As dificuldades iniciais para o uso de equipamentos

As dificuldades iniciais para o uso de equipamentos

(Parte 2 de 3)

Os treinamentos procuram vivenciar casos práticos, procurando alguns deles serem feitos na própria obra, de forma que quando do comportamento ou falha na segurança a visualização é mais tranqüila e eficiente, reduzindo assim os prováveis acidentes com a mesma incidência. Notou-se, no entanto que a empresa ainda enfrenta e enfrentou situações onde se deparam com acidentes, como num caso de acidente ocorrido durante as pesquisas junto à mesma onde um servente operando uma betoneira se descuidou e perdeu o dedo polegar da mão esquerda. Fato esse que vem somente justificar a necessidade da conscientização.

A análise é minuciosa. Em todas as etapas da obra, desde a demolição até a pintura e limpeza são estudados os riscos químicos, físicos, biológicos e ergonômicos de cada atividade e enfatizado a importância de estar eliminando os efeitos que o desrespeito à atividade pode causar.

2.1 Orientações

Feita esta constatação do dimensionamento do risco, fica mais tranqüilo para controlá-la. Com isso, foi montada uma regra em que se combina a conseqüência com a probabilidade do mesmo, o resultado dá a sua dimensão. Um exemplo, o pedreiro corre o risco de cair de um andaime, se ele cair qual a gravidade deste evento, e principalmente se quem cair for ele o trabalhador. O desejável, de acordo com as intenções estabelecidas pela empresa, é que a percepção do comportamento mostre o risco, e com isso a não ocorrência dos mesmos. Para que isso aconteça são aplicados os mecanismos de controle, como a inspeção de segurança, a liberação de área e de equipamentos, entre outros, ficando a responsabilidade da inspeção por conta da empresa de segurança, a qual é ligada ao engenheiro que fiscaliza os serviços; onde a empresa faz um relatório e comunica ao engenheiro que procede em verificar. Tais procedimentos não isentam os funcionários que fazem o uso direto de cada equipamento.

A comunicação é aberta na empresa, tanto da empresa para com os funcionários como ao contrário, pois da mesma forma que ela deixa claro, durante os treinamentos, o que deve ser feito para que exista segurança nas obras, os trabalhadores devem avisar qualquer situação de comportamento risco que verificarem na execução da tarefa. E assim como os operários podem detectar um comportamento de risco que não havia sido descrito.

É realizado também pela empresa de segurança de trabalho monitoramento de acordo com as normas brasileiras, este procedimento serve para monitorar e medir o desempenho da Segurança e Saúde Ocupacional (SSO). Para tal são descritas todas as medições e monitoramentos feitos dentro do sistema e estabelecido os indicadores pró-ativos e reativos, assim como o registro destes dados. Estas informações facilitam a análise de ações corretivas e preventivas.

Além destes procedimentos, existem outros que a empresa utiliza e que contribuem para a prevenção dos acidentes, como o de Liberação de Equipamentos, onde os operadores por meio de um check-list conferem os vários itens para terem certeza de que estão em condições de uso.

Em linhas gerais o processo estudado e pesquisado foi elaborado conjuntamente pela empresa de segurança e a empresa passa pelas seguintes fases:

a) Planejamento de como realizar: - pesquisa sobre a percepção da segurança na empresa;

- preparação da gerência e dos trabalhadores para o trabalho a ser feito;

- recrutamento de interessados em participar;

- entrevistas e análise de ocorrências anteriores;

- treinamento dos observadores.

b) Desenvolver medidas do desempenho em segurança, registrando qual (is) comportamento (s) se está objetivando reduzir ou incrementar (uso de EPI, cumprimento de normas de segurança); c) Efetuar o treinamento de observadores; d) Efetuar a observação; e) Registrar as medidas identificadas para o caso; f) Estabelecer metas de melhoria; Por exemplo, verificou-se que é comum encontrar funcionários sem usar os óculos de proteção, faz-se à análise para identificar as causas, verifica-se as conseqüências para a pessoa e se estabelece uma meta para aumentar o uso dos óculos, sendo que esta meta é definida com a participação dos funcionários.

g) Efetuar novas observações; h) Divulgar a informação colhida a partir das observações e o alcance das metas estabelecidas; i) As informações obtidas são repassadas em reuniões específicas, na qual todos são convidados a participar; j) Buscar a melhoria contínua.

2.2 Acompanhamento

O ambiente de uma obra se modifica constantemente, e em razão deste dinamismo que ocorre em ambientes bastante adversos, todos que trabalham nos canteiros têm que ser muitos bem treinados e a empresa estar atenta às análises de risco e à implantação de medidas de segurança para diminuir ou eliminar os riscos.

O que percebeu-se na empresa, é quando se deixa de abordar sobre as questões de segurança acontecem os prováveis acidentes. Para minimizar os riscos de acidentes, há uma orientação para todos, principalmente porque não existe um departamento específico para cuidar das questões ligadas à segurança e saúde do trabalho. Desde os proprietários que tem formação em engenharia, todos têm funções para que o sistema funcione de forma adequada e os acidentes não ocorram. Por exemplo, o próprio engenheiro é quem verifica com os terceiros, quais os riscos nas atividades que os trabalhadores irão exercer, e a partir destas informações são montados juntamente com a empresa de segurança os procedimentos para cada uma delas. Quando são aplicados na obra, o engenheiro responsável percebendo que ficou faltando algum detalhe para minimizar o perigo encaminha novamente o procedimento a empresa de segurança para que seja modificado. Da mesma forma, quando percebe que uma nova função ainda não tem sua análise de risco, necessariamente tem que abrir um documento, a ação preventiva, e encaminhá-lo a empresa de segurança, informando a necessidade de prepará-la.

A filosofia que prevalece na construtora é que todos devem ser responsáveis pela segurança nas atividades que executam, independente de quais sejam. Os que cuidam do recebimento de materiais, por exemplo, devem verificar se os quesitos de segurança para recebê-los estão de acordo, os oficiais e engenheiros em suas funções precisam estar de olho nos riscos que vão surgindo durante a execução das tarefas e tomarem as ações necessárias. A empresa de segurança do trabalho, dentro do elaborado pela construtora, atua como consultora. O dia a dia não depende deles para funcionar, justamente por todos estarem conscientes de suas responsabilidades, ao contrário do que ocorria antes, quando a segurança estava associada a esta empresa e só a ela dizia respeito.

Nas visitas a empresa de segurança emite relatórios para os engenheiros responsáveis a fim de orientá-los nos quesitos de segurança que precisam ser melhorados. Quando há possibilidade destes serem resolvidos na hora, isto é feito, se não, é citado no relatório para que providências sejam tomadas o mais breve possível. No documento também é mencionado o que foi detectado nas vistorias que fazem nos equipamentos, assim como as ocorrências registradas durante suas permanências nas obras, como, por exemplo, um trabalhador que não está usando o protetor auricular.

Os treinamentos são coordenados pelos técnicos da empresa de segurança, que os preparam e ministram conforme o estabelecido.

O trabalho de conscientização procura fazer com que os trabalhadores enxerguem os dirigentes da empresa como profissionais que estão desenvolvendo um bom trabalho. A empresa procura mostrar companheirismo e desta forma fazer com que entendam que também são responsáveis pela segurança, pois quando saem de casa deixam suas esposas e filhos, e se não voltarem ninguém cuidará deles, e a empresa é preocupada com eles e que têm total liberdade de cobrarem dela condições seguras de trabalho. Isso faz com que se sintam valorizados.

Com esta forma de trabalho, passa a ser natural, quando se chega na obra, alguém vir comentar que percebeu um risco em determinada função, que viu alguma coisa errada que poderia ser melhorada ou que o EPI indicado está difícil de se adaptar. Este entrosamento está sendo obtido, porque é deixado bem claro que a empresa prioriza tanto o produto como os trabalhadores, mesmo porque eles precisam estar bem para que o produto atenda as expectativas da construtora e dos clientes.

A empresa procura mostrar que quer e faz segurança desde o momento que o funcionário entra na obra e acredita que a forma mais fácil de transmitir isso é tratar todos igualmente, se alguns, pelas funções que exercem, têm que utilizar luvas de proteção, todos vão usar luvas.

O engenheiro procura andar pela obra com o intuito de conversar com os trabalhadores para saber de suas necessidades e se estão percebendo alguma deficiência na parte de segurança. A partir do momento que se cria o comportamento prevencionista dentro dos canteiros, a segurança flui naturalmente e passa a ser integrante dos serviços a serem executados.

2.3 Valorização do Pessoal

É importante proporcionar bem-estar aos trabalhadores. Por exemplo, os locais para refeições possuem mesa e bancos que permitem aos trabalhadores fazerem suas refeições de forma adequada. A construtora não fornece o almoço, mas os locais possuem o espaço necessário para esquentarem a comida. O médico da empresa de segurança da orientação sobre higiene pessoal e o valor dela no bem estar individual, falando das conseqüências do não procedimento; e quando fala de higiene enfoca limpeza da obra e a limpeza do local de descanso. A empresa ainda não possui em seus canteiros banheiros coletivos e é um ponto que completaria o cuidado com o pessoal.

Este pensamento resulta na simplicidade, a primeira ferramenta aplicada em seus canteiros de obras que vem dando bons resultados, pois sem soluções mirabolantes conseguem pôr em prática o exigido pelas normas de segurança, principalmente a NR-18.

A participação dos trabalhadores é uma outra ferramenta e sustenta todo o trabalho. "Segurança é investimento, então o funcionário tem que ter responsabilidade, conhecimento do que é executado, dar sua opinião e participar para se sentir valorizado, se não as coisas não andam".

2.4 Treinamentos

O trabalho em equipe é valorizado, há participação do trabalhador no processo e valorização humana. Cabe empresa de segurança do trabalho, o planejamento e monitoramento das ações prevencionistas, a conscientização e a elaboração dos treinamentos para os funcionários da construtora e os terceiros. Entre eles estão o admissional, e os específicos para algumas funções, como para pedreiros, serventes, eletricistas e outros, sendo que para os pedreiros o treinamento é realizado simulando sua atividade, como por exemplo, quando da necessidade do mesmo trabalhar em andaime, onde o andaime tem de estar em conformidade com sapatas, travado, e com local para o funcionário fixar seu cinto de segurança, deve também ter pranchão para o deslocamento sobre o andaime, não deixando de mencionar o uso de capacete, luvas, óculos.

Da mesma forma se procede com as outras funções, mencionando o cuidado que deve ter e procedimentos necessários em cada etapa da atividade a ser desenvolvida pelo mesmo em suas tarefas; sendo que a simulação citada é realizada através de esquetes.

As reuniões realizadas de uma vez por mês com todos os trabalhadores também funcionam como treinamentos, pois de cinco a 15 minutos conversam sobre segurança e outros aspectos que levam à melhoria dos ambientes de trabalho, como higiene e organização.

Os treinamentos e reuniões têm também o objetivo de conscientização dos operários em relação à prevenção dos acidentes e doenças ocupacionais. Para isso, é necessário compreenderem que são peças importantes, agentes de segurança.

Ocorrem treinamentos enfocando o uso de EPIs; onde nesse treinamento mostra-se o que ocorre – lesão propriamente dita, que facilita o entendimento e o funcionário se sente valorizado quando percebe que alguém esta tendo cuidado com ele, e em face desse procedimento a maioria do pessoal tem usado o EPI sem reclamar.

Durante o processo de acompanhamento da empresa para a observação comportamental participaram pedreiros, serventes e o responsável pela elétrica, esses os mais expostos aos acidentes. A pesquisa foi realizada através de questionário escrito distribuído a cada funcionário que levou consigo para casa e elaborou as respostas e as trouxeram respondidas até a obra; respostas as quais estão transcritas abaixo. As perguntas foram elaboradas de forma parecida para forçar os entrevistados a caírem em contradição.

3.1 Perguntas e Respostas

1. Na sua opinião, qual é a importância do uso de EPI? Respostas: 1- é importante, pois diminui o risco de nos machucarmos com algum acidente – resposta de um servente de obras; 2- é importante, pois diminuem os acidentes – resposta de um servente de obras; 3- usar o EPI evita os acidentes - resposta de um pedreiro; 4- usar EPI não evita o acidente mas ajuda a prevenir - resposta de um pedreiro.

2. Em que situação deixa de usar o EPI? Respostas: 1- no trabalho não devemos deixar de usar o EPI – resposta de um eletricista; 2- só no final do expediente – resposta de um servente; 3- só quando não estiver trabalhando – resposta de um pedreiro; 4- quando a área é sem perigo e quando estou com dor de cabeça – resposta de um pedreiro.

3. Por que é que usamos o EPI? Respostas: 1- para evitar o acidente e as doenças – resposta de um servente; 2- para nossa segurança no trabalho – resposta de um servente; 3- para minimizar os acidentes – resposta de um pedreiro; 4- porque se não usar o EPI estou abusando da sorte – resposta de um pedreiro.

4. O que representa para você usar o EPI? Respostas: 1- uma obrigação para o trabalho – resposta de um servente; 2- um pouco incomodo – resposta de um servente; 3- ele não evita o acidente – resposta de um pedreiro; 4- representa minha segurança – resposta de um pedreiro.

5. Você já sofreu algum tipo de acidente de trabalho? Quais fatores ocasionaram este acidente?

Respostas: 1- não – resposta de um servente; 2- já tive acidente e ocorreu por falta de treinamento e orientação de um técnico de segurança – resposta de um pedreiro; 3- não – resposta de um servente; 4- já sofri acidente – resposta de um servente, não estava usando luvas e machuquei a mão - resposta de um servente.

3.2 Analisando as Respostas

Na sua opinião qual é a importância do uso de EPI? Notamos que a idéia que o funcionário tem sobre o equipamento de segurança mostra que ele sabe do porquê da utilização do mesmo, que o uso do equipamento o resguarda de danos.

Em que situação deixa de usar o EPI? Mais uma vez pode-se perceber da conscientização por parte de cada funcionário da necessidade do uso do equipamento; mesmo na resposta onde o funcionário afirma deixar de usar quando sente dor de cabeça ele, sabe do risco que corre de exercer sua atividade sem o equipamento.

Por que é que usamos o EPI? Podemos perceber que a pessoa do funcionário não se preocupa muito consigo, pois tivemos apenas uma resposta onde o funcionário respondeu que era para sua própria segurança; fator esse que reforça nossa intenção de trabalhar a conscientização do cuidado pessoal.

O que representa para você usar o EPI? Um funcionário entende como obrigação, o outro como algo incomodo, e outro a segurança pessoal; da mesma forma demonstra a ausência do cuidado pessoal.

Você já sofreu algum tipo de acidente de trabalho? Quais fatores ocasionaram este acidente?

Podemos perceber que a consciência através dos que já sofreram algum tipo de acidente, e também a valorização do treinamento quando um se manifesta dizendo da necessidade da orientação de um técnico de segurança.

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