Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro.Fundação Oswaldo Cruz

Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro.Fundação Oswaldo Cruz

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Manual de Primeiros Socorros Manual de Primeiros Socorros

'2003 - MinistØrio da Saœde

É permitida a reproduçªo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Tiragem: 2.0 exemplares

Ediçªo, distribuiçªo e informaçıes: MinistØrio da Saœde Fundaçªo Oswaldo Cruz - FIOCRUZ Vice PresidŒncia de Serviços de ReferŒncia e Ambiente Nœcleo de Biossegurança Av. Brasil 4036 sala 715 e 716 Manguinhos 21040 361, Rio de Janeiro, R.J. Fone:(21) 3882 9158 Fax:(21) 2590 5988

Impresso no Brasil /Printed in Brazil

Brasil, MinistØrio da Saœde. Fundaçªo Oswaldo Cruz. FIOCRUZ.

Vice PresidŒncia de Serviços de ReferŒncia e Ambiente. Nœcleo de Biossegurança. NUBio

Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro.Fundaçªo

Oswaldo Cruz, 2003. 170p. 1. Primeiros Socorros.

2. Atendimento emergencial.

MinistØrio da Saœde Ministro Barjas Negri

Fundaçªo Oswaldo Cruz

Presidente Paulo Marchiori Buss Vice-PresidŒncia de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico Euzenir Nunes Sarno Vice-PresidŒncia de Ensino e Recursos Humanos Tânia Celeste Matos Nunes Vice-PresidŒncia de Desenvolvimento Institucional, Informaçªo e Comunicaçªo Paulo Ernani Gadelha Vieira Vice-PresidŒncia de Serviços de ReferŒncia e Ambiente Ary Carvalho de Miranda

Autor Telma Abdalla de Oliveira Cardoso

Colaborador Ivana Silva

Revisªo Joaquim Moreira Nunes

Digitalizaçªo de Imagens JosØ Pereira Ardions Elias Azeredo de Oliveira Ailton Santos

Tratamento de Imagens Ailton Santos

Projeto GrÆfico, Diagramaçªo e Capa: Ailton Santos

Manual de Primeiros Socorros SUM`RIO

PÆgina

I - CAPTULO GERAL9

APRESENT AO 6 PREFCIO 7 INTRODUO 8

Avaliaçao do local do acidente10

›Consideraçıes Gerais 9 ›Etapas BÆsicas9

›Transporte de Acidentados 51

›Hemorragias 67

›Corpos Estranhos 79

I - CAPTULO EMERGNCIAS CLNICAS 86

›Hipertermia 96

›Insolaçªo 97

›DiarrØia 100

›Desmaio 105

I - CAPTULO EMERGNCIAS TRAUMTICAS 114

›Ferimentos 114

›Lesıes de Tecidos Moles 118

›Contusıes 121

›Escoriaçıes 123

›Esmagamentos 123

›Amputaçıes 124

›Queimaduras 126

IV - CAPTULO ENVENENAMENTO E INTOXICAO 165

›Acidentes com Animais Peçonhentos e Venenosos 177

REFERNCIAS 205

Manual de Primeiros Socorros APRESENTA˙ˆO

Esta publicaçªo tem como principal escopo orientar profissionais, que embora nªo sejam diretamente ligados à Ærea de assistŒncia à saœde, sªo servidores da Fundaçªo Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), que desejem se capacitar para atuar na primeira abordagem de um acidentado, prestandolhe os primeiros e fundamentais cuidados. O que se pode afirmar com embasamentos teóricos e prÆticos Ø que dessa primeira abordagem estÆ freqüentemente a depender o Œxito de todas as demais fases de tratamento e reabilitaçªo, portanto, tambØm vale a pena ressaltar que Ø de tal maneira importante este momento inicial de abordagem do acidentado (clínico ou traumÆtico) que se pode afirmar ainda que o futuro da vítima, quanto a sua integridade como indivíduo, com seqüelas ou sem elas, possibilidades de reabilitaçªo, qualidade de vida pós-acidente e mesmo vida e morte, dependem deste primeiro momento, realizado por profissional de outras Æreas, porØm treinados em prÆticas de primeiros socorros. Este Manual de Primeiros Socorros visa tambØm possibilitar a caracterizaçªo entre acidentes, ambientes de trabalho e ocupaçıes, o que Ø indispensÆvel para que haja a segurança e a qualidade de saœde dos trabalhadores.

Faz parte, assim, ao se tentar influir no processo de melhoria do atendimento das emergŒncias clínicas e cirœrgicas do Sistema Único de Saœde (SUS) em permanente crise em nosso Estado, ao definir previamente (antes do encaminhamento a serviços especializados) as condiçıes vitais do acidente.

Este Manual contem informaçıes capazes de bem orientar aquele profissional da FIOCRUZ disposto a ser tambØm um primeiro socorrista em situaçıes de emergŒncia, claro estÆ que nªo Ø pretensªo de seus organizadores que ele seja sozinho um instrumento capaz de resolver todos os problemas dos muitos e variados acidentes possíveis em nossos locais de trabalho, mas ainda que ele seja uma œnica fonte de informaçıes pronta e acabada, Ø certamente incompleta e necessita de freqüentes atualizaçıes e revisıes. HÆ tambØm a necessidade de identificaçªo dos profissionais e de um treinamento das tØcnicas aqui recomendados.

Ao editar este Manual a FIOCRUZ reafirma o seu secular compromisso com as açıes de saœde pœblica e de resguardo e promoçªo da saœde de todos os trabalhadores desta instituiçªo.

Joaquim Moreira Nunes

PrefÆcio

Manual de Primeiros Socorros INTRODU˙ˆO

Com o aumento da complexidade das tarefas executadas pelas diversas Unidades da FIOCRUZ, os riscos tornam-se cada vez mais presentes e eminentes, requisitando medidas no sentido de evitar a ocorrŒncia de fatos catastróficos. O Nœcleo de Biossegurança, da Vice PresidŒncia de Serviços de ReferŒncia e Ambiente, preocupado em atender com informaçıes a comunidade da Fundaçªo Oswaldo Cruz, elaborou o Manual de Primeiros Socorros, concentrando esforços multidisciplinares no sentido de subsidiar açıes preventivas nos agravamentos de acidentes ou de males sœbitos.

Podemos definir primeiros socorros como sendo os cuidados imediatos que devem ser prestados rapidamente a uma pessoa, vítima de acidentes ou de mal sœbito, cujo estado físico pıe em perigo a sua vida, com o fim de manter as funçıes vitais e evitar o agravamento de suas condiçıes, aplicando medidas e procedimentos atØ a chegada de assistŒncia qualificada.

Qualquer pessoa treinada poderÆ prestar os Primeiros Socorros, conduzindo-se com serenidade, compreensªo e confiança. Manter a calma e o próprio controle, porØm, o controle de outras pessoas Ø igualmente importante. Açıes valem mais que as palavras, portanto, muitas vezes o ato de informar ao acidentado sobre seu estado, sua evoluçªo ou mesmo sobre a situaçªo em que se encontra deve ser avaliado com ponderaçªo para nªo causar ansiedade ou medo desnecessÆrios. O tom de voz tranqüilo e confortante darÆ à vítima sensaçªo de confiança na pessoa que o estÆ socorrendo.

O desenvolvimento das atividades nas instituiçıes de saœde pœblica oferece riscos específicos de acidentes de trabalho, sendo assim, os funcionÆrios destas instituiçıes devem ter conhecimentos de princípios bÆsicos em primeiros socorros.

Consideraçıes Gerais

Neste Manual fornecemos orientaçıes em situaçıes de acidentes a fim de subsidiar o atendimento a um acidentado. Lembramos que a funçªo de quem estÆ fazendo o socorro Ø:

1.Contatar o serviço de atendimento emergencial da FIOCRUZ (NUST

- Nœcleo de Saœde do Trabalhador/DIREH). 2. Fazer o que deve ser feito no momento certo, afim de: a.Salvar uma vida b.Prevenir danos maiores 3.Manter o acidentado vivo atØ a chegada deste atendimento. 4.Manter a calma e a serenidade frente a situaçªo inspirando confiança. 5.Aplicar calmamente os procedimentos de primeiros socorros ao acidentado. 6.Impedir que testemunhas removam ou manuseiem o acidentado, afastando-as do local do acidente, evitando assim causar o chamado "segundo trauma", isto Ø, nªo ocasionar outras lesıes ou agravar as jÆ existentes. 7.Ser o elo das informaçıes para o serviço de atendimento emergencial. 8.Agir somente atØ o ponto de seu conhecimento e tØcnica de atendimento. Saber avaliar seus limites físicos e de conhecimento. Nªo tentar transportar um acidentado ou medicÆ-lo.

O profissional nªo mØdico deverÆ ter como princípio fundamental de sua açªo a importância da primeira e correta abordagem ao acidentado, lembrando que o objetivo Ø atendŒ-lo e mantŒ-lo com vida atØ a chegada de socorro especializado, ou atØ a sua remoçªo para atendimento.

Etapas BÆsicas de Primeiros Socorros

O atendimento de primeiros socorros pode ser dividido em etapas bÆsicas que permitem a maior organizaçªo no atendimento e, portanto, resultados mais eficazes.

Capítulo I Geral

1Avaliaçªo do Local do Acidente

Manual de Primeiros Socorros

Esta Ø a primeira etapa bÆsica na prestaçªo de primeiros socorros. Ao chegar no local de um acidente, ou onde se encontra um acidentado, deve-se assumir o controle da situaçªo e proceder a uma rÆpida e segura avaliaçªo da ocorrŒncia. Deve-se tentar obter o mÆximo de informaçıes possíveis sobre o ocorrido. Dependendo das circunstâncias de cada acidente, Ø importante tambØm: a) evitar o pânico e procurar a colaboraçªo de outras pessoas, dando ordens breves, claras, objetivas e concisas; b) manter afastados os curiosos, para evitar confusªo e para ter espaço em que se possa trabalhar da melhor maneira possível.

Ser Ægil e decidido observando rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem estiver prestando o socorro

A proteçªo do acidentado deve ser feita com o mesmo rigor da avaliaçªo da ocorrŒncia e do afastamento de pessoas curiosas ou que visivelmente tenham perdido o autocontrole e possam prejudicar a prestaçªo dos primeiros socorros

É importante observar rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem estiver prestando o socorro nas proximidades da ocorrŒncia. Por exemplo: fios elØtricos soltos e desencapados; trÆfego de veículos; andaimes; vazamento de gÆs; mÆquinas funcionando. Devem-se identificar pessoas que possam ajudar. Deve-se desligar a corrente elØtrica; evitar chamas, faíscas e fagulhas; afastar pessoas desprotegidas da presença de gÆs; retirar vítima de afogamento da Ægua, desde que o faça com segurança para quem estÆ socorrendo; evacuar Ærea em risco iminente de explosªo ou desmoronamento.

Avaliar o acidentado na posiçªo em que ele se encontra, só mobilizÆ- lo com segurança (sem aumentar o trauma e os riscos), sempre que possível deve-se manter o acidentado deitado de costas atØ que seja examinada, e atØ que se saiba quais os danos sofridos. Nªo se deve alterar a posiçªo em que se acha o acidentado, sem antes refletir cuidadosamente sobre o que aconteceu e qual a conduta mais adequada a ser tomada.

Se o acidentado estiver inconsciente, por sua cabeça em posiçªo lateral antes de proceder à avaliaçªo do seu estado geral.

É preciso tranqüilizar o acidentado e transmitir-lhe segurança e conforto. A calma do acidentado desempenha um papel muito importante na prestaçªo dos primeiros socorros. O estado geral do acidentado pode se agravar se ela estiver com medo, ansiosa e sem confiança em quem estÆ cuidando.

2. Proteçªo do Acidentado

Avaliaçªo e Exame do Estado Geral do acidentado

A avaliaçªo e exame do estado geral de um acidentado de emergŒncia clínica ou traumÆtica Ø a segunda etapa bÆsica na prestaçªo dos primeiros socorros. Ela deve ser realizada simultaneamente ou imediatamente à "avaliaçªo do acidente e proteçªo do acidentado".

O exame deve ser rÆpido e sistemÆtico, observando as seguintes prioridades:

•Estado de consciŒncia: avaliaçªo de respostas lógicas (nome, idade, etc).

•Respiraçªo: movimentos torÆcicos e abdominais com entrada e saída de ar normalmente pelas narinas ou boca.

•Hemorragia: avaliar a quantidade, o volume e a qualidade do sangue que se perde. Se Ø arterial ou venoso.

•Pupilas: verificar o estado de dilataçªo e simetria (igualdade entre as pupilas).

•Temperatura do corpo: observaçªo e sensaçªo de tato na face e extremidades.

Deve-se ter sempre uma idØia bem clara do que se vai fazer, para nªo expor desnecessariamente o acidentado, verificando se hÆ ferimento com o cuidado de nªo movimentÆ-lo excessivamente.

Em seguida proceder a um exame rÆpido das diversas partes do corpo.

Se o acidentado estÆ consciente, perguntar por Æreas dolorosas no corpo e incapacidade funcionais de mobilizaçªo. Pedir para apontar onde Ø a dor, pedir para movimentar as mªos, braços, etc.

Cabeça e Pescoço

Sempre verificando o estado de consciŒncia e a respiraçªo do acidentado, apalpar, com cuidado, o crânio a procura de fratura, hemorragia ou depressªo óssea.

Proceder da mesma forma para o pescoço, procurando verificar o pulso na artØria carótida, observando freqüŒncia, ritmo e amplitude, correr os dedos pela coluna cervical, desde a base do crânio atØ os ombros, procurando alguma irregularidade. Solicitar que o acidentado movimente

Capítulo I Geral

Manual de Primeiros Socorros lentamente o pescoço, verificar se hÆ dor nessa regiªo. Movimentar lenta e suavemente o pescoço, movendo-o de um lado para o outro. Em caso de dor pare qualquer mobilizaçªo desnecessÆria.

Perguntar a natureza do acidente, sobre a sensibilidade e a capacidade de movimentaçªo dos membros visando confirmar suspeita de fratura na coluna cervical.

Coluna Dorsal

Perguntar ao acidentado se sente dor. Na coluna dorsal correr a mªo pela espinha do acidentado desde a nuca atØ o sacro. A presença de dor pode indicar lesªo da coluna dorsal.

Tórax e Membros

Verificar se hÆ lesªo no tórax, se hÆ dor quando respira ou se hÆ dor quando o tórax Ø levemente comprimido.

Solicitar ao acidentado que movimente de leve os braços e verificar a existŒncia de dor ou incapacidade funcional. Localizar o local da dor e procurar deformaçªo, edema e marcas de injeçıes. Verificar se hÆ dor no abdome e procurar todo tipo de ferimento, mesmo pequeno. Muitas vezes um ferimento de bala Ø pequeno, nªo sangra e Ø profundo, com conseqüŒncias graves.

Apertar cuidadosamente ambos os lados da bacia para verificar se hÆ lesıes. Solicitar à vítima que tente mover as pernas e verificar se hÆ dor ou incapacidade funcional.

Nªo permitir que o acidentado de choque elØtrico ou traumatismo violento tente levantar-se prontamente, achando que nada sofreu. Ele deve ser mantido imóvel, pelo menos para um rÆpido exame nas Æreas que sofreram alguma lesªo. O acidentado deve ficar deitado de costas ou na posiçªo que mais conforto lhe ofereça.

Exame do acidentado Inconsciente

O acidentado inconsciente Ø uma preocupaçªo, pois alØm de se ter poucas informaçıes sobre o seu estado podem surgir, complicaçıes devido à inconsciŒncia.

O primeiro cuidado Ø manter as vias respiratórias superiores desimpedidas fazendo a extensªo da cabeça, ou mantŒ-la em posiçªo lateral para evitar aspiraçªo de vômito. Limpar a cavidade bucal.

O exame do acidentado inconsciente deve ser igual ao do acidentado consciente, só que com cuidados redobrados, pois os parâmetros de força e capacidade funcional nªo poderªo ser verificados. O mesmo ocorrendo com respostas a estímulos dolorosos.

É importante ter ciŒncia que nos primeiros cuidados ao acidentado inconsciente a deverÆ ser mínima.

A observaçªo das seguintes alteraçıes deve ter prioridade acima de qualquer outra iniciativa. Ela pode salvar uma vida: •Falta de respiraçªo;

•Falta de circulaçªo (pulso ausente);

• Hemorragia abundante;

•Perda dos sentidos (ausŒncia de consciŒncia);

• Envenenamento. Observaçıes: 1.Para que haja vida Ø necessÆrio um fluxo contínuo de oxigŒnio para os pulmıes. O oxigŒnio Ø distribuído para todas as cØlulas do corpo atravØs do sangue impulsionado pelo coraçªo. Alguns órgªos sobrevivem algum tempo sem oxigŒnio, outros sªo severamente afetados. As cØlulas nervosas do cØrebro podem morrer após 3 minutos sem oxigŒnio. 2.Por isso mesmo Ø muito importante que algumas alteraçıes ou alguns quadros clínicos, que podem levar a essas alteraçıes, devem ter prioridade quando se aborda um acidentado de vítima de mal sœbito. Sªo elas: ›obstruçªo das vias aØreas superiores;

› parada cÆrdio-respiratória;

›hemorragia de grandes volumes;

›estado de choque (pressªo arterial, etc);

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