Estatística Aplicada a Saúde

Estatística Aplicada a Saúde

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CURSO DE GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA

ESTATÍSTICA

Capítulo 1

  1. HISTÓRICO

A estatística pode ser entendida a partir de dois fenômenos distintos: a necessidade dos governantes em coletar informações a cerca da população e o desenvolvimento do cálculo das probabilidades. A exemplo podemos citar os egípcios, gregos e romanos; estes realizavam coleta de dados primários com o propósito de taxações e finalidades militares. A própria Bíblia, no livro quatro do velho testamento, começa ordenando que Moisés faça um levantamento dos homens em Israel aptos para guerrear. Na idade média a Igreja registrava dados e informações sobre nascimentos, mortes e casamentos. Nos Estados Unidos a constituição de 1870 determinava a realização de censos a cada 10 anos; bem como no Brasil, os censos são realizados a cada 10 anos. A Palavra censo deriva de CENSERE, que significa TAXAR. Portanto atualmente informações numéricas são importantes não só para governos e governantes com o propósito de taxações, mas também para todos cidadãos e entidades como forma de planejamento e aplicação de esforços e investimentos.

  1. MÉTODOS

    1. MÉTODO CIENTÍFICO

Muitos dos conhecimentos que temos foram obtidos na Antiguidade por acaso e, outros, por necessidades práticas, sem aplicação de um método.

Atualmente, quase todo acréscimo de conhecimento resulta da observação e do estudo. Se bem que muito desse conhecimento possa ter sido observado inicialmente por acaso, a verdade e que desenvolvemos processos científicos para seu estudo e para adquirirmos tais conhecimentos.

Método e um conjunto de meios dispostos convenientemente para se chegar a um fim que se deseja.

    1. MÉTODO EXPERIMENTAL

Método experimental consiste em manter constantes todas as causas (fatores), menos uma, e variar esta causa de modo que o pesquisador possa descobrir seus efeitos, caso exista.

É o método preferido no estudo da Física, da Química etc.

    1. MÉTODO ESTATÍSTICO

Muitas vezes temos necessidade de descobrir fatos em um campo em que o método experimental não se explica (nas ciências sociais), já que os vários fatores que afetam o fenômeno em estudo não podem permanecer constantes enquanto fazemos variar a causa que, naquele momento, nos interessa.

Como exemplo, podemos citar a determinação das causas que definem o preço de uma mercadoria. Para aplicarmos o método experimental, teríamos de fazer variar a quantidade da mercadoria e verificar se tal fato iria influenciar seu preço.

Porém, seria necessário que não houvesse alteração nos outros fatores. Assim, deveria existir, no momento da pesquisa, uma uniformidade dos salários, o gosto dos consumidores deveria permanecer constante, seria necessária a fixação do nível geral dos preços das outras necessidades, etc. mas isso tudo e impossível.

Nesses casos, lançamos mão de outro método, embora mais difícil e menos preciso, denominamos método estatístico.

Método estatístico, diante da impossibilidade de manter as causas constantes, admite todas essas causas presentes variando-as, registrando essas variações e procurando determinar, no resultado final, que influencias cabem a cada uma delas.

  1. ESTATÍSTICA - DEFINIÇÃO

A palavra estatística de do latim STATUS que significa ESTADO. Em suma, a Estatística é a ciência que aplica processos próprios para coletar, apresentar e interpretar adequadamente os dados, sendo numéricos ou não. Tem como objetivo apresentar informações sobre dados em análises para que se tenha maior compreensão dos fatos que os mesmos representam.

É considerada um método científico pois resulta de um conjunto de regras e princípios que produzem resultados “controlados” ou “previsíveis” a partir de dados aleatórios levando a um objetivo almejado.

Há 03 ramos da estatística: descritiva, probabilística e inferencial.

A Estatística Descritiva – como o próprio nome diz, descreve, ou seja, organiza, sumariza e descreve um conjunto de dados, através da construção de gráficos, tabelas, e com cálculo de medidas com base em uma coleção de dados numéricos. Ou seja, tenta tornar os dados mais fáceis de ler, interpretar e discuti-los. Por exemplo: taxa de desemprego, custo de vida, índice pluviométrico, etc.

A estatística descritiva, descreve os dados de três maneiras:

  • Tabela: é um quadro que resume um conjunto de observações.

  • Gráficos: são formas didáticas áudios-visuais de apresentar os dados, com o objetivo de produzir uma impressão mais rápida dos dados ou fenômenos.

  • Medidas descritivas: são formulações matemáticas usadas para interpretar grandes quantidades de dados agrupados.

Na Estatística Probabilística – estuda-se o acaso, ou seja, através de cálculos matemáticos, pretende-se prever a ocorrência de dados aleatórios. Exemplo: jogos esportivos, o sucesso em lançar um produto novo no mercado e outros.

Já a Estatística Inferencial – destina-se a análise e interpretação de dados amostrais, ou seja, é efetuar determinada mensuração sobre uma parcela pequena, mas típica, de determinada população e utilizar essa informação para fazer inferências sobre a população toda. A exemplo: colocar a ponta do pé na água para avaliar a temperatura desta na piscina, testar um novo carro, a produção de protótipos de um determinado produto para então avaliar a qualidade do mesmo.

  1. FASES DO MÉTODO ESTATÍSTICO

Os dados estatísticos lidam com números, ou seja, envolve a análise e interpretação de números, como: renda anual, vendas mensais, número de peças defeituosas e etc. Mas para interpretar estes números faz-se necessários uma organização racional dos dados, portanto é necessário começar conhecendo a diferença entre dados e informação.

Dados são números ou valores coletados primariamente, e quase sempre não tem sentido. Porém, a informação compreende o processamento dos dados, reduzindo a quantidade de detalhes e facilitando o encontro de relações. Portanto os dados quando coletados são reunidos através de técnicas estatísticas e posteriormente apresentadas na forma de TABELAS ou GRÁFICOS; isto faz com que sejam eliminados detalhes não importantes e enfatizados os aspectos cruciais dos dados.

Estes dados estatísticos são obtidos através de um processo que envolve a observação; e os itens observados são chamados de variáveis. Falaremos desse tópico mais a frente, mas para resumirmos: variáveis são valores que tendem a exibir certo grau de variabilidade quando se fazem mensurações sucessivas.

    1. COLETA DE DADOS

Apos o cuidadoso planejamento e a devida determinação das características mensuráveis do fenômeno coletivamente típico que se quer pesquisar, damos inicio a coleta de dados numéricos necessários a sua descrição.

A coleta pode ser direta ou indireta.

A coleta é direta quando feita sobre elementos informativos de registro obrigatório (nascimento, casamento e óbitos, importação e exportação de mercadorias), elementos pertinentes aos prontuários dos alunos de uma escola ou, ainda, quando os dados são coletados pelo próprio pesquisador através de inquéritos e questionamentos, como e o caso das notas de verificação e de exames, do censo demográfico, etc..

A coleta direta de dados pode ser classificada relativamente ao fator tempo em:

  1. Contínua (registro) – quando feita continuamente, tal como a de nascimento e óbitos e a de freqüência dos alunos as aulas;

  2. Periódica – quando feita em intervalos constantes de tempo, como os censos (de 10 em 10 anos) e as avaliações mensais dos alunos;

  3. Ocasional – quando feita extemporaneamente, a fim de atender a uma conjuntura ou a uma emergência, como no caso de epidemias que assolam ou dizimam rebanhos inteiros.

A coleta diz indireta quando e inferida de elementos conhecidos (coleta direta) e/ou do conhecimento de outros fenômenos relacionados com o fenômeno estudado. Como exemplo, podemos citar a pesquisa sobre a mortalidade infantil, que e feita através de dados colhidos por uma coleta direta.

Mas se levarmos em consideração a natureza dos dados estes podem ser:

  1. Contínuos: trata-se de dados quantitativos em que as variáveis podem assumir virtualmente qualquer valor num intervalo de valores, ou quando feita continuamente.

Exemplo:altura, peso, comprimento, espessura, velocidade, etc.

  1. Discretos: também são dados quantitativos que só podem assumir valores inteiros. Os dados discretos surgem na contagem do número de itens com determinada característica.

Exemplo: número diário de clientes, alunos numa sala, número de acidentes diários numa fábrica e outros.

  1. Nominais: são dados qualitativos e caracterizam-se pela denominação de categorias ou nomes, geralmente compreendem variáveis que não relacionam-se a priori com números.

Exemplo: sexo, cor dos olhos, campo de estudo, desempenho no trabalho, etc.

  1. Por Posto: apesar de lidarem com números, são considerados dados de natureza qualitativa, pois se referem a avaliações subjetivas; quando se dispõem os itens segundo preferência ou desempenho. São valores relativos atribuídos para denotar ordem.

Exemplo: primeiro, segundo, terceiro ...

Populações

TIPOS DE DADOS

Contínuo

Discretos

Nominal

Por Posto

Alunos do 2˚ grau

Idades, peso

N˚ na classe

Menino/menina

2˚ grau

Automóveis

Km/h

N˚ de defeitos para carro

Cores

Limpeza

Venda de Imóveis

Valor $

N˚ de ofertas

Acima do preço

Muito dispendioso

    1. CRÍTICA AOS DADOS

Obtidos os dados, eles devem ser cuidadosamente criticados a procura de possíveis falhas e imperfeições, a fim de não incorrermos em erros grosseiros ou de certo vulto, que possam influir sensivelmente nos resultados.

A critica é externa quando visa as causas dos erros por parte do informante, por distração ou ma interpretação das perguntas que lhe foram feitas; e interna quando visa observar os elementos originais dos dados da coleta.

    1. APURAÇÃO DOS DADOS

Nada mais é do que a soma e o processamento dos dados obtidos e a disposição mediante critérios de classificação. Pode ser manual, eletromecânica ou eletrônica.

    1. EXPOSIÇÃO OU APRESENTAÇÃO DOS DADOS

Por mais diversa que seja a finalidade que se tenha em vista, os dados devem ser apresentados sob forma adequada (tabela ou gráfico), tornando mais fácil o exame daquilo que esta sendo objeto de tratamento estatístico e ulterior obtenção de medidas típicas.

    1. ANÁLISE DOS RESULTADOS

O objetivo da Estatística e tirar conclusões sobre o todo (população) a partir de informações fornecidas por parte representativa do todo (amostra). Assim, realizadas as fases anteriores (Estatística Descritiva), fazemos uma analise dos resultados obtidos, através dos métodos da Estatística Indutiva ou Inferencial, que tem por base a indução ou inferência, e tiramos desses resultados conclusões e previsões.

    1. A ESTATÍSTICA NAS EMPRESAS

No mundo atual, a empresa e uma das vigas-mestras da Economia dos povos.

A direção de uma empresa, de qualquer tipo, incluindo as estatais e governamentais, exige de seu administrador a importante tarefa de tomar decisões, e o conhecimento e o uso da Estatística facilitarão seu tríplice trabalho de organizar, dirigir e controlar a empresa.

Por meio de sondagem, de coleta de dados e de recenseamento de opiniões, podemos conhecer a realidade geográfica e social, os recursos naturais, humanos e financeiros disponíveis, as expectativas da comunidade sobre a empresa, e estabelecer suas metas, seus objetivos com a maior possibilidade de serem alcançados a curto, médio e longo prazo.

A Estatística ajudara em tal trabalho, como também na seleção e organização da estatística a ser adotada no empreendimento e, ainda, na escolha das técnicas de verificação e avaliação da quantidade e da qualidade do produto e mesmo dos possíveis lucros e/ou perdas.

Tudo isso que se pensou, que se planejou, precisa ficar registrado, documentado para evitar esquecimentos, a fim de garantir o bom uso do tempo, da energia e do material e, ainda, para um controle eficiente do trabalho.

O esquema do planejamento e o plano, que pode ser resumido, com auxilio da estatística, em tabelas e gráficos, que facilitarão a compreensão visual dos cálculos matemático-estatísticos que lhes deram origem.

O homem de hoje, em suas múltiplas atividades, lança mão de processos e técnicas estatísticas, e só estudando-as evitaremos o erro das generalizações apresentadas a respeito de tabelas e gráficos apresentados em jornais, revistas e televisão, freqüentemente cometidos quando se conhece apenas “por cima” um pouco de Estatística.

EXERCÍCIO

  1. O método experimental é mais usado por ciências como: .

  1. As ciências humanas e sociais, para obterem os dados que buscam, lançam mão de que método?

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