Aula 1 2014 Introdução à Farmacognosia

Aula 1 2014 Introdução à Farmacognosia

Introdução a Farmacognosia

1) Histórico

A partir de uma pequena perspectiva histórica, a produção de medicamentos e o tratamento farmacológico de doenças começaram com o uso de plantas medicinais.

- Métodos populares de cura, praticados pelos povos da região do Mediterrâneo e do Oriente, encontraram expressão no primeiro compêndio de plantas medicinais europeu, escrito pelo médico Pedanios Dioscorides no século I d.C.

- As plantas citadas por Dioscorides foram identificadas e ilustradas em xilogravuras, e algumas plantas medicinais que cresciam localmente foram adicionadas.

- Esses compêndios ainda eram baseados na patologia humoral clássica, que ensinava que saúde e doença eram determinadas pelos quatro humores – sangue, fleuma, bílis negra e bílis amarela.

- Os humores eram associados com os princípios elementares da antiguidade: ar, água, terra e fogo.

- Os elementos podiam ser misturados em quantidades e proporções variadas para produzir as qualidades de frio, úmido, seco ou quente. Assim, se uma doença fosse classificada como úmida, quente ou seca, ela seria tratada pela administração de uma planta medicinal que tivesse a propriedade oposta.

- O ópio era classificado como frio/grau 4 (muito potente), a pimenta era classificada com seca e quente/grau 4 (muito potente).

- A finalidade de todo medicamento, de acordo com Hipócrates, era “balancear os humores pela remoção daquilo que fosse excessivo e pelo aumento daquilo que estivesse deficiente”.

- A patologia dos humores obviamente se desenvolveu como um dos princípios básicos da medicina convencional.

- Farmacognosia = Ciência que estuda as matérias de origem natural no tratamento das enfermidades.

Pharmakon = droga, medicamento, veneno

Gnosis = conhecimento

- Objetivos da Farmacognosia: Estudo da história, produção, armazenamento, comercialização, uso, identificação, avaliação e isolamento de princípios ativos de dorgas.

2) Conceito Farmacognóstico de droga e princípio ativo:

Droga – todo vegetal ou animal ou parte ou órgãos destes, ou produtos derivados deles que após sofrerem processos de coleta, preparo e conservação, possuam composição e propriedades que possibilitem o seu uso como forma bruta de medicamento ou como necessidade farmacêutica.

Drogas derivadas: Produtos derivados de animal ou planta obtidos diretamente sem utilização de processo extrativo delicado.

Requisitos:

  1. Ser de origem animal ou vegetal

  2. Submetido à processo de coleta e conservação

  3. Não passar por processos extrativos

  4. Propriedades farmacodinâmicas ou necessidade farmacêutica.

- Princípios ativos: ação farmacodinâmica

EX: Folhas de beladona = droga anti-espasmódica (atropina)

- Princípios inativos: - ausência de atividade farmacodinâmica

- importância na caracterização química da droga

- incompatibilidades medicamentosas

Biodiversidade

- Pode ser definida como a variedade e variabilidade existentes entre organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais ocorrem.

- Pode ser entendida como uma associação de vários componentes hierárquicos: ecossistemas, comunidades, espécies, populações e genes em uma área definida.

- Uma das principais características da biodiversidade é a distribuição relativa desigual dos seus componentes no espaço geográfico.

- As oportunidades para a identificação de produtos com possível utilização econômica aumentam com a diversidade das espécies. Alcalóides vegetais têm se mostrado especialmente efetivos em seus efeitos medicinais e se encontram amplamente distribuídos em muitas espécies de plantas tropicais.

- As plantas são uma fonte importante de produtos naturais biologicamente, muitos dos quais se constituem em modelos para a síntese de um grande número de fármacos.

- Ao considerar a perspectiva de obtenção de novos fármacos, dois aspectos distinguem os produtos de origem natural dos sintéticos: a diversidade molecular e a função biológica.

- As principais causas da perda da diversidade genética têm sido associada à destruição e à fragmentação dos ecossistemas e aos estresses ambientais como a poluição e as mudanças climáticas globais.

- A preocupante taxa de extinção de espécies vegetais leva à necessidade de se considerar urgente o estabelecimento de políticas e ações de conservação e, ao mesmo tempo de se obter grandes quantidades de matéria-prima vegetal para a obtenção de substâncias dela derivadas.

- Um aspecto menos discutido na questão de devastação de florestas tropicais refere-se à perda do conhecimento, acumulado por milênios, sobre o uso tradicional das plantas destas florestas pelas populações a elas associadas. Essa devastação provoca a migração dessas comunidades normalmente para centros urbanos, provocando o rompimento do fluxo de conhecimento adquirido e acumulado ao longo do tempo.

- Propriedade intelectual: direitos de propriedade intelectual são concedidos em reconhecimento à contribuição intelectual pela autoria de obras, pela invenção de produtos ou processos, com o propósito de criar incentivos e estimular o desenvolvimento de inovações tecnológicas.

- Lei nº 9279 de 14/05/1996: Lei das Patentes

Art 18, Inc. III: define que NÃO SÃO patenteáveis o todo ou parte dos seres vivos, exceto os mogs transgênicos que atendam aos 3 requisitos de patenteabilidade: NOVIDADE, ATIVIDADE INVENTIVA, APLICAÇÃO INDUSTRIAL.

- A este respeito restam muitas questões a serem respondidas:

  1. Como os países detentores de grande biodiversidade podem controlar e negociar o acesso a seus recursos genéticos?

  1. Uma vez permitindo o acesso, como a legislação pode ser empregada para assegurar que os benefícios derivados dos recursos genéticos retornem aos locais de origem?

  1. Como o conhecimento das populações locais sobre os recursos genéticos e seus usos pode ser protegido?

  1. As patentes, que foram desenvolvidas para proteger as invenções industriais, são a forma mais apropriada para os recursos biológicos?

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