Inflamação e Reparo Tecidual módulo 1

Inflamação e Reparo Tecidual módulo 1

(Parte 1 de 4)

Curso de

Inflamação e Reparo Tecidual

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos na Bibliografia Consultada.

1 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores

MÓDULO I 1. MECANISMOS DA INFLAMAÇÃO 1.1. Introdução à inflamação 1.2. Células inflamatórias 1.3. Fases do processo inflamatório 1.4. Processo de fagocitose

MÓDULO I 1. MEDIADORES QUÍMICOS DA INFLAMAÇÃO 1.1. Aminas vaso ativas: histamina e serotonina 1.2. Sistemas plasmáticos 1.3. Metabólitos do ácido aracdônico 1.4. Fator ativador de plaquetas 1.5. Citocinas

MÓDULO I 1. INFLAMAÇÃO AGUDA 1.1. Classificação das inflamações 1.2. Evolução das inflamações agudas 1.3. Fatores que alteram a resposta inflamatória 1.4. Farmacologia da inflamação

MÓDULO IV 1. INFLAMAÇÃO CRÔNICA

2 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores

1.1. Conceito e características da inflamação crônica 1.2. Classificação das inflamações crônicas 1.3. Agentes etiológicos 1.4. Formação dos granulomas

MÓDULO V 1. REPARO TECIDUAL 1.1. Células lábeis, estáveis e permanentes 1.2. Regeneração 1.3. Cicatrização 1.4. Fatores que interferem no processo de reparação 1.5. Reparo dos tecidos especializados 2. Bibliografia Consultada

3 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores

1. MECANISMOS DA INFLAMAÇÃO

1.1. Introdução à inflamação A inflamação ou flogose (derivado de "flogístico" que, em grego, significa "queimar") é a reação local dos tecidos a uma agressão, que, portanto, perderam sua homeostase e morfostase. Ela ocorre como uma resposta inespecífica, caracterizada por uma série de alterações que tendem a limitar os efeitos da agressão.

A inflamação pode ser conceituada, portanto, como uma resposta local do tecido vascularizado agredido, caracterizada por alterações do sistema vascular, dos componentes líquidos e celulares, bem como por adaptações do tecido conjuntivo vizinho. Desta forma, pode ser considerada uma reação de defesa local.

Inúmeras são as causas ou os agentes responsáveis pelas alterações encontradas na inflamação, sendo divididos em grupos conforme a natureza do agente. Assim, têm-se os agentes químicos, para designar o grupo das substâncias químicas, endógenas ou exógenas, que causam injúrias às células (ex.: tetracloreto de carbono, álcool); os agentes físicos, que agrupam as causas de natureza mecânica, elétrica, radioativa, de mudanças na temperatura etc.; e os agentes biológicos, englobando todos os seres vivos capazes de alterar a função celular (ex.: vírus, bactérias, fungos).

Para tornar-se um agente inflamatório, ou seja, um estímulo que desencadeie esses fenômenos de transformação nos tecidos, o agente lesivo tem que ser suficientemente intenso para provocar tais reações e ultrapassar as barreiras de defesa externas (como a derme, por exemplo), sem contudo alterar a vitalidade do tecido em que atua.

Por muito tempo, a inflamação foi considerada uma doença, e somente a partir do século XVIII é que Hunter propôs que a mesma fosse uma resposta benéfica. Desde Celsus (contemporâneo de Cristo) que se caracteriza a inflamação por quatro sinais "cardinais": rubor, calor, tumor e dor. Virchow, no século XIX, acrescentou um quinto sinal: a perda da função.

Fig. 1. Esquema mostrando os sinais cardinais da inflamação. Fonte: http://www.biomaterial.com.br/ inflama/Image120.gif

O rubor e o calor são o resultado de um aumento da circulação na área inflamada. O tumor é a conseqüência do aumento local do líquido intersticial e a dor depende do acúmulo, no local, de substâncias biológicas que atuam sobre as terminações nervosas. A perda da função é a conseqüência do somatório de vários fatores, especialmente do edema e da dor. Os sinais cardinais referemse a inflamações da superfície corpórea ou das articulações, porém, inflamações com as mesmas características ocorrem em todos os tecidos e órgãos agredidos.

Dependendo de sua duração, as inflamações são divididas em agudas e crônicas. Assim, inflamações que duram desde poucos minutos até poucos dias são chamadas de agudas, enquanto que as que persistem por semanas e meses são chamadas de crônicas.

Do ponto de vista funcional e morfológico, as inflamações agudas se caracterizam pelo predomínio de fenômenos exsudativos, ou seja, conseqüentes a alterações da permeabilidade vascular, permitindo o acúmulo na região inflamada de líquido (edema), fibrina, leucócitos, especialmente os neutrófilos, e

4 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores

5 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores hemácias. Nas inflamações crônicas, além destes elementos, ocorrem, no local, fenômenos produtivos, ou seja, proliferação de vasos, fibroblastos (com conseqüente deposição de colágeno), como também migração e proliferação local de monócitos e linfócitos.

1.2. Células inflamatórias As células que participam da reação inflamatória foram classificadas por Spector (1980), da seguinte forma:

• Células endoteliais;

• Células próprias do tecido (mastócitos, fibroblastos e macrófagos fixos);

Os leucócitos são as células sangüíneas de maior importância no processo inflamatório. Podem ser divididos em dois grupos: um primeiro grupo das células que possuem granulações específicas visíveis por ação de corantes especiais em seu citoplasma (denominadas de leucócitos granulócitos) ou com várias formas de núcleo (polimorfonucleares). E um segundo grupo das células que possuem granulações, porém essas não são visíveis com o auxílio desses corantes, denominadas de leucócitos agranulócitos. No primeiro grupo temos neutrófilos, eosinófilos e basófilos e, no segundo, linfócitos e monócitos. Esses últimos são também considerados mononucleares, ou seja, seus núcleos possuem forma constante, invariável.

Além dos leucócitos, muitas outras células do tecido conjuntivo estão envolvidas em diferentes etapas do processo inflamatório.

Fig. 2. Ilustração esquemática dos componentes das respostas inflamatórias agudas e crônicas: células e proteínas circulantes, células dos vasos sangüíneos e células e proteínas da matriz extracelular. Fonte: http://www.elseviermedicina.com.br/downloads/PartesProduto/sample_robbins.pdf

I. Células endoteliais Há poucos anos ainda se considerava a célula endotelial como uma membrana celular passiva, que forma a interface entre o sangue e os tecidos, dado a sua estrutura simples, com escassez de organelas celulares quando vista ao microscópio de luz. Na atualidade, nosso conceito de endotélio foi radicalmente mudado, pois ficou claro que a célula endotelial é um componente funcionalmente ativo da parede vascular, capaz de mostrar diversas propriedades metabólicas, de síntese e regenerativas, estando implicada na regulação de vários fenômenos, tais como: fluxo sangüíneo, coagulação, proliferação de células da parede vascular, reatividade imunológica, resposta do organismo a estímulos patogênicos.

O endotélio é formado por um epitélio pavimentoso simples. A célula endotelial é pobre em mitocôndrias e lisossomas, mas possui uma quantidade regular de retículo endoplasmático rugoso (RER), complexo de Golgi proeminente e citomembrana rica em sistemas enzimáticos. É importante ressaltar a presença de

6 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores miofibrilas e de proteínas no citoplasma, como actina e miosina, relacionadas com sua capacidade contrátil.

Fig. 3. Detalhe das células endoteliais (1) de pequenos capilares no tecido conjuntivo (2) Fonte: http://www.micron.uerj.br/atlas/celula/cel10.htm

Entre as funções do endotélio podemos citar: limitada capacidade fagocitária, síntese de colágeno tipo IV, elastina, laminina, fibronectina e glucosaminoglicanos e, talvez, outros componentes da membrana basal. Participam da formação de elementos da cascata da coagulação e do fenômeno da aderência leucocitária, graças à secreção da molécula de adesão do endotélio a leucócitos (ELAM). Estes, por sua vez, contribuem com o mesmo fenômeno, secretando moléculas de adesão intracitoplasmática (ICAM).

I. Neutrófilos São leucócitos granulócitos polimorfonucleares (PMN), formados na medula óssea, e como o próprio nome diz, possuem núcleo pleomórfico, multilobulado, citoplasma granuloso e medem cerca de 10 µm de diâmetro. Os neutrófilos jovens

7 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores apresentam núcleo em forma de ferradura (neutrófilo bastonete), enquanto os mais adultos, maduros, mostram núcleo bastante lobulado (neutrófilo segmentado).

Fig. 4. Detalhe microscópico do neutrófilo. Fonte: http://www.virtual.epm.br

O citoplasma dos neutrófilos é rico em granulações, que não se coram pelos métodos usuais de coloração, pois não possuem afinidade por tais corantes – por isso são denominados neutrófilos. Estes grânulos, que são classificados em primários, secundários e terciários, de acordo com suas características de eletrodensidade à microscopia eletrônica, são ricos em enzimas digestivas, como hidrolases, peroxidases e fosfatases ácidas, lisozima, etc.

Fig. 5. Detalhe da microscopia eletrônica do neutrófilo. Fonte: http://www.sbi.org.br/sbinarede/ SBInarede35/index.html

8 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores

9 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores

Os grânulos azurófilos ou primários são os mais densos e contêm mieloperoxidase, lisozima, elastases, catepsinas, proteinases, colagenase, N- acetil- glucoronidase e glicerofosfatase. Os grânulos secundários contêm lisozima, colagenase, gelatinase, fosfatase alcalina, lactoferrina, citocromo b- 245 e receptores para laminina.

Todas estas enzimas são essenciais para lisar as substâncias fagocitadas, porém, não só quando da fagocitose, como também quando o neutrófilo é ativado, ou quando se desintegra, são elas liberadas no interstício, onde agem agredindo os tecidos inflamados.

Os neutrófilos se originam de células da medula óssea e levam cerca de seis dias para atingir a maturação. Quando maduros, poderão continuar na medula por alguns dias antes de passar à circulação. Na circulação, permanecem cerca de 6h a 7h e, a seguir, deixam os vasos e se instalam no interstício. Fora dos vasos vivem pouco, morrendo após o máximo de dois dias. Logo, é necessário que a produção de neutrófilos pela medula seja capaz de compensar a sua contínua destruição para manter o número fisiológico circulante. O fato de serem células com uma vida média curta e extremamente móvel, explica, em parte, porque predominam nas fases iniciais do processo inflamatório em relação às demais células.

Denomina-se de neutrofilia e neutropenia, respectivamente, o aumento e a diminuição do número de neutrófilos na circulação periférica.

Fig. 6. Microscopia de um caso de neutrofilia. Fonte: http://library.med.utah.edu/WebPath/ INFLHTML/INFL001.html

Os polimorfonucleares neutrófilos constituem a primeira onda de migração. Nos tecidos inflamados, o neutrófilo se movimenta e aparentemente se locomove melhor, quando pode se apoiar em estruturas pré-formadas. A fibrina conseqüente à polimerização de fibrinogênio exsudado dos vasos pode servir de apoio a esta movimentação.

Tanto substâncias exógenas quanto endógenas podem ser quimiotáticas. Dentre as mais importantes estão: produtos bacterianos, componentes do complemento, especialmente o C5a, produtos da lipoxigenação do ácido araquidônico, especialmente o leucotrieno B4. Além de seu papel na quimiotaxia, os agentes quimiotáticos exercem outras funções, entre as quais a de ativação dos leucócitos. Esta ativação se acompanha de ativação de fosfolipases, com conseqüente produção dos metabólitos do ácido araquidônico, degranulação com liberação para o interstício de enzimas, além de modulação das moléculas de adesão da membrana do leucócito.

10 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores

(Parte 1 de 4)

Comentários