ALELOS MÚLTIPLOS - sexo e herança

ALELOS MÚLTIPLOS - sexo e herança

ALELOS MÚLTIPLOS

GRUPOS SANGUÍNEOS

Há muito tempo havia preocupações a respeito do sucesso da transfusão de sangue em certas pessoas. Em 1900-1901, K. Landesteiner observou que, quando o sangue de certas pessoas era misturado, ocorria no sangue do doador a reação de aglutinação. Foi formulada a hipótese de que deveriam existir vários tipos de antígenos, sendo uns compatíveis e outros não.

Posteriormente foi comprovada a hipótese de Landesteiner; ou seja, foram descobertos dois tipos de antígenos (AGLUNINOGÊNIO) e dois tipos de anticorpos (AGLUTININA). Testes na população humana permitiram classificá-la nos diferentes grupos sangüíneos:

Grupo Sangüíneo

Antígeno A

Antígeno B

Anticorpo A

Anticorpo B

A

P

-

-

P

B

-

P

P

-

AB

P

P

-

-

O

-

-

P

P

P = presente e - = ausente

Os antígenos são transportados pelos glóbulos vermelhos, e os anticorpos existem no soro ou plasma. Com a descoberta desses vários grupos sangüíneos, pode-se concluir sobre dois tipos de informações.

1- Informação médica - transfusões

Refere-se a conhecimentos sobre a compatibilidade em transfusões de sangue. Na transfusão, devem-se considerar os aspectos: a diluição do soro recebido e a circulação ativa do paciente. Assim, nas transfusões deve-se preocupar com a existência de anticorpos no receptor, pois os anticorpos do doador, em geral, têm seu efeito atenuado em razão da diluição e da circulação ativa do sangue do paciente. As seguintes transfusões de sangue são possíveis, além da doação dentro do mesmo grupo:

Doador

Receptor A

Receptor B

Receptor AB

Receptor O

A

Sim

Não

Sim

Não

B

Não

Sim

Sim

Não

AB

Não

Não

Sim

Não

O

Sim

Sim

Sim

Sim

Constata-se que o grupo sangüíneo O, por doar sangue para os demais grupos sem reação de incompatibilidade, é denominado doador universal e o AB, por receber sangue dos demais grupos, é denominado receptor universal.

2- Informação genética

A herança do grupo sangüíneo ABO pode ser explicada através de uma série de três alelos, em que o alelo IA é responsável pela presença do antígeno A e anticorpo B, o alelo IB é responsável pela presença do antígeno B e anticorpo A e o alelo i é responsável pela ausência dos dois antígenos e presença dos dois tipos de anticorpos. Dessa forma, tem-se o seguinte quadro de genótipos e fenótipos.

Grupos Sangüíneos

Genótipos

A

IAIA IAi

B

IBIB IBi

AB

IAIB

O

Ii

Trata-se de uma série de alelos múltiplos, pois estão envolvidos três alelos. Entre esses alelos há relação de dominância completa (entre IA e i e entre IB e i) e de codominância (entre IA e IB).

TIPAGEM SANGUÍNEA

FATOR Rh

Descoberta O fator Rh foi descoberto em 1940 por Landesteiner e A.S. Wiene, em experimentos realizados com coelhos e macacos. Nos experimentos, foi injetado sangue de um macaco do gênero Rhesus em cobaias, em que se obteve como resposta a formação de anticorpos capazes de aglutinar as hemácias provenientes do macaco.

Herança do fator Rh na população humana

Uma vez extraídos os anticorpos das cobaias, eles foram testados na população humana. Nesses testes, foi verificado que parte da população humana apresentava reação de aglutinação, enquanto que outra parte mostrava-se insensível. Os indivíduos que apresentavam reação de aglutinação com anticorpos foram denominados pertencentes ao grupo Rh+, os demais, que não apresentavam aglutinação, pertenciam ao grupo Rh-.

Em estudos genéticos ficou comprovado que a herança do fator Rh é monogênica, sendo a presença do antígeno Rh condicionada a um alelo dominante (R) e a ausência, pelo alelo recessivo (r). O anti-Rh não ocorre naturalmente na população humana.

Grupo

Genótipo

Antígeno Rh

Anti-Rh

RH+

RR ou Rr

Presente

Ausente

RH-

rr

Ausente

Ausente (*)

(*) Presente após ser sensibilizado em uma transfusão em que o sangue recebido é de RH+.

Doações O anti-Rh não está presente naturalmente no sangue humano, mas pode ser induzido na presença do antígeno Rh (fator Rh). As seguintes doações são possíveis:

RH- pode doar para RH+ e para RH-

RH+ pode doar para RH+ .

A transfusão de sangue do doador Rh+ para o receptor Rh- não terá problemas na primeira vez, pois, após a doação, o receptor terá apenas anticorpos, uma vez que as hemáceas serão substituídas. Em transfusões posteriores, os anti-Rh existentes por indução provocarão reação contrária ao fator Rh estranho, com resultados clínicos bastante sérios.

ERITOBLASTOSE FETAL ou DHRN

O problema genético

Mulheres Rh- (rr) que se casam com homens Rh+ (RR ou Rr) podem dar origem a crianças Rh+. Como existe a possibilidade de o sangue materno ser transferido para o feto, em razão de um defeito na placenta ou hemorragias durante a gestação e o parto, há possibilidades de se formar, no organismo materno, o anti-Rh.

As crianças de partos subseqüentes do grupo Rh+ podem apresentar sérios problemas. Os anticorpos, produzidos na gestação anterior, poderão atingir o sangue do feto e provocar a destruição de suas hemácias.

Problemas apresentados pelas crianças com DHR

Os seguintes problemas podem ocorrer: morte intrauterina, morte logo após parto, anemia grave, deficiência auditiva ou deficientes mentais, icterícia (coloração amarela anormal causada pelo derrame da bílis no corpo e no sangue, devido às bilirrubinas) e insuficiência hepática.

Controle e amenização de risco da DHR

a) O médico pode conhecer a gravidade da situação antes de a criança nascer. Os testes de amostras do líquido amniótico, extraídos com agulhas, podem indicar se o feto vai bem ou mal. Se o perigo for grande recomenda-se a cesariana ou a transfusão de sangue logo após o parto. No último caso, a criança deve receber sangue Rh-, que posteriormente seria substituído pelo Rh+ original.

b) É possível evitar a sensibilização de uma mulher Rh-, empregando-se anticorpos anti-Rh até 72h após o parto. Os anticorpos anti-Rh aplicados na mãe destroem rapidamente as células fetais que passam para sua circulação antes que seu sistema imunológico as reconheça e passe a produzir anticorpos.

A injeção de anticorpos anti-Rh (IMUNOGLOBULINA) é erroneamente chamada de “vacina anti-Rh”.

c) O risco será menor se o homem apresentar genótipo heterozigoto. No Brasil, uma mulher Rh- corre muito risco, pois a freqüência de indivíduos Rh+ é de 87%.

SEXO E HERANÇA

LIGADAS AO SEXO: (X)

Recessiva: Hemofilia e Daltonismo

Dominante: Raquitismo

RESTRITAS AO SEXO: (Y)

Principal: Hipertricose auricular

INFLUENCIADA PELO SEXO

Calvície

Daltonismo O daltonismo é um defeito na visão em que o indivíduo confunde cores. Comumente a confusão se faz entre o verde e o vermelho. O nome deriva do químico Dalton, que sofria desta anomalia. Este defeito é provocado por um alelo recessivo ligado ao sexo.

Fenótipo

Homem

Mulher

Normal

XDY

XDXD ou XDXd

Daltônico

XdY

XdXd

Hemofilia A hemofilia é uma anomalia na capacidade de coagulação do sangue, regulada por um alelo recessivo ligado ao sexo. Essa doença causou grande mal às famílias reais européias, depois de ser introduzida pelos descendentes da rainha Vitória. Os sintomas apresentados pelo hemofílico são: hemorragia, por ferimento ou não; sangramento de fluxo lento e persistente; e sangramento duradouro. Pode durar semanas e então levar a anemia profunda. Verificou-se que a coagulação em tubo de ensaio poderia levar 30 minutos ou algumas horas se o sangue fosse de um hemofílico. Com relação a este caráter, são verificados os seguintes genótipos e fenótipos:

Fenótipo

Homem

Mulher

Normal

XHY

XHXH ou XHXh

Hemofílico

XhY

XhXh

GENES HOLÂNDRICOS

É a herança daqueles genes localizados no cromossomo Y, no segmento sem homologia. O cromossomo Y é o principal determinante da masculinidade na espécie humana e em outros mamíferos. Nele devem estar contidos os genes de efeito masculinizante. Afora essa possível ação masculinizante, pouco se conhece sobre os genes do Y, com algumas exceções no homem.

Como o cromossomo Y é restrito aos machos, apenas esse sexo apresenta tais características, sendo repassado de pais para filhos. Ex.:

Ictiose grave pêlos longos e duros, à semelhança de cerdas de porco

Hipertricose auricular presença de pêlo no pavilhão auditivo, muito comum em homens indianos.

GENES INFLUENCIADOS PELO SEXO

CONCEITO Na herança influenciada pelo sexo, o efeito de genes autossomais é afetado pelas características hormonais e fisiológicas do sexo em que se encontra. Um gene é influenciado pelo sexo quando ele age como dominante num sexo e recessivo no outro. Assim, ocorre uma reversão de dominância em função do sexo do indivíduo, a qual é constatada pela variação de fenótipos apresentados pelos heterozigotos dos dois sexos. Ex.:

Calvície A calvície pode ter origem em vários fatores: seborréia, sífilis, distúrbio da tiróide etc. Entretanto, a intensidade e alguns tipos de calvície podem ser hereditários. A calvície hereditária tem o seguinte mecanismo genético:

Genótipo

Homem

Mulher

BB

Calvo

Calva

Bb

Calvo

Não calva

Bb

Não calvo

Não calva

EXERCÍCIOS – Resolução Em Sala

1. No heredograma ao lado estão indicados os fenótipos dos grupos sangüíneos ABO e Rh. O indivíduo 6 deverá ser, em relação aos sistemas ABO e Rh, respectivamente:

a) heterozigoto - heterozigoto.

b) heterozigoto - homozigoto dominante.

b) heterozigoto - homozigoto recessivo.

c) homozigoto - heterozigoto.

e) homozigoto - homozigoto dominante.

2. A incompatibilidade materno-fetal ao antígeno Rh pode determinar um doença denominada Eritroblastose Fetal. Se uma mulher foi orientada a usar a vacina anti-Rh logo após o nascimento do primeiro filho, podemos dizer que seu fator Rh, o do seu marido e o da criança são, respectivamente:

a) negativo; negativo; negativo. b) negativo; negativo; positivo. c) negativo; positivo; positivo. d) positivo; negativo; positivo. e) positivo; positivo; negativo.

3- Se um homem do grupo sanguíneo AB se casa com uma mulher do grupo A cujo pai era do grupo O, a quais grupos sanguíneos esse casal pode esperar que pertençam seus filhos?

04- Um homem faleceu por causa de uma transfusão de sangue. Sabendo-se que seus pais pertenciam aos grupos sanguíneos A (homozigoto) e AB , responda :

a) Qual é o grupo sanguíneo do homem em questão?

b) Qual ou quais os possíveis grupos sanguíneos usados erroneamente na transfusão ?

05- Um homem (I) do grupo sanguíneo A e Rh positivo é casado com uma mulher (II) do grupo sanguíneo B e Rh positivo. Sabe-se que o pai desse homem e a mãe dessa mulher pertencem ao grupo sanguíneo O e são Rh negativo. Qual a probabilidade de o casal I – II ter um descendente :

a) pertencente ao grupo O Rh negativo ?

b) pertencente ao grupo AB e Rh positivo ?

  1. Um casal de não-hemofílico tem um filho com hemofilia. Responda :

  1. Qual a probabilidade de que uma filha desse casal apresente a doença?

  2. Qual é a probabilidade de que outro filho desse casal seja também hemofílico ?

  1. Sabendo-se que na espécie humana o daltonismo é condicionado por um gene recessivo ligado ao sexo, responda e justifique as seguintes questões :

  1. Um casal daltônico por ter filho normal ? E filha normal ?

  2. Um casal normal pode ter um filho daltônico ? E uma filha daltônica ?

  3. Um menina daltônica pode ter a mãe normal ?

  1. Roberto é um indivíduo normal para o daltonismo. A mãe de Paula, sua esposa, é portadora do gene para esse caráter patológico. O casal já tem um filho daltônico. Qual a probabilidade desse casal ter uma filha portadora ?

  1. Fernando é hemofílico, embora seus pais, Jorge e Clara, sejam normais. O bisavô de Jorge era hemofílico. Por essa razão, Clara tem convicção de que Jorge é o responsável pela hemofilia de Fernando. Explique se Clara está certa ou não.

10-

11-

12 - A análise do heredograma permite supor que a característica apresentada pelos indivíduos é:

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