JOGOS RECREATIVOS Curso de Recreação - 2007

JOGOS RECREATIVOS Curso de Recreação - 2007

(Parte 1 de 9)

Conceitos fundamentais02
Características básicas de recreação04
Perfil dos profissionais de recreação05
Organização de um programa recreativo07
Lazer e qualidade de vida1
A recreação em escolas12
A recreação em hotéis13
A recreação em festas17
A recreação em clubes19
A recreação em empresas20
A recreação em academias desportivas21
A recreação em navios2
A recreação em ônibus de turismo23
A recreação na natureza24
Diferenças entre jogos e brincadeiras28
faixas etárias30
Atividades lúdicas de sociabilização35
As gincanas36
Matroginástica38
Atividades lúdicas para dias de chuva39
Rodas e brincadeiras cantadas40

APOSTILA CURSO DE RECREAÇÃO A recreação em acampamentos e acantonamentos. 16 Adequação de atividades lúdicas as diversas 2

Pretendemos neste capítulo deixar claras e diferenciadas as idéias de Lazer e

Recreação. Para isso, precisamos anteceder e partir de algumas outras idéias, que veremos a seguir.

Chamaremos de TEMPO TOTAL todo o tempo da vida de uma pessoa, ou seja, todas as horas do dia, todos os dias do ano e assim por diante. Esse tempo total subdivide-- se em três partes, as quais não tem obrigatoriamente a mesma duração. Podemos ainda dizer, num estudo mais aprofundado, que cada uma dessas partes aumenta em função da diminuição de alguma das outras duas. Vamos analisá-las independentemente.

A primeira delas chamaremos de TEMPO DE TRABALHO. É esse o tempo que uma pessoa utiliza direta ou indiretamente em função de sua produção. Isso implica em compromisso, responsabilidade, obrigação e mesmo retorno financeiro. Consideraremos como tempo de trabalho também o tempo que as pessoas utilizam indiretamente para que sua produção ocorra, como, por exemplo, o tempo gasto para chegar-se ao local de trabalho, ou mesmo, o tempo que um professor gasta para elaborar uma aula ou corrigir provas, mesmo que isso aconteça fora de seu ambiente e fora ele seu horário específico de trabalho.

Isto posto, é necessário frisar que TEMPO de trabalho e HORÁRIO de trabalho são coisas diferentes, ou seja, nem tudo o que a pessoa faz em função de sua produção é feito em seu HORÁRIO de trabalho, mas sempre será TEMPO de trabalho. O tempo de estudo, dentro e fora da escola, também será considerado como tempo de trabalho.

A segunda parte da divisão chamaremos de TEMPO DE NECESSIDADES

BÁSICAS VITAIS. Esse é todo o tempo utilizado para realização de necessidades sem as quais um ser humano não vive, ou não tem boas condições de sobrevivência. Podemos dividi-las em quatro grandes grupos: sono, alimentação, necessidades fisiológicas e higiene.

A terceira parte, a mais importante em nosso estudo chamaremos de TEMPO

LIVRE. Se as outras duas partes do tempo total estão ocupadas, o que sobra é tempo livre. Podemos ainda conceituar o tempo livre da seguinte maneira: tomando-se o tempo total de uma pessoa, extraindo-se o tempo de trabalho e o tempo de necessidades básicas vitais, o que resta é tempo livre.

É dentro de seu tempo livre que as pessoas têm seu tempo de lazer. Ao surgir em uma pessoa uma predisposição, um estado de espírito favorável, uma vontade de se dedicar a alguma atitude voltada para o lúdico, essa pessoa se encontra numa situação de Lazer. Lúdico é tudo aquilo que leva uma pessoa somente a se divertir, se entreter, se alegrar, passar o tempo. É importante observarmos que esse estado de espírito acontece espontaneamente e não pode ser provocado, talvez, apenas estimulado.

A partir do momento que uma pessoa passa a concretizar essa vontade chamada lazer, ela está tendo sua recreação. Devemos observar que a recreação não é a atividade, mas sim o fato de estar-se concretizando esse anseio. Recreação é uma circunstância, uma atitude.

A atividade que a pessoa pratica e através da qual ela consegue atingir sua recreação chamamos de ATIVIDADE LÚDICA ou ATIVIDADE RECREATIVA. Devemos estar atentos para não confundirmos a recreação com a atividade recreativa.

Devemos ainda considerar que existem determinadas atitudes que uma pessoa dentro de seu tempo livre, mas não são Lazer, pois não apresentam o componente lúdico. Temos, como exemplo, uma festa à qual não queremos comparecer, porém vamos por obrigação, ou ainda um velório, ou mesmo fazer as compras do dia-a-dia. São estas as chamadas OBRIGAÇÕES SOCIAIS.

Repensando os estudos feitos até este ponto, conceituaremos Lazer e recreação da seguinte maneira:

entretenimento)

O LAZER é o estado de espírito em que o ser humano se coloca, instintivamente (não deliberadamcnte), dentro do seu tempo livre, em busca do lúdico (diversão, alegria,

A RECREAÇÃO é o fato, ou o momento, ou a circunstância que o indivíduo escolhe espontânea e deliberadamente, através do qual ele satisfaz (sacia) seus anseias voltados ao seu lazer

Não podemos deixar de citar dois outros conceitos também importantes:

ÓCIO é "nada fazer" de forma lúdica, positiva e opcional. Pode até ser uma opção de lazer.

OCIOSIDADE é "nada fazer" de forma negativa, compulsória. O indivíduo preferiria estar fazendo algo, mas é impedido, não tem opção.

A recreação apresenta cinco características básicas, as quais deverão ser sempre observadas, pois uma vez quebradas fazem com que o praticante não desenvolva sua recreação na forma mais ampla. São elas: 1 - A recreação deve ser encarada pelo praticante como um fim em si mesma, sem que se espere benefícios ou resultados específicos.

A pessoa que busca sua recreação nunca terá outro objetivo com sua prática que não apenas o fato de se recrear. Há um total descompromisso e uma total gratuidade. Não busca qualquer tipo de retorno. 2 - A recreação deve ser escolhida livremente e praticada espontaneamente, segundo os interesses de cada um.

Cada pessoa terá oportunidade de opção quanto àquilo que pretenda fazer em função de sua recreação e, se preferir, ainda optar por não tê-la naquele ou em qualquer outro momento. Uma pessoa não pode forçar outra à prática da recreação; pode apenas sugerir ou motivar. Ninguém recreia ninguém. Os profissionais de recreação apenas criam circunstâncias propícias para que cada pessoa se recreie. 3 - A prática da recreação busca levar o praticante a estados psicológicos positivos.

A recreação tem caráter hedonístico; está sempre ligada ao prazer; recreação busca prazer. É necessário tomar-se cuidado com a prática de determinadas atividades lúdicas que durante seu desenrolar poderão desviar-se e acarretar no praticante sensações indesejadas e negativas. 4 - A recreação deve ser de natureza a propiciar à pessoa exercício da criatividade.

Na medida em que se ofereça estimulação, essa criatividade deve ser plenamente desenvolvida.

O momento da prática da recreação é propício ao desenvolvimento da criatividade, pois de acordo com as características anteriores, notamos que não existe cobrança, É o momento de se ser criativo, pois não há nada a perder, nem mesmo tempo, porque é lúdico passar-se o tempo, não importando como. A importância da criatividade para a pessoa é enorme, pois engrandece a personalidade e prepara para uma condição melhor de vida. O trabalho será muito melhor e apresentará resultados muito mais satisfatórios se desenvolvido desde a infância. 5 - Nas características de organização da sociedade nos níveis econômicos, sociais, políticos e culturais em geral, a recreação de cada grupo é escolhida de acordo com os interesses comuns dos participantes.

Pessoas com as mesmas características têm uma tendência natural de se procurarem e se agruparem. Seu comportamento é semelhante. Essas pessoas formam os chamados grupos de iguais. Cada grupo de iguais, de acordo com suas características, busca um determinado tipo de recreação.

Pessoas semelhantes buscam situações semelhantes de recreação. Pessoas diferentes buscam recreação diferente. É a isso que se deve a dificuldade de se atrair um grupo muito heterogêneo na sua totalidade para uma mesma atividade lúdica.

Todo profissional envolvido com recreação é chamado de recreacionista. Porém, em situações diferentes, os recreacionistas assumem papéis diferentes, de acordo com as necessidades do momento: Animadores, Supervisores ou Técnicos em Recreação. Uma mesma pessoa pode ocupar cargos diferentes em momentos diversos, ou mesmo acumular funções concomitantemente.

O ANIMADOR é aquele que tem contato direto e estrito com o público participante e com as atividades lúdicas desenvolvidas. São características importantes para o bom desenvolvimento do trabalho do animador: ser comunicativo, simpático, alegre, maleável, perspicaz, divertido e brincalhão, sabendo estabelecer e respeitar limites.

São suas principais funções: auxiliar o planejamento das atividades lúdicas; operacionalizar as atividades lúdicas; liderar para que todos participem das atividades lúdicas; explicar o funcionamento das atividades lúdicas; coordenar as atividades lúdicas; propiciar a integração dos grupos; criar situações de estados psicológicos positivos; arbitrar quando se fizer necessário; zelar pelo material antes, durante e depois da atividade; responsabilizar-se pela integridade física do grupo a nível de primeiros socorros; responsabilizar-se por todos os participantes desde o início até o término da atividade lúdica.

O SUPERVISOR é aquele que tem uma equipe de animadores sob seu controle e se torna o elo de ligação entre os componentes da equipe e desta com o empreendedor. São características importantes para o bom desenvolvimento do trabalho do supervisor: ser alegre, simpático, acessível e adequadamente comunicativo, com habilidade para mediar questões; deve ter espírito de liderança; ter a capacidade de avaliar a equipe, o desempenho dessa equipe e as atividades desenvolvidas. São suas principais funções: orientar e supervisionar a equipe de animadores; mediar questões entre os diversos grupos; substituir qualquer um dos animadores na sua ausência; adquirir, reparar e substituir materiais e equipamentos recreativos; orientar a programação e o desenvolvimento das atividades de acordo com a expectativa da clientela.

O TÉCNICO EM RECREAÇÃO deve entender um pouco sobre o comportamento humano, saber o que as pessoas esperam para sua recreação, tendo visão organizacional e de planejamento e projetos, na intenção de ter uma visão de futuro a médio e longo prazo. São características importantes para o bom desenvolvimento trabalho do técnico em recreação: ter a capacidade de analisar a sociedade criticamente com relação às necessidades de lazer e recreação do ser humano; deve possuir pensamento científico quanto aos aspectos filosóficos, sociológicos, antropológicos e psicológicos dos pequenos e grandes grupos humanos; deve ter a capacidade de liderar, organizar, promover, desenvolver e observar criticamente eventos na área de recreação; deve conhecer e saber explorar os diversos campos existentes e disponíveis ao técnico em recreação. São suas principais funções: idealizar, organizar, divulgar, favorecer, viabilizar e avaliar os projetos de eventos recreativos; administrar burocrática e financeiramente esses eventos; contato, seleção e contratação de pessoal; supervisionar todos os recursos materiais e os equipamentos a serem utilizados.

O perfeito funcionamento de qualquer setor relacionado com lazer e recreação depende efetivamente da melhor harmonia de conjunto do trabalho desses três profissionais bem como da assessoria de outros profissionais relacionados com a área, isto é, arteeducadores, médicos, nutricionistas, psicólogos entre outros.

É imprescindível para os profissionais da área lutar pela valorização da mão-de-obra especializada no domínio do mercado de trabalho.

Processo de planejamento

Para qualquer área de estudo ou de atuação onde se faça necessário um processo de planejamento, ele se subdivide em três etapas:

DIAGNÓSTICO: É o levantamento da situação atual / real; como tudo se encontra no momento.

PROGNÓSTICO: É estabelecer critérios para se atingir a situação ideal; corno tudo deverá ficar.

EXECUÇÃO: É o desenvolvimento efetivo do que foi estabelecido no prognóstico; fazer acontecer e consequentemente avaliar.

Para o melhor resultado da execução, é necessário que se faça um bom prognóstico; por sua vez, um bom prognóstico depende de um bom diagnóstico. Assim, devemos ser cuidadosos com todas as etapas.

Etapas de elaboração e execução de um programa recreativo

Para a melhor organização de um programa recreativo, desenvolvemos um processo específico para essa área. A divisão foi feita em etapas, baseadas nos itens anteriores, com algumas adaptações:

Objetivos / Filosofia : Os objetivos do organizador devem estar muito bem definidos, determinando assim a filosofia do evento.

- Público-alvo: Traçar o perfil da demanda, detectando características individuais e do grupo, fazendo também um levantamento dos interesses e da expectativa dos envolvidos. - Estrutura: Análise do ambiente técnico ou natural (bosques, lagos, parques, galpões, ruas ete.), espaços disponíveis (os que poderão ser utilizados ), equipamentos (piscinas, quadras esportivas, playgrounds, salões etc.) e infra-estrutura básica (luz, água, saneamento etc.). - Período: Escolher bem a data, determinar os melhores horários, preocupando-se com a duração. - Alimentação: Preparar tudo antecipadamente, mantendo um cardápio equilibrado e compatível com as necessidades. - Meio de transportes: Qual será utilizado, de uso comum ou individual, determinando o ponto de encontro. - Recursos humanos: Básicos (cozinheiros, motoristas, faxineiras, enfermeiro, nutricionistas etc.) e específicos de recreação (animadores, supervisares, técnicos, arteeducadores, árbitros, coordenadores etc.). - Levantamento de custos: Estimativa dos gastos a serem despendidos e da margem de lucro pretendida, estipulando o preço final para o cliente; determinar a forma de obtenção desse recurso (patrocínio, investimento, taxa de inscrição etc.).

divulgação

- Critérios para participação: Quem poderá participar e quais os procedimentos que deverão seguir para se envolver. - Divulgação: Determinar a abrangência, os métodos a serem utilizados e pontos de

- Cadastramento / identificação: Elaborar uma ficha contendo todos os dados de identificação do participante (ou equipe) para cadastramento. Cuidados com saúde / limitações / comportamento: Elaborar uma ficha, a qual deverá conter dados importantes a respeito dessas características, ficando assim os organizadores a par de tudo o que poderá vir a acontecer durante o período que estiverem em contato com os participantes. - Termo de responsabilidade: O participante deverá assinar um termo assumindo a responsabilidade sobre sua participação. Em caso de menores, o adulto responsável assinará uma autorização, isentando os organizadores das responsabilidades legais. Salientamos a importância de um contato prévio com os participantes, com o intuito de dar e obter maiores informações (que muitas vezes não são citadas nas fichas). - Regulamentos: Elaborar e divulgar um conjunto de todas as regras que deverão ser respeitadas. - Premiação: Analisar a necessidade de premiar vencedores ou participantes. Distribuir equilibradamente os prêmios entre os merecedores. Definir local e momento da entrega da premiação. - O que levar: Sugerir aos participantes uma lista de pertences que não deverão ser esquecidos (trajes, materiais específicos, objetos de uso pessoal, higiene etc.). - Recomendações: Lembrar aos participantes alguns itens específicos do programa em uestão. q Localização: Deixar bem claro para os participantes o local onde deverão se apresentar, tilizando-se até mesmo de mapas. u - Horários: Comunicar aos participantes os horários a serem cumpridos.

- Número de participantes: Estimar o número de participantes envolvidos para embasar o rabalho de programação das atividades. t - Plano de ação: Determinar o sistema como o programa será desenvolvido.

em cada período disponível

- Atividades: Adequar os melhores tipos de atividades ao público, à organização e à situação identificada anteriormente. Devemos relacionar atividades pertinentes, selecionar as mais adequadas e organizá-las de forma coerente. Cronograma completo: É necessário que se monte previamente um cronograma, para que se saiba exatamente o que acontecerá - Material esportivo e recreativo: Estabelecer todo o material necessário para desenvolvimento das atividades e prepará-lo com a devida antecedência. - Material de primeiros socorros: Manter um estojo de primeiras necessidades sempre à mão, para atendimento imediato em caso de pequenos imprevistos. Ter contato com assistência médico-hospitalar para caso de eventuais problemas. Analisar a possibilidade de convênio médico .ou seguro saúde para todos os participantes ou funcionários. - Material de uso genérico: Observar se algum outro tipo de material se faz necessário (limpeza, manutenção, divulgação de outros programas, avaliações etc.). - Balanço financeiro: Fazer uma análise da receita e da despesa do programa, estabelecendo ponto de equilíbrio/ lucro/ prejuízo.

- Imprevistos: A função do organizador é tentar evitar todos os imprevistos possíveis, mas mesmo tendo tomado todas as providências anteriores com todo cuidado, ainda assim esses imprevistos poderão acontecer. Nesse caso, o organizador deverá ter perspicácia para perceber, maleabilidade para contornar a situação e criatividade para encontrar soluções alternativas. Postura profissional: O organizador deverá ter cuidados para passar ao participante uma imagem totalmente profissional. Para isso, salientamos alguns itens importantes: • O recreacionista não deve ter a atitude semelhante à do participante, mantendo-se acima de qualquer suspeita;

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