Fases de desenvolvimento da cultura do milho

Fases de desenvolvimento da cultura do milho

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Fases de Desenvolvimento daCultura do Milho 3

3.1. Introdução

Com o aumento gradativo do nível tecnológico para a produção de milho, adubação, defensivos, tratos culturais e híbridos, devemos, mediante essas tecnologias, entender a importância e as fases críticas desta cultura, podendo-se planejar melhor a época de semeadura para os diferentes tipos de híbridos, assim como suas necessidades, maximizando o potencial produtivo.

O milho é cultivado em regiões cuja precipitação varia de 300 a 5.0 m anuais, sendo que a quantidade de água consumida por uma planta durante seu ciclo está em torno de

600 m (Aldrich et al., 1982). Dois dias de estresse hídrico no florescimento diminuem o rendimento em mais de 20 %, quatro a oito dias diminuem em mais de 50%. O efeito de falta de água, associado à produção de grãos, é particularmente importante em três estágios de desenvolvimento da planta: a) iniciação floral e desenvolvimento da inflorescência, quando o número potencial de grãos é determinado; b) período de fertilização, quando o potencial de produção é fixado, nesta fase, a presença da água também é importante para evitar a desidratação do grão de pólen e garantir o

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VE R6R1VTV10V7V3V1 R6

R2 R3

Estágios Fenológicos da Cultura do Milho

Definição de Produção Potencial

Definição do Número de Fileiras

Definição do Tamanho da Espiga

Definição da Densidade do grão

Figura 3.1.: Fenologia do milho: estádios de desenvolvimento da cultura. Adaptado de FANCELLI (1986) e Iowa State University Extension (1993).

Martin Weismann

Eng.º Agr.º (CREA 9183/D-MS) Pesquisador da FUNDAÇÃO MS.

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- 14 - desenvolvimento e a penetração do tubo polínico; c) enchimento de grãos, quando ocorre o aumento na deposição de matéria seca, o qual está intimamente relacionado à fotossíntese, onde o estresse resulta na menor produção de carboidratos, o que implica em menor volume de matéria seca nos grãos (Magalhães et al., 1995).

3.2. Germinação e emergência

Essa fase é de fato uma das mais importantes para o sucesso de uma lavoura de milho, pois é nela que se determina o primeiro e um dos mais importantes fatores de rendimento, que é o número de plantas por hectare. Isso se dá porque o milho tem baixa capacidade de compensação de falhas no número e na distribuição de plantas.

A emergência ocorre entre 4 e 5 dias após semeadura em condições adequadas de temperatura e umidade do solo. A emergência das plântulas depende de uma estrutura situada entre a semente e o primeiro nó, denominada mesocótilo. A temperatura do solo, se a água não for limitante, determina a taxa de crescimento do mesocótilo. A baixa temperatura do solo no plantio geralmente restringe a absorção de nutrientes e causa lentidão no crescimento. Esse fato pode ser parcialmente superado por uma aplicação de pequena quantidade de fertilizante no sulco de plantio, ao lado ou abaixo da semente.

O fato de uma germinação lenta predispõe a semente e a plântula a uma menor resistência a condições adversas do ambiente, bem como ao ataque de patógenos, principalmente fungos do gênero Fusarium, Rhizoctonia, Phytium e Macrophomina.

3.3. Estágio V3 a V5

O estágio V3, três folhas completamente desenvolvidas (Figura 3.2.), ocorre aproximadamente duas semanas após a emergência. Nesse estágio, o ponto de crescimento da planta ainda encontra-se abaixo da superfície do solo e a planta ainda possui pouco caule formado (Figura 3.3).

É neste estádio que a planta começa a formar e a definir a quantidade de folhas e espigas que eventualmente irá produzir. De certa forma, podemos dizer que é o período em que a planta estabelece o número máximo de grãos, ou então, é a definição do potencial produtivo. No estádio V5 (cinco folhas completamente desenvolvidas) já pode-se ver, de forma microscópica, a iniciação do pendão na extremidade do caule, logo abaixo da superfície do solo.

Como o ponto de crescimento ainda se encontra abaixo da superfície do solo nestes estágios, baixas temperaturas do solo podem aumentar o tempo entre um estágio e outro, alongando o ciclo da cultura, podendo aumentar o número total de folhas, atrasar a formação do pendão e diminuir a disponibilidade de nutrientes para a planta.

Como a planta está em pleno desenvolvimento, o controle de plantas daninhas é de fundamental importância para reduzir a competição por água, luz e nutrientes.

Figura 3.3.: Planta no estádio V3, mostrando o ponto de crescimento abaixo da superfície do solo. (Ritchie et al., 1993).

Figura 3.2.: Estágio V3, três folhas completamente desenvolvidas (Ritchie et al., 1993).

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3.4. Estágio V6 a V8

É nesse estágio, com seis a oito folhas desenvolvidas

(Figura 3.4), conhecido como estágio do “cartucho”, em que o ponto de crescimento e o pendão já estão acima do nível do solo (Figura 3.5 e 3.6) e o colmo está iniciando um período de alongação acelerada. O sistema radicular nodal (fasciculado) está em pleno funcionamento e em crescimento. A disponibilidade de nutrientes, especialmente de nitrogênio, é muito importante nessa fase, pois aqui se inicia a época de maior demanda desse elemento pela planta. Por isso, quando o nitrogênio for aplicado em uma única vez, a época de aplicação recomendada ocorre no intervalo entre os estágios V6 e V8.

O aparecimento de eventuais perfilhos pode ocorrer nesse estágio, esses perfilhos estão diretamente ligados à base genética do híbrido, ao estado nutricional da planta, ao espaçamento adotado, ao ataque de pragas e às alterações bruscas de temperatura (baixa ou alta). Mas são poucas as evidências que provam uma influência negativa na produção.

O estágio de V8 se caracteriza pela queda das primeiras folhas e a planta define o número de fileiras de grãos nas espigas. É durante este estágio que a planta apresenta a máxima tolerância ao excesso de chuvas. No entanto, encharcamento por períodos de tempo maior que cinco dias poderá acarretar prejuízos consideráveis e irreversíveis.

O estresse hídrico nessa fase pode inibir a alongação das células em desenvolvimento, afetando o comprimento dos internódios do caule, com isso diminui a sua capacidade de armazenagem de açúcares no colmo. O déficit de água também vai resultar em colmos mais finos, plantas de menor porte e menor área foliar.

Queda de 10 a 25% na produtividade podem ocorrer se neste período a distribuição total das folhas for afetada mediante a ocorrência de granizo, geada, ataque severo de pragas e doenças ou por algum outro motivo.

É nessa fase em que a característica de “cartucho”, associada a um período seco, confere à cultura elevada suscetibilidade ao ataque da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), exigindo constante vigilância.

Figura 3.4.: Estádio de seis folhas completamente desenvolvidas. (Ritchie et al., 1993).

Figura 3.5.: Planta no estádio V6, mostrando o ponto de crescimento acima da superfície do solo (Ritchie et al., 1993).

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Se nesse estágio fizermos uma dissecação da planta, muitas espigas já são visíveis (Figura 3.7). Todo nó da planta tem potencial para produzir uma espiga, exceto os últimos 6 a 8 nós abaixo do pendão. Assim, uma planta de milho teria potencial para produzir várias espigas, porém, apenas uma ou duas conseguem completar o crescimento (caráter prolífico).

Nesse estágio, ocorre alta taxa de desenvolvimento de órgãos florais. O pendão inicia um rápido desenvolvimento e o caule continua alongando. A Figura 3.7.: Estádio V9, mostrando detalhes de várias espigas potenciais (Ritchie et al., 1993).

Figura 3.6.: Pendão ampliado de uma planta de milho em estágio V7 (Ritchie et al., 1993).

- 16 - elongação do caule ocorre através dos entrenós. Após o estádio V10, o tempo de passagem de um estágio foliar para outro vai encurtar, de quatro dias cada, para dois ou três dias.

Próximo ao estádio V10, a planta de milho inicia um rápido e contínuo crescimento, com acumulação de nutrientes e peso seco, os quais continuarão até os estágios reprodutivos. Há uma grande demanda no suprimento de água e nutrientes para satisfazer as necessidades da planta.

Inicia-se o período que pode ser considerado o mais crítico para a produção, estendendo-se até o V17. O número de óvulos (grãos em potencial) em cada espiga, assim como o tamanho da espiga, é definido em V12, quando ocorre perda de duas a quatro folhas basais.

No estágio V8, a planta já tem estabelecido o número de fileiras de grãos na espiga, no entanto, a determinação do número de grãos por fileira só será definida cerca de uma semana antes do florescimento, em torno do estágio V17.

No estágio V12, a planta já está com cerca de 85 a 90% de sua área total, e pode-se observar o início do desenvolvimento das raízes adventícias (“esporões”).

Devido ao número de óvulos e ao tamanho da espiga serem definidos nessa fase, a deficiência de umidade ou nutrientes podem reduzir seriamente o número potencial de sementes, assim como o tamanho das espigas a serem colhidas. Esses dois fatores estão relacionados ao tempo disponível para o seu estabelecimento, esse período corresponde ao estágio de V10 a V17. Dessa forma, os híbridos de ciclo mais precoce, geralmente nesses estágios possuem um período de tempo mais curto para estabelecer o número de grãos e o tamanho da espiga, sendo assim, geralmente esses híbridos têm espigas menores que os híbridos mais tardios.

O potencial desses dois fatores de produção está também relacionado com o período de tempo disponível para o estabelecimento deles, o qual corresponde ao período de V10 a V17. Uma maneira de se compensar essa desvantagem seria aumentar a densidade de plantio de híbridos mais precoces.

Esse estágio representa a continuação do período mais importante e crucial para o desenvolvimento da planta, em termos de fixação do rendimento. Desse ponto em diante, um novo estádio foliar ocorre a cada um ou dois dias. Estilos-estigmas (“cabelos”) iniciam o crescimento nas espigas.

Estresse de água no período de duas semanas antes até duas semanas após o florescimento vai causar grande redução na produção de grãos. Porém, a maior redução na produção poderá ocorrer com déficit hídrico na emissão dos estilos-estigmas (início de R1). Isso é verdadeiro também para outros tipos de estresse como deficiência de nutrientes, alta temperatura ou granizo. No caso de irrigação, o período de quatro semanas em torno do florescimento é o mais importante.

Nesse estágio, a planta encontra-se aproximadamente há uma semana do florescimento e a espiga continua com um desenvolvimento acelerado. Em caso de estresse hídrico, o desenvolvimento do óvulo e da espiga é mais afetado do que o desenvolvimento do pendão. Se o estresse for severo, ele pode atrasar a emissão do “cabelo”

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Figura 3.8.: Espiga de uma planta no estágio V12 com o número de fileiras de grãos já definidos. (Ritchie et al, 1993).

- 17 - até a liberação do pólen terminar, ou seja, se caso algum óvulo emitir o “cabelo”, após a emissão do pólen, não será fertilizado e não formará o grão de milho, afetando assim o rendimento.

Híbridos não prolíficos produzirão cada vez menos grãos com o aumento da exposição ao estresse, porém, tendem a render mais que os prolíficos em condições não estressantes. Os prolíficos, por sua vez, tendem a apresentar rendimentos mais estáveis em condições variáveis de estresse, uma vez que o desenvolvimento da espiga é menos inibido pelo estresse.

3.9. Pendoamento, VT

O início desse estágio caracteriza-se quando o último ramo do pendão (inflorescência masculina) está completamente visível e os “cabelos” não tenham ainda emergido da espiga. A emissão do pendão acontece dois a quatro dias antes da exposição dos “cabelos”. De 10 a 12 dias após o aparecimento do pendão, cerca de 70% das espigas apresentam exposição dos cabelos. O período de liberação do pólen estende-se por uma a duas semanas. Durante esse tempo, cada "cabelo" individual deve emergir e ser polinizado para resultar num grão. Espigas sem grãos na extremidade podem ocorrer pelo fato do tempo decorrente entre VT e R1 variar consideravelmente, dependendo do híbrido e das condições ambientais. Essa variação gera a perda do sincronismo entre a emissão dos grãos de pólen e a receptividade dos “cabelos” da espiga, aumentando o percentual de espigas sem grãos nas extremidades. Geralmente a liberação do pólen ocorre nos finais das manhãs e no início das noites, período em que as temperaturas são mais amenas. Neste período, em que a planta atingiu o máximo de desenvolvimento e crescimento, o estresse hídrico e temperaturas elevadas (acima de 35 ºC) podem reduzir drasticamente a produção, por dessecar tanto o grão de pólen como os “cabelos” da espiga. O excesso de água pode contribuir para a inviabilidade dos grãos de pólen.

Nos estádios de VT a R1, a planta de milho é mais vulnerável às intempéries da natureza que qualquer outro período, devido ao pendão e todas as folhas estarem completamente expostas. Remoção de folha nesse estádio por certo resultará em perdas na colheita.

Figura 3.9.: Início da fase de pendoamento (VT) (Ritchie et al., 1993).

3.10. Estágio R1, embonecamento e polinização

A partir do momento em que os estilosestigmas “cabelo” estão fora da espiga, inicia-se este estágio de “embonecamento”. A polinização ocorre quando o grão de pólen liberado é capturado por um dos estilos-estigmas (Figura 3.10). O número de óvulos que será fertilizado é determinado nesse estágio. Óvulos não fertilizados evidentemente não produzirão grãos.

Estresses nesse estágio, principalmente o hídrico, causam baixa polinização e baixa granação da espiga, já que, como foi dito, a seca causa a dessecação tanto dos grãos de pólen como dos “cabelos” das espigas. Também não se deve descuidar de ataques de lagarta-da-espiga, que se alimentam dos “cabelos”. Devendo-se fazer o controle de pragas

Figura 3.10.: Estilos-estigmas (“cabelo”) da espiga do milho (Ritchie et al., 1993).

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- 18 - que possam vir a atacar as espigas. A absorção de potássio nessa fase está completa, enquanto nitrogênio e fósforo continuam sendo absorvidos.

A liberação do grão de pólen pode iniciar ao amanhecer, estendendo-se até o meio-dia. No entanto, esse processo raramente exige mais de quatro horas para sua complementação. Ainda sob condições favoráveis, o grão de pólen pode permanecer viável por até 24 horas. Sua longevidade, entretanto, pode ser reduzida quando submetido à baixa umidade e altas temperaturas.

A fertilização do óvulo pelo grão de pólen ocorre de 12 a 36 horas após a polinização, período esse variável em função de alguns fatores envolvidos no processo, tais como teor de água, temperatura do ar, ponto de contato e comprimento do estilo-estigma. Assim, o número de óvulos fertilizados apresenta estreita correlação com o estado nutricional da planta, com a temperatura, bem como com a condição de umidade contida no solo e no ar.

Dessa forma, fica evidente a fundamental importância do ambiente nessa etapa do desenvolvimento. Devendo-se fazer de forma criteriosa a escolha do híbrido a ser plantado e a sua ideal época de semeadura, procurando garantir condições climáticas favoráveis na época em que a planta atingir este estágio.

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