Ccih - comissão de controle de infecção hospitalar

Ccih - comissão de controle de infecção hospitalar

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A década de 50 foi caracterizada pelo início de uma nova era para as infecções hospitalares (IH) e epidemiologia. Uma das primeiras medidas de controle dessas infecções foi à criação de Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), sob a recomendação da American Hospital Association, em 1958, com objetivo de prover os hospitais americanos de um sistema que lhes permitissem apurar as causas das infecções neles adquiridas e dotá-los de instrumentos necessários contra possíveis ações legais movidas pela clientela.    

No Brasil, a preocupação com o controle de infecções hospitalares surge na década de 60 através de publicações dos primeiros relatos sobre o tema. A primeira iniciativa para criação de uma CCIH tem data de 1963, no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre- RS.  

A criação de comissões multidisciplinares, vinculadas a hospitais universitários, surgiu a partir da década de 70. As próximas décadas foram contempladas com a publicação do Manual de Controle de Infecção Hospitalar, pelo Ministério da Saúde, e com a promulgação de portarias, tornando obrigatória a instituição de CCIH em todos os hospitais brasileiros.

Nessas portarias, é enfatizada a composição das CCIH, suas atividades, as competências de seus membros, bem como algumas recomendações e indicadores epidemiológicos para o controle das infecções.

A Lei Federal 6.431 de 6/1/97 instituiu a obrigatoriedade da existência da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e de um Programa de Controle de Infecções Hospitalares (PCIH), definido como um conjunto de ações desenvolvidas deliberada e sistematicamente, tendo como objetivo a redução máxima possível da incidência e gravidade das infecções nosocomiais. Em 13/5/98, o Ministério da Saúde editou a Portaria 2.616/98, com diretrizes e normas para a execução destas ações. Novas atribuições foram conferidas, destacando-se o uso racional de antimicrobianos, germicidas e materiais médico-hospitalares. Além disso, em conjunto com a Comissão de Farmácia e Terapêutica, deve-se definir uma política de utilização de antimicrobianos. Estas novas recomendações objetivam tornar mais atuante as ações de controle de infecção, integrando-as na estrutura administrativa da instituição, substituindo seu papel eminentemente consultivo para participar com maior profundidade dos processos decisórios, auxiliando a administração a dimensionar as prioridades de investimento para o aprimoramento da qualidade da assistência prestada.

CCIH surgiu então com a preocupação em se conhecer os índices de infecção hospitalar, e tem como principal responsabilidade, a implantação de ações de biossegurança, que corresponde à adoção de normas e procedimentos seguros e adequados à manutenção da saúde dos pacientes, dos profissionais e dos visitantes. O uso de tais medidas pressupõe que todos os profissionais podem ser potencialmente infectados com patógenos, e os acidentes com materiais pérfurocortantes é considerada uma urgência médica, sendo indicado o atendimento o mais precoce possível, embora alguns profissionais dêem pouca importância a esse fato pelo motivo de acharem que não irá causar danos para a saúde. A CCIH deve ser responsável por uma serie de medidas como o incentivo da correta higienização das mãos dos profissionais de saúde, o controle do uso de antimicrobianos, a fiscalização da limpeza e desinfecção de artigos e superfícies, entre outras ações.

Quem são os profissionais que participam de uma CCIH?

 É necessário que os profissionais que participam de uma CCIH possuam treinamento para a atuação nesta área. Há exigência legal para manutenção de pelo menos um médico e uma enfermeira na CCIH de cada hospital. Isto está regulamentado em portaria do Ministério da Saúde.

Outros profissionais do hospital também devem participar da CCIH. Eles contribuem para a padronização correta dos procedimentos a serem executados. Estes profissionais devem possuir formação de nível superior e são: farmacêuticos, microbiologistas, epidemiologistas, representantes médicos da área cirúrgica, clínica e obstétrica, uma nutricionista. Representantes da administração do hospital devem atuar também na CCIH para colaborar na implantação das recomendações.

Qual a finalidade de uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar?

 Uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) possui profissionais que deverão executar as seguintes tarefas:

-    Detectar casos de infecção hospitalar, seguindo critérios de diagnósticos previamente estabelecidos.

-    Conhecer as principais infecções hospitalares detectadas no serviço e definir se a ocorrência destes episódios de infecção está dentro de parâmetros aceitáveis. Isto significa conhecer a literatura mundial sobre o assunto e saber reconhecer as taxas aceitáveis de infecção hospitalar para cada tipo de serviço.

-    Elaborar normas de padronização para que os procedimentos realizados na instituição sigam uma técnica asséptica (sem a penetração de microrganismos), diminuindo o risco de o paciente adquirir infecção.

-    Colaborar no treinamento de todos os profissionais da saúde no que se refere à prevenção e controle das infecções hospitalares.

-    Realizar controle da prescrição de antibióticos, evitando que os mesmos sejam utilizados de maneira descontrolada no hospital.

-    Recomendar as medidas de isolamento de doenças transmissíveis, quando se trata de pacientes hospitalizados.

-    Oferecer apoio técnico à administração hospitalar para a aquisição correta de materiais e equipamentos e para o planejamento adequado da área física das unidades de saúde.

 O objetivo da CCIH dentro do hospital é oferecer condições de segurança a todos os clientes da instituição, de modo que as infecções hospitalares possam ser reduzidas a patamares muito baixos. A taxa zero é inatingível, porém  uma CCIH que atue de forma a construir um ambiente seguro para o cliente contribui de maneira significativa para evitar intercorrências durante o período de hospitalização.    

As atividades da CCIH dentro do hospital conferem em três pilares de atuação:  

O epidemiológico, que nos permite fazer um raio-x da instituição, através da obtenção de dados das infecções contraídas no hospital.  Obtidos através da busca ativa, esses dados são lançados em um software específico de controle de infecções, de tal forma que temos um banco de dados completo, com as taxas de infecção do hospital. A avaliação desses dados nos permite também determinar as bactérias que causam as infecções, de tal forma que, além de controlá-las melhor, permite também que as prescrições de antibióticos sejam mais adequadas, pois cada antibiótico é ativo contra tipos distintos de bactérias. Utilizamos essa ferramenta como um dado pró - ativo, focando os problemas e trabalhando em cima dos mesmos.   

O segundo pilar é o infectológico, no qual controlamos as prescrições de antibióticos de modo a não haver desequilíbrios que possam levar à resistência bacteriana aos medicamentos. Assim, diariamente é feito o controle, a avaliação e a adequação dos antibióticos prescritos em todo o hospital. Isso reduz os custos assistenciais e formata um melhor perfil de tratamento aos pacientes.    

O terceiro pilar é a prática constante de treinamentos e construção de rotinas em parceria com os colaboradores e o corpo clínico, favorecendo a redução dos índices de infecção no hospital. Atuamos de uma forma objetiva e prática para prevenir as infecções.

 

Ação do enfermeiro na infecção hospitalar

Na literatura, o papel do enfermeiro é preconizado em quatro áreas, a saber: administrativa, assistencial, ensino e pesquisa. No papel administrativo, o enfermeiro realiza o planejamento, a organização, a direção e o controle das atividades desenvolvidas nesta unidade. No papel assistencial, elabora um plano de cuidados, utilizando metodologia científica para prestar assistência individualizada e o papel de ensino é relevante porque estimula o enfermeiro a buscar conhecimento para propiciar o aperfeiçoamento da equipe de enfermagem. Como pesquisador, seja individualmente ou em equipe, poderá demonstrar a diferença que existe entre uma assistência que deriva da utilização de conhecimento científico comparada ao cuidado prestado, orientado para o cumprimento de tarefas, normas e rotinas.

Visto isso o enfermeiro é o profissional mais requisitado e mais capacitado para atuar no controle da infecção hospitalar visando:

  • Processo de Adequação do Ambiente - A adequação das vestimentas, do leito, dos consultórios, das enfermarias e outros elementos próximos.

  • Processo de Adequação do Meio-O equilíbrio do ambiente de trabalho, de lazer e outros. As medidas de saneamento básico e de organização e administração do sistema de trânsito.

  • Adequação do Ambiente - A ação do enfermeiro no controle de infecção hospitalar, como partícipe ou não de Comissão Específica.

  • Processo de Adequação do Ambiente - A Educação em Saúde às pessoas (sadias ou doentes), família ou comunidade; o treinamento em serviço (pessoal serviçal e de enfermagem) e a educação continuada das ações protetoras do meio ambiente hospitalar fazendo parte da função do enfermeiro.

O equilíbrio ou desequilíbrio do ambiente, a sua adequação ou inadequação afetará as relações de trocas de matéria, energia e informações e, por esta via, contribui para assegurar as condições de homeostasia do organismo ou para provocar desvios dessa condição. A Adequação do Ambiente é um pressuposto básico para harmonia das trocas e o conseqüente equilíbrio ou homeostasia do organismo. As trocas de matéria, energia e informações poderão ser adequadas ou inadequadas em função da favorabilidade ou não do ambiente. As ações de enfermagem dispensadas à adequação do ambiente constituem medidas facilitadoras das trocas entre o organismo e o meio, capazes de contribuírem para a promoção, proteção ou restauração da homeostasia. O enfermeiro deve atentar para todas as formas de poluição do ambiente que possam resultar em intercâmbios inadequados e comprometer a homeostasia da pessoa assistida.O risco de se adquirir uma infecção não se restringe só a hospitais com internação, nem só os de procedimentos de maior complexidade. É um risco que se corre diante de qualquer procedimento, seja ele mais ou menos complexo.

Por que a lavagem de mãos é importante na prevenção de infecções hospitalares?

 

O ato de lavar as mãos é o principal meio de prevenção de infecções dentro de o ambiente hospitalar. A lavagem das mãos evita, portanto, as infecções cruzadas do funcionário para com o paciente, do funcionário para outro funcionário, de paciente para funcionário e de funcionário para visitantes. As mãos abrigam a microbiota bacteriana transitória e a residente. Quando se lavam as mãos (com a técnica correta), eliminam-se bactérias da microbiota transitória e parte da residente, removendo microrganismos, células descamativas, sujidades e oleosidade da pele. Para evitar que funcionários seja fonte de contaminação, deve-se evitar o cumprimento de funcionário, paciente e visitante com as mãos sem a lavagem prévia; abrir ou fechar a porta do quarto do paciente com as mãos não lavadas e limpar o mobiliário do paciente sem o uso de luvas. Deve-se, portanto, lembrar que as luvas também são fontes de contaminação, devendo ser usadas com técnica e bom senso. É preciso lavar as mãos antes e após cada procedimento realizado, atos e funções fisiológicas, as refeições e o uso de luvas. Para a lavagem das mãos é necessário que haja pias. Estas deverão ser instaladas em quantidade suficiente, para que se economize tempo, movimento e energia do funcionário. O objetivo principal do processo de lavagem/higienização das mãos é o de reduzir a transmissão de microrganismos pelas mãos, prevenindo as infecções, uma vez que é as mãos o instrumento mais utilizado no cuidado ao paciente. Em alguns hospitais brasileiros, observam-se problemas relacionados à falta de pias, ou pias em número insuficiente, como também a ausência de dispensadores para sabão, fazendo-se necessário a utilização de anti-sépticos após a lavagem prévia das mãos. Nestes casos, é preciso que se estabeleça uma normatização dessa prática pela comissão de controle de infecção hospitalar (CCIH). Sabe-se o quanto é difícil mudar os hábitos, costumes, conceitos e, principalmente, comportamentos, mas se não se investir nessa simples atitude, nada se conseguirá. Para que isto ocorra de forma efetiva, deverão ser priorizados pela CCIH e estrutura máxima hospitalar, em parceria com os pacientes, familiares e/ou visitantes, treinamentos, aulas, pesquisas, além de um trabalho de “corpo-a-corpo” com as equipes multidisciplinares.

Como lavar as mãos

Retirar jóias (anéis, pulseira, relógio), uma vez que nesses objetos acumulam-se bactérias não removíveis com a lavagem das mãos. Abrir a torneira com a mão dominante sem encostar-se a pia, para não contaminar a roupa, quando não houver pedal. Molhar as mãos. Aplicar 3 a 5 ml de sabão líquido nas mãos. Ensaboar as mãos, formando espuma friccionando-as por 15 a 30 segundos, atingindo todas as suas faces (palma, dorso, espaços interdigitais, articulações, unhas e extremidades dos dedos). Enxaguar, deixando a água penetrar nas unhas e espaços interdigitais (mão em forma de concha). Retirar toda a espuma e os resíduos de sabão, sem deixar respingar água na roupa e no piso. A formação de espuma extrai e facilita a eliminação de partículas. Secar as mãos com papel toalha descartáveis (duas folhas). Se a torneira for manual, usar o mesmo papel toalha para fechá-la. Desprezar o papel toalha na lixeira.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BRASIL. Manual de Microbiologia Clinica para o controle de Infecção Em Serviços de Saúde. Editora: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Salvador, 30 de agosto de 2004.

www.praticahospitalar.com.br

www.wikipedia.org

www.cve.saude.sp.gov.br

www.hospitalhcr.com.br

www.anvisa.gov.br

www.fmt.am.gov.br

www.saude.sc.gov.br

www.ccih.med.br

www.portal.saude.rj.gov.br

www.estudanraras.com.br

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