capacitaçõ de enf. para o SUS

capacitaçõ de enf. para o SUS

(Parte 1 de 3)

1ª Área -Controle das Doenças Transmissíveis

2ª Área - Assistência de Enfermagem à Mulher, Criança e Adolescente em Serviços Locais de Saúde

3ª Área -Controle de Saúde do Adulto

4ª Área -Administração de Enfermagem em Serviços Locais de Saúde

Texto Complementar -Avaliação das Condições de Saúde Individual e Coletiva

Ministério de Saúde - Secretaria Executiva

Coordenação Geral de Desenvolvimento de Recursos Humanos para o SUS Brasília – 1994

© 1994, Ministério da Saúde Só é permitida a reprodução total, com identificação de fonte e autoria. Tiragem: 10.0 exemplares Coordenação Geral de Desenvolvimento de Recursos Humanos para o SUS Esplanada dos Ministérios - Bloco G - 6º andar - sala 639 70058-900 Brasília - DF - Brasil

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Impresso no Brasil - Printed in Brazil ISBN 85.334.0050-0

Brasil. Ministério da Saúde. Coordenação Geral de Desenvolvimento de Recursos Humanos para o SUS.

Capacitação de enfermeiros em saúde pública para o Sistema Único de Saúde: Assistência de Enfermagem à Mulher, Criança e Adolescente em Serviços Locais de Saúde. -- Brasília: Ministério da Saúde, 1994. 89 p. (Série Educação Continuada para Profissionais de Saúde, ENFERMEIROS; 2)

1. Recursos Humanos em Saúde 2. Enfermagem I. Título I. Série.

No atual contexto de reformulação do setor saúde no Brasil, o desenvolvimento de programas de educação continuada para as diferentes categorias profissionais que operam os serviços de saúde constitui-se em estratégia da Política de Recursos Humanos para o setor, estratégia essa concebida e orientada para a melhoria da qualidade da assistência prestada à população, para o resgate do compromisso social dos trabalhadores e para sua valorização profissional.

Um programa de educação continuada dirigido a Enfermeiros torna-se hoje fundamental na medida da participação dessa categoria no conjunto das atividades desenvolvidas na Unidade de Saúde, bem como pela contribuição majoritária dos seus trabalhadores no quantitativo da força de trabalho empregada.

O programa ora apresentado vem sendo desenvolvido com bastante êxito já há alguns anos em várias Unidades Federadas e é originário do Acordo Interministerial (Ministério da Saúde, Ministério da Previdência e Assistência Social, Ministério da Educação e Organização Panamericana da Saúde). Seus objetivos prendem-se à capacitação do enfermeiro que atua na rede básica de serviços de saúde para as funções de assistência, de docência, de administração da assistência de enfermagem e para participar da gerência dos serviços de saúde.

Ao publicar este documento - Assistência de Enfermagem à Mulher, Criança e

Adolescente em Serviços Locais de Saúde -que corresponde à 2ª Área do Programa de Capacitação de Enfermeiros em Saúde Pública para o Sistema Único de Saúde, o Ministério da Saúde, através da Coordenação Geral de Desenvolvimento de Recursos Humanos para o SUS da Secretaria Executiva, cumpre uma de suas atribuições, qual seja, a de apoiar Estados e Municípios na viabilização da melhoria das condições de atendimento pelos serviços de saúde à população, melhoria essa que representa uma das questões centrais para a concretização das profundas transformações que se operam hoje no Sistema de Saúde no Brasil.

Nesta publicação, menção especial cabe à Escola de Enfermagem da UFMG por ter se constituído em referência para outros Estados na viabilização do Programa de Educação Continuada para Enfermeiros, bem como por sua participação efetiva na complementação deste documento, inclusive, na utilização do presente no Curso de Especialização em Enfermagem para a rede básica do SUS.

Joana Azevedo da Silva

Coordenadora Geral de Desenvolvimento de Recursos Humanos para o SUS

Apresentação03
I- Introdução07
I - Programa09
1 - Estrutura do Programa09
2 - Primeira Unidade1
3 - Segunda Unidade29
4 - Terceira Unidade51
5 - Quarta Unidade73
6 - Cronograma do Curso81
mulher, criança e adolescente89

I-Funções do enfermeiro em nível local para a assistência à saúde da - Bibliografia.............................................................................................. 91

O módulo técnico de Assistência de Enfermagem à Mulher, Criança e Adolescente em Serviços Locais de Saúde constitui uma das grandes áreas prioritárias de atuação da enfermagem no Programa de Capacitação de Enfermeiros em Saúde Pública para o Sistema Único de Saúde.

O conteúdo e as habilidades estão estruturados sob a forma de currículo integrado e organizado em quatro unidades didáticas que buscam desenvolver no enfermeiro a compreensão clínica, epidemiológica, social e política dos problemas de saúde dos usuários dos serviços de saúde da rede básica.

A mulher, a criança e oadolescente são vistos como integrantes de um grupo social e familiar a partir de sua realidade concreta, ou seja, no espaço onde as relações e riscos acontecem e onde são elaborados as estratégias de sobrevivência diante dos escassos recursos para satisfazer suas necessidades.

O conteúdo prático é desenvolvido em serviços básicos de saúde, tendo como princípio norteador a integração ensino-serviço na perspectiva de que o enfermeiro contribua na melhoria da assistência de enfermagem prestada à população.

O módulo de Assistência de Enfermagem à Mulher, Criança e Adolescente é constituído por quatro unidades didáticas distribuídas da seguinte forma:

PRIMEIRA UNIDADE -Nesta unidade a mulher, a criança e o adolescente são vistos como integrantes de um grupo social e familiar que utilizam estratégias de sobrevivência para manusear os escassos recursos a seu alcance e assim satisfazer suas necessidades.

SEGUNDA UNIDADE -Aborda a situação de saúde da mulher, relacionando-a com o fenômeno de reprodução humana, as estratégias de sobrevivência da família e seus efeitos na mulher, gestante, feto e recém-nascido.

TERCEIRA UNIDADE E QUARTA UNIDADE -Aborda respectivamente, o processo de crescimento e desenvolvimento da criança e do adolescente, enquanto integrantes de um grupo familiar e social, suas estratégias de sobrevivência e seus efeitos neste processo. Estuda os principais riscos, as medidas preventivas e tratamentos padronizados para cada situação.

Primeira Unidade

Esta Unidade pretende estimular a que se chegue a uma nova abordagem das ações de assistência materno-infantil, fazendo com que a mulher, a criança e o adolescente sejam vistos como integrantes de um grupo social e familiar, que utilizam estratégias ou esquemas de sobrevivência para manusear os escassos recursos a seu alcance e assim satisfazer suas necessidades.

1 - Determinar os modos como os diversos componentes da família dividem entre si tarefas e responsabilidades para assegurar a sobrevivência do grupo.

2 - Enumerar exemplos de como as famílias de baixa renda utilizam estrategicamente os recursos de que dispõem, elaborando esquemas de sobrevivência adequados a cada situação concreta.

3 - Correlacionar o tamanho do grupo familiar com suas condições de vida e de trabalho.

4 - Enumerar os principais alimentos disponíveis na localidade, identificando quais deles fazem parte dos padrões de consumo da população e os que são indicados ou proibidos nas diferentes situações de vida.

5 - Analisar os padrões locais de consumo alimentar face aos princípios de nutrição, indicando alternativas de seleção, combinação e modos de preparar os alimentos.

6 - Realizar atividades de suplementação alimentar e de orientação da população nos aspectos nutricionais.

Primeira Unidade

SEQUÊNCIA DE ATIVIDADES I (Revisão técnico-científica)

1 -Discutir o que fazem as famílias de sua localidade para ganhar a vida e se sustentar.

2 - Refletir em conjunto sobre a seguinte afirmação: “as famílias pobres se ajudam umas às outras, trocando entre si coisas e favores”.

3 - Sistematizar os resultados das duas discussões anteriores.

4 - Entrevistar donas-de-casa indagando quais são as suas tarefas na manutenção da família e o que considera tarefas do marido e dos filhos.

(1) Estimular a discussão sobre os tipos de trabalho predominantes (lavoura, artesanato, indústria, comércio, serviços domésticos, serviços autônomos) para o chefe de família e a mãe, além dos demais componentes, distinguindo a média de remuneração correspondente a cada tipo. Destacar tarefas e responsabilidades dentro do lar (limpeza da casa, cozinhar, lavar, cuidar de crianças) para os diversos componentes da família.

(2) Debater a afirmação, procurando estabelecer se ela é verdadeira para a localidade de origem dos treinandos e, caso o seja, em que consistem essas coisas (alimentos, utensílios, etc.) e favores (cuidados com crianças durante ausência da mãe, cuidados com velhos e doentes, etc.). Distinguir diferenças de contexto entre cidade e campo, identificando as estratégias de sobrevivência nas duas situações e a mudança de estratégia em função de migração campo-cidade.

(3) Orientar os alunos para que caracterizem a distribuição de tarefas e responsabilidades de todos os membros, segundo a situação econômica da família.

(4) Dividir os treinandos em grupos e entrevistar as mães na unidade de saúde e bairros da localidade do treinamento. Orientar quanto ao instrumento e conteúdo da atividade.

5 - Comparar resultados das entrevistas com as suposições anteriores dos treinandos.

6 - Refletir sobre as seguintes situações:

a) O Sr. Severino Pereira mora na área rural do município de Bonito, com a mulher e dois filhos homens, tendo o maior doze e o menor dez anos. Trabalha de meia, plantando milho, feijão a mandioca, e criando porcos e galinhas. O que sobra de sua parte no roçado, ele vende para comprar querosene, açúcar, roupa, remédio e outras coisas. Conversando com a visitadora sanitária da localidade, o Sr. Severino afirmou que gostaria de ter seis filhos, sendo de preferência quatro homens.

b) O Sr. Antônio da Silva veio da área rural com a mulher e três filhos menores para morar na periferia da cidade de Medina, sede do município. O Sr. Antônio trabalha como bóia-fria nas fazendas dos arredores da cidade e a mulher como lavadeira. Conversando com a visitadora sanitária da localidade, Dona Maria, mulher do Sr. Antônio, perguntou o que ela podia fazer para não ter mais filhos.

7 - Sistematizar as respostas dos grupos.

8 - Leitura e discussão: “Estratégias de

Formação de Renda” e “Trabalho da Mulher”.

9 - Discutir como a população pobre atende suas necessidades:

a) quando não tem água encanada ou poço em casa;

(5) Estimular o grupo para que estabeleça semelhanças e diferenças procurando fazer com que os treinandos levantem hipóteses explicativas.

(6) Colocar os dois problemas no quadro, dividir os treinandos em pequenos grupos e analisar as razões por que o Sr. Severino gostaria de ter uma família maior, enquanto na outra situação há o desejo de não ampliar o tamanho da família. Identificar na localidade a denominação aplicada ao “bóia-fria" e o que caracteriza essa situação de trabalho.

(7) Estimular o grupo para que estabeleça o significado do tamanho da família nos esquemas de sobrevivência dentro de diversos contextos econômico-sociais, relacionando-o com os aspectos de trabalho e consumo.

(8) Discutir em pequenos grupos.

(9) Dividir os treinandos em pelo menos três grupos, cada um assumindo um dos temas apresentados. Orientar para as prioridades do uso de água (beber, higie- b) quando, ao ter de construir suas casas e fossas, não pode comprar materiais industrializados; c) quando, ao ter de tratar um doente na família, não dispõe de "remédios de farmácia".

10 - Sistematizar as respostas dos grupos.

1 - Leitura e discussão dos textos sobre

"Estratégias de sobrevivência na área de consumo: habitação e transporte".

12 - Refletir sobre a seguinte situação: o visitador sanitário da Unidade de Saúde Cabo Branco verificou, ao visitar várias famílias do bairro pobre da cidade, que os medicamentos da CEME receitados para uma criança eram utilizados para tratar as outras crianças da casa que tinham os mesmos sintomas; em relação aos alimentos distribuídos pelo INAN às crianças e gestantes, constatou que eles também eram consumidos por outros membros do grupo familiar, principalmente pelo chefe da família e pelos irmãos que trabalhavam.

13 - Leitura e discussão: "Riqueza de pobre: um estudo em antropologia da saúde" - Ana Costa, UnB-1978 pág. 145-161.

ne doméstica, lavagem corporal, etc.); investigar utilização de materiais naturais e de baixo custo, na construção das casas e das fossas; levantar como são aproveitados os recursos da flora medicinal.

(10) Procurar identificar o que há de comum nas três situações dentro da perspectiva de estratégia de sobrevivência na utilização dos recursos locais.

(1) Discutir em pequenos grupos.

(12) Trabalhar em grande grupo. Correlacionar com os resultados das discussões anteriores ainda dentro da linha de interpretação das estratégias de sobrevivência dos grupos de baixa renda. Indagar em que esses conhecimentos podem ajudar na melhoria do atendimento e da programação de atividades da unidade de saúde. Discutir critérios de seleção de clientela para o PNS e os problemas desse programa para atingir seus objetivos.

(13) Trabalhar em pequenos grupos.

Primeira Unidade

1 - Considerar a seguinte situação: A família do Sr. José Nogueira tem 5 membros, sendo dois adultos e três crianças na faixa de 2 a 6 anos. O Sr. José trabalha na Prefeitura e ganha salário mínimo. QUESTÃO: o que você compraria caso ganhasse um salário mínimo para alimentar essa família durante uma semana?

2 - Analisar os resultados do levantamento e classificar os alimentos em grupos.

3 - Discutir a classificação.

4 - Citar os pratos que poderiam ser preparados num almoço para essa família.

5 - Levantar junto às famílias os gastos com cada um dos itens como luz,

(1) Tomar como base de cálculo para o gasto semanal com alimentação 14% do salário mínimo da localidade. Perguntar o que os treinandos comprariam com esse dinheiro, fazendo-os ir a mercearias, feiralivre, etc., se necessário, para levantar disponibilidade de alimentos e seus preços. Os tipos de alimentos escolhidos pelos treinandos e seus preços devem ser anotados.

(2) Comparar as escolhas dos vários grupos de treinandos e procurar saber quais foram os critérios de seleção (hábito, baixo preço, alimento da estação, alimentos fortes e fracos). Deixar que os próprios treinandos façam a classificação inicial dos alimentos selecionados.

(3) Prestar informações para possibilitar a classificação dos alimentos em tipos (cereais, legumes, carnes, verduras) e por valor nutritivo para o crescimento e manutenção das pessoas. Indagar sobre existência de outros alimentos de grande valor nutritivo e que eventualmente não tenham feito parte do levantamento. Discutir porque não foram incluídos e como podem ser aproveitados na dieta da população.

(4) Discutir essas combinações de alimentos e analisá-las para verificar se não existem alternativas melhores. Apresentar sugestão sobre adequação de combinação de alimentos.

(5) Observar o número de membros da família em relação à disponibilidade de água, roupa, aluguel, saúde, alimentação e transporte. Levantar também o que cada família dispôs para se alimentar ontem e o que dispõe para hoje e amanhã.

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