Inflamação e Reparo Tecidual módulo 3

Inflamação e Reparo Tecidual módulo 3

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Curso de

Inflamação e Reparo Tecidual

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1. INFLAMAÇÃO AGUDA 1.1. Classificação das inflamações O processo inflamatório, de um modo geral, pode ser classificado de acordo com diferentes variáveis.

TEMPO (Duração) Superaguda: horas a dias. Aguda: dias a semanas. Subaguda: semanas a meses.

Crônica: meses (Segundo BOGLIOLO, 1978, acima de três meses a anos).

Em relação à duração do processo, a classificação muitas vezes é baseada em aspectos clínicos e é feita de forma arbitrária, pois nem sempre corresponde ao quadro histológico encontrado.

Quanto ao quadro histológico, os critérios para a classificação das inflamações são os seguintes:

Aguda: Predomina fenômenos vasculares - exsudativos (hiperemia ativa patológica, edema, e infiltrado de PMN, principalmente neutrófilos). A exceção ocorre na hepatite viral aguda, na qual o infiltrado é sempre de mononucleares. Crônica: Predomina fenômenos proliferativos (Proliferação fibroblástica e angioblástica, e infiltrado de células mononucleares, principalmente de linfócitos, plasmócitos e macrófagos). Uma exceção acontece na osteomielite crônica, na qual o infiltrado é sempre de PMN.

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Subaguda: Caracteriza-se por fenômenos tanto vasculares - exsudativos quanto proliferativos, ocorrendo hiperemia, edema, proliferação fibroblástica e angioblástica, com infiltrado de PMN - principalmente eosinófilos, e também de MN - linfócitos, plasmócitos e macrófagos. Crônica Ativa: Trata-se da inflamação crônica reagudizada, isto é, com superposição de fenômenos vasculares exsudativos em área inflamada cronicamente.

As inflamações agudas são classificadas de acordo com as características do exsudato. Conforme o tipo, a intensidade e a duração da agressão, haverá maior ou menor alteração da permeabilidade vascular e, como conseqüência, haverá variação na proporção dos elementos do exsudato.

Quando o exsudato é predominantemente constituído por líquido, as inflamações são denominadas inflamações serosas. As inflamações serosas são principalmente observadas nas cavidades pré-formadas como a pleura, o pericárdio, o peritônio e as cavidades articulares. Nestes casos, o líquido que se acumula contém macromoléculas (albumina) e algumas células, especialmente neutrófilos e hemácias. Desta forma, é possível distingui-lo dos transudatos, que podem se formar nas cavidades em condições de aumento da pressão hidrostática, como na insuficiência cardíaca; neste caso, o líquido acumulado é muito pobre em células e praticamente não contém macromoléculas.

Outro exemplo de inflamação serosa são as bolhas que podem se formar na pele, como conseqüência de agressões leves, como queimaduras ou traumatismos. O líquido, com macromoléculas e poucas células, se acumula logo abaixo da epiderme.

Fig. 1. Histológico de bolha intra-epitelial, característica da inflamação serosa. Fonte: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia/lampele1a.html

Fig. 2. Conteúdo da bolha intra-epitelial. Fonte: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/ anatomia/lampele1a.html

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Na verdade, as primeiras fases de quase todas as inflamações, são constituídas por acúmulo de líquido nos interstícios.

As Inflamações do tipo fibrinosas são aquelas em que o exsudato contém grande quantidade de proteínas plasmáticas, inclusive fibrinogênio. Este, em contato com o interstício, se polimeriza em fibrilas de fibrina que se depositam sobre as superfícies serosas e mucosas.

Nas superfícies, a fibrina se deposita formando camadas, conferindolhes um aspecto característico, o que permite o diagnóstico macroscópico seguro de inflamação fibrinosa.

Na pleura e no pericárdio, a fibrina se deposita nos dois folhetos, promovendo sua aderência (aspecto em pão com manteiga). Caso o processo não ceda e não haja fibrinólise, estas aderências poderão se organizar e se transformar em aderências fibrosas, com fusão dos folhetos parietal e visceral e conseqüente desaparecimento do espaço pleural ou pericárdico.

A inflamação fibrinosa é também chamada de "inflamação pseudomembranosa", quando presente nas mucosas, pois apresenta uma camada superficial esbranquiçada sobre a área inflamada, como se fosse uma membrana. Ela ocorre quando a agressão promove a necrose de segmentos mais ou menos profundos da mucosa e, como conseqüência, a parte líquida do exsudato que se forma, cai para a luz e a fibrina se deposita na superfície necrótica da mucosa, formando a chamada "pseudomembrana”. As inflamações pseudomembranosas são freqüentemente observadas na faringe e no tubo digestivo.

Fig. 3. Pericardite fibrinosa (origem traumática). Observa-se o grande acúmulo de exsudado fibrinoso que se acumulou entre o saco pericárdico e a parede cardíaca. Fonte:http://w.fmv.utl.pt/atlas/coracao/corac_013.htm

Quando o comprometimento vascular é muito grave, com destruição das paredes, as hemácias passam a constituir o elemento dominante do exsudato; estas inflamações são chamadas de hemorrágicas.

Quando o exsudato contém grande número de neutrófilos, a inflamação é denominada de purulenta ou supurativa. Certos agentes agressores, como bactérias (estafilococos, neisserias) ou substâncias químicas (terebintina), produzem grandes quantidades de fatores quimiotáticos para neutrófilos.

Durante o processo de fagocitose, os neutrófilos liberam parte de suas enzimas para o interstício e, além disso, têm vida curta. A presença de grande número de neutrófilos, portanto, resulta na liberação local de grande quantidade de enzimas líticas, o que determina a liquefação do centro da área inflamada e dos tecidos circunvizinhos. A necrose liquefativa resultante da digestão dos agentes e dos tecidos infectados, como também das próprias

70 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores células inflamatórias, chama-se de pus e confere o nome de supurativa ou purulenta à inflamação.

Fig. 4. Pancreatite supurativa aguda. Fonte: http://www.ufrgs.br/patologia/patologia/images/ Canino.%20Pâncreas.%20Pancreatite%20supurativa%20aguda%20acentuada%201a.JPG

O exemplo mais corriqueiro de inflamação supurativa é a "espinha", tão freqüentemente observada na pele do rosto dos adolescentes. Ela é o resultado da invasão dos folículos pilosos por bactérias piogênicas (produtoras de pus). Uma vez no fundo do folículo, as bactérias desencadeiam a seqüência já conhecida de alterações, que se iniciam por congestão e discreto edema da pele envolvente, às vezes acompanhada de dor. Logo a seguir, a parte central da pequena lesão vai ficando amarela e saliente, o que corresponde ao acúmulo de pus no fundo do folículo. Em pouco tempo a pele que recobre o abscesso se rompe, o pus e as bactérias são eliminados e ocorre a reparação da lesão.

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Fig. 5. Aspecto clínico da espinha. Fonte: http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/furunculo/

As cavidades cheias de pus resultantes da maioria das inflamações purulentas são chamadas de abscessos. Um abscesso é uma coleção localizada de pus e pode ser encontrado em variadas situações.

Quando a inflamação supurativa se desenvolve em tecidos frouxos, em vez de se localizar, ela tem tendência a se difundir ao longo de espaços préformados, como as fáscias dos membros ou do pescoço, ou ainda espaços entre os feixes musculares do apêndice. Nestes casos, em que a inflamação supurativa é difusa e se estende pelos interstícios, ela é chamada de flegmonosa. Flegmão, portanto, é uma inflamação purulenta sem limites precisos.

Quando o pus se coleta em uma cavidade pré-formada (cavidade pleural, articulação, vesícula biliar), falamos em empiema.

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Fig. 6. Radiografia de tórax mostrando paciente com empiema à esquerda. Fonte: http://www.fisiorespiratoria.com.br/galeria_do_x_mostra.asp?cod_caso=14.

A úlcera é uma forma de inflamação caracterizada pela perda de tecido em uma superfície da pele ou das mucosas. No caso das mucosas, quando a perda não atinge o cório, o termo erosão é às vezes empregado.

As úlceras podem ser a conseqüência de traumatismos, ou ainda de outros tipos de agressão como, por exemplo, da ação de toxinas bacterianas, ou ainda pela ação de substâncias químicas como, por exemplo, um ácido. A inflamação, nestes casos, origina-se do tecido sadio ao redor da área lesada. O exsudato inflamatório se acumula no fundo da úlcera, removendo o tecido necrótico.

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Fig. 7. Histológico de úlcera péptica. Fonte: http://anatpat.unicamp.br/lamtgi1.html

As inflamações também podem ser classificadas de acordo com sua distribuição nos tecidos.

Fig. 8. Classificação das inflamações. Fonte: http://www.biomaterial.com.br/inflama/classinfl.html

De acordo com a intensidade do processo inflamatório, o mesmo pode ainda ser classificado em: leve, moderado ou severo.

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Leve ou discreto: Quando o tecido ou órgão afetado tem sua função alterada levemente, de modo a não comprometer seriamente o organismo como um todo;

Moderado: Quando o tecido ou órgão afetado tem sua função alterada, de modo a comprometer razoavelmente o organismo como um todo, ainda que não signifique por si só risco de vida;

Grave ou severo: Quando o tecido ou órgão afetado tem sua função muito alterada, comprometendo seriamente o organismo como um todo, inclusive pondo em risco a vida.

Dependendo do autor, podem existir inúmeras classificações diferentes. As classificações das inflamações crônicas serão descritas no módulo seguinte.

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