O - santo - que - anchieta - matou

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Dr. ANÍBAL PEREIRA DOS REIS O SANTO QUE ANCHIETA MATOUO SANTO QUE ANCHIETA MATOU

EDIÇÕES “CAMINHO DE DAMASCO” Ltda. SÃO PAULO 1981 SÃO PAULO

Direitos exclusivos cedidos a Edições “Caminho de Damasco” que se reserva a propriedade literária desta edição.

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EDIÇÕES “CAMINHO DE DAMASCO” Ltda.

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Prefácio5
Sua identidade e seu ideal7
A França do seu tempo9
A Bênção da perseguição12
Em rumo do Brasil18
A triste realidade da traição20
Intrépido missionário2
Sua prisão25
A participação assassina de Anchieta27

JOÃO PAULO I, aos 2 de junho de 1980, em pomposa solenidade no Vaticano celebrada, na presença de luzidios representantes do catolicismo brasileiro, “beatificou” o “pe.” José de Anchieta, instalando-o no rumo definitivo da ”canonização”, ato a se concretizar em futuro bem próximo, pelo qual, incluindo-o no elenco dos “santos” romanos, consoante os ensinos de sua teologia, elevá-lo a intercessor dos seus devotos perante Deus e credenciá-lo ao culto público no mundo inteiro.

Vindo ao Brasil, passando pela Capital de São Paulo, o pontífice da idolatria, no Campo de Marte, celebrou a primeira missa em louvor do novel “beato”, em cujo ensejo proferiu sua homilia laudatória à ”fascinante figura do Bem-Aventurado Anchieta”.

Os cultivadores da História Pátria, enojados, torceram o nariz diante dessa descabida adjetivação e dos conceitos emitidos pelo “papa” acerca do “bem-aventurado”. Sabem eles da real dimensão dos males causados ao Brasil por Anchieta e seus confrades jesuítas. Ao invés de aplausos ao “pontífice” beatificador erguem seus apupos às manobras do clero empenhado em elevar aos altares da superstição nacional o “pe.” José de Anchieta,

calvinistasAnchieta, um mistério de crimes, de espoliações e

que não foi santo, que, embora canonizado, no será o primeiro “santo” brasileiro por ser ele espanhol; cujos “milagres” se capitulam entre as reles mistificações de prestidigitadores das coisas religiosas; que sem ser brando massacrou pobres silvícolas; que nas Reduções Jesuítas de Piratininga escravizou brasilíndios; que esmagou mamelucos; que perseguiu de embustes...

Os evangélicos brasileiros, já expressiva minoria consciente, sempre participes ativos nas soluções dos problemas nacionais e nas celebrações dos grandes eventos; os evangélicos brasileiros, fiéis contribuintes dos tributos legais, sem suas Igrejas sugarem os erários públicos; os evangélicos brasileiros disseminadores de expressiva corrente de escolas e obras sociais por seus esforços e às suas expensas mantidas; os evangélicos brasileiros, úteis cidadãos porque trabalham com honra para o -engrandecimento da Nação; os evangélicos brasileiros que se constituem, por repelirem os vícios corruptores das massas como a jogatina, na maior força moral do Brasil; os evangélicos brasileiros, conquanto repudiem as atitudes e as palavras de João Paulo I alusivas ao ambicionado “apostolo do Brasil”, reconhecem do ”pe” José de Anchieta, como inolvidável e irrecusável ação, o suplício de um seu irmão na fé evangélica.

Sem aplaudi-lo por essa criminosa ação, admitem a sua presença inquisitorial na vida heróica do verdadeiro santo JEAN JACQUES LE BALLEUR, o João Bollés, pelas próprias mãos de Anchieta, em 1567, enforcado no Rio de Janeiro.

João Bollés, mártir do verdugo Anchieta, é exemplo luminoso de ousadia no ministério de semear a Palavra de Deus e de indobrável fidelidade a nosso Senhor Jesus Cristo.

A “beatificação” do carrasco e os pronunciamentos de João

Paulo I sobre Anchieta, impulsionam-nos a divulgar, não só o nome de Jean Jacques le Balleur, mas acima de tudo, o seu vibrante testemunho de heróica lealdade à Causa do Evangelho.

Estas poucas páginas não querem enaltecer um simples mortal. Anelam glorificar o Senhor da Vida por haver recolhido a de Bollés quando a corda do algoz lhe estrangulou a garganta.

Se a língua de Bollés emudeceu pelas mãos assassinas de

Anchieta, seu exemplo, agora memorado por estes capítulos, há de estimular a todos os evangélicos brasileiros a exaltar pela palavra e pela conduta a magnífica e insilenciável VERDADE INTEGRAL DO EVANGELHO.

São Paulo, 2 de Janeiro de 1981

Dr. ANÍBAL PEREIRA DOS REIS, membro da Academia

Evangélica de Letras, da Associação Brasileira de Cultura e da União Brasileira de Escritores.

genealogia, não tendo princípio de dias“ (Hb.7:3). E também

NÃO IMPORTA apresentar-se ele perante a História destituído de origem genealógica. Nas Sagradas Escrituras encontro destacados personagens em idêntica situação. Vem-me agora a lembrança Melquisedeque, “sem pai, sem mãe, sem Elias, o insigne profeta das paginas dos Livros de Reis, que de tão eminente atuação, apesar de nada haver deixado escrito, consubstanciou a Profecia do Velho Testamento representando-a no Monte da Transfiguração (Mt.17:4), Elias apresentado simplesmente como “o tisbita que habitava em Gileade” (1 Rs.17:l).

Ignoramos os seus antepassados. Conhecemos contudo a sua personalidade avultada entre os servos de Deus. Personalidade enriquecida de notável cabedal de conhecimentos, exonada de intrépida coragem, revestida de têmpera de herói na sustentação inquebrantável dos Princípios Bíblicos, dotada de constante intrepidez no semear a Palavra de Deus.

Seu nome: JEAN JACQUES LE BALLEUR.

Francês de nascimento, na França cresceu, viveu sua mocidade, estudou e serviu a Deus. Estudou para melhor servir ao Evangelho e não por afagar inconsistentes ideais de projeção social ou de riquezas materiais.

A mentalidade também nos meios evangélicos dos nossos dias por completo oposta e não confere com os padrões estabelecidos por Jesus Cristo. Somos os antípodas dos heróis da Bíblia que a tu do renunciavam por servir, em pobreza e humildade a Deus, O exemplo de Jean Jacques le Balleur nos desassossega, como nos incomoda o desprendimento de Moisés que escolheu “antes ser maltratado com o povo de Deus” e ter “por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito” (Hb. 13:25-26).

Pergunte-se senhora evangélica como lhe vai o filho. A resposta da mãe materializada surge vaidosa: Ah, ele vai muito

luxuoso. Ele não pode mais ficar sem carroBênçãos de Deus!

bem! Deus o tem abençoado muito. Esta num ótimo emprego. Com bom salário. E agora constrói casa de estilo moderno. Comprou amplo apartamento no bairro grã-fino. Seu automóvel

Se o filho enferma provado por Deus. A doença não é benção. Se ganha pouco preciso orar a Deus que lhe melhore os salários. Se estuda é por granjear mais elevada posição social resultante dos bens materiais em maior quantidade obtidos.

Jean Jacques le Balleur enriqueceu sua personalidade com muitos conhecimentos para melhor servir a Deus. E servi-lo em humildade e renuncia do conforto da terra. Por isso foi abençoado. Abençoado até à perseguição. Até ao martírio.

GOVERNAVA-A A AUTORITÁRIA e cruel Rainha Catarina.

Como manipuladora prepotente da política francesa e italiana com enorme influência sobre a Espanha, Portugal, Alemanha e outros países europeus, bem como sobre o papado romano, sobressai a Família dos Médicis qual pertencia a Rainha sanguinária.

Aconselhada pelo seu mentor, o ferocíssimo cardeal de

Lorena, Catarina se conduzia no trato para com os evangélicos e protestantes qual Jezabel para com os profetas de Deus.

Em 1534 ascendera ao trono papal o italiano florentino Júlio do clã familial dos Médicis e tio da Rainha da França.

O “papa”, que adotara o apelido de Clemente VII, de clemente nada possuía. Ao contrário, votava ódio de extermínio aos protestantes instigando sua crudelíssima sobrinha a trucidálos no objetivo de por completo remova-los do território francês. Deveriam eles, os protestantes, incitava o soberano pontífice, “ser exterminados e os menos criminosos ser lançados na prisão, onde seriam obrigados a fazer uma perpétua penitência com o pão da dor e água da tristeza” (De Felice, HISTÓRIA DOS PROTESTANTES DA FRANÇA, v 01. 1, p. 29).

No propósito de aniquilamento rápido da heresia, criaramse, sob inspiração do clero, “ligas impulsionadas de inexcedível violência, cujos membros, católicos fervorosos, dispunham de carta branca para sendo-lhes concedidas indulgências especiais em troca de cada protestante trucidado.

Os “papas” Paulo IV e Pio IV, imediatos sucessores de

Clemente VII, em sua trilha macabra de sangue rivalizaram-se em sanha de ódio aos “hereges”. Pio V seguiu-lhes o programa de tirania e em carta ao Rei Carlos IX, sucessor de Catarina na coroa da França, aconselhou a ensurdecer-se a todas as súplicas e a sufocar as raízes da “heresia” até as últimas fibras (César Cantú, HISTÓRIA UNIVERSAL, vol. XVI, p. 26). E assinalava o pontífice: “o melhor holocausto para Deus o sangue dos inimigos da religião católica!” (De Felice, ob.cit., vol. I, p. l79).

Nesse cenário de vindita aos protestantes surgira o notável

Almirante francês GASPAR DE COLIGNY. Seus serviços de inestimável valor pátria credenciaram-lhe o respeito público. A vivência da fidelidade inflexível e constante as convicções evangélicas atraíra a cólera dos potentados do seu pais. Escureceram-se-lhe os méritos advenientes de seus destacados feitos em prol da pátria.

Em defluência de seus princípios religiosos evangélicos, adjetivara-o o “papa” Pio V de “homem detestável, infame, execrável, se até merecia o nome de homem” (De Felice, ob.cit., p. 193). E instigado pelo pontífice católico o Parlamento pôs, em 1569, a sua cabeça a preço.

Em irreprimível ritmo acelerado recrudescia o ódio contra os protestantes em rumo de um trágico desfecho. O cardeal de Lorena, com a aprovação e bênçãos pontifícias de Gregório XIII engendrou o mais horrível banho de sangue por motivos religiosos em toda a História da França onde qualquer nação do mundo. Consumou-se o projeto assassino aos 24 de agosto de 1572, a inqualificável NOITE DE S. BARTOLOMEU, sendo nesse macabro festival de sangue, morto o impertérrito Coligny, mártir do Evangelho e honra, de sua Pátria.

Como troféu da bárbara carnificina, a cabeça de Coligny fora remetida ao “sumo pontífice” Gregório XIII (M. Lachatre, HISTÓRIA DOS PAPAS, vol. IV, p. 68).

E o “santo padre”, festivo, editou um jubileu enviando

Europa inteira, “a fim de que os povos católicos se regozijassem com o seu chefe por este magnífico holocausto oferecido ao papa pelo Rei da França” (M. Lachatre, ob.cit., vol.IV, p. 68).

Eis o cenário da vida de Jean Jacques le Balleur ao tempo de sua mocidade e começo da maturidade.

Formado na escola da perseguição, preparara-lhe Deus o coração para servi-lo como Ministro de Sua Palavra.

Contemporâneo de João Calvino (1509—1564), o notável teólogo da Reforma, participou le Balleur da Denominação dos Huguenotes, de teologia calvinista, e, em suas atividades de

Pregador do Evangelho, soube honrar o Nome Sagrado de Jesus Cristo e os Princípios-colunas das Escrituras enaltecidos no pensamento teológico de Calvino, o homem de raciocínio arguto e penetrante, que em poucos anos de existência nesta terra, apenas 5, levou uma vida de uma vida de inexcedível intensidade intelectual com uma produção teológica de notável valor insuperável.

Os grandes homens, alias, timbram pela sua luminosa presença nos decisivos momentos de trágicos combates. As fases de acomodação e passividade sibarita só produzem as nojentas lesmas e os acomodatícios moluscos que se agarram quais para sitas s sinecuras da sociedade descomprometida com a Verdade e a Decência.

Jean Jacques le Baileur, contudo, soube, pela sua conduta, dignificar a escola calvinista que o formara para o Evangelho!

DESDE QUANDO o sofrimento é benção?, questionarão os comodistas.

E se não fosse realmente benção nosso Senhor Jesus Cristo no o teria imposto como indispensável condição de Seu discipulado: “Se algum quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-Me” (Mt. 16:24), elucidando outrossim o motivo de semelhante cláusula: ”quem não tomar a sua cruz e não segue após Mim, não digno de Mim” (id. 10:38).

choramBem-aventurados os que são perseguidos por causa

Benção de inestimável preço o sofrer a se constituir também fonte de bem-aventurança: ”Bem-aventurados os que da Justiça...” (id. 5: 4,10).

Assistido foi de toda a razão, por conseguinte, Paulo

Apóstolo quando concitou: “gloriemo-nos nas tribulações” (Rm. 5:3).

E de todos os sofrimentos o de maior motivo de galardoes o das perseguições: “Bem-aventurados sois vós”, propõe Jesus Cristo, “quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por Minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos Céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós” (Mt. 5:1-12). “Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, e quando vos expulsarem da sua companhia, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do Homem. Regozijai-vos nele e exultai, porque assim faziam os seus pais aos profetas” (Lc. 6:2-23).

Pedro entendeu perfeitamente o alcance dessa proclamação de Jesus e pode assinalar: “Se pelo Nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da Glória, o Espírito de Deus” (1 Pd. 4:14). Por isso, se o irmão “padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus neste Nome” (id. 4:.16).

À fidelidade do discípulo vinculam-se inerentes vicissitudes.

Nada a se estranhar! Coloca-se, aliás, Jesus Cristo como paradigma: “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim. Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso que o mundo vos odeia. Lembrai-vos que Eu vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo. 15:18-20).

Recrudescerão as perseguições na proporção do evoluir do tempo: “vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar”, disse ainda Jesus, “cuidará de fazer um serviço a Deus” (id. 16:2).

Os sofrimentos das perseguições outrossim constituem-se no teste, no critério de avaliação da nossa fidelidade ao Senhor, consoante a escritura do Apóstolo: “E também todos os que piamente querem viver em Cristo padecerão perseguições” (I Tm. 3:12).

Ainda mais! As perseguições são o elemento propulsor da difusão do Evangelho.

À falta delas os discípulos se acomodamsuavizam-se... E
pasteurizado, miniaturizadoDe matéria plástica... Amorfo! Um

o Evangelho que pregam torna-se um evangelho distorcido e acomodatício. Um evangelho da conivência. Um evangelho evangelho comprometido com a filosofia epicurista do mundo. E seus pregadores querem encontrar fator de credibilidade a justificar sua consciência amaricada e pusilânime no carro último-modelo, na roupa do recente figurino, na casa empetecada dos adereços do consumismo, na tergiversação diante dos desmandos da sociedade sibarita, no eufemismo sonegador da Verdade, nos programas evangélicos de tevê autênticos shows nos moldes mundanos...

de fachadaÁvido de estatísticas, aficionado dos números...

À falta das perseguições o Evangelismo se torna somente Um evangelismo tipo frente-única: coberto na frente e descoberto nas costas, senão quando sem qualquer respaldo da Verdade na vanguarda e na retaguarda.

Abro a Bíblia! Em Atos dos Apóstolos. Quero ver o resultado das perseguições naqueles primórdios do Cristianismo.

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