Anatomia - apostila - Sistema Cardiovascular

Anatomia - apostila - Sistema Cardiovascular

(Parte 2 de 3)

Vejamos um exemplo: A área de secção de reta da artéria aorta é de aproximadamente 2,5 cm2. Já a área de secção de reta de todos os capilares existentes no nosso corpo (somados) seria de, aproximadamente, 1000 vezes maior do que a da aorta (2,5 cm2 x 1.0 = 2500 cm2 = 25 m2).

A velocidade do sangue na artéria aorta é de, aproximadamente, 30 cm/segundo. Sendo assim, a velocidade do sangue num capilar seria de, aproximadamente, 1.0 vezes menor, ou seja, 30 cm/seg / 1.0 = 0,3 m/seg.

f. CONTROLE DA PRESSÃO

Conforme pudemos constatar no tópico “hemodinâmica”, o fluxo sanguíneo no interior dos vasos depende diretamente da pressão arterial: quanto maior a pressão, maior é o fluxo. Portanto, é muito importante que nós tenhamos uma adequada pressão arterial, pois, se esta for muito baixa, o fluxo será insuficiente para nutrir todos os tecidos; por outro lado, uma pressão excessivamente elevada pode, além de sobrecarregar o coração, acelerar o processo de envelhecimento das artérias e, pior ainda, aumentar o risco de um acidente vascular (do tipo derrame cerebral).

Para que a pressão arterial em nosso corpo não seja nem elevada demais nem baixa demais, possuímos alguns sistemas que visam controlar nossa pressão arterial.

Destacamos abaixo 3 mecanismos importantes que atuam no controle de nossa pressão arterial:

Como o próprio nome diz, envolve a importante participação do Sistema Nervoso. Não é o mecanismo mais importante, porém é o mais rápido em sua ação.

Situado no tronco cerebral, na base do cérebro, um circuito neuronal funciona a todo o momento, estejamos nós acordados ou dormindo, em pé ou sentados ou mesmo deitados, controlando, entre outras coisas, a nossa freqüência cardíaca, força de contração do coração e tônus vascular de grande parte de nossos vasos. Tal circuito denomina-se Centro Vasomotor.

Quanto maior a atividade do centro vasomotor, maior é a freqüência cardíaca, maior é a força de contração do coração e maior é a vasoconstrição em um grande número de vasos.

Ora, o aumento da freqüência cardíaca e da força de contração provocam um aumento no Débito Cardíaco; o aumento na vasoconstrição provoca um aumento na resistência ao fluxo sanguíneo. Lembremos da seguinte fórmula:

PRESSÃO ARTERIAL = DÉBITO CARDÍACO x RESISTÊNCIA

Podemos então concluir que, o aumento da atividade do Centro Vasomotor induz a um conseqüente aumento na Pressão Arterial.

Na parede da artéria aorta, numa região denominada croça da aorta, e também nas artérias carótidas, na região onde as mesmas se bifurcam (seios carotídeos), possuímos um conjunto de células autoexcitáveis que se excitam especialmente com a distensão dessas grandes e importantes artérias. A cada aumento na pressão hidrostática no interior dessas artérias, maior a distensão na parede das mesmas e, conseqüentemente, maior é a excitação dos tais receptores. Por isso estes receptores são denominados baroceptores (receptores de pressão). Acontece que esses baroceptores enviam sinais nervosos inibitórios ao Centro Vasomotor, reduzindo a atividade deste e, conseqüentemente, reduzindo a pressão arterial.

Portanto, quando a pressão naquelas importantes artérias aumenta (ex.: no momento em que deitamos), os baroceptores aórticos e carotídeos se tornam mais excitados e, com isso, inibem mais intensamente o nosso Centro Vasomotor, localizado no tronco cerebral. Com isso a nossa pressão arterial diminui; por outro lado, quando a pressão naquelas artérias diminui (ex.: no momento em que nos levantamos), os tais baroceptores se tornam menos excitados e, com isso, inibem menos intensamente o nosso Centro Vasomotor, o que provoca um aumento na pressão arterial.

Este é o mais importante e pode ser subdividido em 2 mecanismos: hemodinâmico e hormonal.

Hemodinâmico:

Um aumento na pressão arterial provoca também um aumento na pressão hidrostática nos capilares glomerulares, no nefron. Isto faz com que haja um aumento na filtração glomerular, o que aumenta o volume de filtrado e, conseqüentemente, o volume de urina. O aumento na diurese faz com que se reduza o volume do nosso compartimento extracelular. Reduzindo tal compartimento reduz-se também o volume sanguíneo e, conseqüentemente, o débito cardíaco. Tudo isso acaba levando a uma redução da pressão arterial.

Hormonal:

Uma redução na pressão arterial faz com que haja como conseqüência uma redução no fluxo sanguíneo renal e uma redução na filtração glomerular com conseqüente redução no volume de filtrado. Isso faz com que umas células denominadas justaglomerulares, localizadas na parede de arteríolas aferentes e eferentes no nefron, liberem uma maior quantidade de uma substância denominada renina. A tal renina age numa proteína plasmática chamada angiotensinogênio transformando-a em angiotensina-1. A angiotensina-1 é então transformada em angiotensina-2 através da ação de algumas enzimas. A angiotensina-2 é um potente vasoconstritor: provoca um aumento na resistência vascular e, conseqüentemente, aumento na pressão arterial; além disso, a angiotensina-2 também faz com que a glândula supra-renal libere maior quantidade de um hormônio chamado aldosterona na circulação. A aldosterona atua principalmente no túbulo contornado distal do nefron fazendo com que no mesmo ocorra uma maior reabsorção de sal e água. Isso acaba provocando um aumento no volume sanguíneo e, conseqüentemente, um aumento no débito cardíaco e na pressão arterial.

É o mais simples de todos: Através dos numerosos capilares que possuímos em nossos tecidos, o sangue flui constantemente graças a uma pressão hidrostática a qual é submetido. Os capilares são fenestrados e, portanto, moléculas pequenas como água podem, com grande facilidade e rapidez, passar tanto de dentro para fora como de fora para dentro dos através da parede dos capilares. A pressão hidrostática, no interior dos capilares, força constantemente a saída de água para fora dos capilares. Felizmente há uma pressão oncótica (ou pressão coloidosmótica), exercida por colóides em suspensão no plasma (como proteínas plasmáticas) que força, também constantemente, a entrada de água para dentro dos capilares. Normalmente há um certo equilíbrio: a mesma quantidade de água que sai, também entra. Mas quando ocorre um aumento ou redução anormal na pressão hidrostática no interior dos capilares, observamos também um aumento ou uma redução mais acentuada na saída de água através da parede dos mesmos capilares. Isso faz com que fiquemos com um volume sanguíneo mais reduzido ou mais aumentado, dependendo do caso, o que certamente influi na pressão arterial, reduzindo-a ou aumentando-a.

g. A CIRCULAÇÃO

Sistema Arterial

Conjunto de vasos que saem do coração e se ramificam sucessivamente distribuindo-se para todo o organismo. Do coração saem o tronco pulmonar (relacionase com a pequena circulação, ou seja, leva sangue venoso para os pulmões através de sua ramificação, duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda) e a artéria aorta (carrega sangue arterial para todo o organismo através de suas ramificações).

Estrutura: 1- Túnica externa: é composta basicamente por tecido conjuntivo. Nesta túnica encontramos pequenos filetes nervosos e vasculares que são destinados à inervação e a irrigação das artérias. Encontrada nas grandes artérias somente. 2- Túnica média: é a camada intermediária composta por fibras musculares lisas e pequena quantidade de tecido conjuntivo elástico. Encontrada na maioria das artérias do organismo. 3- Túnica íntima: forra internamente e sem interrupções as artérias, inclusive capilares. São constituídas por células endoteliais.

Ramificações: 1- Ramos colaterais: surgem dos troncos principais em ângulo agudo, em ângulo reto ou em ângulo obtuso. 2- Ramos terminais: são os que irrigam com certa exclusividade um determinado território. São os ramos mais ditais.

Relação volumétrica: a soma da área dos lumes dos ramos distais é sempre maior que a área do vaso que lhe deu origem.

Anastomose: significa ligação entre artérias, veias e nervos os quais estabelecem uma comunicação entre si. A ligação entre duas artérias ocorre em ramos arteriais, nunca em troncos principais. Às vezes duas artérias de pequeno calibre se anastomosam para formar um vaso mais calibroso. Freqüentemente a ligação se faz por longo percurso, por vasos finos, assegurando uma circulação colateral.

Relações: 1- Com as veias: a norma geral é que uma artéria seja acompanhada por pelo menos uma veia, sendo chamadas veias satélites. Artérias de grosso calibre geralmente são acompanhadas por uma veia e artérias de média e pequeno calibre são seguidas em seu trajeto por duas veias. 2- Com os músculos: certos músculos servem como ponto de reparo às artérias que os acompanham, sendo chamados de músculos satélites, como por exemplo o músculo esternocleidomastóideo que acompanha a artéria carótida comum. 3- Com as articulações: as artérias sempre passam pela superfície flexora da articulação.

Algumas artérias importantes do corpo humano Sistema do tronco pulmonar: o tronco pulmonar sai do coração pelo ventrículo direito e se bifurca em duas artérias pulmonares, uma direita e outra esquerda. Cada uma delas se ramifica a partir do hilo pulmonar em artérias segmentares pulmonares.

Este sistema leva sangue venoso para os pulmões para que ocorra a troca de gás carbônico por oxigênio.

Sistema da aorta (sangue oxigenado): a artéria aorta sai do ventrículo esquerdo e se ramifica na porção ascendente em duas artérias coronárias, uma direita e outra esquerda que vão irrigar o coração. Logo em seguida a artéria aorta se encurva formando um arco para a esquerda dando origem a três artérias (artérias da curva da aorta) sendo elas: 1 - Tronco braquiocefálico arterial 2 - Artéria carótida comum esquerda 3 - Artéria subclávia esquerda

O tronco braquiocefálico arterial origina duas artérias: 1 - Artéria carótida comum direita 2 - Artéria subclávia direita

A artéria subclávia (direita ou esquerda), logo após o se início, origina a artéria vertebral que vai auxiliar na vascularização cerebral, descendo em direção a axila ela, a subclávia, recebe o nome de artéria axilar, e quando finalmente atinge o braço seu nome muda de novo mas agora para artéria braquial (umeral). Na região do cotovelo ela emite dois remos terminais que são as artérias radial e ulnar que vão percorrer o antebraço. Na mão essas duas artérias se anastomosam formando um arco palmar profundo que origina as artérias digitais palmares comuns e as artérias metacarpianas palmares que vão se anastomosar.

As artérias digitais palmares originam as artérias digitais palmares próprias para cada dedo.

Artéria carótida comum (esquerda ou direita): esta artéria se ramifica em: 1 - Artéria carótida interna (direita ou esquerda) 2- Artéria carótida externa (direita ou esquerda)

Artéria carótida interna: penetra no crânio através do canal carotídeo dando origem a três ramos colaterais: artéria oftálmica, artéria comunicante posterior e artéria coriódea posterior. E mais dois ramos terminais: artéria cerebral anterior e artéria cerebral média.

Polígono de Willis:

A vascularização cerebral é formada pelas artérias vertebrais direita e esquerda e pelas artérias carótidas internas direita e esquerda.

As vertebrais se anastomosam originado a artéria basilar, alojada na goteira basilar, ela se divide em duas artérias cerebrais posteriores que irrigam a parte posterior da face inferior de cada um dos hemisférios cerebrais.

As artérias carótidas internas em cada lado originam uma artéria cerebral média e uma artéria cerebral anterior.

As artérias cerebrais anteriores se comunicam através de um ramo entre elas que é a artéria comunicante anterior.

As artérias cerebrais posteriores se comunicam com as arteriais carótidas internas através das artérias comunicantes posteriores.

Artéria carótida externa: irriga pescoço e face. Seus ramos colaterais são: artéria tireoíde superior, a. lingual, a. facial, a. occipital, a. auricular posterior e a. faríngea ascendente. Seu ramos terminais são: artéria temporal e artéria maxilar.

Artéria aorta porção torácica:

Após a curva ou arco aórtico, a artéria começa a descer do lado esquerdo da coluna vertebral dado origem aos ramos:

Viscerais (nutrem os órgãos): 1 – Pericárdicos 2 – Bronquiais 3 – Esofágicos 4 – Mediastinais

Parietais (irrigam a parede dos órgãos) 5 – Intercostais posteriores 6 – Subcostais 7 – Frênicas superiores

Artéria aorta parte abdominal:

Ao atravessar o hiato aórtico do diafragma até a altura da quarta vértebra lombar, onde termina, a aorta é representada pela porção abdominal.

Nesta porção a aorta fornece vários ramos colaterais e dois terminais.

Ramos colaterais: Ramos parietais: 1 - Artéria frênica inferior 2 - Artérias lombares

Ramos viscerais: 1 - Tronco celíaco que origina:

Artéria gástrica esquerda Artéria esplênica que da origem a artéria gastroepiplóica esquerda. Artéria hepática comum fornece vários ramos colaterais: artéria gástrica direita, artéria gastro duodenal e artéria gastro-epiplóica direita; e apenas um ramo terminal: Artéria hepática própria. 2 - Artéria mesentérica superior 3 - Artéria mesentérica inferior 4 - Artéria supra-renal média (par) 5 - Artéria renal (par) 6 - Artéria gonadal (par) 7 - Artéria sacral mediana

Os ramos terminas da artéria aorta são artéria ilíaca comum direita e artéria ilíaca comum esquerda.

Artéria ilíaca comum (direita e esquerda): dão origem às artérias ilíaca interna e externa direita e esquerda. Artéria ilíaca interna (direita e esquerda): vascularização dos órgão genitais. Artéria ilíaca externa (direita e esquerda): Ramos colaterais: 1 - Artéria epigástrica inferior 2 - Artéria circunflexa profunda do ílio Seu ramo terminal é a artéria femoral.

Artéria femoral: desce a coxa e na altura do joelho na parte flexora está artéria recebe o nome de artéria poplítea. Artéria poplítea: origina a artéria tibial anterior e a artéria tibial posterior que vão irrigar a perna. Artéria tibial anterior: Na parte flexora do tornozelo ela muda de nome para dorsal do pé. Artéria dorsal do pé: Ramos: 1 - Artéria társica lateral 2 - Artéria társica medial 3 - Artéria primeira metatársica dorsal 4 - Artéria plantar profunda

Artéria tibial posterior: Ramos: 1 – Fibular 2 – Nutrícia 3 – Musculares 4 - Maleolar medial posterior 5 – Comunicante 6 - Calcanear medial 7 - Plantar medial 8 - Plantar lateral

Sistema Venoso

É constituído por tubos chamados de veias que tem como função conduzir o sangue dos capilares para o coração. As veias, também como as artérias, pertencem a grande e a pequena circulação.

O circuito que termina no átrio esquerdo através das quatro veias pulmonares trazendo sangue arterial dos pulmões chama-se de pequena circulação ou circulação pulmonar. E o circuito que termina no átrio direito através das veias cavas e do seio coronário retornando com sangue venoso chama-se de grande circulação ou circulação sistêmica.

Em relação à forma: é variável quanto mais cheia mais cilíndrica e quanto mais vazia mais achatada. Fortemente distendidas apresentam a forma nodosa devido à presença de válvulas.

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