Epilepsia

Epilepsia

(Parte 1 de 2)

Histórico de enfermagem:

Paciente G. M. M, 2anos e 6m de cor parda, evangélico menor freqüentando a creche do bairro primeiro filho do casal, nascido Pré termo de parto cesariano por D.H. G (Doença Hipertensiva Gestacional), pesando 1.625 gr, PC 30.5cm, Comprimento 42cm, PT 29.5cm, apgar 5/7 com 32 semanas de gestação, ficou na UTI com oxigênio terapia por aproximadamente uma semana. Teve alterações em exames laboratoriais (TAP), por medicação. Apresentou três episódios de convulsão sendo a última mais ou menos com 2anos e 5m de idade, apresentava-se com hipertermia 39,2º C no dia segundo relato da mãe. Iniciou o tratamento com Depakene após ter realizado consulta com o neurologista que solicitou um eletro encefalograma. Reside com os pais e dois irmãos menores moram em casa própria construída em madeira com três cômodos, possuem água e luz elétrica instaladas, sistema de esgoto em fossa séptica, coleta de lixo seletiva três vezes por semana. A mãe não mantém as consultas periódicas em dia na UBS do bairro, esta com o calendário de vacinas com atraso da segunda dose da H1N1, Faz uso continuo de medicação antiepilética (DEPAKENE) duas vezes ao dia sem escala de horários. Segundo o relato da mãe a criança não apresenta nenhum tipo de alergia, tem historia de epilepsia e esquizofrenia na família por parte materna. No inicio do tratamento a criança apresentou diarréia moderada e esta com hidratação oral (Prati-sal) prescrita pelo médico da UBS. Segue aos cuidados da mãe.

Antecedentes de saúde do cliente e família:

Paciente ainda não tem um diagnostico especifico para seu problema de convulsão. Tem antecedentes de epilepsia e esquizofrenia na família ( tio e tia parte materna).

Hábitos de saúde:

Nem sempre a mãe leva na UBS nas intercorrencias de saúde. Brinca normalmente com seus coleguinhas na creche sem dificuldades para acompanhá-los.

Aspectos fisiológicos:

Oxigenação- Freqüência respiratória de 28 mrpm, eupneico, rítmico, movimentos abdominais diafragmática.

Hidratação- Ingere pouca quantidade de água, segundo relato da mãe. Tem preferência por sucos.

Alimentação- Segundo o relato da mãe a criança esta se alimentando pouco em casa. SIC na creche esta se alimentando bem, com variedades de alimentos inclusive frutas.

Eliminação vesical- presente na fralda de quantidade normal, cor, aspecto e odor característico segundo a mãe.

Eliminação intestinal- presente no momento de consistência diarréica, duas a três vezes no dia, de cor amarelada, segundo a mãe.

Sono e repouso- Segundo relato da mãe, a criança dorme bem à noite, e durante a tarde em média duas horas diárias.

Atividade física- Participa das atividades desenvolvidas na creche (corre, dança balança) e bem ativas também em casa.

Integridade cutânea- Mucosa oral integra e rosada.

Exame físico:

Cabeça e pescoço: Configuração normocefálica, simétrica e arredondada posicionada na linha média e ereta, couro cabeludo integro, cabelos curtos, sem nódulos em saliências, linfonódulos palpáveis pequenos e arredondados, macios, moveis e indolores, carótida esquerda e direita com amplitude e ritmo das pulsações iguais nos dois lados, traquéia retilínea na linha media, incisura supra esternal com pulsações e ritmos regulares, linfonódulos impalpáveis na região supra clavicular, movimentos simétricos do pescoço, força muscular presente.

Face: Sorriso simétrico, sobrancelhas e cílios presentes e alinhados

Nariz: Narinas desobstruídas, mucosa nasal úmida, rosada e vermelha, sem desvio, lesões ou pólipos no septo, nenhuma hipersensibilidade a palpação ou a percussão nos seios frontais e maxilares, movimentos articulares suaves sem dor, aproximação completa.

Boca: Mucosa oral lisa, úmida e rosada sem lesões ou inflamação, gengivas rosadas úmidas, dentes de leite higienizados precariamente com presença de todos.

Língua: Língua rosada e ligeiramente áspera com uma depressão na linha media palatos rosados a vermelho claros com linhas simétricas.

Olhos: Pupilas redondas reativas a luz, olhos brilhantes, apresenta estrabismo do olho dir. livre de inflamação no momento. Pálpebras integras.

Orelhas: Orelhas posicionadas verticalmente e alinhadas com os olhos, mesma cor da pele facial, orelhas posicionadas à face, formato semelhante de cada lado ausência de secreção nódulos ou lesões, acuidade auditiva preservada.

Pescoço: peleintegra movimentos preservados, carótidas palpáveis sem presença de nódulos, movimentos sem rigidez ou dor

Tórax posterior: Tônus cutâneo homogêneo posição simétrica de todas as estruturas, alturas bilateralmente iguais dos ombros, expansão simétrica com inspiração não faz uso de músculos acessórios na respiração, processos espinhosos adequadamente alinhados sem lesões ou hipersensibilidade, músculos firmes, simétricos e uniformemente espaçados, expansão e contração simétrica do tórax.

Tórax anterior: Tônus cutâneo uniforme posição simétrica de todas as estruturas ângulo costal simétrico, expansão simétrica com a inspiração não faz uso de músculos acessórios, nenhuma elevação, desvio ou batimento, superfície lisa, nenhuma lesão nódulo ou dor detectada á palpação expansão e contração simétrica do tórax nas incursões respiratórias.

Mamas e axilas: mamas simétricas, axilas simétricas, sem qualquer lesão visível, palpação das axilas livre de nódulos palpáveis.

Coração: Freqüência apropriada para a idade.

Abdome: Contorno simétrico, sem lesões, percussão com tom de macicez no fígado tom timpânico no restante do abdômen, órgãos indolores e sem tumecencias.

Membros superiores: Cor e textura uniformes sem lesões, turgor elástico da pele musculatura bilateralmente igual, mãos firmes sem tremores ou desvios em pronação, articulação livre, simetria de força, pele hidratada com temperatura igual em ambos os lados freqüência e ritmo dos pulsos radiais e braquiais iguais em ambos os lados.

Membros inferiores: Cor homogênea da pele, crescimento simétrico das unhas, massa muscular igual nos dois lados, freqüência e ritmo de pulso femoral e tibial, marcha firme bom equilíbrio.

Lista de problema:

  • convulsão

  • Hipertermia;

  • Desidratação;

Diagnóstico de enfermagem:

Com base nos dados do histórico, os principais diagnósticos de enfermagem do paciente podem incluir os seguintes:

  • Risco de lesão relacionado com a atividade convulsiva;

  • Medo relacionado com a possibilidade de convulsões;

  • Enfrentamento individual ineficaz relacionado com o estresse impostos pela epilepsia;

  • Conhecimento deficiente relacionado com a epilepsia e seu controle.

Prescrições de enfermagem:

Planejamento e metas:

As principais metas para o paciente podem incluir a prevenção da lesão, controle das convulsões, obtenção de um ajuste psicossocial satisfatório, aquisição de conhecimento e compreensão sobre a condição e ausência de complicações.

Prevenindo a lesão:

A prevenção de lesão para o paciente com convulsões é um a prioridade. Se em risco de lesão (dependendo do tipo de convulsão), o paciente deve ser colocado deitado no chão e qualquer peça apertada deve ser removida. O paciente nunca deve ser forçado para ficar numa posição, nem ninguém deve tentar inserir nada na boca do paciente ao ter inicio da convulsão. O paciente em observação para convulsão deve ter acolchoamentos aplicados nas laterais da cama.

Reduzindo o medo de convulsões:

O medo de que uma convulsão posa ocorrer de maneira inesperada pode ser reduzida pela adesão do paciente ao regime de tratamento prescrito. A cooperação do paciente e da família e sua confiança no regime prescrito são essenciais no controle das convulsões (Shachter, 2001). Deve ser enfatizado que o medicamento anticonvulsivante prescrito deve ser consumido em uma base continua, sem medo da dependência ou vicio do medicamento. A monitoração periódica é necessária para garantir a adequação do regime de tratamento e para evitar os efeitos colaterais. Em um esforço para controlar as convulsões, são identificados os fatores que podem precipitá-las: distúrbios emocionais, novos estressores ambientais. O paciente é encorajado a seguir uma rotina regular e moderada o estilo de vida, dieta (evitando os estimulantes excessivos), exercício e repouso (a privação do sono pode diminuir o limiar convulsivo). A atividade moderada é terapêutica, mas deve ser evitado o exercício excessivo. A estimulação fótica (luzes bruxuleantes brilhosas, ver televisão) pode precipitar as convulsões; usar óculos escuros ou tampar um olho pode constituir prevenção. Os estados de tensão (ansiedade, frustração) induzem convulsões em alguns pacientes. Aulas sobre controle do estresse podem ser valiosas.

Fornecendo a educação do paciente e da família:

Dentre todos os cuidados prestados pela enfermeira para a pessoa com epilepsia, talvez as facetas mais valiosas sejam a educação e os esforços para modificar as atitudes do paciente e da família no sentido do distúrbio. A pessoa que tem convulsões pode considerar toda convulsão como uma fonte potencial de humilhação e vergonha. Isso pode resultar em ansiedade, depressão, hostilidade e segredo por parte do paciente e da família. A educação continuada e o encorajamento devem ser administrados para os pacientes, visando capacitá-los a superar esses sentimentos.

Resultados esperados do paciente:

Os resultados esperados do paciente podem incluir:

  1. Não sofre lesão durante a atividade convulsiva;

a) Adere ao regime de tratamento e identifica os perigos relacionados à interrupção do medicamento

b) O paciente e a família podem identificar o cuidado adequado durante a convulsão

2) Exibe redução do medo

3) Demonstra o enfrentamento individual efetivo

  1. Exibe conhecimento e compreensão sobre a epilepsia

a. Identifica os efeitos colaterais dos medicamentos

b.Evita os fatores ou situações que podem precipitar as convulsões (luzes bruxuleantes, hiperventilação, álcool

c.Segue um estilo de vida saudável ao ter sono adequado e ingerir as refeições a intervalos regulares para evitar a hipoglicemia

  1. Ausência de complicações.

Hipótese diagnóstica:

Epilepsia

Estudo de diagnóstico:

Eletroencefalograma:

Conclusão: Mapeamento eletroencefalográfico computadorizado (“Brain Mapping”) mostrando atividade elétrica anormal por ondas lentas e de hipervoltagem em salva, difusas por ambos os hemisférios cerebrais de projeção predominante nas áreas frontais e parieto-ocipitais (irritação cortical?). Exige correlação eletrográfica.

Tratamento médico:

O tratamento da epilepsia é individualizado para satisfazer às necessidades de cada paciente e não apenas para controlar e evitar as convulsões. O tratamento difere de um paciente para outro porque algumas formas de epilepsias se originam da lesão cerebral e outras decorrem da bioquímica cerebral alterada.

Estudo da doença:

Epilepsia:

Conceituada como uma síndrome, isto é, um conjunto de sintomas e/ou sinais decorrentes e causas diversas. As manifestações epiléticas se caracterizam por sintomas e/ou sinais motores, sensitivos, sensoriais, psíquicos ou neurovegetativos que surgem de modo paroxístico e recorrente, originando se de uma descarga neuronal patológica que pode ser registrada no eletroencefalograma (EEG) como uma modificação paroxística dos ritmos cerebrais. A sua etiopatogenia pode relacionar-se a um processo cerebral já cicatrizado ou a um processo cerebral ativo. No primeiro caso trata se de seqüela de uma doença passada; no segundo é sintoma de doença atual do encéfalo (meningite ou tumor) que deve ser diagnosticada e tratada. O paciente sofre acessos periódicos. Geralmente, não há uma razão óbvia, e esse tipo de epilepsia começa bem cedo. Existem vários tipos de epilepsia. Na infância, a mais comum é a ausência (antigamente chamada “petit mal”), na qual ocorrem lapsos de consciência que duram somente alguns segundos; eles podem ser muito freqüentes e difíceis de notar para o, espectador; são importantes enquanto causas para o pouco progresso e a aparente desatenção na escola. O eletroencefalograma ajuda a confirmar o diagnóstico. As crianças podem também ter acessos tônico-clônicos (ataques fortes ou “grand mal”), que são as formas mais comuns nos adultos. Geralmente, o paciente recebe alguns avisos antes que esse tipo de acesso ocorra: ele vê clarões ou experimenta sensações peculiares, conhecidas como aura. Depois disso, geralmente, há um grito e o paciente cai inconsciente. O corpo fica rijo e entravado, mas logo depois ocorrem movimentos rápidos e bruscos, que diminuem gradualmente. O paciente fica azulado no rosto e pode morder a língua ou urinar. Durante o acesso é melhor agir o menos possível. Esse tipo de ataque é semelhante à convulsão febril na infância.

Fisiopatologia:

As mensagens originarias do corpo são transportadas pelos neurônios (células nervosas) do cérebro por meio de descargas de energia eletroquímica que deslizam ao longo deles. Esses impulsos ocorrem em surtos sempre que uma célula nervosa precisa realizar uma tarefa. Por vezes, essas células ou grupos de células continuam a se despolarizar depois do termino de uma tarefa. Durante o período de descargas indesejadas, as regiões do corpo controladas pelas células desnorteadas podem funcionar de maneira errática. A resultante disfunção varia desde branda ate incapacitante e, com freqüência, provoca inconsciência (Greenberg, 2001; Hickey, 2003). Quando essas descargas anormais descontroladas ocorrem de maneira repetida, diz se que a pessoa apresenta síndrome epilética (Schachter, 2001), a epilepsia não esta associada ao nível intelectual. As pessoas com epilepsia sem outras incapacidades cerebrais ou do sistema nervoso se situam dentro das mesmas faixas de inteligência que a população geral. A epilepsia não é um sinônimo de retardo mental nem de doença mental. Contudo, muitos que apresentam incapacidade de desenvolvimento por causa do comprometimento neurológico grave também apresentam epilepsia.

Manifestação clinica:

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