Introdução Economia

Introdução Economia

(Parte 7 de 8)

O fundamento no pensamento smithiano é o fato de haver indicado quase todos os problemas que viriam a ser objetos de reflexão científica subsequente. De Smith, partiram todas as demais linhas de pesquisa que serão tratadas por outros economistas, como Marx Keynes.

Adam Smith teve muitos seguidores, dos quais destacamos os seguintes: John Stuart Mill e Jean Baptiste Say. Cabe ressaltar que alguns economistas daquela época rejeitaram a lei formulada por Say e dentre eles podemos destacar: Malthus, Karl Marx e Keynes.

Você já deve ter ouvido falar de Malthus, devido ao enfoque da teoria formulada sobre a falta de alimentos para atender ao grande crescimento da população e que, até os dias de hoje, conquista um batalhão de seguidores pelos quatro cantos do planeta. Mas quem foi Malthus? Qual o nome dado a esses novos seguidores da teoria de Malthus?

Thomas Robert Malthus, estudioso pensador inglês do seu tempo, continua fazendo história ainda nos dias de hoje com a sua famosa tese sobre o crescimento da população. Na sociedade mundial contemporânea os seus seguidores ficaram conhecidos como neomalthusianos.

Foi com a obra Ensaio sobre o princípio da população, publicada anonimamente em 1798, que Malthus tornou-se conhecido mundialmente. Das suas ideias, a mais famosa dizia que, enquanto a população tinha tendência

John Stuart Mill (1806-1873)

Economista inglês que trouxe ao público os ensinamentos da escola clássica. Seu livro intitulado Princípios de Economia Política foi publicado pela primeira vez em 1848 e teve destaque como indicação de leitura até ser publicado o livro de Alfred Marshall intitulado Princípios Econômicos, em 1890. Fonte: Brue (2006).

Jean Baptiste Say (1767-1832)

Economista francês que estudou a fundo a obra do fundador da Escola Clássica, Adam Smith. Say, como ficou conhecido, acreditava na liberdade do mercado e criou uma lei que acabou levando o seu nome e que dizia o seguinte: a oferta cria sua própria demanda, ou em outras palavras, a própria produção estimula o crescimento da produção. Fonte: Hunt (2005).

Thomas Robert Malthus (1766-1834)

É daqueles personagens que quase todas as pessoas sabem alguma coisa. Contudo, é importante frisar que Malthus formou-se em Matemática, e ressaltar que a sua mais importante obra foi publicada de forma anônima. Para a Demografia o trabalho de Malthus tem um destaque especial. Fonte: Szmrecsánye (1982.)

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Unidade 2 – Evolução do pensamento econômico a crescer de forma geométrica, os alimentos cresciam de forma aritmética. Embora atraente, é óbvio que, nos dias de hoje, temos certa dificuldade em pensar assim, devido às transformações tecnológicas ocorridas na agricultura e ao sucesso dos métodos de controle de natalidade.

Tanto Malthus quanto Ricardo tiveram grande influência de

Adam Smith. Na realidade, o inglês Ricardo adquiriu fortuna, desde muito jovem, operando na Bolsa de Valores. Divergiu dos estudos sobre população, de Malthus, por não acreditar que a demanda efetiva seria incapaz de se realizar no mercado.

De Ricardo, herdamos o importante estudo sobre a renda da terra. Segundo os seus ensinamentos, a expansão agrícola, ao se dar em terras menos férteis, levava à valorização da terra mais fértil, e nas relações econômicas internacionais, à Teoria das Vantagens Comparativas.

Ao estudar a produção, Ricardo dedicou-se a tentar entender a formação do valor a partir das horas trabalhadas e sua distribuição. Na concepção ricardiana, a troca das mercadorias estava diretamente ligada às quantidades de trabalho relativas que haviam sido utilizada para sua produção. Era a Teoria do Valor– Trabalho, que começava a ser explicada com certos detalhes e que Adam Smith não conseguira superar. A importância da contribuição de Ricardo para o entendimento da formação do valor na Economia só veio ser percebida a partir dos estudos de Karl Marx.

O representante maior desta escola foi Karl Marx (1818- 1883). Nascido em Trier, no sul da Alemanha, teve a sua principal obra, O capital, publicada pela primeira vez em 1867. Ao mergulhar nos estudos dos clássicos, Marx avançou nas formulações, e realizou uma leitura das mais completas e ampliadas do processo capitalista. Marx trouxe interpretações consistentes sobre a Teoria do Valor–

Karl Marx

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Trabalho e buscou compreender de forma profunda a realização do capital.

As contribuições efetivas de Karl Marx sobre o sistema capitalista estão reunidas nos três volumes da obra O Capital. O volume I foi publicado em vida e os outros dois alguns anos após sua morte. Depois da propagação da teoria formulada por Marx, que ficou conhecida como Marxista, o mundo não foi mais o mesmo.

Mesmo nos dias de hoje, com forte presença do neoliberalismo, as teorias elaboradas por Marx são respeitadas, as defesas das suas ideias continuam despertando interesse e sendo estudada.

Foi no estudo do processo de acumulação capitalista que Marx observou a gênese das crises, ora de superprodução, ora de estagnação, bem como a distribuição da renda. Para ele, o valor da força de trabalho despendido para produzir uma mercadoria era determinado pelo tempo de trabalho empregado na produção da mercadoria. Logo podemos dizer que Marx refere-se a compreensão de um valor social.

Marx publicou alguns livros em parceria com o amigo de vida

Friedrich Engels, sendo o primeiro A sagrada família, de 1845. O livro Ideologia alemã, escrito por Marx e Engels por volta de 1845 a 1846, só veio a ser publicado em 1932, e é considerado um dos trabalhos mais significativos para a compreensão do materialismo histórico.

Outro fator que precisamos destacar é que Karl Marx elaborou uma crítica científica do capitalismo, e este é um dos motivos pelos quais sua obra continua tendo grande repercussão, tornando-se um autor obrigatório a ser lido ainda hoje. Segundo

Friedrich Engels (1820-1895)

Filósofo alemão, que colaborou com Karl Marx em muitos trabalhos, fundando juntos o chamado socialismo científico ou marxismo. Francis Wheen abriu o livro de sua autoria, intitulado Karl Marx, com as seguintes palavras: “Havia apenas onze pessoas presentes no funeral de Karl Marx, em 17 de março de 1883. ‘Seu nome e sua obra permanecerão por séculos afora’, predisse Friedrich Engels, numa oração fúnebre no cemitério de Highgate. Parecia uma presunção improvável, mas ele tinha razão.” Fonte: Wheen (2001).

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De acordo com a concepção do materialismo histórico, a transformação social está ligada ao desenvolvimento da forças produtivas. O livro Manifesto do Partido Comunista, de Marx, em co-autoria com Engels, foi publicado em 1848 e inaugurou a Modernidade.

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Unidade 2 – Evolução do pensamento econômico

Braga (1997), são inúmeras as evidências históricas da contemporaneidade da teoria econômica de Marx. Por exemplo, a Lei Geral da Acumulação Capitalista e a Globalização Financeira.

Podemos dizer que o desenvolvimento deste pensamento foi evidenciado em 1870, ano que marcou a mundialização das relações econômicas, e estendeu-se até 1929, quando uma grande crise atingiu as economias dos países, colocando em suspense os pressupostos da Ciência Econômica dos clássicos.

Você sabia que essa escola também fico conhecida como Marginalista?

Isso mesmo a Escola Neoclássica foi uma extensão da Escola

Marginalista, por buscar a integração da Teoria do Valor com a Teoria do Custo de Produção. Uma maior otimização dos recursos devido à escassez passou a ser objetivada. Destacamos como sendo da Escola Neoclássica:

X Vilfredo Pareto: político, sociólogo e economista italiano, que formulou a famosa teoria do bem-estar social, influenciado pelos princípios do equilíbrio geral. Sua principal obra, Manual de Política Econômica, foi publicada em 1906. Pareto influenciou a análise atual onde se discute o grau de satisfação dos indivíduos, ao aperfeiçoar a teoria de Walras. De acordo com Brue, o estado ótimo de Pareto implica em: uma distribuição ideal de bens entre os consumidores; uma alocação ideal técnica de recursos e quantidades ideais de produção (BRUE, 2006, p. 394).

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X Léon Walras: demonstrou em suas formulações a interdependência entre os preços, quando na busca pelo equilíbrio geral macroeconômico da economia. Pertenceu a Escola Matemática de Lausanne (PINHO; VASCONCELLOS, 2003, p. 36-37).

X Alfred Marshall: nascido em Bermondsey, um subúrbio de Londres, em 26 de julho de 1842. Filho de William Marshall e Rebeca Oliver, cresceu no bairro londrino de Clapham. Estudou em Cambridge, onde se dedicou à matemática, à física e, posteriormente, à economia. Morreu em julho de 1924, aos 81 anos. Foi um dos mais influentes economistas de seu tempo. Em seu livro, Princípios de Economia (Principles of Economics) procurou reunir num todo coerente as teorias da oferta e da demanda, da utilidade marginal e dos custos de produção, tornando-se o manual de economia mais adotado na Inglaterra por um longo período.

O ponto de partida do pensamento de

John Maynard Keynes é que o sistema capitalista tem um caráter profundamente instável. Ou seja, a operação da “mão invisível”, ao contrário do que afirmavam os economistas clássicos, não produz a harmonia no mercado. Em momentos de crises, argumenta Keynes, a intervenção do Estado pode gerar demanda, mediante os investimentos, com vistas a garantir níveis elevados de emprego.

O pensamento de Keynes comandou as bases do capitalismo mundial entre a década de 1940 e final dos anos 70. No Brasil, o

John Maynard Keynes (1883-1946)

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