Mecânica de motocicletas

Mecânica de motocicletas

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SENAI-RJ • Automotiva

FIRJAN−Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro

Eduardo Eugenio Gouvêa VieiraEduardo Eugenio Gouvêa VieiraEduardo Eugenio Gouvêa VieiraEduardo Eugenio Gouvêa VieiraEduardo Eugenio Gouvêa Vieira Presidente

Diretoria Corporativa Operacional

Augusto Cesar Franco de AlencarAugusto Cesar Franco de AlencarAugusto Cesar Franco de AlencarAugusto Cesar Franco de AlencarAugusto Cesar Franco de Alencar Diretor

SENAI – Rio de Janeiro

Fernando Sampaio Alves GuimarãesFernando Sampaio Alves GuimarãesFernando Sampaio Alves GuimarãesFernando Sampaio Alves GuimarãesFernando Sampaio Alves Guimarães Diretor Regional

Diretoria de Educação

RRRRRegina Maria de Fátima Tegina Maria de Fátima Tegina Maria de Fátima Tegina Maria de Fátima Tegina Maria de Fátima Torresorresorresorresorres Diretora

SENAI-RJ 2002

Ficha Técnica

Mecânica de Motocicletas 2002

SENAI – Rio de Janeiro Diretoria de Educação

Gerência de Educação ProfissionalLuis Roberto Arruda Gerência de Produto AutomotivoDarci Pereira Garios Produção EditorialVera Regina Costa Abreu Pesquisa de Conteúdo e RedaçãoDocentes da Agência de Manutenção Automotiva –

Unidade Tijuca

Revisão PedagógicaAlda Maria da Glória Lessa Bastos Revisão Gramatical e EditorialMário Élber dos Santos Cunha Revisão TécnicaDenver Brasil Pessôa Ramos

Sílvio Romero Soares de Souza Projeto GráficoArtae Design & Criação

SENAI – Rio de Janeiro GEP – Gerência de Educação Profissional Rua Mariz e Barros, 678 – Tijuca 20270-002 – Rio de Janeiro – RJ Tel.: (0xx21) 2587-1117 Fax: (0xx21) 2254-2884 http://w .rj.senai.br

Edição revista do material Mecânica de Motocicletas do SENAI-RJ, 2000.

Sumário

APRESENTAÇÃO9
UMA PALAVRA INICIAL1
CONSTITUIÇÃO DA MOTOCICLETA15
Breve histórico17
Sistemas básicos e outros componentes19
MOTORES29
Funcionamento do motor de combustão interna31
Motor de dois tempos36
PARTE SUPERIOR DO MOTOR43
Cilindros do motor45
Cabeçote do motor48
Mecanismo de acionamento das válvulas51
TRANSMISSÃO57
Componentes do conjunto motor/transmissão59
Conjunto do seletor de marchas6
Sistema de lubrificação do conjunto motor/transmissão68
SISTEMA ELÉTRICO71
Conceitos fundamentais de eletricidade73

PARTE INFERIOR DO MOTOR E SISTEMA DE 5

SISTEMA ELÉTRICO DA MOTOCICLETA87
Constituição do sistema elétrico da motocicleta89
Sistema de iluminação90
Constituição do sistema de carga94
Bateria de acumuladores97
Constituição do sistema de ignição102
Funcionamento do sistema de ignição110
Constituição do sistema de arranque118
SISTEMA DE ALIMENTAÇÃO123
Carburador125
Combustíveis líquidos132
Tanque de combustív el136
SISTEMA DE FREIOS139
Fluido de freios141
Tubulações142
Mecanismo do freio da roda dianteira143
Mecanismo do freio da roda traseira148
SISTEMA DE SUSPENSÃO151
Coluna de direção153
Suspensão dianteira156
Suspensão traseira159
SISTEMAS DE EMBREAGEM E DE LUBRIFICAÇÃO163
Sistema de embreagem165
Lubrificantes168
Sistema de lubrificação do conjunto motor-transmissão172

Mecânica de Motocicletas – Apresentação

A dinâmica social dos tempos de globalização exige dos profissionais atualização constante. Mesmo as áreas tecnológicas de ponta ficam obsoletas em ciclos cada vez mais curtos, trazendo desafios, renovados a cada dia e tendo como conseqüência para a educação a necessidade de encontrar novas e rápidas respostas.

Nesse cenário, impõe-se a educação continuada, exigindo que os profissionais busquem atualização constante durante toda a vida; e os docentes e alunos do SENAI-RJ incluem-se nessas novas demandas sociais.

É preciso, pois, promover, tanto para os docentes como para os alunos da educação profissional, as condições que propiciem o desenvolvimento de novas formas de ensinar e de aprender, favorecendo o trabalho de equipe, a pesquisa, a iniciativa e a criatividade, entre outros, ampliando suas possibilidades de atuar com autonomia, de forma competente.

Seguindo essa linha de pensamento, o SENAI-RJ organizou o curso Mecânica de Motocicletas.

Seu objetivo principal é contribuir para a formação continuada dos jovens e adultos que precisam enfrentar, com sucesso, os desafios de um mercado de trabalho cada dia mais exigente.

Para realizar o curso, você tem à sua disposição, além dos professores e um ambiente de sala de aula apropriado, este material didático, também bastante útil para orientar sua aprendizagem.

Nele, você vai encontrar todos os temas a serem trabalhados durante a realização do curso. Por essa razão, é importante ler, com freqüência e atentamente, cada parte que compõe o material, pois, assim, terá mais facilidade de acompanhar as aulas e organizar os conhecimentos adquiridos. Lembramos, no entanto, que essa leitura, por si só, não será suficiente para alcançar os objetivos pretendidos. Será necessário, ainda, que você tenha uma participação efetiva nas atividades de sala de aula, apresentando suas idéias, fazendo perguntas aos professores e demais colegas, e ouvindo o que eles têm a dizer. Também não se esqueça de que é através dessa troca de experiências que vamos aprendendo sempre e cada vez mais.

Um proveitoso estudo para você!

Apresentação

Mecânica de Motocicletas – Uma Palavra Inicial

Meio ambiente... Saúde e segurança no trabalho... O que é que nós temos a ver com isso?

Antes de iniciarmos o estudo deste material, há dois pontos que merecem destaque: a relação entre o processo produtivo e o meio ambiente; a questão da saúde e segurança no trabalho.

As indústrias e os negócios são a base da economia moderna. Produzem os bens e serviços necessários, e dão acesso a emprego e renda; mas, para atender a essas necessidades, precisam usar recursos e matérias-primas. Os impactos no meio ambiente muito freqüentemente decorrem do tipo de indústria existente no local, do que ela produz e, principalmente, de como produz.

É preciso entender que todas as atividades humanas transformam o ambiente. Estamos sempre retirando materiais da natureza, transformando-os e depois jogando o que “sobra” de volta ao ambiente natural. Ao retirar do meio ambiente os materiais necessários para produzir bens, altera-se o equilíbrio dos ecossistemas e arrisca-se ao esgotamento de diversos recursos naturais que não são renováveis ou, quando o são, têm sua renovação prejudicada pela velocidade da extração, superior à capacidade da natureza para se recompor. É necessário fazer planos de curto e longo prazo, a fim de diminuir os impactos que o processo produtivo causa na natureza. Além disso, as indústrias precisam se preocupar com a recomposição da paisagem e ter em mente a saúde dos seus trabalhadores e da população que vive ao redor de tais indústrias.

Com o crescimento da industrialização e a sua concentração em determinadas áreas, o problema da poluição aumentou e se intensificou. A questão da poluição do ar e da água é bastante complexa, pois as emissões poluentes se espalham de um ponto fixo para uma grande região, dependendo dos ventos, do curso da água e das demais condições ambientais, tornando difícil localizar, com precisão, a origem do problema. No entanto, é importante repetir que, quando as indústrias depositam no solo os resíduos, quando lançam efluentes sem tratamento em rios, lagoas e demais corpos hídricos, causam danos ao meio ambiente.

O uso indiscriminado dos recursos naturais e a contínua acumulação de lixo mostram a falha básica de nosso sistema produtivo: ele opera em linha reta. Extraem-se as matérias-primas através de processos de produção desperdiçadores e que produzem subprodutos tóxicos. Fabricam-se produtos de utilidade

Uma palavra inicial

Mecânica de Motocicletas – Uma Palavra Inicial

limitada que, finalmente, viram lixo, o qual se acumula nos aterros. Produzir, consumir e dispensar bens desta forma, obviamente, não é sustentável.

Enquanto os resíduos naturais (que não podem, propriamente, ser chamados de “lixo”) são absorvidos e reaproveitados pela natureza, a maioria dos resíduos deixados pelas indústrias não tem aproveitamento para qualquer espécie de organismo vivo e, para alguns, pode até ser fatal. O meio ambiente pode absorver resíduos, redistribuí-los e transformá-los. Mas, da mesma forma que a Terra possui uma capacidade limitada de produzir recursos renováveis, sua capacidade de receber resíduos também é restrita, e a de receber resíduos tóxicos praticamente não existe.

Ganha força, atualmente, a idéia de que as empresas devem ter procedimentos éticos que considerem a preservação do ambiente como uma parte de sua missão. Isto quer dizer que se devem adotar práticas que incluam tal preocupação, introduzindo processos que reduzam o uso de matérias-primas e energia, diminuam os resíduos e impeçam a poluição.

Cada indústria tem suas próprias características. Mas já sabemos que a conservação de recursos é importante. Deve haver crescente preocupação com a qualidade, durabilidade, possibilidade de conserto e vida útil dos produtos.

As empresas precisam não só continuar reduzindo a poluição como também buscar novas formas de economizar energia, melhorar os efluentes, reduzir a poluição, o lixo, o uso de matérias-primas. Reciclar e conservar energia são atitudes essenciais no mundo contemporâneo.

É difícil ter uma visão única que seja útil para todas as empresas. Cada uma enfrenta desafios diferentes e pode se beneficiar de sua própria visão de futuro. Ao olhar para o futuro, nós (o público, as empresas, as cidades e as nações) podemos decidir quais alternativas são mais desejáveis e trabalhar com elas.

Infelizmente, tanto os indivíduos quanto as instituições só mudarão as suas práticas, quando acreditarem que seu novo comportamento lhes trará benefícios – sejam estes financeiros, para sua reputação ou para sua segurança.

A mudança nos hábitos não é uma coisa que possa ser imposta. Deve ser uma escolha de pessoas bem-informadas a favor de bens e serviços sustentáveis. A tarefa é criar condições que melhorem a capacidade de as pessoas escolherem, usarem e disporem de bens e serviços de forma sustentável.

Além dos impactos causados na natureza, diversos são os malefícios à saúde humana provocados pela poluição do ar, dos rios e mares, assim como são inerentes aos processos produtivos alguns riscos à saúde e segurança do trabalhador. Atualmente, acidente do trabalho é uma questão que preocupa os empregadores, empregados e governantes, e as conseqüências acabam afetando a todos.

De um lado, é necessário que os trabalhadores adotem um comportamento seguro no trabalho, usando os equipamentos de proteção individual e coletiva; de outro, cabe aos empregadores prover a empresa com esses equipamentos, orientar quanto ao seu uso, fiscalizar as condições da cadeia produtiva e a adequação dos equipamentos de proteção.

A redução do número de acidentes só será possível, à medida que cada um – trabalhador, patrão e governo – assuma, em todas as situações, atitudes preventivas, capazes de resguardar a segurança de todos.

Mecânica de Motocicletas – Uma Palavra Inicial

Deve-se considerar, também, que cada indústria possui um sistema produtivo próprio, e, portanto, é necessário analisá-lo em sua especificidade, para determinar seu impacto sobre o meio ambiente, sobre a saúde e os riscos que o sistema oferece à segurança dos trabalhadores, propondo alternativas que possam levar à melhoria de condições de vida para todos.

Da conscientização, partimos para a ação: cresce, cada vez mais, o número de países, empresas e indivíduos que, já estando conscientizados acerca dessas questões, vêm desenvolvendo ações que contribuem para proteger o meio ambiente e cuidar da nossa saúde. Mas, isso ainda não é suficiente... faz-se preciso ampliar tais ações, e a educação é um valioso recurso que pode e deve ser usado em tal direção. Assim, iniciamos este material conversando com você sobre o meio ambiente, saúde e segurança no trabalho, lembrando que, no seu exercício profissional diário, você deve agir de forma harmoniosa com o ambiente, zelando também pela segurança e saúde de todos no trabalho.

Tente responder à pergunta que inicia este texto: meio ambiente, a saúde e a segurança no trabalho – o que é que eu tenho a ver com isso? Depois, é partir para a ação. Cada um de nós é responsável. Vamos fazer a nossa parte?

Constituição da motocicleta

Nesta Seção...

Breve histórico Sistemas básicos e outros componentes

Mecânica de Motocicletas – Constituição da Motocicleta

Breve histórico

A motocicleta é uma combinação dos princípios da bicicleta a motor com os da combustão interna.

A primeira motocicleta que se conheceu no mundo foi construída pelo alemão Gottlieb Daimler em 1885. No entanto, atribui-se sua invenção ao inglês Edward Butler, pela construção de um triciclo a motor em 1884.

O veículo não teve grande difusão até 1896, época em que passou a desenvolver maior velocidade e se incorporou, definitivamente, como principal meio de locomoção do homem.

As primeiras motocicletas não eram mais que bicicletas dotadas de motores, sem uma colocação uniforme e que, geralmente, serviam para mover a roda traseira por meio de corrente.

Em 1903, registrou-se a presença de mais de cinqüenta motocicletas de diferentes marcas e modelos, trafegando nas estradas inglesas, sendo algumas delas de origens francesa e belga. A fig. 1 ilustra a primeira bicicleta a motor, construída por Daimler em 1885.

Fig. 1Fig. 1Fig. 1Fig. 1Fig. 1

Mecânica de Motocicletas – Constituição da Motocicleta

Desenvolvimento da motocicleta

O uso da motocicleta, como meio de transporte, teve seu maior incremento durante as Primeira e

Segunda Guerras Mundiais. Nesse período, as mudanças ocorridas em sua estrutura original foram poucas. Destaca-se, como evolução técnica, a colocação do motor perto e embaixo do eixo da armação, cujo centro de gravidade significava controle mais seguro e maior estabilidade de direção.

Somente no início dos anos cinqüenta do século X é que essas máquinas foram aperfeiçoadas com a inclusão dos garfos telescópicos dianteiros e balancins traseiros, ambos com amortecimento hidráulico, ou seja, amortecedores de choque. Foi, ainda, nos referidos anos que se chegou à combinação do motor com caixa de engrenagens redutivas (câmbio), propiciando maior variação de velocidade ao veículo.

Mas, a popularidade das motocicletas só ocorreu a partir dos anos sessenta do citado século, quando se procedeu a mudanças circunstanciais no tocante à estética e aerodinâmica, em decorrência, por exemplo, do seu uso em competições esportivas.

Durante a crise mundial do petróleo em meados dos anos setenta, a produção mundial de motocicletas apresentou notável crescimento, sendo hoje o Japão seu maior produtor.

O Brasil passou a produzir o veículo a partir de 1958, lançando, no mercado consumidor, um tipo de moto derivada das motocicletas italianas lambreta e vespa, que tiveram seus dias de glória até meados de 1965. Somente em fins de 1976 é que se retomou a produção de motos, desta feita lançando um modelo, derivado da moto Honda japonesa, na categoria de 125 cilindradas, conforme ilustra a fig. 2.

Fig. 2 – Fig. 2 – Fig. 2 – Fig. 2 – Fig. 2 – Primeira motocicleta produzida em série no Brasil

Atualmente, o Brasil ocupa uma posição de destaque na produção mundial de motocicletas, fabricando motos de diversos modelos e categorias, como, por exemplo, a Trail para competição, de 250 cilindradas, produzida pela Honda Motor do Brasil e ilustrada pela fig. 3.

Mecânica de Motocicletas – Constituição da Motocicleta

Fig. 3Fig. 3Fig. 3Fig. 3Fig. 3

Sistemas básicos e outros componentes A motocicleta é constituída pelos sistemas indicados a seguir.

Chassi

É a peça principal na estrutura da motocicleta, pois nele estão montados todos os componentes dos diversos sistemas. Pode ser:

• de estrutura tubular – o tipo mais procurado, pois oferece maior estabilidade em cidades ou estradas, sendo utilizado nas motocicletas com motores superiores a 200cm3;

Fig. 4Fig. 4Fig. 4Fig. 4Fig. 4

Mecânica de Motocicletas – Constituição da Motocicleta

• de aço estampado ou prensado – costuma ser de duas peças de aço ou chapa metálica, soldadas em volta de uma costura central. Sob o ponto de vista industrial, é o mais econômico, porém com a desvantagem de ter maior peso que o tubular, além de ser muito rígido, o que dificulta os serviços de reparo e manutenção (fig. 5);

• baseado nos motores – sua constituição baseia-se mais no alojamento do motor do que no restante da estrutura da motocicleta. Seu custo de fabricação é pequeno. Às vezes, apresenta graves defeitos, como envergar-se e quebrar-se, pois utiliza o motor como peça auxiliar; exige especial cuidado quanto aos parafusos, que devem ser reapertados constantemente (fig. 6).

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