Leboyer, frédérick - shantala - uma arte tradicional - massagem para bebês

Leboyer, frédérick - shantala - uma arte tradicional - massagem para bebês

(Parte 1 de 4)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Leboyer, Frederick

Shantala massagem para bebêsarte tradicional / Frederick Leboyer ; tradução de Luiz Roberto Benati e Maria Silvia Cintra Martins. — b. ed. -- Sao Paulo : Ground, 1995

ISBN 85-7187-029-2

1. Bebes 2. Fisioterapia 3. Massagem 4. Massagem para crianças I. Titulo.

93-1292 CDD-615.82 NLM-WB 400

Índices para catálogo sistemático: 1. Fisioterapia em pediatria615.02 massagem para bebês: uma arte tradicional

Tradução de

Luiz Roberto Benati e Maria Silvia Cintra Martins

Dedico este livro à minha mãe.

A todas as mães.

A Shantala.

E, por seu intermédio, à Índia, minha segunda mãe, de quem tanto aprendi.

Quem não se interrogou, um dia, sobre a vida? Quem não procurou, alguma vez, saber o que é ela?

Perguntas bastantes pretensiosas. Todavia, para quem mais modestamente pergunta: "Onde começa a vida? E quando?" há uma resposta imediata, simples e evidente: "A vida começa com o nascimento".

E toda inquietação desaparece. Certeza? A vida começa com o nascimento...

E mesmo? No ventre... No ventre de sua mãe, a criança já não está viva? Ela não se mexe?

Sem dúvida, ela se mexe. No entanto, segundo algumas pessoas, ali só existe atividade reflexa.

Atividade reflexa! Não! Hoje nós sabemos que, bem antes de "vir à luz", a criança percebe a claridade. E escuta. E que, do seu cantinho escuro, ela espreita o mundo.

Sabemos também que ela passa da vigília ao sono. E até mesmo que sonha!

Por isso, achar que a vida começa com o nascimento é um grande erro. Mas, então, o que é que começa quando a criança vem ao mundo? O que é isso senão a vida?

O que começa é o medo.

O medo e a criança nascem juntos. E nunca se deixarão.

O medo, companheiro secreto, discreto como a sombra e, como ela, fiel, obstinado.

O medo que não nos abandonará, a não ser no túmulo, para onde, com fidelidade, nos conduzirá.

Já contei a epopéia do nascimento*. E o nascimento do medo. Mostrei o jovem cavaleiro andante, atacado, a partir do momento em que se arrisca a sair do refúgio, por mil monstros, sensações do mundo exterior.

Elas o esperam e o assustam com seu extraordinário rumor.

Mostrei o jovem herói quase a sucumbir, atordoado, não pelo sofrimento, mas com a surpresa e o terror.

E tentei mostrar como, com um pouco de inteligência e tato, poderíamos mudar muita coisa.

"E depois?", perguntaram-me. O que lhe ocorreu nos primeiros dias, nas primeiras semanas?

E verdade: as provações não terminaram. A criança vai encontrar novos monstros.

Nosso Argonauta terá de travar diferentes combates. Para bem compreender do que se trata, voltemos, uma vez mais, para trás.

*Nascer sorrindo. Editora Brasiliense, SP, 1979.

No ventre da mãe, a vida era uma riqueza infinita. Sem falar nos sons e nos ruídos, para a criança todas as coisas estavam em constante movimento. Se a mãe se erguer e andar, se ela se virar ou inclinar-se ou erguer-se na ponta dos pés. se ela debulhar legumes ou usar a vassoura, quantas ondas, quantas sensações para a criança. E se a mãe for descansar, pegar um livro e sentar-se, ou se deitar e adormecer, sua respiração será sempre a mesma e o marulho calmo a ressaca continua a embalar o bebê.

Depois, passada a tempestade do nascimento, eis a criança sozinha no berço, ou melhor dizendo, numa dessas caminhas que são como gaiolas de recém-nascidos. Nada mais se mexe!

Deserto.

E o silêncio.

Repentinamente, o mundo ao redor congelou-se, coagulou-se, numa imobilidade completa e terrível.

enquanto la lora laz-se completo vazio, eis que aqui dentro alguma porção no ventre agarra torce morde...

"Mamãe! Mamãe!" Ah, que pavor!

No ventre?

Não ali na escuridão! Sim, no escuro há um animal. Sim, sim, um tigre, um leão... "Eu o escuto! Eu o percebo!

Mamãe! Mamãe!"

Um animal? Na escuridão? Prestes a saltar sobre a criaça para devorá-la?

Um lobo, talvez?

Um lobo transformado em avó e que espreita Chapeuzinho Vermelho preparando-se para devorá-lo?

Um lobo?

Onde? Na cama? Embaixo da cama?

Atrás do biombo?

Não! Está bem ali no ventre.

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