estruturas do mercado-microeconomia

estruturas do mercado-microeconomia

Estruturas de mercado - microeconomia

Prof. Antônio.

Campo Grande/MS abril de 2010.

As diversas formas de mercado dependem fundamentalmente de três características:

  • número de empresas que compõem esse mercado;

  • tipo do produto - se as empresas fabricam produtos idênticos ou diferenciados;

  • se existem ou não barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado.

Concorrência Perfeita (Pura)

É um tipo de mercado em que existe grande número de vendedores (empresas), onde uma empresa, isoladamente, por ser insignificante, não afeta os níveis de oferta do mercado e, conseqüentemente, o preço de equilíbrio. Nesse tipo de mercado devem prevalecer ainda as seguintes premissas:

- Produtos homogêneos: não existe diferenciação entre os produtos ofertados pelas empresas concorrentes.

- Não existem barreiras para o ingresso de empresas no mercado.

- Transparência do mercado: todas as informações sobre lucros, preços etc. são conhecidos por todos os participantes do mercado.

No mercado em concorrência perfeita, a longo prazo, não existem lucros extras ou extraordinários, mas apenas os chamados lucros normais, que representam a remuneração implícita do empresário, ou seja, o que ele ganharia se aplicasse seu capital em outra atividade, que pode ser associado a uma espécie de rentabilidade média de mercado.

Em concorrência perfeita, como o mercado é transparente, se existirem lucros extraordinários, isso atrairá novas empresas para o mercado, pois também não existem barreiras ao acesso. Com o aumento da oferta de mercado, dado o maior número de empresas, os preços de mercado tenderão a cair, e conseqüentemente os lucros extras, até chegar-se a uma situação onde só existirão lucros normais, cessando o ingresso de novas empresas nesse mercado.

Deve-se comentar que, na realidade, não há o mercado tipicamente de concorrência perfeita no mundo real, sendo talvez o mercado de produtos hortifrutigranjeiros o exemplo mais próximo que se poderia apontar.

Observa-se no mercado regional de Mato Grosso do Sul a central de abastecimento de ovos, frutas, verduras e legumes (CEASA), especificamente em Campo Grande/MS, como o modelo de mercado típico para a concorrência pura ou perfeita - modelo ideal, dado um grande número de empresas que concorrem muito próximo com produtos homogêneos.

Monopólio

Palavra de origem grega: mono significa único e pólio significa vendedor. Nele existe, de um lado, um único empresário dominando inteiramente a oferta e, de outro, todos os consumidores. Não há, portanto, concorrência, nem produto substituto ou concorrente. Nesse caso, ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor, ou simplesmente deixarão de consumir o produto.

O monopolista não utiliza a igualdade entre oferta e demanda para determinar preço e quantidade de equilíbrio.

Para a existência de monopólios, deve haver barreiras que praticamente impeçam a entrada de novas firmas no mercado. Essas barreiras podem advir das seguintes condições:

Monopólio natural: ocorre quando o mercado, por suas próprias características, exige a instalação de grandes plantas industriais, que operam normalmente com economias de escala e custos unitários bastante baixos, possibilitando à empresa cobrar preços baixos por seu produto, o que acaba praticamente inviabilizando a entrada de novos concorrentes.

Elevado volume de capital: a empresa monopolista necessita de um elevado volume de capital e uma alta capacitação tecnológica.

Patentes: enquanto a patente não cai em domínio público, a empresa é a única que detém a tecnologia apropriada para produzir aquele determinado bem.

Controle de matérias-primas básicas: por exemplo, o controle das minas de bauxita pelas empresas produtoras de alumínio.

Existem ainda, os monopólios institucionais ou estatais em setores considerados estratégicos ou de segurança nacional (energia).

Observa-se no mercado regional de Mato Grosso do Sul a empresa de energia elétrica (Enersul S/A) como modelo de mercado caracterizado pelo monopólio. No mercado local - Campo Grande, a companhia de água - Águas Guariroba S/A caracteriza o exemplo de empresa monopolista. No mercado nacional, a empresa de Correios e Telégrafos é exemplo de monopólio para a postagem de documentos.

Oligopólio

É uma estrutura de mercado normalmente caracterizada por um pequeno número de empresas que dominam a oferta de mercado. Pode caracterizar-se como um mercado em que há um pequeno número de empresas, como a indústria automobilística, ou então onde há um grande número de empresas, mas poucas dominam o mercado, como a indústria de bebidas.

O setor produtivo brasileiro é altamente oligopolizado, sendo possível encontrar inúmeros exemplos: montadoras de veículos, indústria de bebidas, indústria química, indústria farmacêutica, etc.

No oligopólio tanto as quantidades ofertadas quanto os preços são fixados entre as empresas por meio de conluios ou cartéis. O cartel é uma organização (formal ou informal), de produtores dentro de um setor que determina a política de preços para todas as empresas que a ele pertencem.

Nos oligopólios, normalmente as empresas discutem suas estruturas de custos, embora o mesmo não ocorra com relação a sua estratégia de produção e de marketing. Há uma empresa líder que, via de regra, fixa o preço, respeitando as estruturas de custos das demais, e há empresas satélites que seguem as regras ditadas pelas líderes. Esse é um modelo chamado de liderança de preços. Como por exemplo, no Brasil, podemos citar a indústria de bebidas.

O Cartel pode ser de natureza formal, isto é, reconhecido pelo Estado. O cartel de maneira informal e sigilosa, constituindo ilícito na maior parte dos países e pode ser considerado um caso extremo de colusão - acordo entre as partes litigantes (para enganar o juiz em detrimento de terceiro).

O cartel é, também, crime concorrencial e, portanto, infração econômico-penal. Nos termos do art. 21 da Lei n.º 8.884, de 11 de junho de 1.994, trata-se de fixação de preço e condições de venda de bens e prestação de serviços em acordo com concorrente; obtenção de conduta comercial uniforme ou concertada entre concorrentes; divisão de mercados de serviços ou produtos; combinar previamente preços ou vantagens em concorrência pública.

Concorrência monopolista

Trata-se de uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio, mas que não se confunde com o oligopólio, pelas seguintes características:

Número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial (competitivo), porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados, seja por características físicas, embalagem ou prestação de serviços complementares (pós-venda).

Margem de manobra para fixação dos preços não muita ampla, uma vez que existem produtos substitutos (similares) no mercado.

Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço de seu produto, embora o mercado seja competitivo (daí o nome concorrência monopolista).

Observa-se a segmentação de mercado de biscoito recheado redondo com exemplo típico do modelo de mercado intermediário. Alguns estudiosos de mercado atribuem à segmentação de salgadinhos - batatas fritas, como exemplo de concorrência monopolista.

Principais Características das Estruturas Básicas de Mercado:

Característica

Concorrência perfeita

Monopólio

Oligopólio

Concorrência monopolista

1- Quanto ao número de empresas

Muito grande

Só há uma empresa

Pequeno

Grande

2- Quanto ao produto

Homogêneo Não há quaisquer diferenças

Não há substitutos próximos

Pode ser homogêneo ou diferenciado

Diferenciado

3- Quanto ao controle das empresas sobre preços

Não há possibilidades de manobra pelas empresas

As empresas têm grande poder para manter preços relativamente elevados, sobretudo quando não há intervenções restritas do governo – leis antitrustes

Embora dificultado pela interdependência entre as empresas, estas tendem a formar cartéis controlando preços e quotas de produção

Pouca margem de manobra, devido à existência de substitutos próximos

4- Quanto à concorrência extrapreço

Não é possível nem seria eficaz

A empresa geralmente recorre a campanhas institucionais, para salvaguardar sua imagem

É intensa, sobretudo quando há diferenciação do produto

É intensa, exercendo-se através de diferenças físicas, embalagens e prestação de serviços complementares

5- Quanto às condições de ingresso na indústria

Não há barreiras

Barreiras ao acesso de novas empresas

Barreiras ao acesso de novas empresas

Não há barreiras

Estrutura do mercado de fatores de produção

O mercado de fatores de produção: mão-de-obra (recurso humano), capital (máquinas, equipamentos e tecnologia) e a terra (recurso natural), apresentam diferentes estruturas. Como o mercado de fatores de produção depende da demanda de insumos (matéria-prima) pelos setores produtores de bens e serviços, a demanda deriva desses fatores.

Concorrência perfeita no mercado de fatores de produção

È um mercado onde existe uma oferta imensa do fator de produção, por exemplo: a mão-de-obra não especializada, o que torna o valor desse fator constante. Os fornecedores (ofertantes), como são em grande número, não têm condições de obter preços mais elevados por seus serviços.

Monopsônio

Uma forma de mercado na qual há somente um comprador para muitos vendedores dos serviços dos insumos. Por exemplo, a empresa que se instala em uma determinada cidade do interior, sendo única, torna-se exclusiva na demanda de mão-de-obra local e as cidades próximas, tendo para si a totalidade da oferta de mão-de-obra.

Oligopsônio

É um mercado onde existem poucos compradores que dominam o mercado para um grande número de vendedores. Por exemplo, em dada localidades, existem duas ou três indústria de laticínios que adquirem a maior parte do leite dos inúmeros produtores rurais. A indústria automobilística, além de oligopolista no mercado de bens e serviços, também é oligopsonista na compra de autopeças.

Monopólio Bilateral

O monopólio bilateral ocorre quando um monopsonista, na compra do fator de produção, defronta-se com um monopolista na venda desse fator. Por exemplo, só a empresa “A” compra um tipo de aço que é produzido apenas pela siderúrgica “B”. A empresa “A” é monopsonista, porque só ela compra esse tipo de aço, e a siderúrgica “B” é monopolista, ou seja, somente ela vende esse tipo de aço.

Nesses casos, a determinação dos preços dependerá não só dos fatores econômicos, mas do poder de negociação de ambos. O monopolista tentando pagar o menor preço (usando a força de ser o único comprador), e o monopolista tentando vender por um preço mais elevado, usando o poder de ser o único fornecedor.

VASCONCELLOS, M.A.S. e GARCIA, M.E. Fundamentos de Economia. 1ª.ed. São Paulo, Saraiva, 2001.

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