Anatomia geral humana

Anatomia geral humana

(Parte 1 de 2)

ANATOMIA GERAL HUMANA Apostila para fins didáticos

Valéria Catelli Infantozzi Costa

Ribeirão Preto 2008

A. Introdução ao Estudo da Anatomia2
1. Definição2
2. Divisão2
B. Partes constituintes do corpo humano3
C. Nomenclatura Anatômica3
1. Posição Anatômica (Figura 1)3
2. Planos de Inscrição (Figura 2)4
3. Eixos ortogonais e Planos de Secção4
4. Planos de Secção do Corpo4
5. Secção, Corte e Vista6
6. Termos de Posição8
7. Termos de Direção9
8. Termos de Situação9
9. Outros termos de descrição anatômica10
D. Cavidades do Corpo16
E. Níveis de organização estrutural do corpo humano18
F. Sistemas19
1. Sistema Esquelético19
2. Sistema Muscular19
3. Sistema Tegumentar19
4. Sistema Nervoso20
5. Sistema Endócrino20
6. Sistema Circulatório21
7. Sistema Respiratório21
8. Sistema Digestivo2
9. Sistema Urinário2
10. Sistema Genital Feminino24

1. Definição

A Anatomia (anatome = cortar em partes, cortar separando) refere-se ao estudo da estrutura e das relações entre estas estruturas. A fisiologia (physis + lógos + ia) lida com as funções das partes do corpo, isto é, como elas trabalham. A função nunca pode ser separada completamente da estrutura, por isso você aprenderá sobre o corpo humano estudando a anatomia e a fisiologia em conjunto. Você verá como cada estrutura do corpo está designada para desempenhar uma função específica, e como a estrutura de uma parte, muitas vezes, determina sua função. Por exemplo, os pêlos que revestem o nariz filtram o ar que inspiramos. Os ossos do crânio estão unidos firmemente para proteger o encéfalo. Os ossos dos dedos, em contraste, estão unidos mais frouxamente para permitir vários tipos de movimento.

Assim, a Anatomia é a ciência que estuda a forma, a estrutura e organização dos seres vivos, tanto externa quanto internamente. E a Fisiologia é a ciência que estuda o funcionamento da matéria viva, investiga as funções orgânicas, processos ou atividades vitais.

2. Divisão

A Anatomia macroscópica humana estuda o corpo humano e conforme o enfoque, recebe varias denominações:

ANATOMIA SISTEMÁTICA OU DESCRITIVA: estuda de modo analítico (separação de um todo em seus elementos ou partes componentes) e separadamente as várias estruturas dos sistemas que constituem o corpo, o esquelético, o muscular, o circulatório, etc.

ANATOMIA TOPOGRÁFICA OU REGIONAL: estuda, de uma maneira sintética (método, processo ou operação que consiste em reunir elementos diferentes e fundi-los num todo), as relações entre as estruturas de regiões delimitadas do corpo;

ANATOMIA DE SUPERFÍCIE OU DO VIVO: estuda a projeção de órgãos e estruturas profundas na superfície do corpo, é de grande importância para a compreensão da semiologia clínica (estudo e interpretação do conjunto de sinais e sintomas observados no exame de um paciente);

ANATOMIA FUNCIONAL: estuda segmentos funcionais do corpo, estabelecendo relações recíprocas e funcionais das várias estruturas dos diferentes sistemas;

ANATOMIA APLICADA - salienta a importância dos conhecimentos anatômicos para as atividades médicas, clínica ou cirúrgica e mesmo para as artísticas;

ANATOMIA RADIOLÓGICA: estuda o corpo usando as propriedades dos raios X e constitui, com a Anatomia de Superfície, a base morfológica das técnicas de exploração clínica;

ANATOMIA COMPARADA: estuda a Anatomia de diferentes espécies animais com particular enfoque ao desenvolvimento ontogenético (desenvolvimento de um indivíduo desde a concepção até a idade adulta) e filogenético (história evolutiva de uma espécie ou qualquer outro grupo taxonômico) dos diferentes órgãos.

2) Tronco
3) Membros
a) Superiores
i) antebraços
i) pernas

1) Cabeça (pescoço) a) Tórax b) Abdome i) ombros (raiz) i) braços iv) mãos b) Inferiores i) quadril (raiz) i) coxas iv) pés

1. Posição Anatômica (Figura 1)

Na anatomia, existe uma convenção internacional de que as descrições do corpo humano assumem que o corpo esteja em uma posição específica, chamada de posição anatômica. Na posição anatômica, o indivíduo

está em posição ereta, em pé (posição ortostática) com a face voltada para a frente e em posição horizontal, de frente para o observador, com os membros superiores estendidos paralelos ao tronco e com as palmas voltadas para a frente, membros inferiores unidos (calcanhares unidos), com os dedos dos pés voltados para a frente.

Toda descrição anatômica é feita considerando o indivíduo em posição anatômica.

Figura 1. Posição Anatômica.

2. Planos de Inscrição (Figura 2)

São também chamados de Planos de Delimitação, pois delimitam o corpo humano por planos tangentes à sua superfície, os quais, com suas intersecções, determinam a formação de um sólido geométrico, um paralelepípedo.

Têm-se assim, para as faces desse sólido, os seguintes planos correspondentes:

ventral ou anterior => plano vertical tangente ao ventre dorsal ou posterior => plano vertical tangente ao dorso lateral direito => plano vertical tangente ao lado do corpo lateral esquerdo => plano vertical tangente ao lado do corpo cranial ou superior => plano horizontal tangente à cabeça podal ou inferior => plano horizontal tangente à planta dos pés

3. Eixos ortogonais e Planos de Secção

A partir destes planos de inscrição são determinados eixos e planos que são utilizados como pontos de referência para descrever a situação, posição e direção de órgãos ou segmentos do corpo.

Unindo o centro de dois planos de inscrição opostos obtém-se três eixos: eixo longitudinal ou craniocaudal; eixo anteroposterior, dorsoventral ou sagital e eixo latero-lateral. O deslocamento de um eixo sobre o outro define um plano que secciona o corpo em 2 partes. Estes planos, perpendiculares entre si são chamados Planos de Secção: mediano ou sagital, frontal ou coronal e transversal ou horizontal.

4. Planos de Secção do Corpo Os planos de secção são “cortes” feitos no corpo em posição anatômica.

Figura 2. Planos de Inscrição Figura 3. Planos de Secção

Mediano ou Sagital => planos de secção paralelos aos planos laterais que divide o corpo em metades direita e esquerda. (Figura 3a)

Frontal ou Coronal => planos de secção paralelos aos planos ventral e dorsal, que divide o corpo de forma a separar os planos ventral e dorsal. (Figura 3b)

Transversal ou Horizontal => planos de secção paralelos aos planos cranial e podal, que divide o corpo horizontalmente. (Figura 3c)

Obs.: Toda secção do corpo feita por planos paralelos ao plano mediano é uma secção sagital, e os planos de secção são também chamados sagitais*. * nome sagital se deve ao fato de seguir a direção da sutura sagital (em forma de seta) entre os ossos parietais.

5. Secção, Corte e Vista Notação: Secção ou Corte X; Vista Y.

Fig.

4a. Secção ou Corte transversal; Vista superior. Fig. 4b. Secção ou Corte transversal; Vista inferior.

Fig. 5a. Secção ou Corte frontal/coronal; Vista ventral/anterior.

Fig. 5b. Secção ou Corte frontal/coronal; Vista dorsal/posterior.

Fig. 6a. Secção ou Corte sagital/mediano; Vista lateral direita. Fig. 7a. Vista ventral/anterior Fig. 7b. Vista dorsal/posterior

6. Termos de Posição

Os termos de posição indicam proximidade aos planos de inscrição ou ao plano de secção mediano.

São termos comparativos e indicam que uma estrutura é, por exemplo, mais cranial que outra. Nenhum órgão ou estrutura é simplesmente cranial ou ventral pois estes planos são tangentes e portanto estão fora do corpo e surgem apenas como referência.

Termos de posição: Medial => a estrutura que se situa mais próxima ao plano mediano em relação a uma outra. Ex. dedo mínimo em relação ao polegar.

Lateral => a estrutura que se situa mais próxima ao plano lateral (direito ou esquerdo) em relação a uma outra.

Ventral ou Anterior => estrutura que se situa mais próxima ao plano ventral em relação a uma outra.

Dorsal ou Posterior => estrutura que se situa mais próxima ao plano dorsal em relação a uma outra. Cranial ou Superior => estrutura que se situa mais próxima ao plano cranial em relação a uma outra (que lhe será inferior ou podal) Podal ou Inferior => estrutura que se situa mais próxima ao plano podal em relação a uma outra.

Fig. 8a. Secção ou Corte transversal; Vista superior. Fig. 8b. Secção ou Corte transversal; Vista inferior.

A figura 8 exemplifica estes termos: a artéria aorta abdominal é medial em relação ao baço, o baço é lateral em relação ao rim esquerdo, o estômago é anterior em relação aos rins, o fígado é posterior em relação ao músculo reto abdominal.

7. Termos de Direção Acompanham os eixos ortogonais longitudinal ou crâniocaudal, ânteroposterior ou dorsoventral látero-lateral

Exemplos: as falanges estão alinhadas em direção craniocaudal, os ossos carpais na direção láterolateral; a traquéia e o esôfago estão alinhados na direção ânteroposterior.

Fig. 9a. Ossos da mão direita; vista palmar (anterior)Fig.9b. Corte frontal; vista anterior.

8. Termos de Situação

Mediano situada exatamente ao longo do plano de secção mediano. Médio e Intermédio são termos que indicam situação de uma estrutura entre outras duas: Médio quando as estruturas estão alinhadas na direção craniocaudal ou ânterodorsal. Intermédio quando as estruturas estão em alinhamento látero-lateral

9. Outros termos de descrição anatômica

Proximal e Distal. esses termos são usados para comparar a distância de pelo menos duas estruturas em relação (1) a raiz do membro, (2) ao coração e (3) ao encéfalo e medula espinhal.

Proximal estrutura que se encontra mais próxima da raiz dos membros (tronco), do coração ou do encéfalo e medula espinhal

Distal estrutura que se encontra mais distante da raiz dos membros, do coração ou do encéfalo e medula espinhal

Palmar ou volar face anterior da mão. A face posterior das mãos é chamada dorsal.

Plantar face inferior do pé. A face superior dos pés é chamada dorsal.

Oral e aboral são termos restritos ao tubo digestivo e indicam estruturas mais próximas ou distantes da boca, respectivamente.

Palmar ou Volar Dorsal

Dorsal

Plantar

Aferente e eferente indicam direção e são usados em anatomia para vasos e nervos. Aferente significa que impulsos nervosos ou o sangue são conduzidos da periferia para o centro, eferente se refere à condução do centro para a periferia.

Eferente do centro para a periferia; Aferente da periferia para o centro

No sistema circulatório, as veias cavas superior e inferior são aferentes por drenarem todo o sangue da periferia para o coração, que é o centro deste sistema. A artéria aorta é eferente, pois impulsiona o sangue do coração para a periferia.

A raiz dorsal do nervo espinhal é aferente por conduzir impulsos nervosos da periferia para a medula espinhal, já a raiz ventral é eferente.

Fáscias são tecidos conjuntivos fibrosos que revestem ou delimitam órgãos e músculos. Os termos superficial e profundo indicam as distâncias relativas entre as estruturas e a superfície do corpo. São também termos de situação que indicam estar contido nos planos superficiais ou nos planos profundos. Nesse caso, o limite entre superficial e profundo é a fáscia muscular. Estruturas superficiais são aquelas contidas no tegumento** Estruturas profundas estão abaixo do tegumento. Lesões limitadas ao tegumento são superficiais, e lesões que atingem a fáscia muscular já são consideradas profundas.

** O tegumento humano é formado pela pele (epiderme e derme) e tecido subcutâneo. A epiderme é um epitélio multiestratificado, formado por várias camadas de células achatadas justapostas. A camada de células mais interna, denominada epitélio germinativo, é constituída por células que se multiplicam continuamente; dessa maneira, as novas células geradas empurram as mais velhas para cima, em direção à superfície do corpo. À medida que envelhecem, as células epidérmicas tornam-se achatadas, e passam a fabricar e a acumular dentro de si uma proteína resistente e impermeável, a queratina. As células mais superficiais, ao se tornarem repletas de queratina, morrem e passam a constituir um revestimento resistente ao atrito e altamente impermeável à água, denominado camada queratinizada ou córnea. A derme, localizada imediatamente sob a epiderme, é um tecido conjuntivo que contém fibras protéicas, vasos sangüíneos, terminações nervosas, órgãos sensoriais e glândulas. Na derme encontramos ainda: músculo eretor de pêlo, fibras elásticas (elasticidade), fibras colágenas (resistência), vasos sangüíneos e nervos. Tecido subcutâneo: Sob a pele, há uma camada de tecido conjuntivo frouxo, o tecido subcutâneo, rico em fibras e em células que armazenam gordura (células adiposas ou adipócitos). A camada subcutânea, denominada hipoderme, atua como reserva energética, proteção contra choques mecânicos e isolante térmico. Abaixo do tecido subcutâneo encontra-se a fáscia muscular.

Interno e externo se referem às faces dos órgãos ocos ou de cavidades e também se referem às faces das costelas.

do centro de um órgão ou cavidade;

Externo . mais afastado do centro de um órgão ou cavidade.

Radial e ulnar significam mais próximo dos ossos rádio e ulna, respectivamente, assim como tibial e fibular para a tíbia e a fíbula. Algumas estruturas foram nomeadas de acordo com tal proximidade, por exemplo, os músculos tibial anterior e posterior, ou os nervos ulnar e radial.

Para os dentes são usadas expressões que definem suas faces.

Oclusal é a face livre e mastigadora dos dentes, que nos incisivos e caninos encontra-se reduzida a uma simples borda mastigadora.

Vestibular é a face dirigida para o vestíbulo bucal: face labial a que está voltada para os lábios; face bucal a que está voltada para a bochecha.

Lingual face oposta à vestibular, está dirigida para a cavidade da boca.

Mesial é a expressão usada para as duas faces do dente voltadas para os dentes vizinhos.

nervo ulnar

Pedículo é o conjunto de estruturas, vasos, nervos e ductos destinados a um órgão.

Hilo de um órgão é o sítio por onde entram e saem os elementos do pedículo.

O pedículo renal, por exemplo, é composto pelas artéria e veia renais, ureter e nervo simpático.

O pedículo pulmonar, por exemplo, é composto por artéria e veias pulmonares e brônquicas, brônquios, nervos e vasos linfáticos do pulmão.

Plexo ou rede é uma malha situada em territórios arteriais, venosos, linfáticos ou nervosos, formado por anastomoses e subdivisões dessas estruturas.

Os plexos vasculares garantem um fluxo sanguíneo adequado para todos os órgãos e segmentos do corpo.

Feixe vásculo-nervoso é um conjunto de vasos e nervos enfeixados (reunidos) por uma bainha conjuntiva comum.

Bainha Carotídea (carotid sheath) feixe vásculo-nervoso composto pela artéria carótida, veia jugular interna e nervo vago.

O feixe vásculo-nervoso (neurovascular bundle) é composto pelo plexo braquial, artéria e veia subclávia.

O plexo braquial é a rede de nervos motores e sensoriais que inervam o braço a mão e ombro. O componente vascular do feixe, a artéria e veia subclávia, transportam sangue para e do braço, mão ombro e regiões do pescoço e cabeça.

D. CAVIDADES DO CORPO Os espaços dentro do corpo que contêm os órgãos internos são chamados de cavidades do corpo. As cavidades ajudam a proteger, isolar e sustentar os órgãos internos. A Figura 1 mostra as duas principais cavidades do corpo: dorsal e ventral.

Fig1. Cavidades do corpo

A cavidade dorsal do corpo está localizada próxima à superfície posterior ou dorsal do corpo. Ela é composta por uma cavidade craniana, que é formada pelos ossos cranianos e contém o encéfalo e suas membranas (chamadas de meninges), e por um canal vertebral que é formado pelas vértebras (ossos individuais) da coluna vertebral e contém a medula espinhal e suas membranas (também chamadas de meninges), bem como o começo (raízes) dos nervos espinhais.

A cavidade ventral do corpo está localizada na porção anterior ou ventral (frontal) do corpo e contém órgãos coletivamente chamados de vísceras. Como a cavidade dorsal, a cavidade ventral do corpo apresenta duas subdivisões principais - uma porção superior, chamada de cavidade torácica, e uma porção inferior, chamada de cavidade abdominopélvica. O diafragma (diaphragma = partição ou parede), uma camada muscular em forma de domo e importante músculo da respiração, divide a cavidade ventral do corpo em cavidades torácica e abdominopélvica.

(Parte 1 de 2)

Comentários