MONITORIZAÇÃO BIOLÓGICA E AGENTES QUÍMICOS - Paulo Roberto Pimenta

MONITORIZAÇÃO BIOLÓGICA E AGENTES QUÍMICOS - Paulo Roberto Pimenta

(Parte 1 de 5)

Monitorização biológica e agentes químicos.

Paulo Roberto Pimenta

A preocupação em evitar o surgimento de doenças decorrentes da exposição dos indivíduos a agentes químicos no ambiente de trabalho conduzir à tomada de medidas de prevenção. Estas são a base da monitorização biológica e consistem em verificar se a concentração destes agentes ou de seus metabólitos no organismo dos trabalhadores esta dentro dos níveis estabelecidos por órgãos governamentais ou pela comunidade científica.

Os indicadores biológicos de exposição e os índices biológicos máximos permitidos são determinados por meio de estudos epidemiológicos, experimentais e casos clínicos.

Aqui no Brasil, a Norma Regulamentada n.º 7 (NR-7) e a Portaria n.º 24 de 29 de dezembro de 1994 da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, estabelecem os parâmetros biológicos para controle da exposição a agentes químicos . Conforme esta Portaria todos os empregados e instituições que admitam trabalhadores como empregados são obrigados a elaborar e implementar o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). O referido programa tem por objetivo promover e preservar a saúde dos trabalhadores.

Esta monitorização biológica complementa o monitoramento ambiental e a vigilância à saúde, considerando-se que determina a exposição global diretamente no indivíduo e detecta efeitos precoces e reversíveis, proporcionando uma melhor estimativa de risco.

É bom saber as Normas para a coleta de amostras

Urina:

Utilizar frascos limpos de polietileno ou vidro, conforme indicado para a análise em questão, com tampa mosqueada e 100 ml de capacidade. O orifício uretra e as mãos dos trabalhadores devem ser limpos, antes da coleta da amostra, dando-se preferência ao banho completo. O primeiro jato de urina deve ser desprezado. Coletar aproximadamente 100 ml de urina: caso não seja possível, enviar no mínimo 50 ml para o laboratório.

Quando for indicado “coleta de final da jornada de trabalho”, a amostra deverá ser obtida nas duas últimas horas da jornada diária.

Sangue

Limpar a pele antes da coleta da amostra. O paciente deve ficar sentado cerca de 15 minutos antes da punção venosa e o torniquete deve ser evitado ou utilizado o menor tempo possível. Não deve ser realizado exercício físico antes da coleta. Enviar as amostras de sangue na própria seringa ou “vacutainer”.

Interpretação dos resultados

Na interpretação dos resultados deverão ser valorizados o exame clínico e as análises toxicológicas por um especialista da área (médico do trabalho). Os médicos deveriam ir ao local do trabalho do trabalhador (professor, técnicos, alunos de pós-graduação, graduação, estagiário, etc). Só assim eles saberão o que significa cada produto utilizado na área de pesquisa.

Os resultados de um programa de monitorização biológica poderão ser interpretados para os trabalhadores separadamente, se a variabilidade intraindividual do indicador biológico em questão Não for muito elevada e se este possuir especificidade adequada. De outro modo, os resultados deverão considerar o grupo como um todo. Neste caso, quando apenas alguns indivíduos apresentarem valores elevados, o resultado provavelmente será devido ao fato destes trabalhadores submeterem-se a uma maior exposição em virtude de atividade diferenciada, hábitos de higiene ou exposição não-ocupacional.

Deverão, ainda, ser considerados os interferentes de cada indicador biológico mencionados nas monografias das substâncias químicas.

Toxicologia dos gases

Monóxido de carbono: Toxicidade:

A via mais importante de absorção é a respiratória. O monóxido de carbono se une a hemoglobina do sangue formando carboxihemoglobina, provocando hipóxia.

A exposição crônica pode provocar efeitos decorrentes da hipóxia como cefaléia, fadiga, náuseas, dificuldade respiratória e taquicardia.

Área de riscos:

Todos profissionais das indústrias metalúrgica, siderúrgica, química, petroquímica, laboratórios de pesquisas, ensino, também os trabalhadores de cervejarias, mineiros, operadores de motores à combustão e soldas.

Indicador biológico

Carboxihemoglobina no sangue.

O exame de sangue heparinizado coletado no final da jornada de trabalho. Mínimo de 5 ml em vacutainer. Pode-se realizar outra coleta no início da jornada de trabalho para calcular a diferença entre pré e pós-jornada.

Este exame são para todos os profissionais da área.

Conservação:

Guardar em geladeira a 4º C, imediatamente após a coleta.

Valor de referência da normalidade: Até 1,0% para Não fumantes (NR-7).

Índice biológico máximo permitido: 3,5% para não fumantes (NR-7).

Fumante – Interferentes:

O hábito de fumar eleva consideravelmente os níveis de carboxihemoglobina no sangue. Deste modo, este parâmetro é indicado somente para Não fumantes.

Os indivíduos que fazem uso de clorpromazina podem ter os níveis de carboxihemoglobina diminuídos.

Já fenobarbital e a fenitoína elevam o teor de monoxido de carbono.

A metabolização do diclorometano e leva à formação de carboxihemoglobina.

Metais – Toxicologia

Arsênico (arsênio):

Pode penetrar no organismo por inalação dos seus vapores ou através da pele. Os compostos trivalentes são corrosivos e o pentóxido de arsênio provoca sensibilização da pele e dermatite de contato.

A inalação provoca dores abdominais, mal estar geral, prurido, dor nas articulações, perda gradual da força física, diarréia, coriza e traqueobronquite leve.

A perfuração do septo nasal é comum. Há relatos de danos hepático e miocárdico. O arsênico e certos arsenais são considerados carcinogênicos.

Riscos saúde:

Todos os profissionais que trabalham nesta área de: fabricantes de inseticidas, raticidas, herbicidas, cerâmicas, vidros, pigmentos, farmacêutica, metalúrgica e petroquímica, aplicadores de pesticidas, etc. Além dos EPIs,

fazer todos exames médicos.

Indicador biológico: Arsênico na urina.

Exame médico:

Coletar a sua urina no final do último dia da jornada da semana. Mínimo de 100 ml, em frasco de polietileno. Recomenda-se iniciar a monitorização após seis meses de exposição na área.

Valor de referência da normalidade: até 10µg/g creatinina (NR-7).

Índice biológico máximo permitido: 50 µg/g creatinina (NR-7).

Saúde – interferentes:

O arsênico é contaminante de vários alimentos (especialmente peixes e crustáceos) e da água; portanto dieta e também as fontes não ocupacionais devem ser avaliadas para melhor correlacionar os níveis urinários do arsênico com a exposição no ambiente de trabalho.

Cádmio - Toxicidade

Penetra no organismo principalmente por via respiratória, causando irritação pulmonar. Pode ser absorvido também por via digestiva. Em exposições prolongadas pode causar anemia, anosmia e dificuldade para respirar; atua sobre o sistema nervoso central e rins. É comum o aparecimento de um anel amarelado no colo dos dentes, podendo causar também lesões ósseas. Possui ação carcinogênica.

Risco dos profissionais da área:

Todos os profissionais ou não que trabalham com cádmio, deveram ter muitos cuidados com à saúde, principalmente nas fabricas de catalisadores, pigmentos para tintas, reatores nucleares, baterias, amálgamas dentários, fungicidas e síntese de chumbo tetraetila; soldadores, galvanoplastias, na industria fotográfica, pesquisadores universitários, etc.

Riscos biológicos:

Exame; O cádmio na urina; indicador de dose interna para baixa exposição ocupacional. Apresenta correlação com a concentração ambiental somente após 06 meses de exposição.

Recomendações: Recomenda-se iniciar a monitorização após seis meses de exposição, mesmo usando os EPIs. Urina coletada após exposição contínua de quatro semanas, sem afastamento maior que quatro dias. Mínimo de 100 ml, em frascos de polietileno.

Conservação: Em geladeira a 4º C.

Valor de referência da normalidade:: Até 2,0 µg/g creatinina (NR-7)

Índice biológico máximo permitido:: 5,0 µg/g creatinina (NR-7).

Pessoas fumantes: A concentração acumulada de cádmio aumenta com a idade e é maior risco para os fumantes. Pessoas fumantes não devem trabalhar com cádmio.

Chumbo: compostos inorgânicos. Toxicidade:

As vias de absorção do chumbo são respiratória, cutânea e digestiva, em relação à exposição ocupacional, a via mais importante é a respiratória. Apresenta efeito cumulativo no organismo. Intoxicações crônicas causam anemia, cefaléia, fadiga, irritabilidade, distúrbios visuais, alterações sensoriais e renais, além de dores nos ossos e músculos. Podem surgir dores abdominais semelhantes ao quadro de abdômen agudo, acompanhadas de náuseas, vômitos e perda de peso. Nas intoxicações agudas, ocorre cefaléia intensa, convulsões e delírios, podendo provocar a morte.

Riscos biológicos; saúde:

Todos profissionais ou não da área, devem usar EPIs, principalmente os de fundições e gráficas, pintores, soldadores, papilocopistas, cientistas da universidades, industriais: plásticos, borrachas, tintas, baterias, lubrificantes, fósforos, inseticidas, vidros e produtos de cerâmica, raspadores ou lixadores de pinturas à base de chumbo.

- Ácido delta – aminolevulínico Na urina (ALA-U): indicador de efeito mais apropriado.

- Chumbo Na urina – utilizado no acompanhamento do tratamento clínico (quelação) da intoxicação com chumbo inorgânico.

- Chumbo no sangue – melhor indicador de dose interna.

- Zincoprotoporfirina (ZnPP) – correlaciona-se com o efeito tóxico e demora a retornar aos valores normais após cessada em exposição.

- Exame ALA-U – urina coletada a partir de um mês de exposição. Não coletar amostrar às segundas-feiras. Mínimo 50 ml em frasco de polietileno ou vidro âmbar.

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