Artigo sobre PACS/ESF e Redes em Saúde

Artigo sobre PACS/ESF e Redes em Saúde

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE ESTRATÉGIA EM SAÚDE DA FAMÍLIA/PROGRAMA DE AGENTES COMUNITÁRIOS E REDES EM SAÚDE

Engel, Alexandre.¹

RESUMO

Trata-se de uma revisão bibliográfica referentes às Redes em Saúde, a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários (PACS) com o objetivo de analisar e interpretar livros e artigos já pesquisados sobre o assunto. O tema vem à tona devido a importância destes para a Saúde Pública e da sua efetiva como melhora e otimização da mesma. Através deste, percebe-se que o PACS junto com seus agentes consegue gerir uma função mais próxima da correta vigilância, em uma busca mais individual e clínica. Já a cerca da ESF, foi dado foco com base na Educação em Saúde, sua importância, a capacitação dos profissionais na transmissão e transformação da comunidade em busca de sua autonomia. Finalizando com uma reflexão sobre a produtividade das Redes de Saúde no Brasil, a qual dinamiza e otimiza os processos de produção e difusão de informações.

PALAVRAS-CHAVE: Redes em Saúde; Programa de Agentes Comunitários; Estratégia de Saúde da Família;

ABSTRACT

This bibliographic review networks in health, family health Strategy (ESF) and the Programme of community agents (PACS) to analyze and interpret already scanned books and articles on the subject. The theme comes to the fore because of their importance for public health and its effective improvement and optimization of same. Through this, the PACS together with its agents can manage a closest correct function of surveillance, in a single search and clinic. Already some of the ESF, was given focus based on health education, its importance, the training of professionals in the transmission and transformation of the community in search of their autonomy. Ending with a reflection on the productivity of health networks in Brazi.

KEY-WORDS: Health Networks; Comunity Agents Program; Family heakth Strategy;

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INTRODUÇÃO

A partir do ano de 1998, a Atenção Básica começou a receber o repasse do governo por número de habitantes e não mais por procedimentos, trazendo consigo a expansão deste programa. Estando cada vez mais presentes nos municípios brasileiros as ESF’s trouxeram também a melhoria de vários indicadores de saúde, e a melhor relação com toda a população dependente do Sistema Único de Saúde (Brasil, 1997).

A mudança clara do Programa de Saúde da Família para a Estratégia de Saúde da Família é a melhor definição dos profissionais responsáveis pela equipe e da melhor adstrição do território, ofertando um vínculo mais forte com a população, o que se torna importante frente ao grande aumento das patologias crônicas. A composição do que chamamos de ‘’ equipe mínima’’ consta de um ou mais auxiliares de enfermagem (ou técnicos), um enfermeiro e um médico. A equipe também cuida das condições agudas, mas seu grande diferencial está na maneira que conduz as patologias crônicas (Brasil, 1999).

Atualmente há poucos médicos e enfermeiros especializados em Saúde da Família, o que já levou o Ministério da Saúde a desenvolver projetos com universidades para especializar os profissionais que já fazem parte das ESF’s, pois já é reconhecida como estratégia prioritária para a reorganização da Saúde pública no Brasil (Brasil, 1999).

A Organização Panamericana de Saúde defende que os sistemas de saúde sejam reestruturados para colocar a Atenção Básica em seu centro, promovendo atenção continuada e coordenando o acesso das pessoas aos demais serviços de saúde(Brasil, 1999).

O Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) também é considerado parte da “Saúde da Família”, ou pelo à transição para ela, neste programa os agentes são supervisionados por um Enfermeiro dentro de uma unidade básica de saúde, onde na sua concepção inicial deve ser (o agente) um dos moradores da região adstrita a unidade e que tenham bom relacionamento com os vizinhos, participando da equipe multiprofissional como membro na unidade de Saúde da Família (Silva, 2001).

Este também deve reconhecer a realidade das famílias pelas quais é responsável, identificar os problemas mais comumente encontrados na comunidade, situações de risco já calculando a demanda esperada na unidade, servindo em um papel importantíssimo como elo entre os serviços da saúde e comunidade(Silva, 2001).

A proposta do PACS consiste em levar as informações e os conhecimentos necessários para a população sobre os cuidados sobre sua saúde, buscando contribuir e consolidar os sistemas locais de saúde (chegando assim às redes) (Brasil, 1997)..

Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, a palavra rede possui como significado: conjunto de relações e intercâmbios entre indivíduos, grupos ou organizações que partilham interesse. Deve se ressaltar também que as novas tecnologias de informação e comunicação facilitam muito o alcance de objetivos comuns através das interconexões.

Já existem algumas redes de saúde em alta produtividade no Brasil que utilizam meios de comunicações de rápido acesso (internet), o que de certa forma ativa e aprimora os processos de produção e propagação da informação, levando também a um maior número de artigos e pesquisas dos mais diversos autores, com trocas mais produtivas nestas relações em rede (Adulis, 2005).

A partir do desejo dos participantes da VI Reunião do Sistema Latino Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (San José - Costa Rica, 1998), foi possível esta reestruturação e otimização do serviço de redes em saúde. Buscando assim a criação de uma cooperativa a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), integrando a região, e facilitando o acesso a informação de forma mais ampla.

DESENVOLVIMENTO

Este estudo baseia-se em uma pesquisa bibliográfica descritiva. Os dados foram coletados no mês de Agosto de 2010, para sua execução, procurou-se analisar através das fontes em artigos e livros (base de dados), e todo tipo de documentos necessários para a adaptação do tema.

Segundo Fonseca (2000) o conhecimento científico crítica de certa forma o modo como a classe popular (qual não possui conhecimento formal) tentam explicar o mundo. Dando ao conhecimento científico e a tecnologia certo endeusamento pela sociedade leiga (concepção clássica).

Na maioria dos casos as ações educativas preconizam a mudança de comportamento de um indivíduo ou comunidade, quase sempre ligadas na prevenção de doenças, causadas por um agente externo (cigarro, mosquito, álcool, etc). A prevenção busca direcionar as ações de detecção, o controle e o enfraquecimento dos fatores de risco ou fatores causais de grupo de enfermidades ou enfermidade específica.

Segundo o achado de Da Ros (2007), esta pode ser dividida em subcategorias como: Educação Patologizante e Vertical, a qual foca processo curativo das doenças; a Educação Promotora da Saúde, que visa a promoção da saúde no processo educativo e; Educação Horizontal Centrada na Doença, este também é centrado na doença, mas diferencia-se pois, não há imposição ou autoridade em as relação com o paciente.

Ainda segundo de Da Ros (2007) o despreparo dos profissionais da saúde quando a problemática esta relacionada à Educação em Saúde, não estando estes preparados para a lógica que segue a prevenção e promoção da ESF, onde quase todos discursam sobre processos curativos, com relações verticais e autoritárias. Abordando também a Educação em Saúde como estratégia fundamental, de forma ampla, e não somente cronológica e curativa. O conhecimento científico desconsidera a dimensão socioeconômico-cultural do sujeito, sendo assim o processo educativo na tem sentido e torna-se ineficaz e não interativo.

A Educação em Saúde trabalha de maneira coletiva, mas atua individualmente, pois cada indivíduo ativa e aumento o controle da sua vida relacionado à saúde. Mas em sua formação poucos profissionais referem ter tido enfoque voltado para esse tipo de educação, admitindo que aprenderam muito mais em contato direto com a comunidade, e que as universidades ainda atuam na busca da educação em processos curativos e reabilitadores, deslocando a atenção integral (Da Ros, 2007).

Nesta revisão vemos também a importância dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e do gerenciamento do PACS pelo enfermeiro, o qual trabalha em conjunto com as ESF’s, supervisionando e gerenciando todos os ACS de um município, buscando também facilitar a relação entre ACS e as Unidades Básicas de Saúde (UBS), e auxiliando as UBS e seus responsáveis na Educação em Saúde, Visitas Domiciliares e com grupos de risco (Da Ros, 2007).

Infelizmente o ACS nem sempre dispõe de instrumentos tecnológicos necessários para suprir todas as possíveis dimensões surgidas em seu trabalho. Desta maneira ele utiliza em seu trabalho o próprio senso comum, a religião e o conhecimento empírico da comunidade. Entrando assim na importância de um gerente de enfermagem crítico e responsável para o treinamento desses agentes através da Educação Continuada, para assim referenciar melhor a realidade científica. Discute-se também o processo preparatório desse ACS, como: mecanismos de seleção; processos de capacitação; a sistemática da supervisão adotada e a educação continuada (Peduzzi, 1998).

Vários estudos apontam alguns desafios no trabalho de um ACS, são eles: a diversidade no contexto onde é implantado o PACS; finalidade ampla do programa, que não tem somente atuações distintas; investimento dos agentes em ações voltadas a vigilância (diminuindo seu impacto); apesar da criação das redes intersetoriais ainda á dificuldade na sua execução; boa articulação dentro da equipe e com as UB e a formação dos profissionais para trabalhar com a saúde da família (Da Silva, 2002).

Trazendo uma reflexão sobre as questão levantadas, nem sempre há um efetivo gerenciamento do PACS, profissionais que não propõe uma finalidade realmente ampla, dificultam o trabalho como um todo. Os agentes focam demasiadamente em atuações voltados a vigilância, não que seja errado, mas somente isso dificuldade na realização de processos mais abertos e integrais a comunidade. Também existe a dificuldade da criação de redes favoráveis em saúde, apesar de estarem caminhando de maneira exemplar, seu uso ainda não é de rotina de todos os municípios. Temos ainda a dificuldade no relacionamento do PACS com as ESF, tornando custoso todo processo(Da Silva, 2002).

Frisando as dificuldades relacionadas à existência das redes, destacamos as funções das organizações tradicionais, que sem definição de coordenação, responsabilidades e recursos trazem a desorientação. Outro problema esta na busca de sentidos comuns entre seus participantes, o que leva a rede a ser flexível, trazendo assim perda de interesse do grupo em dar continuidade. Entendem-se então que integrar redes, não busca somente a troca de conhecimento, mas também a sua criação, seu incentivo, e a difusão do mesmo.

Um exemplo de rede é a Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), que seu acesso universal, pois utiliza a internet para o armazenamento e organização de conhecimento científico e técnico, ainda compatível com as bases internacionais. Usuários de quaisquer localidade podem acessar seu conteúdo e partilhar tais informações, independente de sua localidade. Estas são constantemente atualizadas e geradas por produtores e integradores do sistema (BVS, 2005).

A grande diferença da BVS se da através do conceito de conhecimento explícito, como: fontes primárias, secundárias, terciárias, integradoras, de comunicação e disseminação seletiva da informação. A rede só funciona a partir de uma interação multifacetária, com a atuação mútua entre os atores, através das fontes de informação. A BVS também supera-se quando promove a acessibilidade sem exclusão, com interação diversificada entre usuários, promovendo também a discussão para mais variadas tomadas de decisão (BVS, 2005).

O plano de ação para enfrentar os novos desafios e em busca da consolidação, a BVS pretende: promoção e marketing, realinhamento dos produtos e serviços tradicionais, produção de publicações eletrônicas, desenvolvimento de ferramentas de integração e localização de informação, e desenvolvimento de outros componentes (Adulis, 2005).

Já a Rede Observatório de Recursos Humanos em Saúde é uma iniciativa desenvolvida pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em parceria com demais instituições de gestão, ensino e pesquisa na área da saúde. Há várias estações de trabalho, distribuídas pelos estados brasileiros, em parceria com o Ministério da Saúde (Rigoli, 2005).

Através dos seus objetivos a Rede busca articular atores institucionais na produção de informações que permitam a tomada de decisões para a formulação de políticas de gestão e regulação de recursos humanos em saúde. Identificando desafios regionais prioritários a partir de uma consulta nacional realizada em cada país da Região, formulando planos de ação para a próxima década (Rigoli, 2005).

CONCLUSÃO

Sendo assim percebe-se que os temas em questão estão interligados entre si, pois um depende do outro para seu funcionamento. As Redes necessitam da ESF que por sua não trabalharia sem o PACS, que em contra referência precisa da ESF.

Constata-se assim que a formação dos profissionais de saúde torna-se u dos principais problemas, não estando estes, preparados para gerenciamento de uma UB nem do contexto da troca de conhecimento. Claro que há efetivas melhoras atualmente, mas ainda pode ser encarado como processo de transição.

Essa falta de articulação, tanto entre conhecimento científico e empírico, e troca de informações já cientificas, pode ser apontada como fator responsável por grande parte da crise na saúde atualmente. E as redes só serão realmente produtivas quando começarem a estar relacionadas a um contexto da qual está realmente inserida. Para isso, deve-se utilizar todos os mecanismo possíveis para interação mais ativa de seus autores na produção, difusão e uso da informação, sendo operacional mesmo com uso de novas tecnologias.

Vemos assim a importância da criação de redes, e da produção de espaços de convivência virtuais multisetoriais e multilinguísticos, a dificuldade do acesso a internet em algumas localidades, a dificuldade das instituições em trabalhar e incentivar o uso, e mais importante a capacidade de através das redes de trazer inovações e renovações de outras redes associadas.

REFERÊNCIAS

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BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Manual para a Organização da

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São Paulo.

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<http://www.bireme.br/bvs/por/edeclar.htm>. Acesso em: 9 ago. 2005.

FONSECA, L. C. de S. Ensino de ciências e saber popular. In: VALLA, V. V. Saúde e educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. p.87-104.

DA ROS, M.A. A Estratégia Saúde da Família como objeto de Educação em Saúde, Saúde e Sociedade v.16, n.1, p.57-68, jan-abr 2007

PEDUZZI, M. Equipe multiprofissional de saúde: a interface entre trabalho e interação. Campinas,

1998. Tese (Doutorado) Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas.

DA SILVA, J.A. O agente comunitário de saúde e suas atribuições: os desafios para os processos de formação de recursos humanos em saúde; Comunic, Saúde, Educ, v6, n10, p.75-96, fev 2002.

BIBLIOTECA Virtual de Saúde. Disponível em: <http://www.bireme.br/bvs/P/ sobre_bvs.htm>. Acesso em: 13 jul. 2005.

RIGOLI, Felix. A Rede Observatório de Recursos Humanos: Desenvolvimento

e perspectivas no Brasil e na Região das Américas. Belo Horizonte: VI

Congresso Nacional da Rede Unida, 2005.

1 Acadêmico do Curso de Enfermagem da Universidade do Contestado em Santa Catarina (UnC)

E mail – aleengel@hotmail.com

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