Citologia - Relatório de aula prática

Citologia - Relatório de aula prática

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COMPONENTES: Augusto César Vieira Gomes Edna Marques Falcão Fabrício Júnior Alves Teixeira José Ricardo Marques Dias Mariana Xavier Vilela

1 INTRODUÇÃO

O exame citológico é uma das grandes ferramentas para auxiliar o médico no diagnóstico, prognóstico e na tomada de decisões frente a casos clínicos. Assim, a citologia clínica oferece inúmeras vantagens, uma vez que as técnicas de obtenção do material são muito simples, de baixo custo e muitas vezes proporciona resposta diagnóstica rápida, porém como toda técnica, nem sempre o parecer é definitivo.

A grande maioria dos exames citológicos deve ser confirmada por exame histopatológico, devido à possibilidade do material colhido ser pouco representativo e também há restrições quanto à avaliação prognóstica, pois tal exame avalia somente as características de células isoladas ou em blocos, ao passo que o exame histopatológico permite avaliar a arquitetura do tecido como um todo, ou seja, a interrelação entre células, demonstrando grau de invasividade e avaliação de margens cirúrgicas, para exemplificar: obtenção de amostra somente do componente inflamatório de uma neoplasia infectada por bactérias.

Uma terapêutica adequada é realizada após a interpretação correta dos exames laboratoriais (colpocitológico e histológico). Para isso, nunca deve-se definir diagnóstico com apenas um método, sendo necessários a realização de três métodos complementares (colposcopia, citologia e histologia). A colposcopia, por exemplo, tem como finalidade direcionar o local mais apropriado para a realização de biópsia e não definir o diagnóstico.

Em uma lâmina histológica o processo de coloração facilita o reconhecimento dos compostos celulares. Como regra os núcleos captam os elementos basófilos dos corantes assumindo uma cor azul ou tom azulado. O citoplasma pode assumir uma cor rosa (eosinofílico) ou azul (cianofílico). Um dos métodos mais utilizados na citologia ginecológica é coloração de Papanicolaou.

O diagnóstico citológico cervico-vaginal é feito através do Bethesda System, que é uma classificação “descritiva” da citologia cervico-vaginal que se propõe a fornecer interpretações de uma amostra citológica em termos diagnósticos não ambíguos. A inovação consiste em considerar como lesões intra epiteliais de baixo grau tanto as alterações celulares devidas ao papilovírus como a displasia leve (NIC I), e em unificar sobre o termo de lesões intra epiteliais de alto grau a displasia moderada (NIC I), a displasia acentuada (NIC I) e o carcinoma in situ (NIC I).

A interpretação é realizada de acordo com a adequação das lâminas, as quais devem apresentar satisfatória ou insatisfatória. Para que seja satisfatória, a amostra deve apresentar identificação apropriada na lâmina, informações clínicas relevantes, número adequado das células epiteliais escamosas bem preservadas e bem visualizadas; um adequado componente endocervical zona de transformação. E quando a amostra apresentar ausência de identificação da paciente e/ou forma de requisição, lâmina quebrada e que não pode ser reparada, componente epitelial insuficiente, presença de sangue, inflamação, fixação deficiente, contaminação e outros componentes que prejudiquem a interpretação de aproximadamente 75% ou mais das células epiteliais, esta será designada como insatisfatória, o que indica que a amostra não é confiável na detecção de anormalidades epiteliais cervicais.

2 OBJETIVOS

Identificar alterações colpocitopatológicas e anatomopatológicas da citologia clínica;

Interpretar um laudo colpocitopatológico e Anatomopatológico; Conhecer técnicas de coleta, fixação e coloração.

3 DESENVOLVIMENTO

3.1 Método de Papanicolaou

3.1.1 Componentes da Coloração de Papanicolaou:

Hematoxilina de Harris; Contracorantes citoplasmáticos – EA36-para citologia cervico-vaginal, EA65 e Laranja G.

3.1.2 Coloração de Papanicolaou

Tirar da embalagem, verificar a identificação com o pedido: Deixar 3 minutos no álcool; Deixar 3 minutos na solução salina; Deixar 3 minutos na água corrente; Deixar 1 minuto na solução de hematoxilina; Lavar em água (torneira); Deixar 3 minutos em água corrente; Lavar 10vezes no álcool; Deixar 2 minutos na solução de Orange; Deixar 3 minutos na solução de EA36; Mergulhar a cestinha 10 vezes em cada pote (8?) de álcool; Mergulhar 10vezes no Xilol; Deixar no Xilol de montagem; Montar com entelan e lamínula (25x50).

3.1.3 Coloração de Hematoxilina – Eosina

Tirar da embalagem, verificar a identificação com o pedido: Deixar 2 minutos na HE; Lavar na água; Deixar 2 minutos na água corrente; Deixar 2 minutos na eosina;

Lavar na água; Mergulhar 10 vezes em cinco potes; Mergulhar 10 vezes em dois potes de Xilol.

3.2 Práticas

3.2.1 Critérios citomorfológicos de malignidade observados na lâmina:

Citoplasma com afinidade tintorial diferente; Células de formados anômalos;

Vacualizações atípicas → coilocitose → HPV;

Células em anel de sinete; Nucléolos evidentes e múltiplos; Cariomegalia; Hipercromazia; Aglomerados de células; Células alongadas (morfologia alterada); Membrana nuclear grosseira e irregular.

3.2.2 Lâminas Metaplasia

Células provenientes da zona de transformação ou JEC. A metaplasia é um processo fisiológico e comum em mulheres menacmes (mais velhas, acima de 30 anos) e são encontradas estas células até o 12º dia do ciclo menstrual. A presença destas células não indicam a necessidade de tratamento ou cuidado especial.

Escamas córneas

São células escamosas superficiais anucleadas encontradas em esfregaços vaginais onde existe processo de queratinização, prolapso uterino e leucoplasia. Podem ser observadas na contaminação vulvar pelo espículo ou na bolsa rota de gravidez com o feto maduro. Este achado é preocupante em mulheres grávidas, indicando o rompimento da bolsa.

Pérolas córneas

São grupamento concêntricos de células escamosas bastante eusinofílicas, em geral associadas ao processo de metaplasia escamosa madura. São desprovidas de significado diagnóstico; exceto se houver atipia nuclear onde são relacionadas com o carcinoma de células escamosas. Estas células são mais estudadas na histopatologia e são processos resultantes de traumas (hiperqueratinização).

Células endometriais

São células com citoplasma escasso e núcleo um pouco maior que o normal. Estão presentes no ciclo menstrual, consideradas um achado citológico normal até o 12º dia do ciclo. Quando encontradas fora deste período é um achado citológico anormal

Esfregaço citolítico

São células características por presença de núcleos desnudos de células intermediárias normais, juntamente com os resíduos citoplasmáticos em meio a abundante flora bacteriana. São presentes geralmente na fase pré-menstrual e durante a gravidez.

Células com alterações reacionais

São células resultantes de processos inflamatórios específicos ou inespecíficos que determinam alterações celulares caracterizadas por hipertrofia nuclear. A específica é presença do agente causador da inflamação e inespecífica não é encontrado o agente causador da inflamação.

Células escamosas superficiais

As células escamosas superficiais aparecem, na maioria das vezes, de forma isolada. Discariose (Câncer)

São células arredondadas de citoplasma densamente eosinofílico, e de núcleo picnótico. O padrão destas células se modificam a medida da fase do tumor, mas certas características são as mesmas. Para definir utiliza-se vários critérios: NIC 1- discariose moderada; NIC2- discariose acentuada; Nic 3- discariose, carcinoma ou adenocarcinoma.

Coilocitose

São células com características compostas por 3 alterações fundamentais: núcleo ligeiramente hipertrófico, haloperinuclear (birrefringente), espessamento da borda celular. É uma atipia celular que indica a presença de infecção ativa pelo papilomavírus humano.

Flora normal do bacilo de doderlein

Os lactobacilos são considerados flora vaginal normal, fazendo parte e ajudando a manter o meio vaginal. São lactobacilos grandes, não ramificados, de tamanhos variados, gram-positivos. Metabolizam o glicogênio das células vaginais, produzindo o ácido lático, vital para a manutenção do pH do meio vaginal.

Paraceratose

É um processo anormal de maturação; um processo incompleto de queratinização epitelial. As células superficiais se queratinizam sem perder o núcleo e se tornam fuziformes. Colposcopicamente o epitélio tem uma coloração branca com leucoplasia dependendo da sua espessura.

Espongiose

É um edema intercelular onde as células do epitélio ficam afastadas uma das outras. É uma característica de processo inflamatório em atividade, principalmente se for encontrada juntamente com hiperplasia basal reacional.

Exocitose (Diapedese)

É mais comum em processos inflamatórios crônicos onde ocorre invasão de leucócitos para o interior do epitélio. É um fenômeno normal quando observada em grau discreto, mas indica atividade inflamatória.

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