Livro Eng Prod topicos aplicações

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ambientes inovadores

A Gestão da Qualidade, assim, tanto pelo impacto do perfil atual do consumidor brasileiro quanto pelas novas prioridades que assume, está essencialmente associada à inovação. Hoje, por exemplo, é dedicada enorme atenção ao estudo de indicadores que possam avaliar métodos e processos da gestão da qualidade em

Uma análise do quadro atual permite traçar um modelo geral de como a inovação caracteriza o projeto da Gestão da Qualidade.

processos produtivos

No âmbito da qualidade, de modo geral, há dois modos de entender inovação: no (1) ambiente macroeconômico e em (2)

As inovações no ambiente macro-econômico têm como meta a eficácia, ou seja, a busca de resultados positivos (globais ou pontuais) para a organização. A estratégia para tanto consiste em viabilizar produtos diferenciados, adequado aos cenários em

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específicas

constante mutação. Há dois conjuntos de meios que caracterizam a inovação neste ambiente: 1. Oferta de bens, serviços e métodos inovadores para o consumidor. Exemplos: Alimentação: Refeições personalizadas feitas na casa do cliente; Saúde: Planos de saúde para grupos de organizações. Métodos de seleção do plano de saúde mais adequado a cada organização. 2. Demanda inovadora, ou seja, a demanda por novos bens, serviços e métodos. Exemplo: Alimentação: Serviços de restaurante para situações específicas (rotisseries, self-service, comida regional, etc.). Saúde: Planos de saúde adequados a públicos-alvos específicos. Em termos de processos produtivos, ações inovadoras têm como meta a busca por níveis crescentes de eficiência. A estratégia para tanto consiste na otimização dos processos produtivos, ou seja, no desenvolvimento de métodos que visam a gerar melhorias em termos das operações produtivas - mesmo em caso de produtos ou processos tradicionais. Há também dois conjuntos de meios que identificam a inovação neste ambiente: 1. Processos produtivos inovadores no todo. Exemplos: Alimentação: Alimentos orgânicos, cultivados sem fertilizantes químicos ou agrotóxicos, dietéticos, ou com outras propriedades Rodovias: Novos métodos de construção, terceirizando-se o processo desde o início. Gestão pública: Modelos de gestão com indicadores de resultados. 2. Processos produtivos inovadores em partes. Exemplos:

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ambiente ou são reutilizáveis
 Rodovias: Concessão e cobrança de pedágios

Alimentação: Uso de embalagens que não agridem o meio- Gestão pública: Terceirização.

avanço tecnológico

Observe-se que há setores que são por si mesmos inovadores, e podem ser inseridos nas duas situações – como Call centers, Telefonia móvel, Internet e TV a cabo. De outra parte há setores que sempre inovam até por questões de sobrevivência – como o turismo e a prestação de serviços laboratoriais. No primeiro caso, para diversificar ofertas; no segundo, para acomodar os serviços ao

9. Uma visão conclusiva

O que esta rápida análise revela parece relativamente simples.

Os conceitos da qualidade são antigos. Muitos permanecem válidos até hoje; outros foram se alterando por conta da caminhada evolutiva da humanidade. Neste processo de adaptação permanente, a qualidade manteve sua essência: o permanente ajuste ao momento atual e ao contexto em que a organização se insere.

tenha um período de validade, ou uma vida útil, cada vez menor

As maiores mudanças talvez estejam na amplitude do contexto, que se dilatou a ponto de circunscrever todo o planeta, e na velocidade das mudanças, que fez com que a palavra “atual”

Talvez por isso, o conceito de inovação tão bem se adaptou às necessidades conceituais e às práticas da qualidade. Afinal, inovação é um processo de mudança que conduz ao aparecimento de novas formas, de novas situações, de novos hábitos, de novos valores – enfim, de uma nova cultura. E é um conceito que opera em mão dupla – tanto um produto pode ser inovador por atender a uma nova necessidade ou por gerar uma nova necessidade. O acendedor automático de fogões exemplifica o primeiro caso; o

38| Tópicos e Aplicações telefone móvel, o segundo. No primeiro caso, há um comportamento estratégico de suprir carências (chega primeiro quem descobre o problema e encontra uma solução para ele). No segundo, a postura estratégica está em antecipar-se às possíveis mudanças.

Em ambos os casos, o conceito de diferenciação está bem caracterizado.

Assim, conclusivamente, as crises e transformações forçaram as organizações a assumir posturas estratégicas. E as organizações que venceram os desafios que se lhes foram impostos foram exatamente aquelas de perfil diferenciado.

Operacional, Gestão Tática e da Gestão Estratégica

Neste contexto, o que fica mais claro é que essas situações históricas que representaram alterações significativas e repentinas rupturas nos equilíbrios internos e externos das organizações conduzem a um processo de evolução natural, qual seja, a passagem de uma postura meramente operacional para um comportamento essencialmente estratégico. Assim, é possível que o processo de mutação compatível com a realidade hoje fique mais bem definido quando se considera os ambientes da Gestão

pode-se caracterizar cada ambiente como segue:

Em certo sentido, estes ambientes organizaram o desenvolvimento da história da qualidade. Esquematicamente,

A visão operacional – Gestão Operacional da Qualidade: Eliminação de defeitos.

Eliminação de desperdícios.

Redução de custos.

Rotinas de operação.

Controle de processos produtivos.

Otimização de processos.

Controle da qualidade.

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Garantia da qualidade.

A visão tática – Gestão Tática da Qualidade: Formação e qualificação dos recursos humanos.

Posturas gerenciais.

 Modelos de Gestão da Qualidade

A visão estratégica – Gestão Estratégica da Qualidade: Mercados abertos.

Concorrência.

Necessidade de sobreviver.

Atenção ao consumidor.

O zelo pela marca.

Impacto social da qualidade.

 Responsabilidade social

Visão ampla e de futuro.

QUALIDADE: Comportamento diferenciado.

A figura 1 ilustra bem este processo (Fonte: Paladini e Carvalho, 2010).

Figura 1 – Crescimento da Organização – Visão Estratégica

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Por ela, se nota que a Gestão Operacional tem alcance limitado a uma parte do mercado, sendo que a maioria de suas ações envolve aspectos internos da organização. É o caso das atividades visando à manutenção de equipamentos, por exemplo. A Gestão Tática transcende a organização, embora ainda fique restrita ao cenário externo formado apenas pelos consumidores. É o caso dos processos de formação e atualização dos recursos humanos das organizações. Já a Gestão Estratégica transcende a organização e o mercado, com suas ações alcançando a sociedade.

próximo

Esta mesma figura ajuda a atender como crises e transformações tanto afetam a Gestão da Qualidade. Basta inverter o sentido das setas para se observar que a Gestão Estratégica é mais sensível às mudanças externas no âmbito da sociedade e no contexto do mercado consumidor. Pelo que se viu, sempre foi assim no passado – desde o mais remoto até o mais recente. E não há nenhum razão para acreditar que isto venha a mudar em futuro

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42| Tópicos e Aplicações 42| Tópicos e Aplicações

Engenharia de Produção | 43 Gestão de Custos

A Gestão de Custos é uma subárea da Engenharia Econômica, esta segunda trata da avaliação de resultados econômicos organizacionais e de prover subsídios informacionais para auxiliar a tomada de decisão, seja de curto, médio ou longo prazo. A gestão de Custos abrange a implantação de dispo-sitivos de controle do consumo de materiais e de recursos e também do estudo das receitas, visando para auxilar o geren-ciamento eficiente da produção, para a formação de preços.

Nesta seção é apresentada uma discussão entre as principais ferramentas da gestão de custos a fim de auxiliar no aumento da competitividade

4| Tópicos e Aplicações 4| Tópicos e Aplicações

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Sumário do Capítulo

1. Introdução 2. Glossário da Gestão de Custos 3.Sistemas de Custeio 3.1 O Custeio Por Absorção 3.2 O Custeio Variável 3.3 O Custeio ABC

4.Considerações finais

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Renata Melo e Silva de Oliveira Raphael Araújo Barbosa

Resumo

Este capítulo possui dois objetivos: a) apresentar uma introdução dos novos conceitos de custos industriais, estabelecidos na primeira década do século XXI e b) descrever os principais processos e, também, são apontadas algumas dificuldades da implementação de alguns conceitos da gestão econômica em sistemas de produção. Para isso são apresentas as principais terminologias da área; resumos das principais ferramentas que apóiam as decisões gerenciais em custos e descreve resumidamente algumas aplicações dessa área na gestão de processos produtivos.

Palavras-chave: Gestão de Custo, Gestão Econômica, Métodos de Custeio

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1. Introdução

A necessidade de se conhecer melhor os custos de produção com o intuito de controlar, gerenciar e avaliar a eficiência operacional surgiu conjuntamente com revolução industrial no fim do século XIX, quando ficou evidenciado que não se poderia dedicar aos resultados contábeis dos sistemas de produção o mesmo tratamento ministrado as organizações mercantis. Posteriormente, durante o século X com o surgimento das estratégias de competição pelo menor preço, através de elevados volumes de produção de produtos com baixa flexibilidade; e com os princípios de maximização do uso dos recursos, que somente décadas depois incluiu nessa equação a variável de qualidade dos produtos e serviços, iniciou-se a ampla difusão de técnicas de controle dos gastos e da análise das margens de contribuição dos produtos para auxiliar a tomada de decisões.

Ao fim da primeira década do Século XXI o ambiente globalizado já havia alterado consistentemente as relações da indústria com a sociedade. Conseqüentemente, emergiram desse novo contexto elementos como a inovação tecnológica, sistemas produtivos altamente flexíveis e a geração de bens com ciclos de vida mais curtos devido à obsolescência tecnológica. Dessa forma, a eliminação dos desperdícios passou a ser vista não mais como uma ação necessária ao aumento da eficiência operacional, mas sim como um pré-requisito indispensável para colocar no mercado produtos mais competitivos e eficazes; sustentáveis e; detentores de margens de contribuição garantidoras da sobrevivência financeira da empresa.

Diante deste cenário de consumo e concorrência, a gestão econômica, que subsidia a boa parte das decisões organizacionais, alimenta-se prioritariamente dos dados gerados através da implementação dos sistemas de custeio, pois é essa é uma das

48| Tópicos e Aplicações principais fontes que irão alimentar as análises sobre a formação dos preços dos produtos, da lucratividade da empresa, dos custos e riscos de oportunidade de uma expansão no sistema produtivo e da aderência ao mercado por parte dos preços dos bens e serviços que são colocados à disposição.

Pelo exposto acima, constata-se a necessidade da utilização de ferramentas de que produzam informações com qualidade e quantidade suficientes para permitir uma gestão estratégica confiável, rápida e flexível, ou seja, que possibilitem aos gestores a tomada de decisões acertadas.

O conhecimento sobre custos, portanto, faz-se fundamental às empresas detentoras de sistemas de produção, principalmente, ao final de cada período em que passam por uma avaliação gerencial para conhecer seus resultados econômicos. Pensando nesta necessidade e na contribuição que modelos de sistemas de custeamento eficientes trazem a uma empresa industrial, apresenta-se neste capítulo a trama conceitual em que se baseiam as ações de controle, gestão e tomada de decisão para o acompanhamento dos gastos, da lucratividade e das margens de contribuição de produtos industrializados.

2. Glossário da Gestão de Custos

Nesta seção apresentam-se o conteúdo que define os sistemas de custeio, suas tipologias e resumidamente expõe as maneiras de aplicação do sistema de custeio. De um modo geral, custos podem ser definidos como medidas monetárias dos sacrifícios com os quais uma organização tem que arcar a fim de atingir seus objetivos (BRUNI E FAMÁ, 2009). Entretanto, do ponto de vista da gestão econômica, existem diferentes formas de interpretar os mesmos conceitos e conseqüentemente de desenvolver ações direcionadas à formação de preço, redução de gastos e maximização do uso dos recursos.

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Custos podem ser classificados, geralmente, como diretos e indiretos. Segundo Perez Jr. 2000, são custos diretos, aqueles que podem ser quantificados e identificados aos produtos e serviços e valorizados com relativa facilidade.

Os custos indiretos são aqueles que, por não serem perfeitamente identificados nos produtos ou serviços, não podem ser apropriados de forma direta para as unidades específicas, ordens de serviços ou produtos, serviços executados, etc. Dessa forma, requerem um tratamento especial para serem alocados aos produtos. São exemplos de custos indiretos gastos com energia elétrica, salários de supervisão, depreciação da infra-estrutura fabril e também de equipamentos e, para serem distribuídos aos produtos necessitam do estabelecimento de uma base de rateio.

A seguir são apresentados resumidamente os termos que constituem o glossário da área de gestão de custos, o qual foi definido a partir da adaptação de conceitos estabelecidos por autores como Bruni e Famá (2009). Martins (2003) e Leone (2000).

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