História de Santa Catarina

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História de Santa Catarina

Aspectos Históricos do Estado de Santa Catarina

Cronologia da História de Santa Catarina

Pré-História Período

Colonial

Período Imperial

Período Republicano

5.0 a. C. 1500 - 1822 1822 - 1889 1889 -

A Pré-história de Santa Catarina

Os historiadores hoje acreditam que a entrada das populações indígenas no sul do Brasil se deu pelo Rio Paraná e seus afluentes. É possível que esses primeiros povos tenham chego à Santa Catarina pelo Rio Uruguai. Nas margens dos rios, encontra-se cultura material de ocupação humana datadas em aproximadamente 8.0 anos.

Indígenas Catarinenses

Homem do Sambaqui A pré-história da Ilha de Santa Catarina tem início com as populações de caçadores e coletores, construtoras dos sambaquis. Sua presença na Ilha está marcada, até o presente momento, pela data mais antiga de 5000 a.C. com os sítios arqueológicos do Pântano do Sul e Ponta das Almas. Eram indivíduos pré-ceramistas que viviam da caça e da coleta e praticavam pinturas corporais. A palavra sambaqui é derivada do guarani: Tambá - concha e Qui - monte. Os sambaquis são montes de carapaças de moluscos e outros restos da alimentação dos caçadores e coletores, juntamente com grande parte de sua cultura material (machados, seixos, colares de dentes ou vértebras e pontas de flecha). Era comum a prática de enterramentos dentro dos sambaquis.

Os Itararés Uma segunda tradição que habitou a região da Ilha de Santa Catarina foi a dos Itararés. Eram ceramistas que viviam da caça e coleta. Sua cerâmica, rudimentar e sem decoração, tinha caráter exclusivamente utilitário, usado no preparo de alimentos. Esta cerâmica pode ser o indicador de que os Itararé vieram do Planalto.

Os Carijós Os guaranis da Ilha de Santa Catarina, conhecidos como Carijós, foram os índios que tiveram contato com o europeu colonizador. Pouco se sabe sobre esta tradição antes da colonização. Acredita-se que os Carijós chegaram à região vindos da área do atual Paraguai. Eles dominavam a agricultura e conheciam o fabrico da cerâmica, dominando e expulsando outros grupos. Os Carijós chamavam a Ilha de Santa Catarina de Jurerêmirim, que quer dizer boca pequena. Cultivavam a mandioca e o cará, explorando paralelamente a caça, pesca e coleta. Sua cerâmica apresenta decoração corrugada, ungulada e pintada. Os carijós conheciam a fauna, a flora e os acidentes geográficos: rios, ilhas, campos. Tal conhecimento foi adquirido pelos europeus que o utilizaram para ocupar e explorar a região. Com a chegada do homem branco, os carijós, assim como a maioria dos índios do estado de Santa Catarina e do restante do Brasil, caminharam gradativamente à extinção. Aldeias foram aprisionadas e escravizadas. Doenças desconhecidas (gripe, sarampo, varíola, tuberculose, cólera) e as lutas de resistência indígena levaram, no século XVII, ao desaparecimento dos Carijós do litoral catarinense.

Kaigang e Xokleng No interior existia o grupo Jê (Kaigang e Xokleng), que se caracterizava pelo nomandismo (ou semi-nomadismo). Os exploradores denominaram este grupo de botucudos e bugres. Sabe-se que os Kaigangs viviam no planalto e dedicavam-se à pesca, à caça, à coleta de pinhão, frutas e raízes. Os Xoklengs, que habitavam a região entre o planalto e o litoral, também eram caçadores e coletores, porém mais belicosos.

Período Colonial

Expedições exploradoras ao litoral catarinense

Os portos naturais, como os de São Francisco e Ilha de Santa Catarina, tornaram a região parada obrigatória para os navios que viajavam no Atlântico Sul. Navegadores de várias nacionalidades por aqui passaram. Alguns náufragos e desertores acabaram por permanecer entre os indígenas que habitavam a Ilha de Santa Catarina e o litoral fronteiro, facilitando o reconhecimento da região e o abastecimento das outras embarcações. O primeiro europeu a aportar em terras catarinenses foi Binot Palmier de Gonnonville, em 1504 (São Francisco do Sul). A partir de então várias expedições chegaram a Santa Catarina:

• Juan Dias de Solis (1516) - naufragou quando voltava de viagem ao Prata. Onze náufragos dessa expedição foram bem recebidos pelos índios carijós e iniciaram com eles uma intensa miscigenação.

• D. Rodrigo de Acuña (1525) - deixa 17 tripulantes na Ilha, onde se fixaram voluntariamente;

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• Sebastião Caboto (1526) – dá a Ilha o nome de Santa Catarina.

• Alvar Nuñez Cabeza de Vaca (1541) - chega como governador da região do Prata (que então se estendia atéo litoral catarinense.

O Povoamento Vicentista

Os portos de São Francisco, Ilha de Santa Catarina e Laguna eram importantes, pois abasteciam com água os navios que iam para o Rio da Prata ou para o Pacífico através do Estreito de Magalhães. Portugal, que já manifestara interesse em fundar uma colônia na margem esquerda do Rio da Prata, começa a encarar com muito interesse e cuidado a preservação da Ilha de Santa Catarina. A primeira povoação da capitania de Sant’Ana se deu onde hoje é a cidade de São Francisco do Sul. Foi fundada em 1658, por Manoel Lourenço de Andrade, que se estabeleceu e a denominou Nossa Senhora das Graças do Rio de São Francisco. Manoel Lourenço, veio com familiares e agregados, trazendo gado, ferramentas e instrumental agrícola. Distribuiu terras e reservou para si as mais próximas à povoação. Em 1673 foi Francisco Dias Velho que se fixou com filhos, criados e escravos na Ilha de Santa Catarina, fundando Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis). A fundação de Dias Velho não durou muito. Em 1687, apareceu, na enseada de Canasvieiras, um navio inglês carecendo de reparos. Dias Velho prendeu os piratas e o barco, enviando homens e cargas, para São Vicente, onde foram libertados. Dois anos depois, voltaram a Ilha de Santa Catarina e atacaram o povoado de Nossa Senhora do Desterro. Dias Velho foi preso e depois assassinado. Após este fato foi deixada ao abandono e com poucos moradores a povoação do Desterro. A fundação da colônia de Sacramento em 1680 realça a importância dos núcleos catarinenses. Para dar apoio logístico a Sacramento, o vicentista Antônio Brito Peixoto funda, em 1684, a vila de Santo Antônio dos Anjos de Laguna.

Capitania Real de Santa Catarina

A Capitania de Santa Catarina nasce com o objetivo de ser uma base de apoio aos enfrentamentos militares com os espanhóis. Esses viam Sacramento como uma ameaça ao monopólio sobre a boca do rio do Prata, que funcionava como uma porta de extrema importância para mais da metade de suas colônias da América do Sul. O Brigadeiro José da Silva Paes é escolhido para ser seu primeiro governante. Santa Catarina passa a ser, oficialmente, a partir de 1739, o posto mais avançado da soberania portuguesa na América do Sul.

Fortificação da ilha de Santa Catarina

D. João V, rei de Portugal, em 1738 incumbiu Silva Paes de fortificar os pontos estratégicos da Ilha. Sob a orientação de Silva Paes, e seguindo seus próprios planos, teve início a construção das primeiras fortalezas da Ilha. O Brigadeiro planejou um sistema de fortificações permanentes que, apesar dos bons objetivos e da monumentalidade, não conseguia defender as entradas das barras do Norte e do Sul da Ilha. Entretanto, historicamente o sistema acabou se constituindo no maior conjunto arquitetônico militar do sul do Brasil. A Vila de Nossa Senhora do Desterro tinha muitas praias e excelentes baías, fáceis de aportar. Foram escolhidos três locais ao norte que visavam impedir a entrada de invasores pela Baía e, conseqüentemente, aos portos naturais aí existentes. São então: a Fortaleza de Santa Cruz (1739), na Ilha de Anhatomirim, a Fortaleza de São José da Ponta Grossa (1740), ao norte da Ilha de Santa Catarina e a Fortaleza de Santo Antônio (1740), na Ilha de Ratones Grande. Para defender a entrada da Baía Sul, construiu-se a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição (1742), na Ilha de Araçatuba. Nas décadas seguintes, alguns fortes de menores proporções foram erguidos mais próximos ao centro da Vila de Desterro: Forte de Santana, São Luiz, São Francisco Xavier, Santa Bárbara, São João, Lagoa e Bateria de São Caetano. No início do Século X, foi construída a última fortificação catarinense: o Forte de Naufragados. Apesar da excelente situação estratégica dessas obras o material bélico existente em cada uma delas estava aquém das necessidades. Haveria também a necessidade de tropas para guarnecer estas fortalezas e criou-se um batalhão, mais tarde transformado em regimento - o Regimento de Infantaria da Ilha de Santa Catarina - e, ainda, dada a fraca densidade populacional da região, haveria necessidade de braços para prover o sustento, produzindo alimentos, bem como para preencher os claros na tropa: daí a proposta do povoamento açoriano.

Colonização açoriana

O governo português percebendo a necessidade de não perder as terras para outras nações, como a Espanha e também proteger militarmente o litoral brasileiro, começou o processo de colonização na ilha de Santa Catarina, estabelecendo a idéia de posse, ou seja, o Brasil deveria ser povoado para estabelecer o direito para os portugueses de donos da terra, definitivamente. A necessidade de defesa só poderia apresentar bons resultados se houvesse um povoamento no litoral catarinense. Foi oferecida uma série de incentivos aos açorianos e madeirenses para ocupar a colônia. Os açorianos se situaram na vila de Nossa Senhora do

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Desterro e seus arredores, fundaram as freguesias de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, São Miguel da Terra Firme, Nossa Senhora do Rosário da Enseada de Brito, São José da Terra Firme, Santana da Vila Nova, Nossa Senhora das Necessidades, São Antônio de Lisboa, Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão da Ilha. As freguesias apresentam, até nossos dias, a arquitetura das construções, propriedades, sistema econômico, tradições, folclore bem parecidos com o período colonial. A sede de colonos na nova capitania coincide com a crise de superpopulação nos Açores e Madeira. Há um movimento espontâneo de vinda para o Brasil. Resolve então o Conselho Ultramarino realizar a maior migração sistemática de nossa história. Em várias viagens foram transportados cerca de 4.500 colonos. Deulhes boa acolhida o Governador Manuel Escudeiro, sucessor do Brigadeiro Paes. Mas nem todas as promessas da administração colonial podiam ser cumpridas, por falta de recursos. Além disso, nem todos os imigrantes, entre os quais muitos nobres, estavam dispostos a dedicar-se à agricultura ou aos ofícios mecânicos, em obediência às ordens régias, que tinham o propósito de evitar a entrada de escravos. Outro problema era o da localização. Recomendava a Metrópole que os colonos não se concentrassem na Ilha, mas formassem, também, núcleos no litoral, sob normas urbanísticas, insistindo ainda que casais se encaminhassem para o Rio Grande do Sul. Essas determinações que, apesar das dificuldades, foram sendo cumpridas, levaram a migração açoriana até o extremo sul do país, implantando as características do seu tronco racial: fortaleza de ânimo, simplicidade e vivacidade. E aos seus descendentes transmitiram modismos, hábitos, linguagem, que ainda neles se notam, principalmente na Ilha de Santa Catarina e no litoral que vai até o Rio Grande do Sul. A cultura que prevaleceu foi a da mandioca, que os colonos aprenderam no novo continente e dela conseguiram safras promissoras, permitindo até a sua exportação. Houve no séc. XVII a criação da cochonila, mas que desapareceu no séc. XIX, por falta de incentivo.

A cultura açoriana

• As contribuições culturais dos açorianos podem ser citadas em vários aspectos, como:

• técnicas de pesca

• construção naval (as baleeiras)

• artesanato (renda de bilro), olaria, peças utilitárias e decorativas

• folguedo do “boi na vara”, “pão por Deus”, modo de falar, “boi de mamão”

Invasão espanhola

Em 1777, o governador de Buenos Aires, D. Pedro de Cebalos, desembarcou suas forças invasoras na enseada de Canasvieiras sem que as fortalezas disparassem um só tiro de canhão. A tomada da ilha foi tranqüila, até hoje é difícil compreender com não houve resistência de uma força de quase 2.0 homens, dos quais faziam parte tropas do Reino, do Rio de Janeiro e contingentes locais. Só em julho de 1778, em virtude do Tratado de Santo Ildefonso, obtido pelos estadistas do governo de D. Maria I, foi a Ilha restituída. Mas ficara completamente arrasada. O próprio hospital estava destruído, desde os alicerces. Entre o novo governador, Veiga Cabral da Câmara, e o vice-rei, Marquês de Lavradio, foi decidida, após troca de importante correspondência, a distribuição de casais pelo litoral, estabelecidos em lotes que lhes permitissem a manutenção, evitando-se, assim, a sua concentração na Ilha, onde empobreciam. O último governador da capitania foi Tomás Joaquim Pereira Valente, depois general e Conde do Rio Pardo.

O caminho dos tropeiros

A mineração marcou a economia brasileira do século XVIII. As primeiras jazidas foram encontradas em Minas Gerais. Com esta atividade houve várias conseqüências, como o deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o Centro-sul, a formação de cidades. Com a exploração de jazidas, a região sul, passou a interessar ainda mais aos portugueses. Os sulistas criavam gado bovino (para produção de carne e couro) e animais utilizados para tração ou transporte, que iriam abastecer a região mineradora. Foram abertos caminhos pelo interior ligando o Sul até São Paulo, onde o gado era comercializado. Foi assim que surgiu o tropeiro, indivíduo responsável pelo transporte do gado que abastecia as ricas Minas Gerais. Ao longo do caminho das tropas, do sul até São Paulo, surgiram vários povoados. Além disso, o pouso de tropas e a busca de novas pastagens deram origem a cidades como Lages, Curitibanos, São Joaquim e Campos Novos. A instalação de um posto de cobrança de impostos às margens do rio Negro, onde os tropeiros eram obrigados a parar, favoreceu a formação de um novo povoamento, origem da atual Mafra. Assim o pastoreio e todas as atividades a ele ligadas, foram responsáveis pelo aparecimento de uma estrutura social e econômica no planalto ocidental de Santa Catarina. Com o objetivo de solucionar antigas disputas entre portugueses e espanhóis, foi assinado em 1750 o Tratado de Madri que anulou a linha divisória estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas. O Tratado de Madri definiu muito da atual configuração do território brasileiro. Portugal e Espanha contribuíram para a cartografia sul-americana com as investigações para a demarcação do tratado. Definiu-se o reconhecimento aprofundado do território do oeste catarinense, quanto ao curso do rio Peperiguaçu e outros afluentes do rio Uruguai. Com este novo Tratado o planalto catarinense era integrado oficialmente aos domínios portugueses. Neste contexto de expansão territorial portuguesa é fundada

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Nossa Senhora dos Prazeres de Lages, por Antônio Corrêa Pinto, em 1766. Logo após é ligada a Laguna dando origem a atual estrada do Rio do Rastro. No século XVIII, o Rio Grande do Sul abastecia as feiras de São Paulo com gado. O caminho atravessava os campos de Vacaria (RS), e daí atingia Lages. A fundação de Lages permite o surgimento de novas fontes pastoris e “pousos das tropas”, que originaram as comunidades de Curitibanos, São Joaquim, Campos Novos, Mafra e Rio Negrinho. Ao se aproximar do término do período colonial, Santa Catarina apresentava duas economias distintas: o planalto baseado na pecuária e o litoral voltado para subsistência. No litoral destacamos a pesca da baleia e o surgimento das armações. O alto valor comercial do óleo de baleia, fez com que a pesca e comercialização da baleia fossem controladas pelo monopólio Real através de concessões.

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