Inflamação e Reparo Tecidual módulo 5

Inflamação e Reparo Tecidual módulo 5

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Curso de

Inflamação e Reparo Tecidual

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1. REPARO TECIDUAL Um organismo vivo mantém a capacidade de reparar suas perdas. Isto é uma propriedade que está presente desde o nível celular. Quando uma célula sofre agressão focal, as organelas inviáveis podem ser isoladas num vacúolo limitado por membrana, digeridas e eliminadas, enquanto as partes perdidas são reconstituídas, voltando a célula à sua estrutura normal.

Quando, em vez de atingir focalmente as células no seu citoplasma, a lesão causa a perda de muitas células, o reparo é mais complexo e pode assumir uma das duas possibilidades: a) REGENERAÇÃO - se as células parenquimatosas morrem, mas o estroma permanece íntegro, o reparo se faz a partir de células do mesmo tipo das que se perderam, voltando o órgão à sua estrutura normal; b) CICATRIZAÇÃO - se o estroma é destruído, o reparo se faz fundamentalmente à custa do tecido conjuntivo, o que quase sempre aparece combinado com certo grau de regeneração dos elementos epiteliais, os quais podem ou não reproduzir a estrutura que tinham anteriormente.

1.1. Células lábeis, estáveis e permanentes O tempo de vida de uma célula pode variar conforme a espécie. No ser humano, existem células que vivem apenas alguns dias, e outras que podem acompanhar o indivíduo por toda a vida.

Quanto à longevidade das células, estas podem ser classificadas em lábeis (curta duração), estáveis (duram meses ou anos) ou permanentes (duram toda a vida).

As células lábeis são pouco diferenciadas e possuem grande capacidade de duplicação, como por exemplo, as hemácias. O tempo de vida de uma hemácia é de aproximadamente 90 dias. As células das superfícies de revestimento e dos

129 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores órgãos hematopoéticos estão constantemente se renovando. Seus núcleos, ao completarem o ciclo replicativo, entram imediatamente em outro ciclo. São células lábeis, que se regeneram com facilidade e rapidez.

http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=883&sid=8

Boa parte das células do organismo é representada por células estáveis, isto é, células cuja capacidade replicativa dos núcleos permanece quiescente na maior parte do tempo. Em face de estímulos adequados, esta capacidade pode ser rapidamente retomada. Estão nesta categoria os hepatócitos, as células dos túbulos renais, as células endoteliais, os fibroblastos, leiomiócitos etc.

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Células endoteliais (1) e tecido conjuntivo (2). Fonte: http://www.micron.uerj.br/atlas/celula/cel10.htm

Diferente das células lábeis e estáveis, as células permanentes possuem grande capacidade de diferenciação e se multiplicam apenas na fase embrionária.

Células como os neurônios não mais se multiplicam e, uma vez perdidas, não são substituídas. Seu lugar é ocupado pela proliferação das células do estroma que, no sistema nervoso central, é representado pela glia.

Células da glia (1) e neurônios (2). Fonte: http://www.micron.uerj.br/atlas/celula/cel13.htm

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Os neurônios não se regeneram e, quando morrem, o seu prolongamento axial (axônio) também se degenera. Mas, o nervo (formado por axônios) pode se regenerar se o corpo do neurônio se mantiver vivo. O importante é que o tubo no qual o nervo está contido (bainha de Schwann) mantenha a continuidade; o axônio cresce e repara a porção que se perdeu. Quando a continuidade da bainha não está mantida, os axônios podem proliferar no local da lesão e se enovelar, formando pequeno nódulo, conhecido como neuroma de amputação, lesão que pode ser muito dolorosa se estiver afetando nervos sensitivos.

As fibras musculares estriadas, principalmente as cardíacas, também têm capacidade de regeneração muito limitada, ou mesmo não se regeneram. Estas células, cujos núcleos não têm mais a capacidade de reiniciar o processo replicativo, são classificadas como células permanentes.

Nos músculos, a perda de suas células é seguida de cicatrização fibrosa. A fibrose que se forma após infarto do miocárdio fornece um exemplo típico do processo no nível do coração.

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Fibrose do miocárdio pós-infarto. Fonte: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia/lamdc11.html

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1.Células lábeis

2.Células estáveis

3.Células permanentes

1.2. Regeneração A regeneração consiste no processo de organização tecidual com substituição das células mortas ou lesadas por novas células, idênticas às originais. A regeneração promove a restituição da integridade anatômica e funcional do tecido.

Todo o procedimento regenerativo se realiza em tecidos onde existem células lábeis ou estáveis, isto é, células que detêm a capacidade de se regenerar através de toda a vida extra-uterina (por exemplo, células epiteliais, do tecido hematopoiético etc.); por intermédio da multiplicação e organização dessas células, origina-se um tecido idêntico ao original. Além dessa condição, a restituição completa só ocorre se existir um suporte, um tecido de sustentação (como parênquima, derma da pele etc.) subjacente ao local comprometido. Esse tecido é o

134 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores responsável pela manutenção da irrigação e nutrição do local, fatores essenciais para o desenvolvimento da regeneração dentro dos padrões normais.

Quando uma superfície do organismo, cutânea, mucosa, endotelial, mesotelial ou da córnea é desnudada, mas a camada basal - ou seja, o tecido conjuntivo imediatamente adjacente (cório) - permanece íntegra, as células não lesadas das bordas da lesão crescem e reparam completamente o defeito.O mesmo ocorre com as células epiteliais, as células do fígado, rim, glândulas endócrinas etc., quando o arcabouço de sustentação estiver mantido. Este processo de regeneração não se faz com a mesma facilidade e rapidez em qualquer tecido, uma vez que vários tipos de células diferem na sua capacidade de replicação.

No organismo, é normal a reposição de células, através da regeneração classificada como fisiológica, ou seja, a proliferação celular é contínua para manter a estrutura e o funcionamento dos órgãos. Um exemplo é a mucosa bucal (e as demais mucosas), em que o epitélio prolifera continuadamente para a renovação das camadas epiteliais. Há ainda a regeneração compensadora, observada nos órgãos pares (por exemplo, pulmão, rins etc.); quando um dos órgãos é destruído, o outro assume processos regenerativos mais intensos para compensar a destruição do seu par. Por fim, diz-se que há regeneração patológica quando houver destruição tecidual e perda da homeostase e da morfostase.

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As fases da regeneração incluem um momento em que há demolição das células lesadas e inflamação, seguido por intensa proliferação. Inúmeras hipóteses vêm sendo formuladas para explicar o processo regenerativo, envolvendo, dentre outros, elementos humorais, circulatórios etc. Atualmente sabe-se que algumas proteínas da matriz extracelular estimulam a proliferação celular, bem como existem alguns genes responsáveis pela mitose celular.

Um conceito importante a ser considerado nos processos de regeneração é a diferenciação celular, transformações que a célula desenvolve durante seu ciclo de vida, através das quais, vai adquirindo especializações; assim, uma célula embrionária, para atingir o "status" de célula epitelial, passa por estágios de transformação (principalmente de suas organelas e de seu metabolismo), até assumir um comportamento de célula epitelial.

Nos processos regenerativos, em geral, quanto mais diferenciados for uma célula (isto é, mais especializada), menor é seu grau de multiplicação e regeneração. Contudo, esse princípio não pode ser generalizado para todos os tipos celulares, pois a localização e a capacidade da célula de sofrer agressões influenciam em seu

136 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores comportamento regenerativo. Por exemplo, as células da mucosa bucal (células lábeis) são mais facilmente regeneradas do que as de pele (também lábeis); já as células da medula óssea (novamente lábeis) têm regeneração completa.

As células estáveis (com menor poder mitótico em relação às lábeis) possuem capacidade de regeneração bem variável de órgão para órgão. O fígado, por exemplo, regenera-se completamente, inclusive sua estrutura estromática, ou seja, vasos sangüíneos, sistema de ductos, arcabouço conjuntivo etc. Já no rim, o glomérulo não se refaz após destruição completa, mas o epitélio tubular pode se regenerar completamente. A cartilagem, por outro lado, não se refaz, assim como os ácinos das glândulas salivares. O tecido ósseo tem regeneração mais complexa, mas também pode adquirir sua estrutura original.

Para as células permanentes (ou perenes), a regeneração praticamente inexiste. As células nervosas, por exemplo, não se proliferam, portanto, não se regeneram. O tecido nervoso periférico, quando agredido (por exemplo, rompimento da fibra), pode se restituir não por proliferação da célula, mas pelo prolongamento do axônio mais próximo, juntamente com a ação de células satélites ao feixe vascular (as células de Schwann). Portanto, é um processo reparativo, mas não uma regeneração. Processo semelhante é visto nas células musculares, cuja reparação advém principalmente do sarcoplasma.

1.3. Cicatrização A cicatrização acontece quando o processo de reparo se faz à custa da proliferação do tecido conjuntivo fibroso, em que o tecido pré-existente fica substituído por cicatriz fibrosa. O processo de cicatrização pode ser conceituado como a reposição de tecido destruído por tecido conjuntivo neoformado, não especializado.

A cicatrização é a forma mais comum de cura dos tecidos inflamados. Nela se tem uma reposição tecidual, porém a anatomia e a função do local comprometido não são restituídas, uma vez que se forma a cicatriz, tecido conjuntivo fibroso mais primitivo, que substitui o parênquima destruído.

Para que possa haver cicatrização completa, são necessárias eliminação do agente agressor, irrigação, nutrição e oxigenação.

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Para muitos, o processo de cicatrização é considerado um seguimento do processo inflamatório que provocou perda de substância. Realmente, na inflamação, o reparo se faz presente desde a fase aguda, na periferia da lesão, predominando à proporção em que o processo se torna crônico e evolui para o seu término. O reparo também ocorre após perda de tecido por infarto, hemorragias, por ressecção cirúrgica, etc. Um processo especial de reparo ocorre mesmo quando não há perda de substância, mas persistência de fibrina nos tecidos, seja por falha na remoção após inflamação, seja em conseqüência da formação de um trombo. Neste caso, a substituição paulatina da fibrina por tecido fibroso recebe o nome de organização.

Diferentes classificações didáticas são utilizadas para facilitar o entendimento de um processo totalmente dinâmico e com fases tão interdependentes como a cicatrização.

Existem autores que consideram três estágios no processo de cicatrização: inicialmente um estágio inflamatório de demolição, seguido por um de proliferação e finalizando com o reparo em um estágio de remodelação. Em um determinado período de tempo, as fases coincidem e acontecem simultaneamente, permitindo assim o sucesso da cicatrização.

• Demolição

•Fase de crescimento do tecido de granulação

•Fase de maturação e remodelação

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