A concepção de currículo, planejamento e a construção de uma nova formação de docentes

A concepção de currículo, planejamento e a construção de uma nova formação de...

A concepção de currículo, planejamento e a construção de uma nova formação de docentes.

Flaviana Carneiro do Nascimento. ¹

Resumo

O presente artigo apresenta á análise de questões levantadas a partir de uma pesquisa realizada através de observações nas salas de aulas, divididas em três etapas incluindo entrevistas com os professores, durante a disciplina Prática de Ensino I: Currículo, Saberes e Ação Docente. Assim, este artigo estará contextualizado em pesquisas bibliográficas de acordo com as análises, com o objetivo de analisar a concepção de currículo, como funciona o planejamento nas escolas, a relação professor-aluno, a formação do professor enquanto profissional reflexivo. A metodologia utilizada nas entrevistas foi entrevistar dois professores com tempo de experiência diferente, além das observações.

Palavras Chaves: Currículo, planejamento, avaliação, formação docente.

Introdução

Neste artigo apresentaremos discussões a partir das entrevistas e observações feitas com professores e nas salas de aula, dando importância a assuntos diários na área educacional, como, currículo que pode ser caracterizado por toda a experiência escolar, seja em sala de aula, seja no planejamento escolar ou no momento de avaliações e até mesmo a experiência do aluno, mas ele ainda tem outra característica que vai englobar o planejamento do ensino, de maneira mais sucinta currículo é todo o programa das disciplinas e ainda abrange os conteúdos a serem trabalhados nas salas de aula. Apresentaremos ainda uma discussão votada para o planejamento, que tem sentido de programar-se para uma prática, o planejamento contribui para orientar uma ação, assim como toda ação tem uma finalidade, o mesmo contribui para os objetivos a atingir com essa ação.

1- Graduanda em Geografia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú

E ainda a comunicação e o diálogo entre professor e aluno, uma maneira de diminuir as hierarquias entre o papel de cada um.

Outra principal perspectiva é a formação de professores reflexivos, que se preocupem com sua própria formação continuada e repense sua prática docente.

A primeira fase da pesquisa nos deixou por dentro da realidade da escola pesquisada no sentido estrutural e principalmente a realidade nas salas de aula, de como funciona a coordenação, a metodologia utilizada pelos professores, os conteúdos trabalhados e ainda as atitudes dos alunos não apenas a forma de agir na sala de aula, mas a participação dos mesmos, a interação com o professor, as reações deles diante os conteúdos. Além disso, a questão de professores formados em uma área e acaba por ser lotado em disciplinas diferentes da sua formação.

Então, é importante dar maior ênfase a segunda fase da pesquisa onde tivemos maior aprofundamento nas analises, como as discussões sobre currículo, planejamento, prática reflexiva, ensino-aprendizagem e relação professor-aluno.

Um pouco de Currículo.

1ª) Qual a concepção de currículo para o professor?

“Resposta do professor (A): - Do ponto de vista pedagógico, o currículo é um conjunto de disciplinas e atividades estruturadas que tem como objetivo fornecer bases para que seja alcançada uma certa meta em função de um planejamento educativo.”

“Resposta do professor (B): - São os conteúdos propostos durante a semana pedagógica. São as temáticas que estão na proposta curricular.”

Através dessa primeira pergunta podemos analisar a concepção de currículo, o mesmo vai abranger as atividades desenvolvidas na escola. O conhecimento expresso em um currículo vai favorecer os interesses das classes do poder, assim, o currículo é uma forma de expressão das relações de poder. Exemplo explícito disso são todos esses tipos de avaliações existentes atualmente desenvolvidas pelo ministério da educação, onde a escola é obrigada a cumprir com um conteúdo, pois o que importa atualmente são apenas os índices, quem esta no poder vai estar pouco se importando se estes conteúdos estão contribuindo para desenvolver o senso critico de seus educandos.

Partindo desta, o currículo pode ser compreendido como um instrumento onde o professor pode se orientar a partir dele, mas jamais o professor deverá se prender unicamente a ele, caso isso aconteça o professor estará se tornando apenas um executar de planos, lembrando que o mesmo deve ser construído de acordo com a realidade do público que se quer atingir e ao mesmo tempo ser fundamentados nos princípios pedagógicos.

Vale comentar que o Currículo pode ser reformulado a qualquer momento exatamente para trabalhar com as problemáticas do ensino escolar, e incluindo as precariedades e deficiência dos alunos, a necessidade de instrumentos metodológicos dos professores e até mesmo as condições oferecidas pelo próprio ambiente escolar tendo com sujeitos ativos dessa reformulação os educadores, pois são os mesmos que estão no dia-a-dia em sala de aula, procurando uma reconstrução sempre que observar que o processo de ensino-aprendizagem não está acontecendo.

Ao serem definidos os conteúdos do currículo muitas questões não são levadas em conta simplesmente por esses conteúdos serem ditados por aqueles que estão no poder, pessoas que não conhecem a comunidade onde a escola esta inserida, que não estar ver a realidade dos educandos, desconhecem a experiência trazida pelo professor, quer dizer, o currículo torna-se vago sem objetivos necessários a serem atingidos serem traçados, a própria escola perde sua identidade, não existe a construção de um currículo onde a preocupação esteja voltada exatamente para as problemáticas do dia-a-dia do professore aluno, pois os mesmos são desenvolvidos por pessoas alheias a realidade.

O currículo deve ser adaptado aos novos modos de vida, constituindo da cultura popular, de meios de comunicação, das novas tecnologias, da informática etc. Nessa nova fase são construídas novas concepções de currículo. Sendo que a reflexão crítica sobre currículo é constante, surgindo sempre problemas e questionamentos.

Cremos que para a elaboração de um currículo seja importante uma base. Que critérios utilizar para elaboração de currículo? Pois o currículo é de extrema importância pelo fato de que vai ser a partir desde que o aluno vai se apropriar-se dos conteúdos, então, torna-se mais do que necessário refletir sobre os objetivos a ser alcançados, como e para que ensinar, essas são algumas questões que devemos pôr em pauta na hora de elaborar um currículo.

De que realmente se trata o Planejamento?

2ª) Como o professor organiza seu planejamento?

“Resposta do professor (A): - O planejamento é realizado seguindo os conteúdos da proposta curricular da escola, os quais poderão ser acrescidos ou retirados conforme a minha analise. Após à análise desses conteúdos, os planos de aula são elaborados semanalmente, onde são estabelecidos os objetivos e metodologias aplicadas nas aulas.”

“Resposta do professor (B): - É feito mensalmente a seleção dos conteúdos e durante a semana caracteriza as atividades e metodologias a serem adotadas.”

Podemos dar início a essa discussão a partir da definição, segundo o dicionário Aurélio planejamento é o processo que leva ao estabelecimento de um conjunto coordenado de ações visando à consecução de determinados objetivos ou elaboração de planos e programas, estando por dentro dessa definição podemos perceber que o conhecimento que temos sobre planejamento a partir do senso comum não esta distante da definição.

Trazendo para o ensino o planejamento deverá traçar o que e como ensinar, visando à melhor maneira de traçar esse ensino, para que ocorra a aprendizagem certamente uma finalidade buscada. Planejar é muito mais que isso é refletir a prática pedagogia, identificar dificuldades do dia-a-dia e procurar solucionar, é melhorar a prática docente, é dar sentido a ação, procurar se questionar dos seus próprios métodos utilizados em sala de aula, dos conteúdos ensinados, das avaliações e principalmente se tudo isso esta trazendo algum tipo de aprendizagem para seus alunos.

O planejamento pode ser utilizado exatamente para desenvolver metodologias inovadoras, buscando maneiras contextualizadas de tratar a educação com novas formas de ensinar, para sairmos dessa mecanização educacional, onde os livros didáticos ou o estado manda e os docentes executam. Quer dizer antes de o professor ir para seu espaço de atuação, ele passa e participa de todo um processo de formação e planejamento, em alguns momentos esses processos são passados por despercebidos, percebemos isso na prática, quando tudo que foi visto para melhorar a prática docente não é tratada com seriedade.

Ocorre isso quando o “profissional” de educação esta em sala de aula por não ter outra profissão ou pelo simples fato de qualquer um poder ser professor, ou até mesmo por fazer um curso de licenciatura e passar a atuar na sala de aula porque necessita da remuneração, tudo esta fora do plano de ensino e de seus elementos, pois os mesmos traçam objetivos atingir através de conteúdos e estes são trabalhados a partir de uma metodologia e por ultimo fazer uma avaliação. Cremos que um “profissional” do tipo citado acima é incapaz de chegar a algum objetivo de trabalhar conteúdos de maneira inovadora na sala de aula, já que o mesmo não se satisfaz com a “profissão” escolhida.

Segundo PASSOS apud VASCONCELLOS, planejamento é o processo de reflexão, tomada de decisão. Plano é produto que como tal pode ser explicitado em forma de registro, de documento ou não ( 1995, p.43 ).

Como citado acima o planejamento é constituído de decisões e a grande importância de o mesmo ser registrado esta na sua utilização nos próximos planos, para rever decisões tomadas e procurar melhorar, adicionar ou retirar algo.

O plano consiste de objetivos, aquilo que pretendemos alcançar a partir do ensino e para isso devemos levantar dados sobre os alunos como, a realidade social, para os quais vamos direcionar o ensino, conteúdos, é através destes conteúdos que podemos alcançar nossos objetivos, os conteúdos devem ser estabelecidos a partir do conhecimento e da experiência do professor da realidade do aluno, afinal esses conteúdos vão ser trabalhados com eles.

A metodologia é um terceiro elemento do plano, ela vai tratar das maneiras, das formas de como vamos desenvolver a prática pedagógica, pois é através da mesma que podemos fazer com que ocorra a aprendizagem ou não, e ao desenvolvê-la devemos relacioná-la com os objetivos. E por ultimo avaliação, um tema que podemos levantar variados questionamentos, a mesma normalmente é utilizada de modo ainda muito tradicional, diferencia os que sabem e os que não sabem os que acertaram e os que erraram, simplesmente através de avaliações que na maioria das vezes não quer dizer nada, e o professor atribui nota, funcionando como algo punidor, trazendo medo e ansiedade para os alunos.

Talvez esse tipo de avaliar a aprendizagem seja um dos causadores desta educação que a cada dia esta mais desqualificada, a aprendizagem de valores não importa mais, isto é se algum dia foi importante, muito menos a formação de um cidadão que se preocupa e que reflita toda essa sociedade de desigualdades que estamos inseridos. O que fica em primeiro plano são apenas os números para deixar os poderosos cada vez mais nos seus pôsteres.

3ª) Que critérios o professor utiliza na avaliação da aprendizagem do aluno?

“Resposta do professor (A): - A participação e conduta em sala de aula: exercícios, discussões, questionamentos. Avaliações objetivos e subjetivas; trabalhos de pesquisa e produções textuais.”

“Resposta do professor (B): - São as avaliações bimestrais, trabalho de pesquisa, participação nas discussões, nas atividades de casa, resolução de exercícios, produção de textos etc.”

Devemos criar novos critérios de avaliação, diferente da existente que apenas puni e exclui. Sendo que a avaliação deveria ser utilizada para identificar as dificuldades dos nossos alunos, exatamente para ver onde ouvi falhas, onde devemos melhorar se foi desinteresse do professor ou do aluno, devendo servir para reconstruir a aprendizagem.

Durante muito tempo o planejamento é pensado apenas como algo pronto e acabado, que deve apenas ser recebido pelos secretários de educação ou pela coordenação e logo após ser posto em prática, muito pelo contrário o professor deve ser peça chave nos planejamentos, pois é ele que esta convivendo todos os dias com as problemáticas em sala de aula, e para tentar resolvê-las o mesmo deve participar de forma ativa dos planejamentos tornando-os dinamizadores e ao mesmo tempo melhorando a prática docente para ocorra uma melhoria no ensino, um motivação no âmbito da educação como que um professor vai motivar seus alunos se nem ele mesmo é motivado.

Diálogo e comunicação, duas metodologias que necessitam serem mais adotadas em sala de aula.

4ª) Durante a aula do professor ocorrem casos de situações não previstas, tais como: indisciplina, agressões entre alunos entre estes e o professor?

Resposta do professor (A): - Sim. A indisciplina e o desinteresse são os mais presentes.

Resposta do professor (B): - Sim. A indisciplina é constante.

5ª) Em que momento a relação professor e aluno se torna mais agradável?

Resposta do professor (A): - A partir do momento que ambos conseguem manter uma relação proveitosa de ensino-aprendizagem, onde as aulas se tornam mais interessantes e o clima em sala de aula mais agradável.

Resposta do professor (B): - Quando há interação nas aulas, participação e envolvimentos da turma nas discussões.

6ª) Como professor motiva a aprendizagem dos alunos?

Resposta do professor (A): - Procurando me pôr em sala de aula não como uma autoridade dona da verdade, mas como um mediador entre o conhecimento e o aluno. Isso faz com que os discentes sintam-se mais avontades para discussões positivas em sala.

Resposta do professor (B): - Incentivando a estudar e ressaltando a importância do acesso ao conhecimento como forma de adquirir um futuro melhor.

É na escola onde as diferenças entre professor e aluno vão se apresentar, e é neste mesmo ambiente onde devemos proporcionar a interação entre os mesmos, ou seja, a escola é o local onde podemos presenciar variados acontecimentos, a mesma prepara o individuo para sua socialização e convivência em grupo.

O diálogo é de suma importância para a interação professor-aluno no fator psicológico, sendo vínculo entre o cognitivo e as ações concretas. A essa afirmação, encontra-se justificativa na literatura de Piaget sobre o estágio das operações concretas (1997, p. 166).

Portanto, “o diálogo é uma exigência existencial que possibilita a comunicação” e “para por em prática o diálogo, o educador deve colocar-se na posição humilde de quem não sabe tudo” (GADOTTI, 1991, p. 69).

O diálogo pode acontecer entre os dois sujeitos do ensino-aprendizagem a partir da consciência do professor de que o educando tem seus conhecimentos, que o mesmo adquiriu e continua adquirindo no seu dia-a-dia, quer dizer os conhecimentos estão na estrutura cognitiva dos alunos. Através do diálogo, podemos tentar solucionar a indisciplina dos educandos como também tornar-se como uma referência para o aluno.

O professor deve possuir habilidade ao utilizar a sua autoridade na sala de aula, pois o modo pelo qual demonstra o poder que possui contribui para sua eficiência. A prática educativa em que inexiste a relação coerente entre o que a educador diz e o que ele faz.

Analisando a citação de ARAÙJO, percebemos a confirmação de que construir a autoridade cobrando obediência, impondo suas vontades e seus valores constituir-se-á como autoridade e obterá por parte dos alunos um respeito unilateral, baseado no medo das punições. Já o professor que mantém relações baseadas no respeito mútuo obterá autoridade por competência.

Esse professor ou professora consegue estabelecer relações baseadas no diálogo, na confiança e nutrir uma efetividade que permite que os conflitos cotidianos da escola sejam solucionados de maneira democrática. (ARAÚJO, 1999, p. 42).

Para que a aprendizagem aconteça é necessário que o professor reconheça seu papel diante da interação que manterá com seu aluno. O professor deve estar atento a sua função primeira a de saber apresentar condições favoráveis à apropriação, por parte do alunado, de conhecimentos acumulados e socialmente tidos como relevantes. São estes conhecimentos que servirão de instrumental para seu agir no mundo, para o pensar sobre si e sobre as coisas da sua vida.

O professor precisa dar, ao aluno, apoio moral e sentimentos de segurança e confiança, ou seja, estimular o autoconceito da criança. O educador deve evitar fazer críticas negativas para não aguçar a insegurança e o sentimento de incapacidade. O educador precisa reconhecer a sua significação para o educando, respeitando as limitações do mesmo, favorecendo uma relação baseada no respeito mútuo. Assim, propiciando um ambiente escolar favorável a uma aprendizagem significativa.

Nova formação dos doentes.

7ª) O que é a prática reflexiva para o professor?

“Resposta do professor (A): - É a reflexão que o professor deve realizar sobre sua prática educativa (conduta, metodologias de ensino, relação ensino-aprendizagem, etc) em sala de aula. Ressaltando a importância da prática reflexiva na escola, o professor deve se ater a formas de trabalhar as relações interpessoais com os educandos para assim, obter bons rendimentos.”

“Resposta do professor (B): - Questiono sempre as metodologias pensar formas de ministrar aulas que possa chamar atenção da turma e fazer com que haja aprendizagem.”

Essa nova formação dos professores se contextualiza na escola reflexiva que é aquela que gera conhecimento sobre se própria como escola específica, que qualifica não apenas alunos, mas sim, toda a comunidade docente, uma escola que tem consciência do seu papel na sociedade. O termo professor reflexivo aponta para a participação do mesmo no processo de produção do conhecimento.

Questões tematizadas passaram a fazer parte da formação de professores e pesquisadores, discussões organizacionais como, projetos pedagógicos das escolas, a importância do trabalho, as novas necessidades colocadas as escolas e aos professores pela sociedade contemporânea das novas tecnologias, da informação e do conhecimento, da violência, da indisciplina, do desinteresse pelo conhecimento, gerado pelo reconhecimento das formas de enriquecimento que dependem do trabalho; das novas configurações do trabalho e do desemprego, tudo isso requer uma qualificação constante.

O professor se inclui nesse contexto a partir da formação contínua escolar, tal necessidade se explica por conta dos dilemas de sua atividade de ensinar, esta formação contínua tem por principal ênfase incluir a pesquisa no seu dia-a-dia. O saber docente não é formado apenas de ações ou prática, é nutrida também das teorias da educação, a teoria tem importância fundamental na formação dos docentes, pois os mesmo passam a ter uma visão contextualizada das várias áreas de conhecimento históricos, sociais, culturais, organizacionais e de se próprios como profissionais.

A teoria e a prática são inseparáveis, são subsídios que ao mesmo tempo em que capacita o professor, lhes dando experiência em constante processo de re-elaboração.

A prática reflexiva deve centrar-se no exercício profissional e nas condições sociais em que esta ocorre; a prática reflexiva pode ser vista também como prática social, só pode se realizar em ambientes coletivos, o que leva a necessidade de transformar as escolas em comunidades de aprendizagem nas quais os professores se apóiem e se estimulem mutuamente. A importância da prática coletiva está nas condições que permitam a mudança institucional e social.

Giroux (1990) desenvolve a concepção do professor como intelectual crítico, ou seja, cuja reflexão é coletiva no sentido de incorporar a análise dos contextos escolares no contexto reflexivo e crítico, servindo para transformação das desigualdades sociais.

Diante do contexto social em que estamos vivendo, tempos de mudanças econômicas, tecnológicas, sociais e políticas, a desvalorização da profissão de professor, torna-se necessário fazer variadas discussões no âmbito da formação do professor, para que este trabalhe numa perspectiva de profissional reflexivo.

O professor reflexivo não é mais aquele que apenas reproduz informações, conteúdos ou conhecimentos, mas aquele que reflete sobre sua ação, que buscar transformar esse ensino tecnicista. E para isso o profissional docente reflexivo não deve estagnar nos conhecimentos apreendidos na sua formação inicial, mas de acordo com o avanço em todos os aspectos sociais o mesmo deve ir atualizando seus conhecimentos. O papel do mesmo talvez fosse refletir sobre uma problemática e partir para a ação, assim construir novas discussões e ao mesmo tempo refletir sua prática desenvolvendo novas formas de desenvolver o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, devemos ressaltar que faz parte do professor reflexivo o seu papel coletivo, quer dizer não temos como desenvolver um intelecto crítico sem vivermos no meio social coletivo.

Conclusão

Verificamos que embora existem leis e mais leis educacionais, as mesmas não são oportunizadas nas salas de aula, que as dificuldades encontradas no dia-a-dia não são tentadas ser superadas pelo simples fato de não existir programas para suprir as necessidades materiais-didáticas.

Diante da realidade escolar atual, onde de um lado os profissionais que defendem a formação do intelecto critico dos educandos, e do outro aqueles que trabalham nessa área apenas por necessidade ou coisa parecida, e ainda aquelas dificuldades enfrentadas nas partes físicas do espaço escolar, as faltas de materiais didáticos, etc. É para enfrentar estes e outras demais dificuldades que faz necessário formamos profissionais reflexivo na área da educação, mesmo diante de todas essas problemáticas citadas acima é imprescindível ao professor que ele ultrapasse de um simples executor para intelectual crítico.

Uma das dificuldades encontradas nas instituições escolares é falta de encontros continuados entre os professores de uma mesma escola, para que ocorra a troca de experiências do seu trabalho cotidiano escolar, permitindo a socialização das idéias e tomadas de decisão para a resolução de situações-problema. A falta de materiais pedagógicos adequados constitui-se em entraves para as inovações didáticas. Quanto aos problemas de cunho financeiro, podemos apontar a baixa remuneração concedida aos professores, o que acarreta desinteresse e falta de motivação para o aperfeiçoamento das práticas escolares.

A educação retrata e reproduz a sociedade, mas projeta a sociedade que se quer, apenas projeta, pois, as pessoas que estão no poder não querem uma sociedade crítica, na verdade é este o fruto de uma sociedade que tem um bom sistema educacional. A sociedade atual tem alguns desafios como, sociedade da informação e sociedade do conhecimento; sociedade do não-emprego e das novas configurações de trabalho.

Referências Bibliográfica

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