Inflamação e Reparo Tecidual módulo 4

Inflamação e Reparo Tecidual módulo 4

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Curso de

Inflamação e Reparo Tecidual

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1. INFLAMAÇÃO CRÔNICA

1.1. Conceito e características da inflamação crônica A inflamação crônica pode ser conceituada como a soma das reações do organismo em conseqüência da persistência do agente agressor, que não é eliminado pelos mecanismos da inflamação aguda. É a reação tecidual caracterizada pelo aumento dos graus de celularidade e de outros elementos teciduais, diante da permanência do agente agressor.

Injúria tecidual

Regeneração Cicatrização

Agente irritativo persistente

Mediadores químicos

A inflamação aguda pode ter quatro tipos de evolução: Resolução: quando a lesão é pequena; ao se eliminar o agressor, tudo volta à normalidade.

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Cicatrização: quando há destruição tecidual o dano será reparado, sendo a área lesada substituída por uma cicatriz; como exemplo, uma queimadura na pele.

Formação de abscesso: acontece quando agentes piogênicos se instalam na profundidade dos tecidos.

Progressão para inflamação crônica: isto ocorre quando o agente inflamatório não é eliminado pelo processo inflamatório agudo.

Quando o agente causador da agressão é inerte ou pouco agressivo, ou ainda quando ele persiste a despeito da inflamação aguda, a reação inflamatória assume características diferentes. Em vez de um exsudato rico em: líquidos, fibrinas e neutrófilos, encontram-se um aumento na proporção de linfócitos, macrófagos, proliferação de vasos e de fibroblastos, com deposição de colágeno. Por isso, na inflamação crônica, observa-se uma predominância dos processos produtivos e reparativos.

Modificações de células exsudadas linfócitos macrófagos

Inflamações crônicas

104 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores reparar os tecidos danificados

Neoformação conjuntivo-vascular macrófagos fibroblastos fatores de crescimento

As inflamações crônicas diferem das agudas pela sua longa duração, e pela ausência, ou pouca evidência, dos quatro sinais cardinais da inflamação. Do ponto de vista histológico, suas características dependerão do agente. Assim, por exemplo, uma inflamação crônica causada por agressores antigênicos, poderá ser principalmente constituída por linfócitos e macrófagos; quando acompanhada de morte celular haverá também proliferação de vasos, fibroblastos e deposição de colágeno.

As características mais marcantes da inflamação crônica são o predomínio de células mononucleares (linfócitos, macrófagos, plasmócitos) e a proliferação de fibroblastos e de vasos.

Além disso, neste tipo de processo inflamatório, podem estar presentes as células epitelióides e células gigantes multinucleadas, que são modificações morfofuncionais sofridas pelos macrófagos através da ação de mediadores químicos específicos.

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Fig. 1. Infiltrado mononuclear, na lâmina própria em lesão de mucosa bucal. Fonte: http://patoral.umayor.cl/atlaspatoral2/atlas_patoral2.html

Fig. 2. Miocardite granulomatosa idiopática: presença de células gigantes multinucleadas, rodeadas por um infiltrado inflamatório mononuclear, com predomínio de linfócitos. Fonte: http://www.conganat.org/9congreso/trabajo.asp?id_trabajo=804&tipo=2&tema=18

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As alterações vasculares da inflamação aguda caracterizam-se pelo aumento da permeabilidade. Nas crônicas, o papel dos vasos é menos evidente, apesar de ainda muito importante. As inflamações crônicas são caracterizadas por proliferação endotelial, ou seja, por neoformação vascular.

Fig. 3. Angiogênese.

Fonte: http://www.medsciences.bham.ac.uk/departments/Watson%20Group/ CCVS/Roy%20Bicknell%20Research.htm

A neoformação vascular é dependente da presença, no foco inflamatório, de fatores de crescimento. Nos últimos anos, polipeptídios capazes de estimular a proliferação de vários tipos de células têm sido estudados, inclusive aqueles capazes de estimular a proliferação do endotélio vascular. Entre eles, destacam-se: a) Fator de crescimento epidérmico: capaz de estimular a proliferação de células epiteliais e fibroblastos; b) Fator de crescimento derivado de plaquetas: estimula a proliferação de células endoteliais, células musculares lisas e vários tipos de células tumorais. São armazenados nos grânulos das plaquetas e liberados quando as plaquetas são ativadas. Além de estimular a proliferação de endotélio, eles também estimulam a migração e proliferação de fibroblastos, células

107 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores musculares lisas e macrófagos; c) Fator de crescimento de fibroblastos: estimula a proliferação de fibroblastos e induz todos os passos necessários à neoformação dos vasos.

Todos estes fatores estimuladores e inibidores de crescimento se formam e interagem nos focos inflamatórios e são responsáveis pela neoformação vascular e fibrose, que acompanham as inflamações crônicas. Do seu balanço dependerá a extensão, progressão ou término da reação.

Fig. 4. Processo de angiogênese. Fonte: http://www.gene.com/gene/research/focusareas/tgr/

O processo de angiogênese (neoformação vascular) segue as seguintes etapas: degradação da membrana basal do vaso de origem, migração das células endoteliais, sua proliferação com a formação de um tubo sólido, constituído por células endoteliais jovens e, finalmente, escavação do tubo originando a luz, que se comunica com a luz do vaso de origem.

Tanto nas inflamações agudas, quanto nas crônicas, os estímulos à proliferação de vasos e fibroblastos originam o tecido de granulação. Este

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109 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores tecido se caracteriza pela proliferação de vasos que se dirigem à área lesada, acompanhados de outras células (neutrófilos, macrófagos, linfócitos, plasmócitos) e de fibroblastos. À medida que os fagócitos lisam os tecidos necróticos ou a fibrina, os vasos proliferam em direção à lesão, trazendo com eles o sangue de que se originam os leucócitos exsudados. São acompanhados pelos fibroblastos que sintetizam colágeno. Progressivamente, a área lesada vai sendo substituída por uma cicatriz fibrosa.

Quando o agente persiste, ocorre o equilíbrio entre a progressão da lesão causada pelo agente e o tecido de granulação, que tenderá a formar uma barreira de tecido fibroso para isolar o agente dos tecidos do hospedeiro.

Os capilares neoformados do tecido de granulação permitem a saída de plasma, o que explica seu aspecto clínico. Por sua vez, quando a lesão é na pele ou em uma mucosa, forma-se crosta de fibrina na sua superfície, a "casca" das feridas, que nada mais é do que fibrina dessecada recobrindo o fundo da úlcera.

1.2. Classificação das inflamações crônicas A proporção relativa dos componentes das inflamações crônicas varia muito com o agente e com a resposta do hospedeiro, o que permite classificar as inflamações crônicas em: inflamações crônicas específicas e inflamações crônicas inespecíficas.

I. Inflamações crônicas específicas: ocorrem quando os elementos da reação se dispõem formando acúmulos nodulares de limites mais ou menos precisos e chamados de granulomas. As células predominantes são macrófagos e o processo é pouco vascularizado.

Injúria tecidual persistente

Linfócitos T ativados

Fatores quimiotáticos

Fatores de crescimento

Proliferação dos macrófagos nos tecidos

Recrutamento dos monócitos circulantes

Aumento na quantidade de macrófagos

Mitógenos teciduais

Fatores quimiotáticos bacterianos e teciduais para monócitos

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