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10.4.3.1 Os equipamentos, dispositivos e ferramentas que possuam isolamento elétrico devem estar adequados às tensões envolvidas, e serem inspecionados e testados de acordo com as regulamentações existentes ou recomendações dos fabricantes.

10.4.4 As instalações elétricas devem ser mantidas em condições seguras de funcionamento e seus sistemas de proteção devem ser inspecionados e controlados periodicamente, de acordo com as regulamentações existentes e definições de projetos.

10.4.4.1 Os locais de serviços elétricos, compartimentos e invólucros de equipamentos e instalações elétri-

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Os locais de serviços elétricos, assim como as caixas que servem de invólucros para os equipamentos não devem ser usados como depósito de quaisquer objetos, inclusive componentes elétricos para reposição durante os trabalhos de manutenção. Esta exigência da NR-10 tem pelo menos duas razões de ser uma relacionada com a segurança dos trabalhadores e outra relacionada à garantia do componente que está sendo armazenado.

A primeira razão, relativa à segurança do trabalhador, vem do fato de que a introdução objetos nestes locais aumenta o risco de acidente. Nesta situação duas situações devem ser consideradas:

a primeira a introdução objetos de grande dimensões em locais de serviços elétricos, tais como subestações, que podem provocar quedas, aproximações indevidas às partes energizadas, por dificultar a circulação no local e a segunda a introdução de objetos de pequenas dimensões, como os componentes reservas para manutenção, nas caixas que servem de invólucro, neste caso o risco é de provocar de arco elétrico e contato acidental com as partes vivas. A segunda razão, relativa à qualidade dos componentes armazenados, não se pode garantir que um componente mantenha suas características e o seu desempenho quando armazenados em condições inadequadas. Um exemplo desta situação é o armazenamento de fusíveis no interior dos painéis e quadros para facilitar a sua reposição no caso de queima. Neste exemplo não se pode garantir o desempenho do fusível na momento em que se precisa substituir, este fusível pode ter sido usado e com isto já submetido a uma sobrecarga ou curto-circuito e não apresentar o desempenho original ou ainda, devido as condições inadequadas de armazenamento, ter absorvido a umidade do meio.

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10.4.5 Para atividades em instalações elétricas deve ser garantida ao trabalhador iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, de acordo com a NR 17 - Ergonomia, de forma a permitir que ele disponha dos membros superiores livres para a realização das tarefas.

10.4.6 Os ensaios e testes elétricos laboratoriais e de campo ou comissionamento de instalações elétricas devem atender à regulamentação estabelecida nos itens 10.6 e 10.7, e somente podem ser realizados por trabalhadores que atendam às condições de qualificação, habilitação, capacitação e autorização estabelecidas nesta NR.

10.5 - SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DESENERGIZADAS

10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas para trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a seqüência abaixo:

Para que os trabalhos de desenergização seja feita de forma eficaz é recomendável que seja elaborado um procedimento de trabalho específico para a desenergização das instalações elétricas. Neste procedimento deve ser atentado para o fato de que existem particularidades que devem ser consideradas para cada tipo de instalação, são exemplos destas particularidades:

Copyright © 2006-2008 Mi Omega Engenharia. Todos os direitos reservados 41 o aterramento temporário para uma instalação de baixa tensão não é executado da mesma forma que um aterramento temporário para uma instalação de alta tensão; o aterramento temporário em externas pode ser não ser executado da mesma forma que um aterramento temporário em uma instalação dentro de uma edificação.

Outro aspecto importante a ser considerado é o profissional que irá realizar os serviços de desenergização, este profissional deve ser um treinamento especial para esta tarefa, uma vez que a segurança dos trabalhadores que irão realizar os serviços nas instalações desenergizadas é determinada pela eficácia de suas ações.

A NR-10 determinou a seqüência de procedimentos de desenergização como uma medida de proteção coletiva dos riscos elétricos, por isto pode ser necessário executar outras atividades antes de que seja iniciado os trabalhos do processo de desenergização. Um exemplo de tarefa que pode ser necessária executar antes da desenergização é a interrupção da corrente com dispositivos adequados, se os dispositivos de seccionamento não tiverem a capacidade de interromper a corrente de carga. Em qualquer situação, sempre, antes de iniciar os trabalhos de desenergização da instalação elétrica o responsável pela tarefa de desergização deve identificar com precisão a zona de trabalho e os elementos da instalação em que irão realizar os trabalhos e deve transmitir esta informação com clareza ao supervisor dos trabalhos (conforme determina o item 10.1.6 da NR-10) e a todos os trabalhadores envolvidos na intervenção da instalação desenergizada.

Estas tarefas são muito importantes para garantir a segurança de todos os envolvidos na operação e das pessoas que estão no entorno da zona de trabalho e, ainda, faz parte do planejamento do trabalho determinado no item 10.1.7 da NR-10.

Como a tarefa de desenergização de uma instalação energizada é considerada pelo item 10.5.4 da NR-10 como um trabalho em instalações energizadas, por que há possibilidade de energização por qualquer meio ou razão, todos os trabalhadores que executam a tarefa de desenergizar a instalação devem ser autorizados a trabalhar com instalações elétricas energizadas, de acordo com o capítulo

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10.8 da NR-10. Portanto, enquanto não forem executadas todas as medidas determinadas no item 10.5.1 a instalação não é considerada desenergizada e sim desligada, e tratada, para fins de segurança, como instalação energizada.

a) seccionamento;

O seccionamento é definido como a ação destinada a cortar a alimentação de toda ou de uma parte determinada de uma instalação elétrica, separando-a de qualquer fonte de energia elétrica, por razões de segurança. O seccionamento é realizado através da abertura de um dispositivo de manobra mecânico que, na posição aberta, assegura uma distância de seccionamento, que é a distância de isolamento entre os contatos abertos de um dispositivo de manobra mecânico, que satisfaz os requisitos de segurança especificados. A distância de separação suficiente para garantir eletricamente o isolamento necessário depende do meio em que se realiza o seccionamento que pode ser ar ou outro meio isolante.

As normas de instalações elétricas especificam os requisitos necessários que um dispositivo seccionador deve atender para garantir a segurança dos trabalhadores. Para as instalações de baixa tensão a NBR 5410 as prescrições relativas ao dispositivos de seccionamento estão na seção 6.3.7.2. No caso das instalações de alta tensão até 36,2kV a NBR 14039 apresenta as prescrições na seção 6.3.6.1. Nos dois casos, instalações de baixa e alta tensão, as respectivas norma prescrevem que o seccionamento de circuito elétrico deve ser realizado com o uso de seccionadores, interruptoresseccionadores, disjuntores, remoção de fusíveis ou extração dos disjuntores.

b) impedimento de reenergização;

O objetivo desta medida é impedir que a medida de seccionamento, já realizada, seja anulada por um fechamento intempestivo

Copyright © 2006-2008 Mi Omega Engenharia. Todos os direitos reservados 43 ou acidental do dispositivo de seccionamento. Trata-se, pois de assegurar que não se possa produzir fechamentos intempestivos ou acidentais dos dispositivos de seccionamento, seja por uma falha técnica, erro humano ou causas imprevistas.

O impedimento de reenergização deve ser realizado, preferencialmente, por bloqueio dos dispositivos de seccionamento. Quando não for possível a utilização de bloqueios, deverão ser adotadas outras medidas que garantam uma proteção equivalente. Este bloqueio ou intertravamento podem ser de vários tipos:

a) O bloqueio mecânico consiste em imobilizar o comando do equipamento por meio de cadeados, fechaduras, etc, como mostrado na figura 5-a.

b) O bloqueio elétrico consiste em impedir o funcionamento do equipamento por meio da abertura de um circuito de comando e acionamento elétrico.

c) O bloqueio pneumático consiste em impedir o acionamento do equipamento atuando sobre a alimentação de ar comprimido.

d) O bloqueio físico consiste em colocar entre os contatos do equipamento um elemento isolante que impeça fisicamente o fechamento destes contatos, como mostrado na figura 5-b. O elemento isolante deve ter características adequadas: elétricas e dimensionais, devendo ser construído especificamente para este fim. Também pode ser considerado bloqueio mecânico o obtido por equipamentos extraíveis quando, depois de extraídos, são retirados do seu cubículo e estes são fechados por um meio seguro.

c) constatação da ausência de tensão;

A verificação da ausência de tensão se faz por meio de equipamento adequado, para comprovar que não há tensão naquela parte da instalação elétrica. A verificação de ausência de tensão deve ser feita em todas as partes vivas da instalação elétrica, no lugar onde se vai realizar os trabalhos e em todos os pontos onde foram isoladas as possíveis fontes de tensão. Esta comprovação deve ser efetuada sempre sob o pressuposto de que existe tensão.

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A verificação de ausência de tensão deve ser realizada nas três fases do sistema trifásico e no neutro, quando existir. Também é recomendado verificar a ausência de tensão em todas as massas acessíveis suscetíveis de ser colocada em acidentalmente em tensão.

A verificação de ausência de tensão deve ser realizada imediatamente antes de se efetuar a instalação de aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores dos circuitos, e no lugar onde se vão efetuar estas operações, a fim de reduzir ao mínimo a possibilidade de que uma fonte se conecte acidentalmente à instalação por erro ou acidente no intervalo de tempo entre a verificação de tensão e a instalação de aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores dos circuitos.

No caso de alta tensão, o correto funcionamento dos dispositivos de verificação de tensão deve ser comprovado antes e depois da verificação. Esta comprovação pode ser feita: a) tocando o detector em uma parte da instalação, que se tem certeza que está em tensão, onde o detector deve atuar, b) empregando um dispositivo de comprovação que gera uma média tensão. Ao tocar o detector, este deve atuar. Alguns tipos de detectores, por exemplo, os ópticos de duas lâmpadas e os óptico -acústicos levam já incorporado um dispositivo de comprovação, são, pois autocomprovantes. Estes verificadores de ausência de tensão somente detectam tensões de caráter alternado. Por tanto, não detectam tensões de caráter contínuo, que, podem estar armazenada nos capacitores, cabos e linhas aéreas. Os problemas de segurança devido à energia, em caráter contínua, armazenada, são resolvidos pela instalação de aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores dos circuitos.

Durante os ensaios de verificação de ausência de tensão, por razões de segurança, deve-se considerar que todo condutor ou equipamento está com tensão, enquanto não se demonstre o contrário. Portanto, devem ser tomadas as seguintes precauções:

a) usar todos os equipamentos de proteções adequados, b) manter as distâncias de segurança,

Copyright © 2006-2008 Mi Omega Engenharia. Todos os direitos reservados 45 c) comprovar a ausência de tensão em todos os condutores e equipamentos. Os equipamentos para comprovar a ausência de tensão, denominam-se detectores, ou verificadores de ausência de tensão. Para escolher um detector devem-se considerar os seguintes aspectos:

a) o detector pode ser de contato ou proximidade, b) pode emitir um sinal luminoso, acústico ou ambos, c) cada detector tem um campo de utilização definida por uma tensão inferior e uma superior (por exemplo, 6 kV a 25 kV, 25 kV a 110 kV etc.) fora do qual não deve ser utilizado e d) para uso interno ou externo.

d) instalação de aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores dos circuitos;

O aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores do circuito constitui uma medida preventiva de grande eficácia para proteger os trabalhadores da exposição a diferenças de potenciais perigosas, originadas por defeitos, erros ou situações que podem transmitir ou induzir nas instalações tensões imprevistas. Esta medida é a que garante a manutenção da segurança durante o todo o tempo em que durar o trabalho nas instalações.

Os condutores de um circuito ou de uma instalação elétrica estão: a) aterrados quando está diretamente conectada, a terra mediante elementos condutores, contínuos, sem soldas nem conectores. b) em curto-circuito, quando todos os seus elementos condutores estão diretamente unidos (conectados) entre si por condutores de resistência (impedância) desprezível. c) eqüipotencializado quando estão curtocircuitados e aterrados.

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Partes das instalações elétricas onde se vai trabalhar devem ser eqüipotencializadas e aterradas, segundo o item 10.5.1 d) da NR-10, nas seguintes condições:

a) nas instalações de alta tensão ou b) nas instalações de baixa tensão que, por indução ou por outras razões, podem ser colocados acidentalmente sob tensão. Nas instalações de alta tensão (tensão nominal superior a

1000 V) o aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores dos circuitos antes de se iniciar os trabalhos é sempre obrigatório. Para facilitar esta tarefa o item 10.3.5 da NR-10 determina que sempre que for tecnicamente viável e necessário, devem ser projetados dispositivos de seccionamento que incorporem recursos fixos de eqüipotencialização e aterramento do circuito seccionado. Quando os dispositivos de seccionamento não incorporarem os recursos fixos de eqüipotencialização e aterramento do circuito seccionado deve-se instalar dispositivos de aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores dos circuitos.

Nas instalações de baixa tensão quando existir risco de que os condutores do circuito seccionado possam ser energizados acidentalmente durante os trabalhos também deve-se instalar dispositivos de aterramento temporário com eqüipotencialização dos condutores dos circuitos. Este risco deve ser previamente avaliado em função das características da instalação, em geral, deve-se fazer o aterramento temporário e a eqüipotencialização quando ocorrer riscos nas instalações de baixa tensão similares aos que podem ocorrer nas instalações de alta tensão. Um exemplo de instalações elétricas de baixa tensão onde é obrigatória a instalação de aterramento temporário e eqüipotencialização dos condutores antes de se iniciar os trabalhos, é o das redes aéreas de baixa tensão com condutores nus.

a) nas instalações de alta tensão ou b) nas instalações de baixa tensão que, por indução ou por outras razões, podem ser colocados acidentalmente sob tensão. Nas instalações de alta tensão (tensão nominal superior a

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