Senai-BA - Organização de oficinas

Senai-BA - Organização de oficinas

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ORGANIZAÇÃO DE OFICINAS

ORGANIZAÇÃO DE OFICINAS

Salvador

2005

Copyright 2005 por SENAI–DR BA. Todos os direitos reservados.

Área Tecnológica Automotiva

Elaboração: Enoch Dias Santos Junior; Técnico.

Revisão Técnica: Gabriel Souza de Santana, Técnico.

Revisão Pedagógica: Ludmila Figueiredo

Normalização: Sueli Madalena Costa Negri

Catalogação na fonte (Núcleo de Informação Tecnológica – NIT)

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SENAI-DR BA. Organização de oficinas. Salvador, 2005.

18p il. (Rev.00)

1. Oficina I. Título

CDD 629

___________________________________________________

SENAI CIMATEC

Av. Orlando Gomes, 1845 - Piatã

Salvador – Bahia – Brasil

CEP 41650-010

Tel.: (71) 462-9500

Fax. (71) 462-9599

http://www.cimatec.fieb.org.br

APRESENTAÇÃO

Com o objetivo de apoiar e proporcionar a melhoria contínua do padrão de qualidade e produtividade da indústria, o SENAI BA desenvolve programas de educação profissional e superior, além de prestar serviços técnicos e tecnológicos. Essas atividades, com conteúdos tecnológicos, são direcionadas para indústrias nos diversos segmentos, através de programas de educação profissional, consultorias e informação tecnológica, para profissionais da área industrial ou para pessoas que desejam profissionalizar-se visando inserir-se no mercado de trabalho.

Este material didático foi preparado para funcionar como instrumento de consulta. Possui informações que são aplicáveis de forma prática no dia-a-dia do profissional, e apresenta uma linguagem simples e de fácil assimilação. É um meio que possibilita, de forma eficiente, o aperfeiçoamento do aluno através do estudo do conteúdo apresentado no módulo.

SUMÁRIO

Apresentação

Referência...........................................................................................................18

I – INTRODUÇÃO

Já se foi o tempo que oficina mecânica era sinônimo de sujeira e desorganização.Hoje as oficinas mecânicas de todos os portes (pequeno, médio e grande) podem se utilizar de ferramentas (técnicas) que ajudem na organização da oficina.

Uma das técnicas bastante utilizada nas oficinas e grandes montadoras é a técnica do GERENCIAMENTO VISUAL. Entender como os elementos e técnicas do gerenciamento visual são usados para organizar e controlar uma oficina é o nosso objetivo. Esta técnica ajuda a assegurar aderência aos padrões e promover uma comunicação efetiva por toda a organização diminuindo o tempo de serviço executado nas atividades, mantendo a qualidade e consequentemente aumentado os lucros.

È por este motivo que vamos estudar de maneira objetiva esta formidável técnica no nosso treinamento de organização de oficinas..

II - OBJETIVOS

O Gerenciamento Visual têm os seguintes objetivos:

Promover segurança:

Um ambiente onde problemas de segurança são eliminados.

Promover Zero Defeito:

Um ambiente onde condições para atingir Zero Defeito, Zero falhas, Zero desperdício, são estabelecidos e mantidos por todos.

Compartilhar informações:

Tornar visível todas as informações necessárias para controles de estoque, operações, equipamentos, qualidade, segurança e melhoria contínua.

Detectar anormalidades:

Todo padrão deve ser facilmente reconhecido para que desvio e anormalidades sejam imediatamente detectados.

Recuperação rápida do processo:

Se todas as informações forem claras, visíveis e de linguagem comum, as anormalidades passam a ser facilmente reconhecida, possibilitando assim uma recuperação rápida do processo.

Ex: paradas de máquinas, falta de peças, etc.

Promover Prevenção:

Ao invés de estarmos fazendo correções, devemos prevenir anormalidades antes de ocorrerem, evitando assim os problemas.

Eliminação de Desperdício:

Sistemas Visuais demonstram claramente esforços e fontes que não adicionam valor ao produto.

Poder de Decisão aos Empregados:

Quando os padrões são visíveis e claros, os empregados têm condições de responder rapidamente aos problemas e atendem aos padrões estabelecidos.

Promover Melhoria Contínua:

Sistemas visuais ajudam a entender melhor todas as partes do nosso processo e encontrar mais oportunidades de melhoria.

III - DEFINIÇÃO DE GERENCIAMENTO VISUAL

Gerenciamento Visual é o uso de controles que tornarão as pessoas capazes de imediatamente reconhecer os padrões e quaisquer desvios deles. Uma oficina onde, qualquer um sabe em 5 minutos ou menos quem, o quê, quando, aonde, como e porquê em todas as áreas de trabalho sem conversar com alguém, abrir um livro ou ligar um computador.

3.1 Elementos do gerenciamento visual

Esses são os principais elementos do Gerenciamento Visual:

- O estabelecimento da organização e Padronização do local de trabalho (5S’s)

- Compartilhar informações (através de Controles Visuais);

- Prevenir anormalidades (através de Controles Visuais e Dispositivos à Prova de Erros).

3.2 Resultados do gerenciamento visual no local de trabalho

Reduz a necessidade de espaço;

Evita compras de materiais desnecessários;

Evita perda de tempos;

Melhora a comunicação;

Elimina desperdício;

Reduz burocracia;

Evita danos à saúde;

Reduz a necessidade de um controle rígido;

Aumenta a produtividade;

Aumenta a participação das pessoas e desenvolvimento de potenciais;

IV - PILARES DO GERENCIAMENTO VISUAL

4.1 5’S

Os 5S’s tornarão nossos ambientes em casa e na oficina (trabalho) mais organizado, limpo, saudável, seguro e harmonioso.

Sua implantação depende da disciplina e disposição para mudarmos hábitos e vícios.

4.1.1 Senso de utilização

Separar o que é NECESSÁRIO do que não é NECESSÁRIO.

Retire todos os objetos do ambiente e retorne somente os realmente necessários;

Os objetos desnecessários devem ser eliminados ou destinados a quem possa realmente utilizá-los.

Níveis do senso de utilização:

Este Senso é dividido em níveis para melhor analisarmos a real necessidade de utilização de cada item.

Os objetos se classificam em Necessários e Desnecessários:

Necessários:

* alta utilização: itens utilizados freqüentemente

* média utilização: itens utilizados de vez em quando, não freqüentemente;

* baixa utilização: itens utilizados raramente.

Desnecessários:

Alguns itens podem ser encaminhados para leilões ou quando não tem mais nenhuma utilidade, podem ser encaminhados para lixo ou sucata.

Dicas para trabalhar com o Senso de Utilização:

Eliminar o desnecessário, que não tem utilidade em nosso dia-a-dia;

Existem várias maneiras de aplicar este senso, entretanto, deve ficar claro: o que não é de utilidade para nós, nem sempre é lixo;

Classificar o que deve ser eliminado com a ajuda do TIME;

Economia de espaços e movimentos.

4.1.2 Senso de organização

Ordenar e classificar os objetos NECESSÁRIOS, possibilitando localizá-los de forma fácil e rápida.

UM LUGAR PARA TUDO E ESTÁ NO SEU LUGAR”

O que é utilizado freqüentemente deve permanecer no local;

O que é utilizado ocasionalmente deve permanecer próximo;

O que raramente é utilizado deve permanecer em depósitos próprios;

Os objetos devem possuir identificação.

Níveis do senso de Organização:

Necessários:

* alta utilização: itens utilizados freqüentemente

* média utilização: itens utilizados de vez em quando, não freqüentemente;

* baixa utilização: itens utilizados raramente.

Dicas para trabalhar com o Senso de Organização:

Ter tudo em seus devidos lugares, para que tenhamos condições de localizar com mais facilidade e rapidez;

A aplicação deste senso possibilitará que qualquer pessoa tenha condições de trabalhar tranqüilamente;

Determinar o local para cada coisa é tarefa de pessoas que as utilizam;

Mesa lotada de papéis não é sinônima de trabalho.

4.1.3 Senso de limpeza

Eliminar lixo e sujeiras, mantendo o ambiente sempre LIMPO!

Limpe sempre o local de trabalho e todo o material utilizado para realizar suas tarefas;

Não suje, não jogue nada no chão e oriente para que os outros não façam o mesmo;

Dicas para trabalhar com o Senso de Limpeza:

A limpeza do ambiente onde estamos é fundamental para realizarmos nossas atividades com qualidade, segurança e satisfação;

Retirar a sujeira ou limpar, não deve ser feito somente na hora da “faxina”;

Devemos MANTER a limpeza para que sempre estejamos em ambiente agradável para todos.

4.1.4 Senso de saúde

Ter mente SADIA, cuidado, zelo e asseio com o corpo, local de trabalho e meio ambiente.

Mantenha os sanitários e refeitórios em condições ideais de uso;

Cuide de sua higiene pessoal (cabelo cortado, unhas aparadas, barbas bem feita...);

Realize exames periódicos de saúde;

Elimine fontes de perigos e riscos.

Dicas para trabalhar com o Senso de Saúde:

O asseio ou higiene pessoal é sinônimo de saúde do corpo;

Para garantirmos a saúde mental e emocional é preciso, no mínimo, viver com satisfação em casa e no trabalho;

Estar de bem com a vida é importante, pois, segundo especialistas, a maior parte das doenças físicas tem origem psicológica.

4.1.5 Senso de autodisciplina

Respeitar, cumprir e manter acordos, obedecendo aos requisitos, buscando sempre MELHORIA CONTÍNUA a nível pessoal e organizacional.

Realize limpezas e manutenções preventivas nas máquinas;

Crie critérios para padronização;

Contribua com ações positivas;

Ensine corretamente como fazer a tarefa;

Elogie as tarefas bem executadas;

Mantenha os bens em bom estado de conservação.

Dicas para trabalhar com o Senso de Auto-Disciplina:

Os sensos anteriores em conjunto são um grande exercício para atividade em TIME;

Todos podem e devem participar decidindo a forma que irão trabalhar, criando normas e regras que facilitem a convivência, seja em casa ou no trabalho;

A Auto-Disciplina significa responsabilidade para cumprir as regras e normas, para tornar cada vez melhor o ambiente em que vivemos;

Padronização dos serviços e procedimentos.

V - DISPLAYS E CONTROLES VISUAIS

5.1 Displays visuais

Comunicam informações importantes, mas não controlam necessariamente o que as pessoas ou as máquinas fazem. São responsáveis por informar, direcionar, avisar e encaminhar.

Geralmente, são padrões estabelecidos para:

Estocagem

Equipamentos

Operações

Qualidade

Segurança

Exemplos:

Quadros de avisos

Mapas (de processos e localizações)

Fotos

Checklists

Quadro de Padrões

Quadro com sugestões de melhorias e progressos de implementações

5.2 Controles visuais

Tipo de controle que capacita qualquer pessoa a identificar imediatamente padrões e informações necessárias, bem como quaisquer problemas, irregulares, desperdícios, transmitindo informações importantes, de maneira que as atividades sejam controladas para evitar desvios dos padrões estabelecidos.

5.2.1 Características dos controles visuais

Compartilhar claramente as informações;

Conhecer os padrões;

Controlar processos;

Custo de implementação baixo;

Facilidade de implementação.

BENEFÍCIOS:

Melhoria da segurança;

Melhoria da Qualidade;

Fácil transferência de material;

Redução de custo;

Nada extra ou desnecessário;

Todos os processos e informações são claramente visíveis;

Menos burocracia;

Identificação de anormalidades;

Desempenho e progresso são facilmente notados;

Zero Defeito passa a ser uma realidade.

VI - FILOSOFIA DA ORGANIZAÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO

A organização no local de trabalho deve ter como base a busca de redução de custo e desperdícios. A meta é tornar as atividades mais eficientes;

Não só pela aparência!

A organização apropriada ressalta os problemas.

6.1 Idéias para uma boa organização

Um mapa mostrando a localização dos equipamentos com setas indicando o fluxo de trabalho;

Indicador visual para identificar o quê, onde e quanto é suposto estar naquele local;

Auxílios visuais tais como sinalizações, luzes, etiquetas, placas, adesivos para identificação de materiais, equipamentos ou da área de trabalho de um modo geral.

Exemplos:

  • Identificar as faixas de trabalhos;

  • Identificar nível dos fluídos;

  • Mostrar sentido correto de rotação;

  • Setas de direcionamento de fluxos;

  • Código de cores para ferramentas.

  • Auxílios visuais no local de trabalho;

  • Demarcar a área de trabalho;

  • Marcações demonstrando nível máximo e mínimo de inventários;

  • Manuais de serviço em fácil acesso;

  • Agenda de manutenção preventiva;

  • Lições de Ponto Único para ligar e desligar os equipamentos;

  • Deixar nas bancadas somente os materiais de uso freqüente;

  • Organizar as ferramentas de uso freqüente, deixando-as em lugar de fácil acesso;

VII - MAIORES DESPERDÍCIOS

Falhas existentes para controlar os cinco elementos do Gerenciamento Visual resultam nos seguintes desperdícios:

7.1 Defeito

Partes que falham para atender as especificações do produto;

7.2 Espera

Pessoas e/ou operações em espera por falta de peças, material, equipamentos ou informações de um processo anterior ou fornecedor.

7.3 Movimentação

Movimentação de materiais, equipamentos ou pessoas que não adicionam valor ao produto;

7.4 Retrabalho

Falta de capacidade de produzir correto da primeira vez;

7.5 Inventário

Excesso de material estocado;

7.6 Ineficiência

Utilização incorreta de pessoas, equipamentos, materiais ou outras fontes;

* Pessoas Perda de tempo, esforços e idéias;

* Equipamentos Falha na utilização da capacidade dos equipamentos;

* Material Utilizar material além do requerido pelo processo;

VIII - PLANO PARA IMPLEMENTAÇÃO DO GERENCIAMENTO VISUAL

8.1 Fase 1 – Identificação do Projeto

A - Local: identifique a área para implementação do Controle Visual.

Critérios para seleção: local desorganizado

Problemas consistentes

Baixa adesão aos padrões

Grande oportunidades de melhoria

B – Finalidade: Identifique a finalidade para qual a área é utilizada.

O que descrever: qual o processo

Entradas e saídas

Funções mais importantes (desempenhadas)

C – Pessoas: Identifique indivíduos que trabalham e/ou precisam de informações.

Quem identificar: operadores

Empregados de manutenção e troca de ferramentas

Engenheiros, Supervisores, Superintendentes e Gerentes

Fornecedores e Clientes.

D – Equipe SCV (Sistema de Controle Visual): Quem será o responsável pela implementação do Controle Visual.

Quem selecionar/ identificar: Pessoas que trabalham na área.

Todos motivados para melhorias.

Fornecedores e Clientes.

8.2 Fase 2 – Organização do Local de Trabalho (5S’s)

Aplicação dos 5S’s no local de trabalho para implementação do Gerenciamento Visual.

8.3 Fase 3 – Display Visual.

Utilizar todas as formas de auxiliar, informar, direcionar, alerta e conduzir, através de Displays Visuais dispostos por toda a área.

8.4 Fase 4 – Elementos para Controle, Ferramentas e Métodos

Utilizar propriamente os Controles Visuais para “controlar” corretamente o manuseio de ferramentas, métodos de trabalho (padrões), etc

8.5 Fase 5 – Desenvolvimento do Controle Visual

Implementação final do Gerenciamento Visual, através dos principais itens existentes, hoje, na planta.

Referência

SENAI-BA . Módulo de gestão de produção.

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