orientar técnicos e produtores, para que possam escolher e utilizar adequadamente estes alimentos, reduzindo os custos com a alimentação e garantindo maior lucratividade com a atividade suinícola.

O trabalho apresenta inicialmente conceitos básicos sobre nutrição, onde abordouse a anatomia do trato digestivo dos suínos, os processos de digestão e absorção, os principais nutrientes e suas funções no organismo, as exigências nutricionais dos suínos e os métodos de formulação de rações. Após, são apresentados os alimentos, destacando-se a importância econômica, a composição química e energética, as normas de comercialização para a alimentação animal e as recomendações de uso na alimentação de suínos. No Anexo I, são apresentadas tabelas com as exigências nutricionais dos suínos por fase e por nível nutricional e no Anexo I, a composição química e energética dos alimentos citados.

Procurou-se abordar os assuntos de forma objetiva, com a preocupação de facilitar o entendimento do leitor, e a o mesmo tempo, fornecer as informações necessárias para viabilizar o uso correto dos diferentes alimentos na nutrição de suínos.

1 Conceitos básicos de nutrição

1.1 Anatomia do trato digestivo dos suínos

O suíno é um animal monogástrico que possui o trato digestivo relativamente pequeno, com baixa capacidade de armazenamento. Tem alta eficiência na digestão dos alimentos e no uso dos produtos da digestão, necessitando de dietas bastante concentradas e balanceadas.

O aparelho digestivo do suíno é composto por boca, esôfago, estômago, intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (ceco, colon e reto) e ânus, conforme é demonstrado na Fig. 1.

Na Tabela 1, é apresentada para comparação, a capacidade volumétrica dos tratos digestivos de algumas espécies de animais.

Tabela 1 — Capacidade volumétrica de partes do trato digestivo de algumas espécies animais.

Espécieanimal

Parte do trato digesti- vo Capacidade relativa (%)

Média da capacidade absoluta (litros)

Suíno Estômago 29,2 8,0

Eqüino Estômago 8,5 17,96

Bovino Estômago 70,8 252,50

Ovino Estômago 6,9 29,20

Figura 1 — Desenho esquemático do aparelho digestivo dos suínos.

1.2 Digestão e absorção

A digestão ocorre através da ação das enzimas digestivas presentes nas secreções salivares, gástricas, pancreáticas e entéricas, e através da ação de alguns microorganismos que habitam o trato gastro intestinal.

Os órgãos do trato digestivo participam na digestão e absorção de nutrientes, da seguinte forma:

• Boca: A mastigação tem como objetivo dividir o alimento em partículas menores e misturá-lo com a saliva. A saliva é formada por água, mucina, sais inorgânicos e a enzima ptialina. Esta enzima atua sobre carboidratos, iniciando sua degradação, e age até o estômago, onde é inativada pelo pH estomacal.

• Estômago: A mucosa do estômago possui glândulas que secretam o suco gástrico. O suco gástrico é formado por água, sais minerais, muco, ácido clorídrico e pepsinogênio. A concentração ácida do suco gástrico faz com que o pepsinogênio se transforme em pepsina, enzima que atua na degradação das proteínas. A acidez também causa a destruição dos microorganismos provenientes da dieta.

• Intestino delgado: No intestino delgado chegam quatro secreções: O suco pancreático, o suco duodenal, o suco entérico e a bile.

O suco pancreático é secretado pelo pâncreas e depositado no duodeno através do ducto pancreático e contém sais inorgânicos, principalmente bicarbonato sódico, compostos enzimáticos como a amilase, lipase, tripsinogênio, quimiotripsinogênio e procarboxipeptidase. A secreção do suco pancreático é estimulada pelo ácido clorídrico, amido, gorduras e hormônios gastrointestinais.

O suco duodenal, produzido no duodeno, não contém enzimas e serve como lubrificante e protetor das paredes do intestino.

O suco entérico é produzido entre as vilosidades do intestino delgado e é rico em enzimas, como as aminopeptidases, dipeptidases, lipase, maltase, sacarase, fosfatase, lactase, nucleases e nucleotidases. Sua produção é provocada pelo estímulo mecânico da mucosa e pela presença de hormônios gastrointestinais.

A bile, secretada pelo fígado e armazenada na vesícula biliar, contém sais sódicos e potássicos que ativam as lipases pancreática e intestinal e contribuem para a emulsificação das gorduras. A bile também facilita a absorção de ácidos graxos e das vitaminas lipossolúveis.

• Intestino grosso: A digestão no intestino grosso se realiza por meio de algumas enzimas procedentes do intestino delgado e através da ação de microorganismos que habitam principalmente o ceco. Estes microorganismos são, em sua maioria, proteolíticos e atacam as proteínas não digeridas no intestino delgado.

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