Avaliação e análise de riscos ambientais-apostila

Avaliação e análise de riscos ambientais-apostila

(Parte 1 de 2)

Avaliação e análise de riscos Ambientais

Planejamento e Gestão Ambiental

Universidade da Região de Joinville –UNIVILLE 2004

Avaliação e análise de riscos Ambientais

Engº Antonio Fernando Navarro, M.Sc.

Engenheiro Civil Engenheirode Segurançado Trabalho Mestre em Saúde e Meio Ambiente

Especialista em Gestão de Riscos navarro@vm.uff.br ; afnavarro@terra.com.br

Conceito de Riscos

“Riscos são todos os insucessos ocorridos em uma determinada fase ou época e não de todo esperados”.

“Riscos ambientais são todos aqueles que têm potencial de causar danos ao Meio Ambiente”.

Conceituação de Riscos l futuro; l incerto; l possível; lindependente da vontade das partes, e lconduzir a uma perda mensurável.

O risco, ou o evento, contra o qual se está elaborando um plano de prevenção ou de eliminação de perdas deverá ser:

O que não deu certo

Na história mundial da indústria química e petroquímica, alguns acidentes causaram a morte de milhares de pessoas e impactos de grandes dimensões ao meio ambiente. Os acidentes de Flixborough na Inglaterra em 1974, Seveso na Itália em 1976, Bhopal na Índia em 1984, México City em 1984 e Sandoz na Suíça em 1986, caracterizaram-se por extrapolar as divisas da fábrica, se projetando nas populações e meio ambiente a posteriori, com efeitos de médio e longo prazo.

Ferramentas de Análise de Riscos

As ferramentas de Análise de Riscos foram criadas com o objetivo de subsidiar a tomada de decisões acerca do levantamento da freqüência, e gravidade ou severidade dos riscos, a fim de evitar o seu impacto negativo sobre pessoas, equipamentos, instalações ou processos.

Severidade dos Riscos

A Severidade, também chamada de Gravidade, indica o quanto existe de exposição ao Risco. A severidade é normalmente expressa em percentual do bem, sistema ou dispositivo perdido ou danificado com o evento ocorrido.

“O alagamento conduziu a uma perda de 70% da lavoura de trigo”

Freqüência dos Riscos

A freqüência indica a periodicidade com que o risco pode se manifestar.

“A onda centenária atinge altura de 6 metros”.

“As estatísticas demonstram que há uma morte para cada 1.0.0 de pessoas, devido a queda de raios”.

Freqüência X Severidade

O produto da freqüência pela severidade indica o Risco calculado ou assumido.

Ferramentas de Análise de Riscos

Denominam-se “Ferramentas” os dispositivos, softwares ou métodos de avaliação dos riscos, empregados com o objetivo de obter a freqüência e a severidade das perdas.

As “ferramentas” podem ser adaptadas a cada uma das situações existentes.

Características das Ferramentas

Independentemente dos processos ou procedimentos escolhidos para a Avaliação dos Riscos o sucesso dependerá da qualificação do profissional e da correta adequação da “ferramenta” escolhida ao tipo de análise.

Uma excelente ferramenta para uma certa análise poderá não ser adequada para outra.

Ferramentas para a Análise de Riscos

•Série de Riscos (SR); •Série de Eventos (SE);

•Check List (CL);

•Técnica de Incidentes Críticos (TIC);

•Técnica de Entrevistas (TE);

•What If,

Ferramentas para a Análise de Riscos lAnálise de Árvore de Falha (AAF); lAnálise Preliminar de Riscos (APR); lAnálise dos Modos de Falha e Efeitos (AMFE ou FMEA); lAnálise dos Modos de Falha e Efeitos com Criticalidade (AMFEC ou FMECA); lAnálise de Procedimentos (AP); lAnálise dos Riscos de Operação (HAZOP).

Série de Riscos

A SR é uma técnica de identificação de riscos que leva em consideração, a partir de um risco inicial, todos os demais riscos associados que conduzemao possível dano ou perda.

Série de Riscos

Tanque de alta pressão (aço carbono) + umidade = corrosão àperda de material ► explosão adanos ambientais risco inicial: umidade risco principal: ruptura do tanque risco contribuinte: corrosão Risco conseqüente: danos ambientais

Série de Eventos

Um prédio de armazenamento de materiais encontra-se sujeito a um incêndio. No interior do prédio há um tanque de alta pressão. O incêndio pode causar explosão. Essa pode causar desabamento do prédio e, finalmente, esse pode estar associado a outro tipo de evento.

risco principal ou fundamental: explosão risco inicial: incêndio risco contribuinte: desabamento

Check List

Trata-se de um método de caráter geral, com abordagens qualitativas, que se propõe a diagnosticar situações de riscos a partir de determinado cenário, avaliado por intermédio de perguntas previamente estabelecidas.

Check List

Check List é um método é de caráter geral, com abordagens qualitativas, ou seja, diagnostica situações de riscos a partir de um certo cenário, avaliado por intermédio de perguntas previamente estabelecidas

Técnica de Incidentes Críticos (TIC)

Técnica operacional, qualitativa, que busca obter informações relevantes de incidentes ocorridos, relatadaspor testemunhas.

Com base em bancos de dados específicos correlacionam-se os incidentes com as freqüências, montando-se uma pirâmide de ocorrências, utilizadas nas avaliações dos riscos.

Um dos bancos de dados mais empregados é o WOAD Worldwide Offshore Accident Databank.

Pirâmide de Frank Bird

Desvios

Classificação da TIC

Incidentes = quase acidentes

A metodologia emprega, principalmente, entrevistas com os operadores dos sistemas, somando-se a isso bancos de dados, com os incidentes relacionados por tipo de ocorrência.

Para a classificação tem-se:

lClasse I: Aqueles que provocam alterações no planejamento ou na produção.

lClasse I: Aqueles que provocam atrasos no planejamento ou na produção; lClasse I: Aqueles que provocam ficam contidos no interior da unidade; lClasse IV: Aqueles que afetam o Meio Ambiente.

Exemplos de TIC

Que tipo de acidente pode ocorrer com este equipamento? lComo? lEm que circunstâncias? lQual foi o resultado? lComo foi controlado? lHouve uma extensão dos danos a outros ambientes? lQuanto tempo durou a paralisação? lA recuperação das áreas foi imediata?

Exemplos de TIC lJá ocorreu algum tipo de vazamento? lDe que ordem? lQuanto tempo a unidade ficou parada? lHouve parada de produção? lQuantos acidentes ocorreram? lEm que época? lCom que freqüência? lQuais foram os tipos de vazamentos verificados e de que ordem? lQuantas horas a unidade ficou parada? lQual ou quais foram as razões dessas paralisações? lComo se deu o reinicio das operações? lQuais foram as medidas tomadas durante a paralisação e após o reinicio das atividades?

Técnica de Entrevistas

A Técnica de Entrevistas assemelha-se à TIC, diferenciando-se apenas no aspecto da abordagem. Por intermédio de entrevistas com os operadores dos equipamentos avaliam-se os riscos existentes, projetando-os como se fossem incidentes ou quase acidentes.

WhatIf
questionamento: ESe? Através das

Essa ferramenta, bastante singular, é desenvolvida com o suporte do operador ou responsável pelo equipamento, utilizando a técnica do respostas monta-se um quadro com os principais perigos e os desvios de operação que o conduzem. Tanto o operador tem que ter grande experiência quanto o avaliador.

What If

Trata-se de um método qualitativo, ou seja, um método que permite se chegar ao tipo e ao tamanho de risco que se tem empregado em discussões de caráter geral acerca de um sistema, empregado normalmente para a abordagem.

What If -Aplicação

Separa-se sempre as causas das conseqüências.

Causas são fatos geradores (razões da deflagração do evento).

Conseqüências são resultados. Perguntas clássicas que podem ser feitas: lE se de repente houver um vazamento? lE se a caldeira vier a explodir? lE se a drenagem não conter o produto?

O mais interessante da metodologia é que para cada pergunta há várias respostas. Por meio dessas identifica-se o problema e as prováveis soluções.

Análise de Árvore de Falha

Processo de avaliação no qual é determinado um evento principal, indesejado. A partir desse, verificam-se as causas prováveis. A seguir, através de um tratamento matemático com álgebra booleana, verificam-se os caminhos críticos e as maiores probabilidades de falhas.

Análise Preliminar de Riscos -APR

Técnica de inspeção que avalia os possíveis riscos, as causas e conseqüências, sugerindo ações corretivas ou preditivas.

A APR refere-se a um determinado processo, executado de uma determinada forma e em determinada região, ou seja, é muito específica, necessitando, para o sucesso de sua análise, da experiência profissional dos envolvidos no processo.

Análise Preliminar de Riscos -APR

A APR é uma ferramenta de análise de riscos que emprega a associação de conceitos (Eventos, Causas e Efeitos), atribuindo a cada um deles notas que se somam. Ao resultado final dessa soma são atribuídas medidaspreventivas ou mitigadoras.

Definições Básicas -Eventos

üDesabamentos

üDanos elétricos; ü Desmoronamentos; üDanos materiais; ü Incêndios; ü Explosões; ü Umidade; ü Intoxicação;

Evento –Risco iniciador capaz de gerar causas indesejáveis. O evento também pode ser conhecido como PERIGO, ou seja, aquilo que não queremos que ocorra.

üLesões pessoais; üInterrupção das atividades; üQueda de materiais; üVazamentos de produtos; üRadiação ionizante.

São exemplos de Eventos ou Perigos:

Definições Básicas -Causas

§Piso escorregadio; §Falta de uso de EPI;

§Falta de proteção ambiente;

§Falta de sinalização;

§Falta ou falha de manutenção;

§Erro de medição ou de avaliação.

Causa pode ser entendida como tudo aquilo que possibilite que o evento indesejável venha a ocorrer ou se alastrar. Podem ser causas de acidentes:

§Inexistência de rotinas ou procedimentos; §Falta de Treinamento;

§Falta de instrumentos de medição ou controle; §Falta de calibração de instrumentos; §Falta de limpeza;

§Falta de supervisão.

Definições básicas -Efeitos üContaminação do meio ambiente; üLesões pessoais; üPerda de materiais; üPerda de produtos; üInterrupção das atividades; üInterrupção da produção.

Os efeitos são as conseqüências dos acidentes indesejáveis. Assim, podem ser considerados como efeitos:

Definições básicas –Medidas Mitigadoras

Consideram-se medidas mitigadoras ou preventivas todas aquelas que venham a atenuar os efeitos dos riscos. Se há possibilidade de queda de pessoas em função de piso escorregadio, capaz de causar lesões pessoais deve-se atuar preventivamente sobre o piso escorregadio. Assim, todas as orientações devem ser feitas com vistas a reduzir ou eliminar o evento indesejável.

Definições básicas - Probabilidade

Probabilidade é a possibilidade da ocorrência de um evento indesejável. A probabilidade costuma estar relacionada com a quantidade de vezes em que um evento costuma ocorrer durante determinado período, também dito tempo médio entre falhas.

Um evento que pode ocorrer 10 vezes por ano é, em princípio, bem pior do que outro que ocorra 5 vezes por ano.

Definições básicas -Severidade

Severidade ou gravidade do acidente é a extensão da perda sofrida. Quase sempre a severidade está associada ao Dano Máximo Provável. Um evento que causa uma perda de 60% apresenta uma severidade muito maior do que outro que cause uma perda de 30%.

Risco Falta de Normas

Falta de regras

Falta de controle Falha de projeto

Falha de execução

Defeito de material Falta de Planejamento

Falta de treinamento

Etapas básicas de uma APR lRever problemas conhecidos lRevisar a missão lDeterminar os riscos principais lDeterminar os riscos iniciais e contribuintes lRevisar os meios de eliminação ou controle dos riscos lAnalisar os métodos de restrição dos danos lIndicar quem levará a cabo as ações corretivas

Etapas básicas de uma APR

Problemas conhecidos:

Revisar a experiência passada em sistemas similares ou análogos, para a determinação de riscos que poderão estar presentes no sistema que está sendo desenvolvido.

Etapas básicas de uma APR

Missão:

Revisar a missão é rever: objetivos, exigências de desempenho, principais funções e procedimentos, ambientes onde se darão as operações, condições e ritmo de trabalho.

Etapas básicas de uma APR

Riscos principais:

Informar quais serão os riscos principais com potencial para causar, direta ou indiretamente, lesões, perda de função, danos a equipamentos, perda de materiais, interrupção de atividades e outras.

Etapas básicas de uma APR

Riscos iniciais e contribuintes:

Deve-se elaborar, para cada risco principal detectado, as séries de riscos, determinando-se os riscos iniciais contribuintes.

Etapas básicas de uma APR

Meios de eliminação e controle de riscos:

Deve-se elaborar a revisão dos meios possíveis de eliminação e controle de riscos, procurando as melhores opções compatíveis com as exigências do sistema.

Etapas básicas de uma APR

Métodos de restrição de danos:

Devem ser considerados os métodos possíveis mais específicos ou mais eficazes para a restrição geral dos danos emergenciais e/ou latentes, no caso de perda de controle sobre os riscos estudados.

Etapas básicas de uma APR

Devem ser indicados os responsáveis pelas ações requeridas, corretivas ou mitigadoras, que devem ser levadas à cabo em cada unidade estudada.

Responsável pelas ações corretivas:

Classificação de Riscos de APR

Desprezível ou Negligenciável (Classe I)

Risco que gera efeitos imperceptíveis, não conduzindo a degradações físicas ou ambientais que não sejam facilmente recompostas. Esses riscos são perfeitamente absorvidos pela empresa, juntamente com os custos de manutenção ou revisão;

Marginal ou Limítrofe (Classe I)

Risco que gera ocorrências moderadas, controláveis, necessitando, porém, de ações saneadoras a médio prazo. São riscos que podem surpreender em termos de perdas;

Classificação de Riscos de APR

Crítica (Classe I)

Ocorrência que afeta substancialmente o meio ambiente, o patrimônio ou pessoas, necessitando de ações corretivas imediatas;

Catastróficas (Classe IV)

Ocorrência normalmente geradora de efeitos irreversíveis, afetando pessoas, sistemas, patrimônios ou ambientes. Quase todos os Gerentes de Risco recomendam, como técnica de tratamento de riscos o afastamento, ou seja, a empresa deve renunciar a essa atividade ou a esse risco.

APR –Exemplo para danos materiais

Análise dos Modos de Falha e Efeitos (FMEA)

Consiste na identificação e mensuração dos modos de falha dos equipamentos, componentes e sistemas, com estimativa da freqüência das ocorrências e determinação dos efeitos.

Avalia os riscos não em um único sistema, mas sim em sistema que interage com outros, daí a razão de ser mais completa e precisa.

Exige dos profissionais uma formação mais aprimorada e um maior tempo de análise.

Método de análise que gera resultados qualitativos e quantitativos, ou seja, identifica o risco ao mesmo tempo em que o mensura. A AMFE permite a análise dos modos de falha com estimativas de freqüência de ocorrências (taxa de falhas) e a determinação dos efeitos ou conseqüências dessas mesmas falhas.

AMFE –Classes de Gravidade lClasse I: Falha resultando em excessiva manutenção do sistema; lClasse I: Falha resultando potencial atraso ou perda de disponibilidade imediata; lClasse I: Falha resultando potencial ameaça ao sistema ou às pessoas; lClasse IV: Falha resultando potencial perda do sistema e/ou de vidas humanas ou degradação ambiental;

Análise dos Modos de Falha e Efeitos com Criticalidade (FMECA):

(Parte 1 de 2)

Comentários