ESCOLA - livro do professor

ESCOLA - livro do professor

(Parte 8 de 10)

Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto. Não chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede numa guerra.

Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava à taba quando o sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.

Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto pata. Tanto o ratinho pediu e implorou, que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora. Algum tempo depois o leão ficou preso na rede de uns caçadores.

Não conseguindo se soltar, fazia a floresta inteira tremer com seus urros de raiva. Nisso apareceu o ratinho e com seus dentes afiados roeu as cordas e soltou o leão.

Moral: Uma boa ação ganha outra Fábulas de Esopo/Companhia das Letrinhas

As lendas, assim como os mitos, são histórias sem autoria conhecida. Foram criadas por povos de diferentes lugares e épocas para explicar fatos para os quais as pessoas não tinham explicações, como o surgimento da terra e dos seres humanos, do dia e da noite e outros fenômenos da natureza. Também falam sobre heróis, heroínas, deuses, deusas, monstros e outros seres fantásticos.

Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras preciosas, existiam por aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.

Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.

Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens, assim que se tornassem guerrei-

®fi lendas e fábulas), de modo que os alunos possam se apropriar de um conhecimento que faz parte do patrimônio cul- tural da humanidade e instrumentalizá-los para desfrutar das narrativas literárias. A atividade de leitura deve ser diária (na hora da che- gada, na volta do recreio, antes da saída), pois é importante que os alunos tenham um contato freqüente com os textos, para que possam conhecê-los melhor.

O professor necessita ler os textos antes, para se preparar para a leitura em voz alta, garantindo que os alunos possam ouvir a história tal qual está escrita, imprimindo ritmo à narrativa e dando uma idéia correta do que significa ler.

Essas situações de leitura não devem estar vinculadas a atividades de interpretação por escrito do tex- to, pois são momentos em que se privilegia o ouvir. Nas atividades de leitura, é importante comentar previamente o assunto a ser lido: fazer com que os alunos levantem hipóteses sobre o tema a partir do título; oferecer informações que situem a leitura (autor, nome do livro etc.); criar um certo suspense quando for o caso, ou seja, propor situações em que os alunos possam inferir e antecipar significados antes, durante e depois da leitura. Para dar continuidade ao trabalho, o pro- fessor deve buscar os livros na biblioteca da escola.

Reconto oral – Possibilita ao aluno, que não é leitor e escritor convencional, saber mais sobre o texto, apropriando-se oralmente da língua que se escreve. Não é uma situação em que o aluno deve decorar integralmente o tex- to, mas recontá-lo a partir do que se apropriou da história, não podendo transformar o enredo. Essa situação de aprendizagem deve ser proposta a partir do momento em que os alunos ampliaram o repertório desses tipos de tex- da araponga ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva, mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha morrido na batalha.

E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio.

Contos e lendas de amor, Editora Ática

Os contos, mitos, lendas e fábulas devem fazer parte do cotidiano da sala de aula, para que os alunos possam apren- der mais sobre eles, ampliando o repertório, descobrindo a magia, conhecendo obras e autores consagrados, apropriando-se da linguagem e estabelecendo um vínculo prazeroso com a leitura e a escrita.

Uma das formas de esses textos entrarem na sala de aula é através da leitura diária realizada pelo professor.

Lembre-se: os alunos que não sabem ler convencionalmente podem “ler” através da leitura do professor.

A seguir você encontrará uma lista de situações de sala de aula que possibilitam a aprendizagem da língua escrita por meio de atividades de leitura e escrita. As sugestões que seguem servem para trabalhar com vários textos: contos, mitos, lendas e fábulas. Por isso é necessário que, ao trabalhar cada um desses textos, você construa uma seqüência de atividades que considere per- tinentes para ensinar aos seus alunos.

Leitura pelo professor – É importante que o professor faça a leitura de vários textos do mesmo gênero (contos, mitos, produção dos principais elementos presentes no textofonte, mas, algumas vezes, também ao uso das mesmas expressões e palavras que estão no livro. Podemos propor às crianças a reescrita de alguma notícia na TV, de uma lenda, de uma história etc. Toda atividade de reescrita supõe a imitação do escrever do outro: “do jeito que está no livro”, “do jeito que sai no jornal” etc.

Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil /MEC

Escrita coletiva – O professor escreve na lousa, ou em um cartaz, o que os alunos ditam para ele. Neste caso é absolutamente necessário que todos os alunos conheçam bem o conto, a lenda ou fábula. Durante o processo de escrita do texto, é fundamental que o professor discuta com os alunos a forma de escrever as palavras, pois isso favorece a aprendizagem de novos conhecimentos sobre a língua escrita.

Reflexão sobre a escrita – Sempre que for possível, favorecer a reflexão dos alunos sobre a escrita, propondo com- parações entre palavras que começam ou terminam da mesma forma (letras, sílabas ou pedaços).

Pesquisa de outros textos: – Os alunos podem pesquisar outros textos do mesmo gênero em livros, na família e na comunidade. Podem, por exemplo: entrevistar pais, avós e amigos a respeito de lendas, fábulas e contos que conhecem; ou procurar textos conhecidos no caderno do aluno.

Rodas de conversa ou de leitura – Sentar em roda é uma boa estratégia para socializar experiências e conhecimentos, pois favorece um ambiente de troca entre os alunos.

tos. Ao recontar, o aluno deve tanto procurar manter as características lingüísticas do texto ouvido como esfor- çar-se para adequar a linguagem à situação de comunicação na qual está inserido o reconto (é diferente recontar para os colegas de classe, numa situação de “Hora da His- tória”, por exemplo, e recontar para gravar uma fita cassete que comporá o acervo da biblioteca). Essa atividade poderá ser realizada com ajuda e orientação do professor e de colegas.

Escritas produzidas pelos alunos – Escrever segundo suas próprias hipóteses é fundamental para refletir sobre a escrita. Por isso é importante criar momentos na rotina de sala de aula em que os alunos possam escrever sozinhos ou em duplas. Por exemplo: escrita da lista dos personagens do conto; escrita de um novo título para o texto; reescrita de fábulas, contos, mitos e lendas conhecidas; reescrita trans- formando partes – modificando o cenário, o final, as características de uma personagem, dando outro título etc.; escrita de textos a partir de outros conhecidos – um bilhete ou carta de um personagem para outro, um trecho do diário de um personagem, uma mensagem de alerta sobre os perigos em uma dada situação, um convite; uma notícia informan- do a respeito do desfecho de uma história etc.

Tirando dúvidas Reescrita: reescrever é reelaborar um texto fonte (bons textos conhecidos, utilizados como referência). Isto é feito conservando, retirando ou acrescentando elementos com relação a ele. Portanto, reescrita não é reprodução literal: é uma versão própria de um texto já existente. A reescrita de textos coloca a necessidade de a criança recordar para escrever depois, levando-a não só à re-

Como os textos produzidos nos projetos têm um leitor real, o professor deve torná-lo o mais próximo do correto, tradu- zindo a escrita dos alunos ou revisando as escritas em que só faltam algumas letras.

Seguem algumas sugestões de atividades que você pode- rá tomar como modelo para elaborar outras para os seus alunos:

EXEMPLO 1

Era uma vez uma menina que ao nascer recebeu um presente de uma bruxa: aos dezesseis anos ela iria morrer.

Seus pais ficaram muito tristes. Então, a fada madrinha, que ainda não havia pre- senteado a menina, disse: – Eu não posso desfazer o feitiço, mas a menina não morrerá, “mas dormirá sono profundo durante cem anos”.

Todos respiraram aliviados. As fadas madrinhas, que eram três, sugeriram ao rei que a menina fosse criada na floresta…

Uma roda de leitura permite compartilhar momentos de prazer e diversão com a leitura.

Aprendendo com outros – A interação com bons modelos é fundamental na aprendizagem; por isso, é importan- te que os alunos possam compartilhar atos de leitura e observar outras pessoas lendo ou recontando. Desta forma podem aprender a utilizar uma variedade maior de recursos interpretativos: entonação, pausas, expressões faciais, gestos… O professor pode chamar para a sala de aula alguns familiares ou pessoas da comunidade, que gostem de contar ou ler para outros. Também é possível levar para a sala de aula gravações de pessoas lendo e contando histórias.

Projetos – As propostas de aprendizagem também podem ser organizadas por meio de projetos que proponham aos alunos situações comunicativas envolvendo a leitura e a escrita dos textos (lendas, fábulas, mitos e contos). Essas propostas de trabalho podem contemplar todas as séries, cada aluno contribuindo de acordo com suas possibilidades. Exemplos: propor a realização de:

• Mural de personagens: descrição das personagens mitológicas (características físicas, poderes, moradia etc.) acompanhada de ilustrações que correspondam às descrições.

• Seleção dos textos preferidos para a produção de uma coletânea (livro) – podem escrever ou selecionar os textos para presentear alguém ou para compor a bi- blioteca da classe.

• Reconto oral de contos conhecidos para um público específico (outra classe, comunidade etc.).

EXEMPLO 3 Leia o conto e escreva uma continuação para ele.

EXEMPLO 2

Troca-bolas era um menino que trocava tudo: o que falava, o que comia, o que fazia, e até as histórias que contava. Ele foi contar uma história para sua irmãzinha e se saiu com esta:

Era uma vez uma menina muito bonita, com pele branca como a neve, que vivia no castelo de uma madrasta muito má.

Um dia, ela colocou um chapeuzinho vermelho e foi levar doces para a vovozinha.

Aí, ela ia subindo uma escada e perdeu o sapatinho de cristal.

Por isso, a bruxa prendeu a coitadinha numa torre e os cabelos dela ficaram compridos, e o príncipe subia para papear com ela, agarrando-se nas tranças da menina.

Mas, de vez em quando, a bruxa mandava ela botar o dedinho para fora para ver se estava gordinho, porque a bruxa só gostava de crianças gordinhas.

Mas daí a menina fugiu e foi jogando pedrinhas coloridas pelo caminho para não se perder na floresta.

tinha se escondido

Foi aí que apareceu o Lobo Mau com uma maçã envenenada e soprou a casa de madeira onde a menina Trocando as bolas, de Pedro Bandeira

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