Livro - Profae - Saude da Mulher, da Crianca e do Adolescente - Ministerio da Saude

Livro - Profae - Saude da Mulher, da Crianca e do Adolescente - Ministerio da Saude

(Parte 4 de 11)

2.2.3 Leiomiomatose uterina

Leiomiomatose uterina, também conhecida por miomatose uterina, é um tumor benigno sólido que com freqüência acomete as mulheres e se aloja preferencialmente no corpo do útero.

Recidiva – Reaparecimento da doença após algum tempo.

Disúria – É o ardor ao urinar .

Polaciúria – É o aumento do número de micções.

São freqüentes as associações das vulvovaginites e as diferentes DST. Destacase, atualmente, a relação entre a presença de DST e o aumento do risco de infecção pelo HIV.

Glândula de Bartholin - É uma glândula par, situada à direita e a esquerda na metade posterior dos grandes lábios. É responsável pela umidificação vaginal facilitando o ato sexual.

A causa da formação do mioma é desconhecida. É ligeiramente mais comum em mulheres nuligestas e nas de raça negra. Está relacionado com a produção hormonal, não apresentando crescimento com a menopausa.

Em mulheres não grávidas, os miomas podem ou não trazer problemas. Cerca de 25%, entretanto, causam sangramento uterino anormal. Algumas mulheres queixam-se de plenitude ou sensação de peso pélvico. Podem ainda causar dismenorréia, leucorréia, hipermenorréia ou menorragia. Pode ocorrer um quadro de anemia e ou de infecção. O tratamento inicial sempre é conservador, com o uso de terapêutica hormonal, mas na ausência de resposta e tratamento poderá tornar-se cirúrgico.

Em mulheres grávidas, os miomas podem causar os seguintes riscos adicionais: aborto, falta de encaixamento, trabalho de parto prematuro, dor, distocia, trabalho de parto prolongado e hemorragia pós-parto.

2.2.4 Câncer de colo de útero e de mamas

A prevenção do câncer de colo de útero ou cérvice, com a colheita da citologia oncótica, e o exame clínico das mamas com orientação para o auto exame, ocupam um lugar importante na consulta.

O colo é a parte do útero que se encontra no fundo do canal vaginal e pela sua localização torna-se mais exposto ao risco de desenvolver doenças. Para a detecção precoce de fatores predisponentes do câncer de colo do útero é feito o exame de papanicolau que consiste em retirar uma pequena quantidade de material do colo do útero para análise em laboratório especializado.

O câncer cérvico-uterino, juntamente com o de mama, representaram no período de 1978 a 1986 as maiores taxas de mortalidade entre as mulheres. A distribuição de óbitos por essas duas doenças apresenta diferenças regionais, relacionando-as ao grau de desenvolvimento econômico-social. O câncer cérvico-uterino aparece com maior freqüência em mulheres que moram nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. O câncer de mama ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste de acordo com o Instituto Nacional do Câncer. Esta doença é mais freqüentemente descoberta entre os 40 e 60 anos de idade. Já no câncer de colo, a faixa etária priorizada é de 25 a 60 anos, para realização do exame.

As ações de controle do câncer cérvico-uterino compõem-se de: consulta clínico- ginecológica, colheita de material para esfregaço cérvico-vaginal (colheita de preventivo), tratamento dos processos inflamatórios e neoplasias, encaminhamento para clínica especializada para dar continuidade aos tratamentos.

A etiologia do câncer cérvico-uterino ainda é desconhecida. Sabese que, como todo câncer, é uma doença que atinge as células do colo

O útero possui três camadas; endométrio (camada interna), miométrio (camada muscular) e serosa (camada de revestimento externo).

Nuligestação - É quando a mulher nunca engravidou.

Citologia oncótica – É o exame para identificação de células cancerígenas.

Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente uterino, desordenando seu crescimento até formar um tumor. Porém existem fatores de risco que estão relacionados, tais como:

!Início da atividade sexual em idade precoce;

!Vários parceiros;

!História de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente decorrentes de infecções por papilomavírus e herpes vírus;

!Baixo nível socioeconômico;

! Tabagismo;

!Carências nutricionais, como a hipovitaminose A.

De acordo com o Ministério da Saúde2, as variáveis acima descritas caracterizam o comportamento de risco de câncer-cérvico uterino e devem ser consideradas na determinação da população-alvo do programa. As peculiaridades regionais e a incidência por grupo etário podem determinar um perfil diferenciado.

O processo de instalação do câncer de colo demora muitos anos (10 a 20 anos) e as alterações celulares são facilmente detectadas através do exame citológico. Por isso, as possibilidades de cura são de 100% se a mulher fizer o exame periódico e seguir o tratamento adequado.

Para o exame é necessário o preparo do ambiente para que a cliente não se sinta constrangida e favoreça a colheita adequada. O ambiente deverá propiciar privacidade e especialmente segurança.

Os materias para a realização do exame são: espéculos vaginais (descartáveis ou não) de tamanhos adequados com relação à idade e à paridade (número de filhos) da cliente; campo estéril, espátula de madeira (tipo ayre ou similar), escovinha Campos da Paz, swab de cabo longo (para colheita em mulheres virgens), lâmina, frasco, fixador, foco de luz e biombo.

Para garantir a boa qualidade do exame, o auxiliar de enfermagem deve orientar a mulher quanto a alguns cuidados importantes antes da realização do mesmo, como: não realizar o exame no período menstrual ou de sangramento, não ter relações sexuais por 24 horas e não utilizar duchas, lavagens e medicamentos via vaginal por 48 ou 72 horas que antecedem o exame.

Ao proceder o preparo da cliente na unidade de saúde, devemos orientá-la a urinar, pois o esvaziamento vesical permite um maior relaxamento. Devemos oferecer uma camisola com a abertura voltada para a frente e um local para que a cliente retire toda a roupa com total privacidade.

Ao colocar a cliente na mesa em posição ginecológica, as nádegas devem estar na borda da mesa e os pés no local próprio para apoio. Atentar para que apenas a área que será examinada deva permanecer exposta. Durante o exame, visando proporcionar relaxamento à clien-

O câncer do colo do útero geralmente apresenta sintomas quando já está em fase avançada; a mulher não deve esperar os sintomas para se prevenir ou tratar, como acontece em muitos casos.

2Ministério da Saúde, 1994, p. 14 te, é importante orientá-la sobre o procedimento, mostrando que todo o material a ser utilizado é descartável e/ou esterilizado e estimulá-la a inspirar e expirar profundamente.

Faz parte do exame ginecológico a inspeção da vulva, do canal vaginal e do colo uterino. Durante o exame, deve-se atentar para sinais de inflamação (dor, calor e rubor), sangramento ou alterações locais da pele e mucosa, como a presença de lesões e parasitas. No canal vaginal e no colo uterino, deve-se observar a coloração da mucosa, a presença de secreções, lesões e corpo estranho, encaminhando ao enfermeiro ou médico, nos casos de anormalidade.

As ações de controle do câncer de mama são: auto-exame das mamas, exame clínico das mamas e exames complementares. Estas ações têm como principal objetivo a detecção precoce de alterações que podem sugerir ou constituir uma neoplasia.

Aqui vamos priorizar o exame clínico das mamas e o auto-exame, citando os exames complementares.

O câncer de mama geralmente apresenta-se como um nódulo.

Leva aproximadamente de seis a oito anos para atingir um centímetro de diâmetro. Esta lenta evolução possibilita a descoberta ainda cedo destas lesões, se as mamas são periodicamente examinadas. As primeiras metástases comumente aparecem nos gânglios linfáticos das axilas.

A doença é descoberta entre os 40 e os 60 anos de idade e os fatores de risco envolvidos são: menarca antes dos 1 anos; primeiro parto após os 30 anos; nuliparidade; menopausa após os 55anos; história pessoal ou familiar de câncer de mama.

Existem fatores de risco que podem ser controlados, pela própria mulher desde que orientada a não ingerir dieta rica em gordura e pobre em fibras e vitaminas; evitar exposição a radiações.

O que se sabe hoje sobre o câncer de mama ainda não é o suficiente para a utilização de medidas que evitem o aparecimento da doença (prevenção primária). Os esforços para o controle são direcionados para a detecção precoce (descoberta de pequenos tumores).

Aproximadamente, 80% dos tumores são descobertos pela própria mulher, tocando sua mama incidentalmente. Portanto, é muito importante que o exame das mamas seja feito pela mulher e pelo profissional de saúde na consulta

O auto-exame das mamas é um procedimento que permite à mulher participar do controle de sua saúde. Recomenda-se que ele deve ser realizado mensalmente, uma semana após a menstruação, período em que as mamas não apresentam edema. As mulheres que não tem mais menstruação devem fazer o exame no mesmo dia de cada mês, para evitar o esquecimento.

Neoplasia – É a formação de um novo tecido, podendo ser normal (cicatrização) ou patológico (tumoração).

Neoplasia maligna – É outra denominação dada ao câncer.

Nódulo – Popularmente denominado “caroço”, é uma pequena solidificação do tecido mamário.

Metástase - É a presença de células malignas provenientes do tumor, atingindo outros órgãos.

Menarca - É a ocorrência da 1a menstruação.

(Parte 4 de 11)

Comentários