Nutrição mineral do feijoeiro

Nutrição mineral do feijoeiro

(Parte 1 de 6)

Universdade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT

Departamento de Agronomia – 5º Semestre Campus de Alta Floresta – MT

Nutrição Mineral da Cultura do Feijoeiro

Alta Floresta – MT Julho de 2010

Universdade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT

Departamento de Agronomia – 5º Semestre Campus de Alta Floresta – MT

Nutrição Mineral da Cultura do Feijoeiro

Halenkard Ivo Kroetz Ilberto Luiz Betta Banheza Itamar Betta Banheza Jeane Bueno Sérgio

Trabalho elaborado como requisito parcial da nota da disciplina de Nutrição Mineral de Plantas, sob orientação do Professor Engº Agrônomo Marcos Rodrigues – Universidade do Estado do Mato Grosso/Campus Universitário de Alta Floresta – Departamento de Agronomia.

Alta Floresta – MT Julho de 2010

1 Introdução1
2 Exigência nutricional do feijoeiro2
3 Correção da acidez do solo3
4 Adubação nitrogenada e fixação biológica de nitrogênio6
5 Correção e adubação do fósforo9
6 Correção e adubação potássica1
7 Adubação com enxofre12
8 Recomendação de adubação de micronutrientes13
9 Deficiências e toxidade dos nutrintes14
9.1 Análise química foliar14
9.2 Diagnose foliar visual15
9.2.1 Nitrogênio16
9.2.2 Fósforo17
9.2.3 Potássio17
9.2.4 Cálcio18
9.2.5 Magnésio19
9.2.6 Enxofre19
9.2.7 Boro20
9.2.8 Zinco21
9.2.9 Manganês21
9.2.10 Molibdênio2
9.2.1 Ferro23
9.2.12 Cobre23
10 Considerações finais24
1 Referencias bibliográficas25

1 Introdução

O feijoeiro-comum (Phaseolus vulgaris L.) é a espécie mais cultivada dentre as demais do gênero Phaseolus, considerando vários gêneros e espécies, onde é cultivado em 117 países em todo o mundo, com a produção em torno de 25,3 milhões de toneladas, em uma área de 26,9 milhões de hectares, considerando apenas o gênero Phaseolus, em 2006, 67,3% (12,7 milhões de toneladas) foram originados de apenas 6 países, sendo o Brasil o maior produtor (18,2% da produção), (FAO, 2008 modificado de JUNIOR, 2008).

O feijão representa um dos mais importantes componentes na alimentação da população brasileira, sendo uma fonte de proteína importante para as classes mais carentes da população.

No Brasil o feijoeiro vem deixando de ser considerada uma cultura de subsistência e se tornou uma das culturas mais rentáveis com o uso de alta tecnologia. Nesse caso, a nutrição mineral se destacou como um dos fatores mais importantes para o aumento da produtividade nas lavouras de feijão do Brasil.

Segundo Fageria, (1996) o feijoeiro é considerado uma cultura exigente em nutrientes, por ser extremamente sensível aos estresses ambientais, Roselem, (1994) considerou o feijoeiro uma planta muito exigente em nutrientes em função do pequeno e pouco profundo sistema radicular e ao seu ciclo curto.

Silva & Silveira, (2000) relataram que o feijoeiro é uma planta bastante exigente em nutrientes e, por possuir ciclo curto, necessita que eles estejam prontamente disponíveis nos momentos de demanda, para não limitar a produtividade.

Assim levando em consideração estes conceitos e a baixa fertilidade dos solos brasileiros aonde conduzem o cultivo de feijoeiro, o uso adequado de calagem e adubação exercem papel importantíssimo no aumento da produtividade desta cultura, juntamente com outros fatores de produção.

A utilidade prática deste trabalho está no seu uso como instrumento orientador da adubação do feijoeiro e avaliação do estado nutricional das plantas. As informações apresentadas podem ser usadas para identificar ou verificar problemas nutricionais da cultura do feijoeiro, de forma que a deficiência de nutrientes possa ser corrigida.

2 Exigência nutricional do feijoeiro

Para o crescimento e desenvolvimento normais, as plantas necessitam de certos elementos químicos, que são conhecidos como nutrientes, ou seja são essenciais para o seu desenvolvimento. Temos treze elementos essenciais para as plantas, que se classificam de acordo com a proporção absorvida pelos vegetais em dois grupos, os macronutrientes e os micronutrientes. Os nutrientes classificados como macronutrientes são: nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). E os nutrientes classificados como micronutrientes são: boro (B), cloro (Cl), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), molibdênio (Mo) zinco (Zn), segundo Vieira, (2006) para algumas espécies como o feijoeiro e a soja o cobalto (Co) também é necessário. Vieira, (1998) comenta que especificamente, este elemento não é considerado essencial para o feijoeiro, entretanto, sabe-se que está intimamente ligado ao processo de fixação biológica de nitrogênio (FBN) e, conseqüentemente, é essencial aos microrganismos fixadores de N.

Segundo Fageria, (1996) a exigência nutricional de uma cultura varia de acordo com a sua capacidade produtiva, cultivar, fertilidade do solo, irrigação e condições ambientais.

Sendo o feijoeiro considerado uma planta de alta exigência de nutrientes ele necessita que os nutrientes estejam á sua disponibilidade quando necessário. Vieira, (2006) destacou que a disponibilidade de nutrientes logo após a germinação é essencial para o estabelecimento da cultura, pois qualquer limitação no suprimento dos nutrientes, no período após a germinação da semente, atrasa e diminui a formação de raízes, comprometendo assim o crescimento das plantas.

Um dos fatores mais significativos para explicar o baixo rendimento do feijoeiro é a baixa fertilidade dos solos tropicais, limitando a nutrição da planta, assim, o feijoeiro é considerado planta exigente em nutrientes, em razão do seu sistema radicular pequeno e pouco profundo e, também, ao seu ciclo curto, sendo o nitrogênio e o potássio os nutrientes mais absorvidos e exportados seguidos, em termos de absorção, de cálcio, magnésio, enxofre e fósforo (Bulisani, 1987) apud

3 Correção da acidez do solo

Segundo SOUZA (2006), os aspectos relacionados à baixa fertilidade e presença de elementos tóxicos no solo despontam como dos mais limitantes fatores responsáveis pela baixa produtividade da cultura do feijoeiro no Brasil.

O crescimento das raízes das plantas é reduzido na presença de excesso de alumínio (Al), sendo igualmente afetado pela deficiência de cálcio (Ca). Um sistema radicular pouco desenvolvido limita a absorção de água, nutrientes e, conseqüentemente, a produtividade das culturas (SOUZA, 2004).

Um dos maiores problemas do cultivo de feijão em solos ácidos é o elevado teor de alumínio e manganês trocáveis, que prejudica o desenvolvimento das plantas. Uma das técnicas mais importantes é o uso adequado dos corretivos agrícolas. A aplicação de calcário traz grandes benefícios ao solo, pois eleva o pH, a saturação por bases, reduz o alumínio e manganês trocáveis, fornece cálcio e magnésio e melhora as condições do solo para os microrganismos (QUAGGIO, 1985) apud (VALE, 1996).

Vieira, (2006) considera que o pH do solo oferece as melhores condições para o desenvolvimento do feijoeiro fique na faixa de 6,0. Observe na figura 1 que nesta faixa os nutrientes (N, P, K, Ca, Mg, S, B) encontram – se em disponibilidade máxima ou ainda em boa disponibilidade (Mo, Fe, Cu, Mn, Zn), ao passo que a concentração de alumínio tóxico é reduzida ao mínimo.

Figura 1. Relação entre o pH e a disponibilidade dos elementos no solo. Fonte: Malavolta, (1980).

A correção da acidez superficial se faz necessária para obter melhores produtividades das culturas e maior eficiência no uso da água e nutrientes. Para essa correção o insumo agrícola mais utilizado é o calcário. A pratica utilizada para correção da acidez na camada arável (0 – 20cm) do solo é a calagem. O índice de pH em água a ser atingido para uma produção de grãos é de 5,5 a 6,3, pois nesses intervalos as plantas tem boas condições de assimilação dos nutrientes essenciais. (SOUZA & LOBATO, 2004).

Para uma boa determinação da dosagem de calcário é essencial uma boa realização da amostragem do solo, sendo uma amostragem representativa da área onde se deseja realizar a calagem e posteriormente adubação da cultura que será cultivada.

O método mais utilizado na região do cerrado para a recomendação do calcário é a que utiliza a saturação por bases do solo. Sendo que a necessidade de calcário é calculada pela formula:

100

N.C.(t/ha) = (V2- V1) x T x f Em que:

V1 = valor da saturação das bases trocáveis do solo, em porcentagem, antes da correção. (V1 = SB/T x 100) sendo: S = Ca2+ + Mg2+ + K+ (cmolc dm-3);

V2 = Valor da saturação de bases trocáveis que se deseja; T = capacidade de troca de cátions, T = S + (H+Al3+)(cmolc dm-3); f = fator de correção do PRNT do calcário f = 100/PRNT.

Então considerando os dados da analise de solos da Fazenda Resplendor localizada no munícipio de Matupá – MT que estão na tabela 1, e a recomendação de Souza e Lobato, (2004) para a saturação de bases necessária para o feijoeiro, que é de 50%, e o fator de correção (f) para um calcario de PRNT de 100% temos a seguinte recomendação de calagem:

100

Então a necessidade de calagem para esse solo é de 0,72 t ha-1 e pode-se utilizar quanto o calcario calcitico ou o dolomítico, pois o teor de Magnésio no solo está bom, a relação Ca:Mg esta 1,71:1 e o teor de Mg no solo é de 0,85 cmolc/dm3 e o mínimo q se deve ter no solo é 0,5 cmolc/dm3 .

4 Adubação nitrogenada e fixação biológica de nitrogênio

O nitrogênio (N), macronutriente essencial para as plantas, é absorvido e exportado em grandes quantidades nas colheitas (POTAFÓS, 1998). O nitrogênio (N) é um dos nutrientes mais importantes na nutrição das plantas, pois é constituinte básico da clorofila, dos aminoácidos, das proteínas, dos ácidos nucléicos e de outros compostos no metabolismo da planta, de modo que a produtividade de plantas cultivadas está diretamente relacionada à sua nutrição nitrogenada (Vieira et al., 1992).

Por ser o nutriente mais absorvido e o mais exportado pelas plantas, o N deve ser reposto (Silva et al., 2000) apud (CORREIA, 2008). A forma de reposição do N ao solo pode ser pelo meio de fixação biológica de nitrogenio (FBN) ou atravéz de adubação mineral.

A associação do feijoeiro com bactérias do grupo dos rizóbios, capazes de fixar o nitrogênio atmosférico e fornecê-lo à cultura, é uma tecnologia capaz de substituir, pelo menos parcialmente, a adubação nitrogenada resultando em benefícios produtor. Apesar do conceito geral de que o feijoeiro apresenta baixa capacidade fixadora, os resultados de pesquisa, obtidos em condições de campo, indicam que é possível que a planta se beneficie da inoculação com o rizóbio, atingindo níveis de produtividade entre 1500 e 2000 kg há-1 . A suplementação com adubo nitrogenado na época do florescimento permite que este patamar supere os

3000 kg ha-1 , conforme dados registrados na região dos Cerrados (STRALIOTTO,

Em condições de solos ácidos a fixação biológica de nitrogênio é deficiente, como é o caso do cultivo do feijão na maioria das vezes em nosso País. Embora o feijoeiro via associação com a bactéria do gênero Rhizobium phaseoli bv tropici, atenda parte da sua exigência, no entanto, a quantidade fornecida por esse processo normalmente é insuficiente, necessitando ser complementada, por meio da adubação mineral (CORREIA, 2008). Vargas et al, (2004) relatam que a baixa eficiência no processo de FBN do feijoeiro em comparação com a soja, devido ao feijoeiro ser originário das Américas encontram-se nos solos estirpes nativas de rizóbio capazes de nodulá-lo. A presença dessas estirpes no solo podem ser em grandes quantidades em algumas áreas, essas populações nativas apresentam baixa eficiência em fixadora e competem pelos sítios de infecção nodular nas raízes com as estirpes introduzidas por meio de inoculação.

Outros fatores podem interferirem na FBN, como os fatores relacionados à planta hospedeira também podem interferir no processo de FBN. Dentre esses, destacam-se o ciclo curto da cultura (BARRADAS, 1989), a senescência precoce dos nódulos (HUNGRIA & FRANCO, 1988) apud (VARGAS, 2004) e, principalmente, a grande variabilidade genética que existem entre as cultivares de feijoeiro em relação ao potencial de FBN (PERES, 1994).

Vargas, (2004) comenta que apesar de todas as restrições, vários resultados indicam que o feijoeiro pode beneficiar-se consideravelmente do processo biológico, sobretudo porque os inoculantes incluem estirpes mais eficientes do que as existentes nos solos brasileiros.

Souza & Lobato, (2004) relatam quem nem sempre a inoculação no feijoeiro é satisfatória, mas mesmo assim é recomendada, os autores recomenda dissolver 100g de açúcar em um litro de água, adicionar essa solução açucarada na proporção de 300 a 400 ml por 50 kg de sementes, misturar bem adicionando 500 a 600 g de inoculante turfoso por 50 kg de sementes.

Então como o feijoeiro não é auto-suficiente do N pela fixação de N2, é recomendado realizar a adubação com N mineral, essa adubação deverá ser realizada a adubação de semeadura e a adubação de cobertura. Souza & Lobato, (2004) recomendam a adubação com N mineral no sulco de semeadura pela expectativa de rendimento da cultura, que está na tabela 2, então utilizando a expectativa de rendimento de 3 t ha-1 a recomendação de N mineral na semeadura é de 20 kg ha-1 , e a adubação de cobertura recomendada por Souza & Lobato, (2004) através da expectativa de rendimento da cultura é de 40 kg ha-1 e a recomendação está na tabela 3.

Segundo Arf et al. (1999), a absorção do nitrogênio ocorre praticamente durante todo o ciclo da cultura, mas a época de maior exigência, quando a velocidade de absorção é máxima, acontece dos 35 aos 50 dias da emergência da planta. Desta forma, a adubação nitrogenada deve ser realizada de modo a propiciar boa nutrição da planta no período em que ainda é possível aumentar o número de vagens por planta, isto é, até o início do florescimento (Rosolem, 1994).

Com base em trabalhos realizados no Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e

Feijão (CNPAF), para uma cultivar com ciclo de 90 dias, a melhor época situa-se em torno de 35 a 40 dias após o plantio, em condições ambientais normais, principalmente de temperatura e umidade do solo. Na época de inverno, o ciclo prolonga-se um pouco mais, devido á baixa temperatura (FAGERIA,1996).

(Parte 1 de 6)

Comentários