Monografia Epidemiologia

Monografia Epidemiologia

(Parte 1 de 2)

Salvador 2010

Achados audiológicos em crianças com queixas de alteração de fala/linguagem

Trabalho de monografia apresentado à disciplina Introdução à Epidemiologia como requisito parcial da matéria.

Orientador: Prof. Luiz Jorge Teles

Salvador 2010

Este trabalho tem como objetivo analisar o quadro audiológico de crianças de 1 a 12 anos com queixas de alteração de fala/linguagem, atendidos na clínica escola Jurandy Gomes Aragão na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2008. Para tal estudo, transversal e retrospectivo, foram analisados os prontuários de 40 crianças de 1 a 12 anos com queixa de alteração de fala/linguagem, encaminhados pelo setor de linguagem para realização de exames audiológicos. Das 80 orelhas analisadas, verificou-se na audiometria que 65 (81,25%) possuíam audição dentro dos padrões de normalidade, 5 (6,25%) apresentaram perda auditiva leve, 1 (1,25%) perda moderada, 3 (3,75%) perda severa e 6 (7,50%) perda profunda. Em relação à curva timpanométrica, verificou-se que 51 (63,75%) orelhas apresentaram curva timpanométrica tipo A, 7 (8,75%) orelhas curva tipo As, 4 (5%) orelhas curva tipo B, 6 (7,50%) orelhas tipo C e em 12 (15%) orelhas o exame não foi realizado. Quanto aos reflexos acústicos verificou-se que este estava presente em 34 (43%) orelhas, ausentes em 32 (40%) orelhas e em 14(17%) orelhas o exame do reflexo acústico não foi realizado. Diante desses dados, pode-se concluir que não houve uma relação direta entre as queixas de fala / linguagem e alterações auditivas.

Palavras-Chave: Audição, Linguagem, Perda Auditiva, Fala, Imitanciometria, Audiometria, Reflexo Acústico.

1. INTRODUÇÃO 4 2. OBJETIVOS 7 2.1 Objetivos Gerais 7 2.2 Objetivos Específicos 7 3. JUSTIFICATIVA 8 4. METODOLOGIA 9 5. RESULTADOS 1 6. DISCUSSÃO 13 7. CONCLUSÃO 15 8. REFERÊNCIAS 16

1. INTRODUÇÃO

A comunicação é fundamental na vida do ser humano. Comunicar é dividir com alguém um conteúdo de informações, idéias, pensamentos e desejos por meio de códigos comuns. O mais alto nível de audição reside no fato de que o homem é capaz de decodificar os significados dos sons e ao mesmo tempo produzir e simbolizar uma variedade deles através da fala, desenvolvendo assim, um sistema de comunicação estruturado e único da espécie humana, isto é, a linguagem falada. Para a aquisição e a manutenção do uso da linguagem falada, faz-se necessário, entre outros aspectos, a preservação da audição.

O período de desenvolvimento pelo qual a criança passa ao longo da infância é essencial para determinar as habilidades que o cérebro desenvolverá ao longo da vida. Mesmo durante simples atividades como conversar, acontecem inúmeras conexões neuronais em diferentes áreas do cérebro. A diminuição desses estímulos, causados pela diminuição da audição, prejudicam consideravelmente o processamento da informação.

A audição caracteriza-se por ser um importante sentido que possibilita uma maior percepção do meio externo. Há muito tempo, sabe-se que a audição representa um fator relevante no processo de aprendizagem. É um pré-requisito para o desenvolvimento da linguagem, uma vez que desempenha papel preponderante e decisivo na aquisição da fala e da escrita. Essas duas funções estão interrelacionadas, por isso qualquer interferência na estrutura do sistema auditivo poderá repercutir negativamente sobre este processo.

Um dos principais distúrbios que podem interferir no desenvolvimento da linguagem e da fala é a deficiência auditiva. A American Speech-Language-Hearing Association considera que a deficiência auditiva representa 60% dos distúrbios da comunicação. Essa privação sensorial da audição pode prejudicar a criança não só no âmbito da linguagem, mas também no seu processo de maturação social e psicológico.

As crianças com perdas auditivas têm oportunidades limitadas de “ouvir por acaso” informações de várias fontes de entrada, que levam a experiências depauperadas com conseqüências negativas para a formação da regra da linguagem, conhecimento do mundo e desenvolvimento do vocabulário (Carney e Moeller, 1998).

A Organização Mundial da Saúde descreve a perda auditiva como um problema que deve ser levado a sério, pois a audição é extremamente importante no desenvolvimento da linguagem em crianças, bem como o seu impacto na vida escolar. Estabelece também que os problemas de comunicação são uma das grandes causas de dificuldade social nas crianças.

No desenvolvimento normal da linguagem, a compreensão oral se constitui desde o nascimento até os cinco anos de idade, sendo que após este período será apenas aprimorada (Reynell e Gruber, 1990). Mellon (2000) coloca que as crianças ouvintes dominam quase todos os elementos essenciais necessários para serem comunicadores competentes em seu idioma até os sete anos de idade. Esse é o chamado período crítico para o desenvolvimento da linguagem, cuja duração ainda está em estudo.

“Uma criança que sofre uma perda auditiva importante, após adquirir a linguagem (três ou quatro anos de idade) terá uma deficiência lingüística menos grave do que a criança cuja perda auditiva está presente ao nascimento ou se desenvolve dentro dos primeiros anos de vida”. (NORTHERN e DOWNS, 1989).

A queixa relatada pelo paciente nunca deve ser ignorada, pois é o principal meio para se chegar a um diagnóstico preciso e consequentemente a um tratamento efetivo. Deve-se ressaltar também a necessidade de sempre haver uma avaliação audiológica em crianças com qualquer tipo de alteração de fala e linguagem, pois esse procedimento auxilia no estabelecimento do plano terapêutico, pois, a partir dos resultados obtidos nos exames, o fonoaudiólogo verificará se houve ou não a interferência da audição na fala ou linguagem desses indivíduos e assim poderá agir diretamente no problema, buscando minimizá-lo ou saná-lo, no propósito de trazer uma maior qualidade de vida a esses pacientes.

As dificuldades de linguagem referem-se a alterações no processo de desenvolvimento da expressão e recepção verbal e/ou escrita. Por isso, a necessidade de identificação precoce dessas alterações e de suas causas no curso normal do desenvolvimento evita posteriores conseqüências educacionais e sociais desfavoráveis.

Segundo Silvana Frota (2003) as principais queixas que levam os pais a conduzirem os seus filhos aos setores audiológicos está na interface entre linguagem e audição. Sendo relatados pelos pais alguns comportamentos que os levam a uma condição de dúvida quanto a aspectos da comunicação oral dessas crianças, tais como: Não fala ou fala muito pouco, não atende quando é chamado e/ou aumenta o volume da televisão.

Northern e Downs consideram normais os limiares auditivos tonais para crianças de até 15 decibels.

2. OBJETIVO

2.1 OBJETIVO GERAL

Analisar o quadro audiológico de crianças de 1 a 12 anos com queixas de alteração de fala/linguagem, atendidos na clínica escola Jurandy Gomes Aragão na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2008.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Analisar o conhecimento sobre a linguagem e a audição infantil.

• Verificar se o comprometimento da audição infantil afeta o desenvolvimento da linguagem.

• Mostrar a importância dos exames audiológicos como instrumento de diagnóstico das alterações de fala ou linguagem.

3. JUSTIFICATIVA

Uma vez que o desenvolvimento da linguagem e o processo de internalização dos conceitos caminham conjuntamente com a comunicação, é vital o papel desempenhado pela audição tanto no desenvolvimento da linguagem como na construção e clarificação de conceitos. No caso do deficiente auditivo, esse processo torna-se não só mais lento como mais árduo (LOUIS FANT,1963 apud

Diante dos fatos que demonstram a importância da audição no processo de desenvolvimento da linguagem falada e, consequentemente, maturação da aprendizagem, bem como o impacto negativo nesse processo trazido por uma alteração da audição, torna-se necessário entender mais sobre essa temática no propósito de assim estabelecer um diagnóstico preciso, buscando causas para as alterações de fala ou linguagem, bem como medidas fonoaudiológicas preventivas e terapêuticas mais eficazes e assim também fornecer aos pais e a população em geral um maior acesso a informação.

Baseados no que foi descrito, nos propusemos a fazer este trabalho de pesquisa e esperamos que ele seja importante para a compreensão do assunto aqui abordado.

4. Metodologia

O presente estudo, transversal e retrospectivo, foi realizado através do levantamento e da análise de dados de prontuários de 40 crianças de ambos os sexos, na faixa etária de 1 a 12 anos de idade, com queixa de alteração na fala/linguagem e que foram assistidas na clínica escola de Fonoaudiologia da Universidade do Estado da Bahia, pelo setor de linguagem e encaminhadas para a realização de exames audiológicos: audiometria, timpanometria e reflexo acústico, para detecção de perda auditiva que justificasse a queixa primária dos pacientes, no período compreendido entre Fevereiro a Dezembro de 2008.

Foram levantadas as seguintes informações da avaliação audiológica por orelhas: resultados da audiometria (avaliação instrumental, com fones e em campo); resultados das timpanometrias e os resultados do exame do reflexo acústico.

Para análise dos limiares audiométricos, foi considerado dentro da faixa de normalidade aqueles que se encontravam em até 15 dBNA (Fig. 1), de acordo com as normas utilizadas na Clínica Escola da Universidade do Estado da Bahia.

Figura 1. Classificação do Grau da Perda Auditiva em Crianças, segundo Northern e Dawns (1984)

MÉDIA TRITONAL (500, 1000, 2000 Hz) Classificação

0-15 dBNA Audição Normal 16-25 dBNA Perda Auditiva Discreta 26-40 dBNA Perda Auditiva Leve 41-70 dBNA Perda Auditiva Moderada 71-90 dBNA Perda Auditiva Severa > 90 dBNA Perda Auditiva Profunda

Os resultados do timpanograma foram classificados conforme a proposta de JERGER, que classifica as curvas tipanométricas em cinco tipos:

• Tipo “A” – encontrada em indivíduos com orelha média em estado normal;

• Tipo “As” – encontrada em indivíduos que apresenta rigidez do sistema tímpano-ossicular;

• Tipo “Ad” – encontrada em indivíduos com disjunção da cadeia ossicular, onde a membrana timpânica está muito flácida;

• Tipo “B” – encontrada em indivíduos que apresentam líquido na orelha média;

• Tipo “C” – encontrada em indivíduos com disfunção tubária.

De posse desses conhecimentos podemos analisar os achados audiológicos das crianças do presente estudo.

O critério de exclusão do trabalho consistiu em prontuários de pacientes do setor audiológico que não apresentavam queixas de alteração de fala ou linguagem.

5. RESULTADOS

Com base na análise da avaliação audiológica de 40 prontuários selecionados, dos indivíduos com queixa de fala/linguagem, verificou-se que das 80 orelhas avaliadas foram encontradas em relação ao grau da perda auditiva: 65 (81,25%) orelhas com audição normal, ou seja, limiar auditivo abaixo de 15 dBNA em todas as freqüências testadas, 5 (6,25%) orelhas com perda auditiva leve, 1 (1,25%) orelha com perda moderada, 3 (3,75%) orelhas com perda severa e 6 (7,50%) perda profunda.

A Figura1 mostra a ocorrência em percentagem das audiometrias e os graus das perdas auditivas das orelhas analisadas

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