Seja o doutor do seu cafezal

Seja o doutor do seu cafezal

(Parte 7 de 8)

O uso intercalado de fungicidas cúpricos em misturas de tanque ou misturas formuladas prolongam a ação de controle, além de favorecer o controle simultâneo da Cercospora e suprir nutricionalmente o cafeeiro com o micronutriente cobre.

Pode ser usado também um programa alternado de Amistar com Anvil (três a quatro aplicações/ciclo) para um controle integrado de ferrugem e cercospora.

c) Preventivo/curativo via solo: através de produtos granulados sistêmicos c1) Fungicidas granulados sistêmicos de solo

•Cyproconazole - Alto GR: 20 a 25 kg/ha

•Triadimenol - Bayfidan 60 GR: 10 a 20 kg/ha

Photon: 10 a 20 kg/ha Flutriafol - Impact: 20 a 30 kg/ha

Fazer uma aplicação anual, no período de outubro a dezembro, enterrado sob a saia do cafeeiro, em sulcos, dos dois lados da planta, quando se usam granuladeiras, ou em quatro furos quando se usa a matraca.

Existem, em desenvolvimento, formulações para uso via líquida no solo.

c2) Controle associado de ferrugem e bicho mineiro com misturas de fungicidas e inseticidas sistêmicos granulados de solo

•Cyproconazole + Disulfoton - Altomix 103,2: 30-70 kg/ha Altomix 104: 30-70 kg/ha

•Triadimenol + Disulfoton - Baysiston GR: 30-70 kg/ha

Cyproconazole + Thiametoxan - Verdadero 20 GR: 30 kg/ha

Esses produtos devem ser utilizados como se recomendou no item c1.

Observação: Quando se usa pela primeira vez os fungicidas granulados sistêmicos e as misturas de fungicidas com inseticidas granulados sistêmicos é bom antecipar a aplicação no solo e efetuar uma aplicação complementar de fungicida sistêmico foliar ou fungicida cúprico, para redução do inóculo.

É recomendável uma ou duas pulverizações de fungicidas cúpricos, entre janeiro e maio, quando se usa o controle via solo para o controle simultâneo da Cercospora e suprir eventual deficiência de cobre.

d) Variedades resistentes

É o sistema mais eficiente e econômico de controle da ferrugem. É, todavia, um sistema que não pode ainda ser usado em larga escala pois os materiais resistentes ainda estão em processo de melhoramento genético visando conseguir características desejáveis como produtividade, vigor, uniformidade de plantas, maturação, etc.

Os materiais resistentes à ferrugem são oriundos de cruzamentos com o Híbrido de Timor e de material da Índia e da Etiópia e de robusta, podendo apresentar resistência específica e inespecífica, do tipo horizontal e vertical.

Dentre esses materiais, as linhagens mais recomendadas são:

• Materiais de porte alto:

Icatu Vermelho: 2941, 2942, 2945, 4040, 4041, 44042, 4043, 4045, 4046 e 4228

Icatu Amarelo: 2944, 3696, 2907 e 3282 ( este último precoce)

1,5 a 2,0 kg de cobre metálico/ha

• Materiais de porte baixo:

Catucaí Vermelho: L36/6, L9/24, L20/15 e L24/137, multilínea F5

Catucaí Amarelo: L3SM, L7/21 e L7/21-17, multilínea F5 IBC-Palma: H1043 - 1131- 2111 e IBC Palma 2

Catimores e Sarchimores: Katipó, IAPAR 59, Obatã, Tupi, Sachimor Amarelo

Dentre esses materiais, os mais disseminados atualmente são o Icatu, o Catucaí, o IBC-Palma, o Tupi, o Obatã e o IAPAR 59. Existe ainda a variedade Oeiras (Catimor) recentemente introduzida para plantio.

2. CERCOSPORA OU MANCHA DO OLHO PARDO

Cercospora coffeicola (Fotos 5 e 56)

Esta doença acha-se disseminada por todas as regiões cafeeiras do país. Como a maior renovação cafeeira vem sendo realizada em solos de cerrado, os prejuízos com essa doença agravaram-se bastante já que existe uma correlação muito grande entre a incidência de cercospora, a nutrição mineral e os fatores climáticos.

Ela ataca folhas e frutos, causando prejuízos em viveiros e cafezais já instalados, principalmente lavouras jovens plantadas no final do período chuvoso (início da seca) e que produziram muito na primeira safra.

Nas folhas aparecem pequenas manchas circulares, de coloração marrom escura, que crescem rapidamente ficando o centro das lesões cinza claro e um anel amarelado ou arroxeado com a aparência de um olho.

No centro das lesões aparecem pontinhos negros que são as frutificações do fungo. As folhas caem rapidamente e os ramos laterais secam.

Nos frutos o ataque ocorre freqüentemente na fase de granação e permanece até o amadurecimento. Nas partes expostas ao sol aparecem manchas marrons ou arroxeadas, deprimidas, que se tornam escuras quando velhas. Há um aumento de grãos chochos e acentuada queda de frutos. Há depreciação do tipo e da bebida do café.

Diversas condições favorecem o ataque dessa doença como: baixas temperaturas, alta umidade, ventos frios, excesso de insolação, nutrição desequilibrada ou deficiente (principalmente nitrogênio), sistema radicular pouco desenvolvido (causado por adensamento de solo ou “pião torto”), deficiências hídricas severas, etc.

Com o plantio de variedades selecionadas, com alta capacidade produtiva, principalmente nas três ou quatro produções iniciais, em solos de baixa fertilidade natural como os solos do cerrado, favoreceram o ataque mais severo da doença.

Variedades resistentes à ferrugem e alta produção precoce exigem níveis nutricionais mais elevados, principalmente nitrogênio e potássio, e também pulverização com fungicidas cúpricos no período de dezembro a fevereiro/março, visando o controle da cercospora nas folhas e frutos do cafeeiro. Adotar o mesmo procedimento nas situações em que se usou o controle da ferrugem através de fungicidas sistêmicos.

Controle cultural:

Nas fases de plantio recomenda-se um bom preparo de solo, incluindo-se a subsolagem, que garanta um bom arejamento e desenvolvimento do sistema radicular. A partir de uma análise do solo proceder a correção e adubação adequadas, incluindo sempre que possível uma fonte de matéria orgânica.

Na fase de pós-plantio cuidar das adubações de cobertura e atentar para o controle químico quando o plantio for realizado no final do período chuvoso (início da seca).

Nas lavouras adultas, manter equilíbrio nas adubações, principalmente nas primeiras produções, sempre baseado em análises de solo e foliares e manter os cafezais sob a proteção de quebraventos.

Controle químico:

Se o controle cultural não for suficiente para evitar a evolução da doença deve-se lançar mão do controle químico no período de janeiro a maio, época em que a doença deve causar maiores prejuízos.

Como este período coincide com a maior incidência da ferrugem, um bom programa de controle dessa doença envolvendo fungicidas cúpricos ou sistemas mistos (preventivos mais sistêmicos foliares) pode controlar satisfatoriamente a cercospora com menor custo-benefício.

Em situações específicas podem ser usados fungicidas do grupo dos triazóis (Hexaconazole, Epoxiconozole, Tebuconazole, Cyproconazole) associados ao cobre nas mesmas dosagens indicadas para o controle da ferrugem.

O fungicida Azoxystrobin (Amistar 500 mg) apresenta alta eficiência no controle da cercospora quando aplicado em duas pulverizações, com intervalo de 30 dias, entre janeiro e fevereiro.

3. MANCHA AUREOLADA

Pseudomonas garçae (Foto 57)

É uma doença bacteriana cujo nome está associado à ocorrência de um halo amarelado circundando as lesões.

Pode atacar viveiros, onde causa grandes prejuízos, e plantas adultas.

As lavouras localizadas em altitudes elevadas e expostas a ventos frios estão mais sujeitas ao ataque dessa doença.

Os ventos provocam lesões mecânicas que abrem caminho para a infecção.

A ocorrência de granizo, frio intenso e presença de lesões secundárias provocadas por bicho mineiro, Cercospora, Phoma, etc., também podem facilitar a penetração da bactéria.

Nas folhas aparecem manchas pardacentas, com 5 a 20 m de diâmetro, com necrose no centro. Há seca do tecido, que se desprende causando perfurações na folha. As manchas são circundadas por um halo amarelado característico e tendem a localizarse nas bordas do limbo foliar.

ENCARTE TÉCNICO INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS - Nº 64 - DEZEMBRO/93 30

Nos ramos a doença provoca a seca das extremidades que adquirem coloração pardo-escura.

As larvouras afetadas apresentam grande desfolha e seca de ramos com severos prejuízos, principalmente em lavouras com até 3 anos de idade.

Controle cultural:

Deve-se evitar, quando possível, a instalação de lavouras em altitudes elevadas e sujeitas a ventos frios e persistentes, principalmente as faces sul e sudeste.

Se isto não for possível, programar a proteção dos cafezais, desde a sua formação, através de quebra-ventos temporários e permanentes.

Controle químico:

Pulverizações com fungicidas cúpricos, notadamente o óxido cuproso, têm bom efeito bactericida, controlando também doenças associadas como a cercospora e a antracnose.

Também pode ser usada uma mistura de mancozeb ou antibiótico com fungicidas cúpricos.

4. PHOMA DO CAFEEIRO, REQUEIMA OU DERRITE

Phoma costarricensis (Fotos 58 a 60)

Este fungo ataca folhas, flores e frutos novos, extremidades de ramos e botões florais. A penetração do fungo pode também ocorrer no ponto de abscisão das folhas, nos cinco primeiros nós, em desfolhas causadas por outras pragas e doenças.

Nas folhas as lesões são irregulares, de cor escura, normalmente localizadas nas bordas do limbo foliar, impedindo o crescimento nessa área, fazendo com que a folha fique retorcida.

Com o auxílio de uma lupa nota-se a presença de pontuações salientes, de coloração marrom-claro, que são as frutificações do fungo e de onde saem os esporos para uma nova contaminação.

Quando o ataque ocorre na inserção das folhas há seca progressiva do ramo, que às vezes pode permanecer verde na extremidade.

Normalmente ocorrem infecções secundárias de fungos e bactérias oportunistas, notadamente Colletotrichum e Pseudomonas, acarretando uma grave seca de ponteiros.

Nas flores, pedúnculos dos frutos e frutos novos a doença causa lesões escuras, deprimidas (fundas) e de aspecto úmido, ocorrendo a mumificação e a queda dos frutos.

A doença é muitas vezes confundida com a deficiência de boro.

Essa doença ocorre normalmente em áreas de altitude elevada e inverno úmido, geralmente nas faces sul, Sudeste e Leste.

As temperaturas baixas e a umidade alta são favoráveis à doença e a sua ocorrência é alta quando ocorrem chuvas finas e constantes durante o período de inverno-primavera (maio a novembro). A entrada de frentes frias no período do florescimento favorece o ataque pela ação dos ventos Sul e Sudeste. Por essa razão, as faces voltadas para o Sul (mais frias) sofrem maior ataque.

As condições favoráveis ao ataque dessa doença ocorrem, na maioria das vezes, nos meses de março-abril e setembro-outubro.

Os prejuízos causados por essa doença são caracterizados pela redução da área foliar (lesões e queda de folhas), morte de ramos produtivos, queima de inflorescências, queda de frutos e superbrotamento.

Controle cultural:

Na implantação do cafezal devem ser evitadas as áreas desprotegidas, sujeitas a ventos frios e fortes.

Programar a instalação de quebra-ventos temporários e permanentes desde a formação do cafezal, ou arborizá-lo.

Controle químico:

Apesar de oneroso (produtos caros e longo período de proteção), o controle químico é muitas vezes indispensável para garantir uma boa produção. Como a doença apresenta uma evolução muito rápida, é conveniente fazer aplicações preventivas.

Os fungicidas mais recomendados para o controle são:

•Iprodione - Rovral: 1,0 kg/ha •Fosetyl-Al - Aliette: 2,0 kg/ha

•Fentin Acetate - Brestan PM: 1,0 a 1,5 kg/ha Hokko Suzu 200: 1,0 a 2,0 kg/ha

•Tebuconazole - Folicur PM: 1,0 kg/ha Constant: 1,0 l/ha.

Efetuar uma ou duas pulverizações em intervalos de 30 dias em cada período de maior ocorrência do ataque.

5. MANCHA DE ASCOCHYTA Ascochyta coffeae

Este fungo ataca viveiros (doença vulgarmente conhecida como “canela seca”) e cafezais adultos. Tem-se observado que é um fungo típico de regiões frias e úmidas.

Nas folhas aparecem lesões com anéis concêntricos de coloração marrom clara, causando grande desfolha, prejudicando a granação e a produtividade do cafeeiro.

O controle cultural e químico é o mesmo recomendado para a Phoma do cafeeiro.

6. ROSELINIOSE OU MAL DE 4 ANOS

Rosellinea bunodes ou Rosellinea pepo (Fotos 61 e 62)

Esta doença é causada por fungos que atacam o sistema radicular do cafeeiro através de rizomorfas que crescem em troncos e restos de plantas em decomposição. Por essa razão ela é mais comum quando se instala o cafezal em áreas de derrubada de matas ou cerrados. O fungo passa dos troncos podres para o café.

Ela foi chamada de Mal de 4 anos pelo fato de aparecer em cafezais com essa idade, formados a partir de sementes colocadas nas covas de plantio, em áreas de desmatamento recente, nos Estados de São Paulo e Paraná.

Atualmente a doença pode ocorrer em cafeeiros com um ano ou mais, uma vez que são estabelecidos a partir de mudas formadas em viveiros, com desenvolvimento mais precoce no campo.

Nos estádios iniciais do ataque, os cafeeiros demonstram os sintomas característicos de absorção radicular deficiente: amarelecimento, murchamento, queda de folhas e morte dos ramos.

No estádio final as plantas ficam totalmente desfolhadas e morrem. As raízes se apresentam enegrecidas e com a casca solta. Retirando-se a casca pode-se notar, sob o lenho da raiz principal, filamentos ou cordões de coloração escura ou negra ramificados até o colo da planta. O fungo chega a penetrar no lenho do tronco, facilmente visível pela formação de linhas negras no xilema.

A doença ocorre em reboleiras, que vão aumentando, se medidas de controle não forem tomadas.

Antes da instalação de uma lavoura de café em terra de mata ou cerrado, seria conveniente a retirada dos troncos e raízes das árvores após a derrubada, quando possível. Usar 300 a 400 g de calcário dolomítico por metro linear de sulco de plantio de café.

Se for notada a ocorrência dessa doença no cafezal, tomar as seguintes providências:

•Arrancar as plantas doentes com as raízes;

•Fazer uma calagem nas covas das plantas arrancadas, usando-se 500 g de cal virgem ou 1 kg de calcário, misturando bem com a terra da cova.

•Fazer uma calagem nas plantas vizinhas à reboleira atacada.

•Replantar após 60 dias ou mais.

•Usar matéria orgânica no replantio.

Pode-se também regar o substrato da cova com solução a 0,5% de PCNB 75% (Kobutol 750 ou Plantacol).

7. KOLEROGA OU MAL DE HILACHAS

Corticium koleroga ou Pellicularia koleroga (Fotos 63 e 64)

Este fungo tem sido encontrado causando graves prejuízos em cafeeiros do sul da Bahia, Mato Grosso e Rondônia.

Ataca o café arábica e robusta sob condições de temperatura e umidade elevadas, em lavouras mais fechadas ou sombreadas. Os sintomas aparecem nas folhas, ramos e frutos novos. O micélio externo, de coloração esbranquiçada, estende-se a partir dos ramos, caminha sobre todo o limbo foliar, que fica necrosado, aparecendo uma película esbranquiçada na página inferior da folha. A folha atacada seca e se desprende da planta, ficando dependurada no ramo por um filamento branco. A doença causa grande desfolha e seca de ramos.

Recomenda-se a poda para a eliminação das partes afetadas, arejamento da planta e aplicação de fungicidas cúpricos (2 a 3 kg/ha) em duas ou três pulverizações por ciclo da doença.

8. MANCHA MANTEIGOSA

Colletotrichum coffeanum (Fotos 65 e 6)

Este fungo ataca principalmente o café robusta (conillon) mas pode atacar também os híbridos resultantes do cruzamento arábica x robusta, estes porém em menor escala. O ataque é mais severo no verão, e no viveiro algumas mudas podem ser atacadas.

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