As dificuldades iniciais para o uso de equipamentos

As dificuldades iniciais para o uso de equipamentos

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PONTA GROSSA 2005

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Especialista, no Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Orientadora: Profa. Esp. Lucia Wolf Batista

PONTA GROSSA 2005

Trabalho de Conclusão de Curso submetido à Universidade Estadual de Ponta Grossa para obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho.

Departamento de Engenharia Civil

PROF. CARLOS LUCIANO SANT’ANA VARGAS, D.ENG. COORDENADOR DO ENGSEG2004

Ponta Grossa, 09 de Setembro de 2005.

Às nossas famílias, que nos acompanharam e que também nos sustentaram nesta caminhada.

À Professora Lucia, pela competência, segurança e paciência que demonstrou durante o período em que nos orientou.

Ao professor Luciano, nosso coordenador, pelo apoio.

O presente trabalho teve como proposta investigar a conscientização do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) na construção civil e no ambiente de trabalho. Para tanto, os estudos foram realizados através de observações junto à empresa de construção civil Campolim e Gehring Construção e Comércio Ltda., com sede em Itapeva - SP. O trabalho objetivou compreender o relacionamento do indivíduo com o uso de Equipamento de Proteção Individual, visando a sensibilização dos mesmos quanto à segurança pessoal e coletiva. A coleta de dados se deu através de método de abordagem in loco via entrevista e questionário a quatro funcionários da empresa. Através da análise das respostas pudemos verificar a deficiência que os funcionários têm em se conscientizar dos cuidados necessários para o bom andamento das atividades desempenhadas e com a responsabilidade que isso acarreta. Informar o trabalhador da necessidade de preservação da integridade física, através dos cuidados consigo mesmo no ambiente de trabalho é parte fundamental, porém acompanhar tal processo ajuda a melhorar e corrigir eventuais falhas na produção e no bem estar dos usuários de EPI.

Palavras-chave: conscientização - uso de EPI - segurança.

INTRODUÇÃO6
INDIVIDUAL8
1.1 Importância e Necessidade8
1.2 Histórico e Caso9
CAPÍTULO I - DIMINUINDO OS RISCOS COM O USO DE EPI14
2.1 Orientações14
2.2 Acompanhamento16
2.3 Valorização do Pessoal19
2.4 Treinamentos20
CAPÍTULO I - COLETA DE DADOS2
3.1 Perguntas e Respostas2
3.2 Analisando as Respostas24
CONCLUSÃO26
REFERÊNCIAS28
APÊNDICES29

CAPÍTULO I - O USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO Apêndice 1 - Questionário ................................................................................................. 29

6 INTRODUÇÃO

O uso do EPI está relacionado com a segurança comportamental, que é um termo que se refere à aplicação dos conhecimentos científicos da Psicologia Comportamental nas questões de segurança no trabalho, por isso do nosso título usarmos a palavra “conscientização”.

A segurança Comportamental vem se juntar aos esforços despendidos por várias áreas do conhecimento humano para o trato das questões de segurança. Não se pretende substituir as iniciativas da engenharia ou medicina do trabalho, mas acrescentar um novo enfoque às tradicionais medidas para a segurança no trabalho. Esta aplicação já está bem estabelecida nos EUA, na Inglaterra e na Austrália, por apresentar ganhos significativos nos níveis de segurança da empresa.

É uma intervenção ampla que, em parceria com a CIPA (se houver), busca envolver tanto o "chão de fábrica", quanto à supervisão e o nível gerencial para que todos se sintam responsáveis pela segurança, de tal forma que a atuação dos funcionários passa a ser pró-ativa, em vez de reativa às recomendações da CIPA ou da supervisão (no sentido de fazer somente aquilo que a CIPA ou o que o supervisor manda). É aplicável às pequenas, médias e grandes empresas.

Este modelo de atuação está de acordo com as sugestões da BS 80 (norma inglesa para segurança) para implementação de um sistema de gestão em segurança e saúde do trabalho.

Em primeiro lugar, o sucesso da intervenção passa pelo comprometimento dos níveis gerenciais, que permitirão e apoiarão as ações dos funcionários conforme o que for planejado.

Por se basear num modelo científico, a intervenção exige um planejamento detalhado e com um prazo de aplicação que pode variar de algumas semanas até meses, dependendo do tamanho e da complexidade da atuação, porém os resultados podem se estender muito além desse prazo, desde que certas condições (ajustadas caso a caso) tenham sido estabelecidas.

O presente trabalho teve como proposta investigar a conscientização do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) na construção civil e no ambiente de trabalho buscando compreender o relacionamento do indivíduo com o outro, visando a sensibilização dos mesmos quanto à segurança pessoal e coletiva.

No primeiro capítulo procuramos relatar a importância e necessidade da observação de como o funcionário se comporta em relação a sua segurança pessoal em seu ofício, em nosso caso a construção civil. A seguir, apresentamos a empresa a qual procedemos os nossos estudos, com observações e procedimentos adotados pela mesma na área de segurança.

No segundo capítulo abordamos as orientações e treinamentos adotados pela empresa na área de segurança. Colocamos como a empresa se relaciona no dia-adia com a segurança de trabalho e o envolvimento pessoal, bem como a atenção, por parte da empresa, com a qualidade de vida de sua equipe. Também destacamos os treinamentos realizados na área de segurança de trabalho.

No terceiro capítulo, apresentamos o questionário com suas respectivas respostas, também procuramos analisar os dados coletados.

Procuramos concluir o trabalho mostrando que o acidente de trabalho ocorre na grande maioria das vezes pela idéia que o indivíduo faz acerca de sua própria segurança.

Um procedimento com base científica para atuar sobre as condições para promover comportamentos seguros observáveis e reduzir a ocorrência de comportamentos inseguros. Para melhor entendimento do que chamamos de comportamento inseguro ou de risco, utilizaremos o exemplo de trabalho de pedreiro em andaime. Podemos elencar como comportamentos de risco, entre outros: deixar de usar cinto de segurança.

1.1 Importância e Necessidade

A indústria da construção civil, durante muito tempo, foi destaque em número de acidentes e mortes do trabalho no Brasil. Desde 1995, com a revisão da NR-18, empresários, trabalhadores e governo se empenham em reverter este quadro com resultados positivos.

Este método de trabalho difere das abordagens psicológicas tradicionais de duas formas simples:

Tem como foco o comportamento de segurança observável, em vez de atitudes sobre segurança que seriam mais difíceis de serem observadas, tais como querer agir seguramente ou estar consciente das ações de segurança.

Coloca a ênfase no encorajamento do comportamento seguro, no lugar de punir a pessoa que agiu de forma insegura.

Não se trata de uma campanha de motivação, mas um procedimento com base científica para atuar sobre comportamentos seguros/inseguros observáveis.

A ocorrência desses comportamentos pode resultar em acidentes com conseqüências graves para a pessoa ou para os demais. Ao evitar essas atitudes, reduzimos a probabilidade dos acidentes e aumentamos a segurança dos condutores.

Por se basear num modelo científico, a intervenção em segurança comportamental requer um planejamento detalhado e demanda um prazo de aplicação que pode variar de algumas semanas até meses, dependendo do tamanho e da complexidade da atuação, porém os resultados podem se estender muito além desse prazo, desde que certas condições (ajustadas caso a caso) tenham sido estabelecidas.

1.2 Histórico e Caso

A indústria da construção civil sempre foi considerada uma das atividades econômicas brasileira que mais acidenta e mata. A falta de conscientização dos empresários e dos trabalhadores para as questões de segurança e saúde sempre foi um entrave para a melhoria dos canteiros de obras. No entanto, o trabalho desenvolvido por empregados, empregadores da empresa construtora Campolim e Gehring tem fomentado iniciativas que mostram ser possível o desenvolvimento de programas prevencionistas no setor.

Este trabalho na fase de ante projeto, pretendia constatar e acompanhar em campo o fato de o indivíduo sem treinamento e desinformado das normas e comportamentos de segurança, não valorizar sua segurança; porem ao se iniciar os trabalhos constatou-se que a empresa em questão já estava num estagio avançado na tratativa de aplicação de treinamentos de segurança e com isso não pode demonstrar a idéia inicial tendo a vista que os funcionários já haviam passado por vários treinamentos e estão mais conscientes da prevenção; partindo dessa constatação partiu-se para a idéia de relatar de como a empresa procedeu e procede com os funcionários na área de segurança de trabalho.

Para realizar esse trabalho foi-se até a empresa e solicitou-se autorização para estar realizando visitas as obras, a empresa de segurança de trabalho – que possui técnicos de segurança e medico de segurança do trabalho, pessoas as quais entrevistou-se, e, ao escritório da mesma, para a coleta de informações; ressaltando que o trabalho maior se deu com a empresa de segurança e com os funcionários de ponta, onde se pode verificar as informações colhidas no escritório e empresa de segurança. As informações na empresa nos foram dadas através dos engenheiros que trabalham com as obras, as informações de treinamentos de segurança foram colhidas com a empresa de segurança de trabalho.

A Construtora para desenvolver esse trabalho assumiu os seguintes compromissos: desenvolver, conscientizar, capacitar funcionários e fornecedores (terceiros), buscando relações de parceria; favorecer clima organizacional positivo, despertando as responsabilidades individuais e trabalho solidário; proporcionar um meio ambiente de trabalho seguro e saudável, respeitando a legislação e as normas aplicáveis; e promover melhorias contínuas baseadas no desenvolvimento tecnológico.

Em suas atividades, a empresa sempre se preocupou com a segurança em suas obras, porem não muito na prevenção dos acidentes e doenças ocupacionais. A segurança nas obras dependia muito dos profissionais que estavam dentro dos canteiros, aqueles que gostavam mais de fazê-la conseguiam oferecer melhores condições de trabalho e os que não se empenhavam tanto, não obtinham os mesmos resultados; percebendo assim que segurança e qualidade caminham juntas.

A partir de então a se adotou procedimentos a serem seguidos na segurança dos trabalhadores. Percebeu-se ser impossível existir produtividade e organização dentro dos canteiros sem segurança e saúde, pois isso faz parte do processo construtivo, principalmente por não querer ter perdas.

A empresa tem aproximadamente 35 funcionários e parte da mão-de-obra é terceirizada.

No que diz respeito aos terceiros, a empresa procura trabalhar com um número pequeno e sempre com os mesmos, em praticamente todas as suas obras, isto porque são pessoas que já conhecem os padrões da construtora e aceitam segui-los.

A atenção ao comportamento na segurança, não ocorreu em virtude de um número de acidentes, pelo contrário, tinham pouquíssimos e nenhum deles fatal, fator esse que se mantém. O que faltava era uma consciência maior do significado de segurança e a valorização das tarefas, pois a valorização deveria partir da chefia. Desta forma, iniciou-se o processo e vem se aprimorando para estabelecer um grau de significância pessoal para cada um dos riscos existentes nas mais diversas atividades executadas nos canteiros de obras.

A atenção ao Comportamento despendido pela construtora, conforme foi estruturado, funciona como uma ferramenta. No caso específico da área de segurança, por exemplo, as solicitações feitas aos responsáveis pelas obras, em suas visitas semanais, um dos índices medidos, geram um percentual de cumprimento, o que permite saber porque não foram atendidas em sua totalidade.

O gerenciamento da segurança nas obras da construtora está fundamentado na analise do comportamento, as orientações tem como base o comportamento.

Os trabalhadores ao chegarem nos canteiros recebem, em primeiro lugar, o

Treinamento de Integração, no qual são orientados sobre a obra, a localização dos ambientes, onde se encontram os principais riscos, as proteções que deverão utilizar, como devem exercer uma função evitando riscos e como funciona o Sistema da Qualidade, Segurança e Saúde Ocupacional da empresa. Este treinamento é dado por uma empresa de segurança do trabalho capacitada para isso e é diferenciado por função, servente, pedreiro geral, pintor, eletricista, encanador, carpinteiro.

Além desta instrução inicial, a construtora elaborou um plano de treinamento para cada função que é exercida nas obras, assim, o trabalhador sabe quais os riscos que estará submetido naquela atividade e como deverá exercê-la para evitálos. Também existem treinamentos periódicos, em que a empresa de segurança do trabalho enfatiza o uso adequado dos EPIs, em cada etapa da obra, e o que os funcionários irão vivenciar nos estágios da construção, por exemplo, se houver necessidade de se montar um andaime será explicado como ele irá funcionar e como deverá ser utilizado.

O grau de instrução dos trabalhadores da construção civil é baixo, os 04 entrevistados possuem apenas o primeiro grau completo, fator que muitas vezes dificulta o trabalho de conscientização de seu comportamento e a conseqüência dele na prevenção dos acidentes e doenças ocupacionais. Para driblar esta realidade são utilizados materiais didáticos, que facilitam a compreensão e estimulam a participação. Os treinamentos são estruturados para sensibilizar os trabalhadores, com o intuito de que exerçam de forma segura suas atividades e percebam o valor de suas atividades no contexto global do empreendimento.

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