atributos diagnosticosSolos-RESUMO

atributos diagnosticosSolos-RESUMO

1 INTRODUÇÃO

A primeira classificação de solos no Brasil, baseada em conceitos essencial- mente pedológicos iniciou após a criação, em 1947, da Comissão de Solos do Ministério da Agricultura, precursora do atual Centro Nacional de Pesquisa de Solos da EMBRAPA, a qual tinha a missão de fazer o inventário nacional dos solos brasileiros.

O primeiro estado brasileiro a ser inventariado foi o do Rio de Janeiro, seguido pelo de São Paulo (BRASIL, 1960). O referencial utilizado para a classifi- cação do s solos foi inicialmente o de Baldwing et al. (1938) seguido pelo de Thorp & Smith (1949). Os termos Regossolo, Solo Aluvial, Solonchak, Solonetz,Planossolo, Gleissolo, Brunizém, Brunizém, Avermelhado, Podzol, Solo Bruno Não Cálcico, Laterítico Bruno-Avermelhado, entre outros,empregados até agora nos levantamen- tos de solos executados no Brasil, advêm daqueles sistemas.Por sua vez, o conceito de Latossolo baseava-se nos trabalhos de Kellog (1949) e Kellog & Davol (1949), enquanto o de Podzólico Vermelho-Amarelo, nos de Simonson (1949) e Winters & Simonson (1951) como assinalam Jacomine & Camargo (1995).

Logo porém, foi verificada a inadequação daqueles sistemas na identificação de solos tipicamente tropicais, quer porque os solos que iam sendo encontrados não se ajustavam ao conceito central de algumas daquelas classes ou porque não era encontrada qualquer corres - correspondência com o conceito das classes neles assinaladas. As denominações Podzólicos Vermelho – Amarelos variação Lins e Marília, PodzólicosVermelho-Amarelos variação Piracicaba e variação Laras, usadas no Levantamento dos Solos do Estado de São Paulo (Brasil, 1960) foram criadas para denominar solos que divergiam do conceito central das classificações.

2 MATERIAL ORGÂNICO

É aquele constituído por compostos orgânicos, podendo comportar proporção variavelmente maior ou menor de material mineral, desde que satisfaça os requisitos que se seguem:

Doze por cento ou mais de carbono orgânico (expresso em peso), se a fração mineral contém 60% ou mais de argila; 8% ou mais de carbono orgânico , se a fração mineral não contém argila; valores intermediários de carbono orgânico proporcionais a teores intermediários de argila (até 60%), isto é, % de C  8+(0,067 x % de argila), tendo por base valores de determinação analítica conforme o método adotado pelo Centro Nacional de Pesquisa de Solos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Solos) .

Em qualquer caso, o conteúdo de constituintes orgânicos impõe preponderância de suas propriedades sobre os constituintes minerais.

Critério derivado de FAO (1974) e Estados Unidos (1975).

3 Material mineral

É aquele formado, essencialmente, por compostos inorgânicos, em vários estágios de intemperismo. O material do solo é considerado material mineral quando não satisfizer os requisitos exigidos para material orgânico (item anterior).

Critério derivado de Estados Unidos (1975) e FAO (1974).

3.1 Atividade da fração argila

Refere-se à capacidade de troca de cátions correspondente à fração argila, calculada pela expressão: T x 100/% de argila. Atividade alta (Ta) designa valor igual ou superior a 27 cmolc/kg de argila, sem correção para carbono e atividade baixa (Tb), valor inferior a 27 cmolc/kg de argila, sem correção para carbono. Este critério não se aplica a solos das classes texturais areia e areia franca.

Para distinção de classes por este critério, é considerada a atividade da fração argila no horizonte B, ou no C, quando não existe B.

Critério derivado de Estados Unidos(1975).

3.2 Saturação por bases (Valor V%)

Refere-se à proporção (taxa percentual) de cátions básicos trocáveis em relação à capacidade de troca determinada a pH7. Alta

3.3 Caráter alumínico

Refere-se à condição em que o solo se encontra em estado dessaturado e caracterizado por teor de alumínio extraível  4 cmolc/kg de solo, além de apresentar saturação por alumínio  50% e/ou saturação por bases < 50%.

Para a distinção de solos mediante este critério é considerado o teor de alumínio extraível no horizonte B ou o horizonte C na ausência de B.

3.4 Mudança Textural Abrupta

Mudança textural abrupta consiste em um considerável aumento no teor de argila dentro de pequena distância na zona de transição entre o horizonte A ou E e o horizonte subjacente B. Quando o horizonte A ou E tiver menos que 20% de argila, o teor de argila do horizonte subjacente B, determinado em uma distância vertical 7,5cm, deve ser pelo menos o dobro do conteúdo do horizonte A ou E. Quando o horizonte A ou E tiver 20% ou mais de argila, o incremento de argila no horizonte subjacente B, determinado em uma distância vertical 7,5cm, deve ser pelo menos de 20% a mais em valor absoluto na fração terra fina (por exemplo: de 30% para 50%, de 22% para 42%).

Critério derivado de FAO (1974).

3.5caráter sódico

O caráter sódico é usado para distinguir que apresentem saturação por sódio (100Na+/T)  15%, em alguma parte da seção de controle que defina a classe.

Critério derivado de Estados Unidos (1954).

3.6 Caráter sálico

Propriedade referente à presença de sais mais solúveis em água fria que o sulfato de cálcio (gesso), em quantidade tóxica à maioria das culturas, expressa por condutividade elétrica no extrato de saturação maior que ou igual a 7dS/m (a 25 C), em alguma época do ano.

3.7 Caráter carbonático

Propriedade referente à presença de 15% ou mais de CaCO3 equivalente (% por peso), sob qualquer forma de segregação, inclusive concreções, desde que não satisfaça os requisitos estabelecidos para horizonte cálcico.

Critério derivado de Estados Unidos(1975).

3.8 Caráter com carbonato

Propriedade referente à presença de CaCO3equivalente (% por peso), sob qualquer forma de segregação, inclusive concreções, igual ou superior a 5% e inferior a 15%; esta propriedade discrimina solos sem caráter carbonático, mas que possuem horizonte com CaCO3.

Critério conforme o suplemento do Soil Survey Manual (Estados Unidos 1951)

3.9 Plintita

É uma formação constituída de mistura de argila, pobre em carbono orgânico e rica em ferro, ou ferro e alumínio, com quartzo e outros materiais. Ocorre comumente sob a forma de mosqueados vermelho, vermelho-amarelado e vermelho-escuro, com padrões usualmente laminares, poligonais ou reticulados. Quanto à gênese, a plintita se forma pela segregação de ferro, importando em mobilização, transporte e concentração final dos compostos de ferro, que pode se processar em qualquer solo onde o teor de ferro for suficiente para permitir a segregação do mesmo, sob a forma de manchas vermelhas brandas. A plintita não endurece irreversivelmente como resultado de um único ciclo de umedecimento e secagem. Depois de uma única secagem, ela se reumedece e pode ser dispersa em grande parte por agitação em água com agente dispersante.

No solo úmido a plintita é suficientemente macia, podendo ser cortada com a pá.

A plintita é um corpo distinto de material rico em óxido de ferro, e pode ser separada das concreções ferruginosas consolidadas (“ironstone”) que são extremamente firmes ou extremamente duras, sendo que a plintita é firme quando úmida e dura ou muito dura quando seca, tendo diâmetro >2mm e podendo ser separada da matriz, isto é, do material envolvente. Ela suporta amassamento e rolamento moderado entre o polegar e o indicador, podendo ser quebrada com a mão. A plintita quando submersa em água, por espaço de duas horas, não esboroa, mesmo submetida a suaves agitações periódicas, mas pode ser quebrada ou amassada após ter sido submersa em água por mais de duas horas.

As cores da plintita variam nos matizes 10R e 7,5YR, estando comumente associadas a mosqueados que não são considerados como plintita, como os bruno-amarelados, vermelho-amarelados ou corpos que são quebradiços ou friáveis ou firmes, mas desintegram-se quando pressionados pelo polegar e o indicador, e esboroam na água.

A plintita pode ocorrer em forma laminar, nodular, esferoidal ou irregular.

Critério derivado de Estados Unidos (1975) e Daniels et al. (1978).

3.10 Petroplintita

Material normalmente proveniente da plintita, que sob efeito de ciclos repetitivos de umedecimento e secagem sofre consolidação irreversível, dando lugar à formação de nódulos ou de concreções ferruginosas (“ironstone”, concreções lateríticas, canga, tapanhoacanga) de dimensões e formas variáveis (laminar, nodular, esferoidal ou irregular) individualizadas ou aglomeradas.

Critério derivado de Sys (1967) e Daniels et al. (1978).

3.11 Superfície de Fricção (“Slickensides”)

Superfície alisada e lustrosa, apresentando na maioria das vezes estriamento marcante, produzido pelo deslizamento e atrito da massa do solo causados por movimentação devido à forte expansibilidade do material argiloso por umedecimento. São superfícies tipicamente inclinadas, em relação ao prumo dos perfis.

Critério conforme Estados Unidos (1975).

3.12 contato lítico

Refere-se à presença de material endurecido subjacente ao solo (exclusive horizonte petrocálcico, horizonte litoplíntico, duripã e fragipã) cuja consistência é de tal ordem que mesmo quando molhadotorna a escavação com a pá reta impraticável ou muito difícil e impede o livre crescimento do sistema radicular, o qual fica limitado às fendas que por ventura ocorram. Tais materiais são representados pela rocha sã e por rochas sedimentares parcialmente consolidadas (R), tais como arenito, siltito, marga, folhelhos ou ardósia, ou por saprólito pouco alterado (CR).saturação especifica distinção de solos com saturação por bases igual ou superior a 50% e baixa saturação valores inferiores a este. Utiliza-se, ainda, o valor de V 65% para auxiliar na identificação do horizonte a chernozêmico.

Para a distinção entre classes de solos por este critério é considerada a saturação por bases no horizonte diagnóstico subsuperficial (B ou C). Na ausência destes horizontes a aplicação do critério é definida para cada classe específica.

No caso de solos ricos em sódio trocável ou de elevados teores de sais solúveis, o valor da saturação não deve ser levado em consideração devido à presença desses elementos que são nocivos à maioria das plantas cultivadas, além de provocar condições físicas desfavoráveis nos solos. Também o valor da saturação não deve ser levado em conta nos solos altamente intemperizados (tendentes a/ou com saldo de cargas positivas).

4 MATERIAIS SULFÍDRICOS

São aqueles que contêm compostos de enxofre oxidáveis e ocorrem em solos de natureza mineral ou orgânica, localizados em áreas encharcadas, com valor de pH maior que 3,5, os quais, se incubados na forma de camada com 1cm de espessura, sob condições aeróbicas úmidas (capacidade de campo), em temperatura ambiente, mostram um decréscimo no pH de 0,5 ou mais unidades para um valor de pH 4,0 ou menor (1:1 por peso em água, ou com um mínimo de água para permitir a medição) no intervalo de 8 semanas.

Materiais sulfídricos se acumulam em solo ou sedimento permanentemente saturado, geralmente com água salobra. Os sulfatos na água são reduzidos biologicamente a sulfetos à medida que os materiais se acumulam. Materiais sulfídricos, muito comumente, se acumulam em alagadiços costeiros, próximo a foz de rios que transportam sedimentos não calcários, mas podem ocorrer em alagadiços de água fresca se houver enxofre na água. Materiais sulfídricos de áreas altas podem ter se acumulado de maneira similar no passado geológico.

O termo saprólito refere-se a material resultante do intemperismo, mais ou menos intenso da rocha e que ainda mantém a estratificação original da mesma e pode apresentar qualquer dureza compatível com esta condição de rocha semi-alterada e conseqüentemente variados graus de limitações ao livre desenvolvimento do sistema radicular. O símbolo CR deverá ser empregado no saprólito escavável com pá reta com dificuldade de escavação moderada. As classes de dificuldade de escavação estão de acordo com as definições de Estados Unidos (EMBRAPA,1999, p.184).

Se um solo contendo materiais sulfídricos for drenado, ou se os materiais sulfídricos forem expostos de alguma outra maneira às condições aeróbicas, os sulfetos oxidam-se e formam ácido sulfúrico. O valor de pH, que normalmente está próximo da neutralidade antes da drenagem ou exposição, pode cair para valores abaixo de 3. O ácido pode induzir a formação de sulfatos de ferro e de alumínio. O sulfato de ferro, jarosita, pode segregar, formando os mosqueados amarelos que comumente caracterizam o horizonte sulfúrico. A transição de materiais sulfídricos para horizonte sulfúrico normalmente requer poucos anos e pode ocorrer dentro de poucas semanas. Uma amostra de materiais sulfídricos submetida à secagem ao ar à sombra, por cerca de 2 meses com reumedecimento ocasional, torna-se extremamente ácida.

Apesar de não haver especificação de critério de cor para materiais sulfídricos, os materiais de solo mineral (ou da coluna geológica) que se qualificam como sulfídricos apresentam, quase sempre, cores de croma 1 ou menor (cores neutras N). Por outro lado, materiais de solo orgânico sulfídrico comumente têm croma mais alto (2 ou maior). Os valores são 5 ou menores, mais comumente 4 ou menor. Os matizes são 10YR ou mais amarelos, ocasionalmente com matizes esverdeados ou azulados. Materiais sulfídricos geralmente não têm mosqueados, exceto por diferentes graus de cinza ou preto, a não ser que estejam iniciando um processo de oxidação, o qual pode causar a formação de óxidos de ferro em fendas ou canais.

Critério derivado de Estados Unidos (1994), Fanning et al. (1993) e Kämpf et al. (1997).

4.1 Caráter ácrico

Refere-se à soma de bases trocáveis (Ca2+, Mg2+, K+ e Na+) mais alumínio extraível por KCl 1N (Al3+) em quantidade igual ou inferior a 1,5 cmolc/kg de argila e que preencha pelo menos uma das seguintes condições:

  • pH KCl 1N igual ou superior a 5,0; ou

  • pH positivo ou nulo.

Critério derivado de FAO (1994) e Estados Unidos (1994).

4.2 Caráter epiáquico

Este caráter ocorre em solos que apresentam lençol freático superficial temporário resultante da má condutividade hidráulica de alguns horizontes do solo. Esta condição de saturação com água permite que ocorram os processos de redução e segregação de ferro nos horizontes que antecedem ao B e/ou no topo deste.

Um solo apresenta caráter epiáquico se ele é, temporariamente, saturado com água na parte superficial, a menos que tenha sido drenado, por um período suficientemente longo para possibilitar o aparecimento de condições de redução (isto pode variar de alguns dias nos trópicos a algumas semanas em outras áreas), exibindo padrões de cores provenientes de estagnação de água na parte superficial do solo.

O solo apresenta coloração variegada ou mosqueados, no mínimo comuns e distintos, devido aos processos de redução e oxidação. Os valores de croma aumentam em profundidade.

O padrão de mosqueado pode ocorrer abaixo do horizonte A ou da camada arável (horizonte Ap), ou imediatamente abaixo de um horizonte E, topo do horizonte B, ou no próprio horizonte E.

O padrão de distribuição das características de redução e oxidação, com concentrações de óxidos de ferro e/ou manganês no interior dos elementos estruturais (ou na matriz do solo se os elementos de estrutura estão ausentes), constitui uma boa indicação do caráter epiáquico.

Critério derivado de FAO (1998).

4.3 Caráter crômico

Refere-se à presença, na maior parte do horizonte B, excluído o BC, de predominância de cores (amostra úmida) conforme definido a seguir:

  • matiz 7,5YR ou mais amarelo com valor superior a 3 e croma superior a 4; ou

  • matiz mais vermelho que 7,5YR com croma maior que 4.

4.4 Caráter ebânico

Diz respeito à dominância de cores escuras, quase pretas, na maior parte do horizonte diagnóstico subsuperficial com predominância de cores conforme definido a seguir:

  • para matiz 7,5 YR ou mais amarelo:

  • cor úmida: valor <4 e croma < 3

  • cor seca: valor <6

  • para matiz mais vermelho que 7,5YR:

  • cor úmida: preto ou cinzento muito escuro (Munsell)

  • cor seca: valor <5

5 OUTROS ATRIBUTOS DIAGNÓSTICOS DO SOLO

Estes atributos, por si só, não diferenciam classes de solos, mas são características importantes que auxiliamna definição das mesmas.

5.1 Cerosidade

São películas muito finas de material inorgânico de naturezas diversas, orientadas ou não, constituindo revestimentos ou superfícies brilhantes nas faces de elementos estruturais, poros, ou canais, resultantes de movimentação ou segregação de material coloidal inorgânico (<0,002mm); quando bem desenvolvidos são facilmente perceptíveis, apresentando aspecto lustroso e brilho graxo, sendo as superfícies dos revestimentos usualmente livres de grãos desnudos de areia e silte. Comumente a parte constituída pela cerosidade, quando resultante de iluviação, contrasta com a matriz sobre a qual está depositada (parte interna dos elementos estruturais), tanto em cor, como em brilho e aparência textural. Nas saliências das arestas produzidas ao partir-se o agregado estrutural, podem se tornar expostos bordos de fratura de películas argilosas de recobrimento de agregado, perceptíveis por exame de seção transversal em lupa de dez ou sessenta aumentos.

Critério derivado de Estados Unidos (1975).

5.2 Superfície de compressão

São superfícies alisadas, virtualmente sem estriamento, provenientes de compressão na massa do solo em decorrência de expansão do material, podendo apresentar certo brilho quando úmidas ou molhadas.

Constitui feição mais comum a solos de textura argilosa ou muito argilosa, cujo elevado teor de argila ocasiona algo de expansibilidade por ação de hidratação, sendo que as superfícies não têm orientação preferencial inclinada em relação ao prumo do perfil e usualmente não apresentam essa disposição.

5.3 Gilgai

É o microrrelevo típico de solos argilosos que têm um alto coeficiente de expansão com aumento no teor de umidade.

Consiste em saliências convexas distribuídas em áreas quase planas ou configuram feição topográfica de sucessão de microdepressões e microelevações.

Critério conforme Estados Unidos (1975).

5.4 Autogranulação “self-mulching”

Propriedade inerente a alguns materiais argilosos manifesta pela formação de camada superficial de agregados geralmente granulares e soltos, fortemente desenvolvidos, resultantes de umedecimento e secagem. Quando destruídos pelo uso de implementos agrícolas, os agregados se recompõem normalmente pelo efeito de apenas um ciclo de umedecimento e secagem.

Critério conforme Estados Unidos (1975).

5.5 Relação silte/argila

Obtida dividindo-se a percentagem de silte pela de argila, resultantes da análise granulométrica. A relação silte/argila serve como base para se ter uma idéia do estágio de intemperismo presente em solos de região tropical. É empregada em solos de textura franco arenosa ou mais fina e indica baixos teores de silte quando apresenta, na maior parte do horizonte B, valor inferior a 0,7 nos solos de textura média ou inferior a 0,6 nos solos de textura argilosa ou muito argilosa. Essa relação é utilizada para diferenciar horizonte B latossólico de B incipiente, quando eles apresentam características morfológicas semelhantes, principalmente para solos cujo material de origem pertence ao cristalino.

5.6 Minerais alteráveis

São aqueles instáveis em clima úmido, em comparação com outros minerais, tais como quartzo e argilas do grupo das caulinitas, e que, quando se intemperizam, liberam nutrientes para as plantas e ferro ou alumínio. Os minerais que são incluídos no significado de minerais alteráveis são os seguintes:

  • minerais encontrados na fração menor que 0,002mm (minerais da fração argila): inclui todas as argilas do tipo 2:1, exceto a clorita aluminosa interestratificada; a sepiolita, o talco e a glauconita também são incluídos neste grupo de minerais alteráveis, ainda que nem sempre pertencentes à fração argila;

  • minerais encontrados na fração entre 0,002 a 2mm (minerais da fração silte e areia): feldspatos, feldspatóides, minerais ferromagnesianos, vidros vulcânicos, fragmentos de conchas, zeolitos, apatitas e micas, que inclui a muscovita que resiste por algum tempo à intemperização, mas que termina, também, desaparecendo.

Critério derivado de FAO(1990) e Estados Unidos (1994).

6 CONCLUSÃO

O solo é um corpo natural composto por sólidos, líquidos e gases e que se origina das transformações das rochas e de materiais orgânicos, através da ação dos cinco fatores de formação (material de origem, relevo, clima, organismos e tempo).

Há vantagens em conhecer sempre mais a respeito do solo. Ele ocupa uma posição peculiar ligada às várias esferas que afetam a vida humana. É, além disso, o substrato principal da produção de alimentos, onde assentamos nossas construções civis, e uma das principais fontes de nutrientes e sedimentos que vão para os rios, lagos e mares.

A natureza, com suas relações dos meios bióticos, abióticos e sócio-econômico, é um sempre laboratório que precisa ser entendido, para que possamos melhor planejar o uso dos recursos naturais, em particular o solo.

REFERÊNCIAS

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema brasileiro de classifica-

ção de solos. Rio de Janeiro: Embrapa Solos; Brasília: Embrapa Produção de

Informação, 1999. 412 p.

EMBRAPA. Serviço Nacional de Levantamento e Classificação de Solos. Critérios para

distinção de classes de solos e de fases de unidades de mapeamento: normas em uso

pelo SNLCS. Rio de Janeiro, 1988. 67 p. (Embrapa-SNLCS. Documentos, 11)

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MIRANDA, J.R.; MANTOVANI, L.E.; SANTOS, R.Z. dos; COUTINHO, A.C.; MANGABEIRA, J.A.C. Mapeamento ecológico da Reserva da Serra do Lajeado, TO. Campinas: Embrapa-CNPM, 1992. 68p. Embrapa Monitoramento por Satélite-AMT.

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