SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL

UNIDADE CIMATEC

MANUAL DE PROCEDIMENTOS PARA TROCA DO CONJUNTO DE EMBREAGEM DO ASTRA 2.0 8 v 99

SALVADOR

2009

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL

UNIDADE CIMATEC

MANUAL DE PROCEDIMENTOS PARA TROCA DO CONJUNTO DE EMBREAGEM DO ASTRA 2.0 8 v 99

Trabalho apresentado para a disciplina Ferramentas e métodos/Diagnóstico de falhas, sob a orientação do prof. Roberto, turma 22691, noturno, realizado por: Alan Ferreira, Carlos Henrique, Euclydes Marques, Felipe Santos, Hermilo Neto e Marcos Paulo.

SALVADOR

2009

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 3

2. COMO FUNCIONA? 4

3. DESMONTAGEM E DIAGNÓSTICO DO SISTEMA 6

3.1. Desmontagem superior 6

3.2. Desmontagem inferior 8

3.3. Retirada do câmbio 9

3.4. Remoção e análise da embreagem ..............................................................................10

4. MONTAGEM 13

5. CONCLUSÃO 14

ANEXOS .................................................................................................................................15

Anexo I. Tabela possíveis problemas e soluções ...............................................................15

Anexo II. Relação do serviço por garantia .........................................................................17

REFERÊNCIAS 18

1. INTRODUÇÃO

O uso inadequado da embreagem por parte do motorista é o principal fator de futuros problemas no conjunto, cuja importante função é conectar o motor ao câmbio, formando o trem de força do veículo. O sistema de embreagem permite que a rotação do motor seja transmitida à caixa de mudanças e depois para o diferencial e para as rodas, com acoplamentos de marcha suaves e sem ruídos.

A embreagem está situada entre o motor e a caixa de transmissão, dentro de uma caixa seca, acionada por meio do comando do pedal, sendo composta pelo platô, fixado ao volante, e os discos, que fazem conexão com o eixo da transmissão. Esses componentes, aliados ao garfo, eixo, rolamento, buchas e a graxa lubrificante completam o conjunto do sistema de embreagem.

Nesse manual, substituímos a embreagem do Astra 2.0 8 v 99, um procedimento que segue o mesmo padrão para todos os modelos da linha, sendo que as alterações acontecem apenas nas especificações de cada produto, de acordo com motorização do veículo. Conjunto deve ser substituído totalmente, ou seja, o platô, o disco e o rolamento do eixo, disponíveis nos kits homologados pela montadora.

2. COMO FUNCIONA O SISTEMA DE EMBREAGEM?

O atrito entre o volante e o disco que é pressionado pelo platô faz com que o torque do motor seja passado para o sistema de transmissão. A compreensão desse princípio é fundamental para se entender uma série de problemas que veremos.

Para começarmos a entender o funcionamento da embreagem, devemos saber que uma embreagem está totalmente acionada quando o platô estiver exercendo pressão máxima em cima do disco de embreagem e do volante, por isso falamos que debreamos ao pisar no pedal de embreagem.

Todo o processo se inicia quando o pedal de embreagem é pressionado, esse movimento é transmitido pelo cabo, ou varão de embreagem, até o garfo do rolamento, que pressionará a mola membrana, ou alavancas, do platô. Isso fará com que o disco de embreagem seja liberado e, dessa maneira, o torque do motor deixa de ser transmitido ao câmbio.

Nesse momento, é criada uma diferença de rotação entre o motor do veículo e seu sistema de transmissão, por isso, quando soltamos o pedal de embreagem, devemos fazê-lo de forma suave e progressiva, a fim de equalizarmos as rotações e evitarmos trancos ou patinação excessiva.

O sistema hidráulico funciona da mesma maneira, mas quem irá conduzir a força exercida no pedal de embreagem e no cilindro mestre será o fluido, geralmente de freio, fazendo com que esse tipo de acionamento seja mais leve e torne as vibrações menos perceptíveis. Esse sistema, na maioria dos casos, aproveita o reservatório do fluido de freio para suprir sua necessidade, mas os que têm um reservatório dedicado facilitam a manutenção.

O volante, assim como os outros componentes do sistema, deve estar em perfeitas condições, alinhado e balanceado com a rugosidade em contato do disco de embreagem.

Nem o disco da embreagem, nem o platô estão ligados rigidamente ao volante do motor, podendo ambos aproximar-se ou afastar-se deste.

3. DESMONTAGEM E DIAGNÓSTICO

Procedimentos para desmontagem e diagnóstico do conjunto que equipa os veículos da Chevrolet com direção eletro-hidráulica.

3.1. Desmontagem superior:

1º Procedimento: Para iniciar desconecte o cabo massa da bateria. Em seguida, remova a bateria e seu suporte de fixação.

Atenção: Retire também a tubulação do ar de admissão. Esse procedimento evita que a mangueira se rompa quando o motor descer.

2º Procedimento: Remova a conexão da tubulação do fluxo de óleo do atuador hidráulico. Desligar os conectores ligados à caixa seca do câmbio.

Atenção: Retire a borracha de vedação que está na ponta da conexão, pois, na montagem, o novo componente já vem com a borracha. Se a conexão for feita sem a remoção da borracha antiga, pode causar calço hidráulico e prejudicar o funcionamento do atuador novo.

3º Procedimento: Desconectar o trambulador. Remova o pino que fixa a conexão do componente ao câmbio e, em seguida, solte o interruptor de ré.

Atenção: Para facilitar o trabalho na parte inferior, retire os parafusos localizados na parte superior da carcaça do câmbio. Em seguida, instale o suporte de sustentação do motor para poder realizar a remoção dos coxins de fixação.

Não utilize o macaco para apoiar o motor, pois corre o risco de danificar o coxim, a mangueira ou o radiador. Se o motor descer mais do que o necessário, pode danificar o equipamento, o motor e até causar acidentes com o mecânico.

4º Procedimento: Com a ferramenta de sustentação do motor instalada, remova o suporte do coxim lateral, que fica localizado abaixo do suporte da bateria.

Atenção: É necessário fixar o radiador na parte na parte superior do painel frontal do veículo. Esse procedimento evita que o componente fique solto e caia quando o quadro da suspensão for removido.

3.2. Desmontagem inferior:

1º Procedimento: Após levantar o veículo, remova as rodas e solte as porcas de fixação da homocinética. Em seguida, solte a fixação dos amortecedores e os terminais de direção em ambos os lados do veículo.

Atenção: Coloque um parafuso no furo de localização do disco de freio antes de soltar a porca de fixação da homocinética, para evitar danos ao removê-lo.

2º Procedimento: Soltar a caixa de direção que está fixa no quadro de direção.

Atenção: Em alguns veículos a direção é eletro-hidráulica. Nesse caso remova também os parafusos que fixam os suportes da caixa de direção. Lembre-se que estes componentes estão presos no quadro de suspensão, que será removido. Portanto, utilize novamente as abraçadeiras ou arames para sustentá-los quando o quadro estiver fora do veículo. Remova os parafusos de fixação das capas plásticas para ter acesso aos parafusos que prendem o quadro do veículo.

3º Procedimento: Para facilitar a remoção do quadro solte o escapamento, da saída de escape até a parte intermediária. Em seguida, solte o coxim de sustentação do câmbio e retire os parafusos de fixação do quadro de suspensão para poder removê-lo.

4º Procedimento: Abaixe o veículo e solte um pouco a fixação do suporte de sustentação do motor para descê-lo. Levante o veículo novamente e retire os semi-eixos.

3.3. Retirada do câmbio:

Único procedimento: Para facilitar a retirada do câmbio, retire o suporte do coxim de sustentação. Em seguida, retire o restante dos parafusos que fixam a caixa seca do câmbio ao motor.

Atenção: Na hora em que tirar o semi-eixo, utilize uma capa protetora na entrada da homocinética, dos dois lados, para não vazar óleo.

3.4. Remoção e análise da embreagem:

Procedimento: Após a retirada do câmbio, faça a remoção do conjunto de embreagem soltando os parafusos de fixação do platô. Em seguida, remova o atuador hidráulico e realize uma inspeção e limpeza na caixa seca. Após a remoção do atuador, retire sua conexão utilizando uma chave de fenda para destravar as “orelhas” que travam a mesma na caixa seca do câmbio.

Atenção: O procedimento de limpeza da caixa seca do câmbio é muito importante, pois o componente tem a função de dissipar o calor e precisa estar limpo para realizar essa função e não prejudicar o funcionamento do novo conjunto de embreagem.

2º Procedimento: Examine a caixa quanto a trincas e vazamentos. Faça ainda uma checagem do garfo, veja se apresenta desgaste e desmonte-o para examinar as buchas.

3º Procedimento: Solte os parafusos que fixam o conjunto da embreagem ao volante, retire o conjunto do disco, embreagem e platô.

4º Procedimento: Verifique estado do revestimento, das molas torcionais e do cubo do disco de embreagem, além das condições de contato da placa de pressão do platô se for utilizar o mesmo kit de embreagem, caso contrário substitua o conjunto platô e disco.

5º Procedimento: Verifique se a área de atrito do volante do motor está em boas condições, sem empenamentos, ovalizações, queimas. A superfície espelhada (lisa) pode causar patinação.

Atenção: Se necessário envie o componente para usinagem antes de instalar o novo conjunto de embreagem.

4. MONTAGEM

Na hora da montagem, faça a operação inversa, com a lubrificação do garfo de embreagem com graxa molicote, que é disponibilizada no kit de reparo. Coloque o conjunto platô e disco no local coloque o eixo e os parafusos. Fixe-os.

Recomenda-se pré-acionar o platô antes de colocá-lo na sua posição original para evitar trepidação da embreagem. Para isso, basta colocar um cabo metálico ou plástico de 6 mm de diâmetro entre a carcaça do platô e a mola membrana, o qual fará com que a placa de pressão recue, permitindo instalar o conjunto de embreagem mais facilmente.

Coloque a peça e aperte em X para não danificar a carcaça. Coloque na prensa e acione a membrana, em seguida coloque um anel de 6 mm ao redor da membrana para mantê-lo acionado e coloque-o de volta no volante. Retire o cordão e depois aperte os parafusos. O processo inverso deve ser seguido para a montagem do conjunto.

5. CONCLUSÃO

Não existe um prazo determinado para trocar a embreagem, o momento da substituição é sinalizado quando o veículo apresenta patinação, trepidação, pedal duro e dificuldade ou ruídos no engate. Muitas vezes o problema está no sistema de acionamento.

Hoje em dia troca-se todo o conjunto, mesmo porque com todo o trabalho da remoção do câmbio é aconselhável já efetuar a troca. As embreagens remanufaturadas pela própria fábrica estão aptas para serem substituídas, já peças as recondicionadas não são recomendadas pelo fabricante nem pela montadora do veículo, trazendo vários problemas futuros.

Armazenar as embreagens corretamente é outro dever do aplicador, pois apesar da aparência robusta, essas peças possuem componentes sensíveis, como as molas de retrocesso do platô. Por isso, evite o empilhamento horizontal, além disso, evite impactos no manuseio.

ANEXOS

ANEXO I: Tabela de defeitos e soluções.

1. Patinação:

DEFEITO

MOTIVO

SOLUÇÃO

Desgaste excessivo dasguarnições do disco (lona);Guarnição contaminadacom óleo.

Desgaste natural por tempo de uso;Embreagem usada de maneira incorreta;Vazamento nos retentores do motor oucâmbio;Excesso de graxa na lubrificação do eixo piloto;Vazamento de graxa no rolamento deembreagem.

Troca do conjunto deembreagem;Eliminar os eventuaisvazamentos;Eliminar excesso delubrificação;Substituir o disco.

Embreagem trabalhandoparcialmente debreada (enforcada).

Não há folga entre o rolamento deembreagem e a mola membrana;Travamento no sistema de acionamentoou pedaleira dificultando o retorno daembreagem; Cilindro atuador do sistemahidráulico não retorna.

Regular a folga conformeespecificado;Eliminar as causas dotravamento, executar alubrificação do sistema;Substituir o cilindro atuador.

Base de fixação do volantedo motor mais alta que oespecificado.

Volante do motor usinado somente naárea de contato com o disco.

Usinar somente a área defixação do platô ou trocar ovolante.

2. Trepidação:

DEFEITO

MOTIVO

SOLUÇÃO

Revestimento de discocontaminado com óleo ougraxa.

Vazamento de óleo nos retentores domotor ou câmbio; Excesso de lubrificaçãodo eixo piloto e rolamento.

Substituir o disco.

Embreagem enroscando.

Cabo de embreagem emperrado.Cilindros de acionamento hidráulicodesgastados;Tubo guia do rolamento desgastado.

Reparar as peças danificadase se for o caso substituí-las.

Paralelismo irregular daplaca de pressão do platô.

Deformação na carcaça do platôocorrida na montagem do veículo;Deformação da mola de retrocesso.

Trocar o platô.

3. Ruídos:

DEFEITO

MOTIVO

SOLUÇÃO

Aplicação incorreta do disco.

Sistema de amortecimento nãocompatível.

Aplicar o disco correto.

Rolamento ou bucha-guiado eixo piloto.

Travamento ou falta do mesmo.

Montar um novorolamento ou bucha.

Rolamento de embreagemengripado.

Rolamento defeituoso ou seco.

Substituir o rolamento.

Sistema de acionamentogasto ou quebrado.

Uso abusivo ou indevido.

Substituir o disco.

ANEXO II: Relação do serviço por garantia.

A troca por garantia só deve ser feita se for constatado que o problema ocorrido no conjunto de embreagem foi devido a desgaste natural de algum de seu componente.

Ex.: Disco desgastado do lado do platô.

Caso contrário o proprietário terá total responsabilidade na manutenção do veículo se for constatado o desgaste por uso indevido.

Ex.: Disco desgastado do lado do volante do motor.

REFERÊNCIAS

http://www.oficinaecia.com.br/bibliadocarro/biblia.asp?status=visualizar&cod=8 - 01/10/2009 às 20h25min.

www.omecanico.com.br – 06/11/2009 às 8h53min.

http://carros.hsw.uol.com.br/embreagem.htm – 15/11/2009 às 9h01min.

http://www.omecanico.com.br/modules/revista.php?recid=156&edid=15 – 25/11/2009 às 10h09min.

http://autosauer.blogspot.com/2008/11/embreagem-parte-3.html – 26/11/2009 às 12h01min.

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