seminario - Laqueadura e Vasectomia

seminario - Laqueadura e Vasectomia

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS Vasectomia e Laqueadura

Universidade Católica de Pelotas

Curso de Enfermagem

Cuidado à Saúde da Mulher

Profª Karen Knopp

São cirurgias realizadas com a finalidade de evitar definitivamente a gravidez. Na mulher, o procedimento é a laqueadura tubária; no homem, é a vasectomia.

São cirurgias realizadas com a finalidade de evitar definitivamente a gravidez. Na mulher, o procedimento é a laqueadura tubária; no homem, é a vasectomia.

Esses procedimentos são ilegais pelas atuais leis brasileiras porque “mutilam” o corpo. São permitidos nos casos de criteriosa indicação médica, quando há risco de vida para a mãe ou o bebê – por exemplo, uma mulher que se submeteu a três cesarianas, que sofre de cardiopatias, hipertensão severa, diabetes severa, problemas renais, doenças pulmonares.

Quando a mulher tiver problemas de saúde, não podendo ter mais filhos, o casal poderá escolher qual dos dois fará a cirurgia. As informações dos riscos e conseqüências deverão ser dadas, discutindo-se juntamente a possibilidade de escolher outros métodos.

Quando a mulher tiver problemas de saúde, não podendo ter mais filhos, o casal poderá escolher qual dos dois fará a cirurgia. As informações dos riscos e conseqüências deverão ser dadas, discutindo-se juntamente a possibilidade de escolher outros métodos.

Esse critério rígido para os métodos cirúrgicos está presente no sistema público porque, quando a paciente paga para consumir o produto, no caso a cirurgia, ela é realizada sem muito critério.

A lei que regula a cirurgia de vasectomia e ligadura tubária na mulher é a Lei do Planejamento Familiar –N.º 9263, de 12 de janeiro de 1996 (DOU 15.01.96). Alguns trechos relevantes:

A lei que regula a cirurgia de vasectomia e ligadura tubária na mulher é a Lei do Planejamento Familiar –N.º 9263, de 12 de janeiro de 1996 (DOU 15.01.96). Alguns trechos relevantes:

Art. 10. Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: I- em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos. II- §2º. É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.

Art. 10. Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: I- em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos. II- §2º. É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.

Laqueadura

Método contraceptivo cirúrgico e definitivo que consiste na obstrução do lúmen tubário, impedindo o encontro do óvulo com o espermatozóide.

Por se tratar de método definitivo, a indicação deve obedecer aos critérios pré-estabelecidos, respeitando a legislação e a normatização vigentes.

Desde 2003 o número de laqueaduras praticamente dobrou. Isso significa que as mulheres estão tendo mais acesso e que o Ministério da Saúde já atingiu a meta do programa Mais Saúde de ampliar o número de procedimentos para 51 mil/ano em 2008.

Desde 2003 o número de laqueaduras praticamente dobrou. Isso significa que as mulheres estão tendo mais acesso e que o Ministério da Saúde já atingiu a meta do programa Mais Saúde de ampliar o número de procedimentos para 51 mil/ano em 2008.

Laqueaduras financiadas pelo SUS desde 2003:

Laqueaduras financiadas pelo SUS desde 2003:

  • 2003 - 31.216

  • 2004 - 40.656

  • 2005 - 40.865 

  • 2006 - 50.343

  • 2007 - 58.513

  • 2008 - 61.847

Fluxo

Serviço de Saúde de Atenção Primária:

  • Avaliar se tem indicação;

  • Solicitar ao paciente que assine o termo de manifestação da vontade de realização de anticoncepção cirúrgica;

  • Solicitar os exames pré-operatórios;

  • Solicitar teste imunológico de gravidez se for necessário;

  • Encaminhar para serviço de referência credenciada.

Serviço de referência credenciado:

Serviço de referência credenciado:

  • Confirma indicação;

  • Solicitar teste de gravidez se for necessário;

  • Realizar o ato cirúrgico.

Vias de acesso:

  • minilaparotomia; laparoscopia; colpotomia posterior.

Técnicas de laqueadura tubária:

Técnicas de laqueadura tubária:

  • Pomeroy;

  • Eletrocoagulação Bipolar;

  • Anéis de Silástico (Yoon);

  • Clipes tubários.

Orientações gerais:

  • Após a cirurgia, orientar abstinência sexual por 14 dias;

  • Retornar ao serviço de saúde em 7 a 14 dias, para reavaliação;

  • Procurar imediatamente assistência médica se apresentar febre >38ºC, dor abdominal persistente, sangramento ou saída de secreção pela incisão.

Falha Contraceptiva

  • Paciente grávida no momento da esterilização;

  • Erro cirúrgico (30-50% das falhas) - ligadura dos ligamentos redondos, próprios do ovário ou outra estrutura confundida com as trompas;

  • Fistulização;

  • Falha no equipamento (laparoscopia).

Contra-indicações

  • Mulheres grávidas;

  • Infecções pélvicas ou sistêmicas agudas;

  • Fatores que contra-indicam realização cirúrgica;

  • Incerteza do casal/mulher sobre a escolha;

  • Casos que não preenchem os critérios pré-determinados.

VASECTOMIA

É também um método cirúrgico e definitivo. Realiza-se um corte nos canais deferentes, com a mesma finalidade. Essa ligadura impede a presença de espermatozóides no líquido ejaculado.

Após a realização do procedimento cirúrgico, deve-se utilizar outro método contraceptivo por pelo menos 6 meses.

O resultado da cirurgia é conferido em 30 dias através do exame de laboratório e o retorno ao trabalho se faz em 24 a 48 horas, dependendo da atividade.

O resultado da cirurgia é conferido em 30 dias através do exame de laboratório e o retorno ao trabalho se faz em 24 a 48 horas, dependendo da atividade.

Ambos os procedimentos devem ser realizados observando-se a legislação vigente.

Fluxo

Serviço de Saúde de Atenção Primária:

  • Avaliar se está dentro dos critérios citados anteriormente - é pré-requisito;

  • Solicitar ao paciente que assine o termo de manifestação da vontade de realização de anticoncepção cirúrgica.

O serviço de saúde de atenção primária colhe os exames pré-operatórios.

O serviço de saúde de atenção primária colhe os exames pré-operatórios.

Encaminhar para serviço de referência credenciado com impresso próprio, preenchido em três vias sem papel carbono.

Serviço de referência credenciado:

Serviço de referência credenciado:

  • Confirmar indicação e aguarda 60 dias da solicitação;

  • realiza o ato cirúrgico.

Técnica cirúrgica:

  • Consiste na secção/oclusão do canal deferente, bilateralmente;

  • As diversas técnicas diferem entre si quanto ao coto proximal, o qual poderá ser fechado ou aberto.

Orientações gerais:

Orientações gerais:

  • Orientar para que o paciente procure imediatamente o serviço de saúde na presença de febre >38ºC, sangramento ou secreção pela incisão e dor ou aumento de volume escrotal;

  • Orientar abstinência sexual por 4 dias e, posteriormente, utilizar métodos de anticoncepção até a realização do espermograma de controle demonstrando azoospermia;

  • Realizar espermograma de controle após 20 ejaculações, para confirmar a efetividade do método.

Falha Contraceptiva

  • Raramente ocorre recanalização espontânea;

  • A falha contraceptiva é de 0,1 a 0,15 gestações por 100 homens por ano, uma vez estabelecida azoospermia.

Contra-indicações

  • Infecção local na pele ou escroto;

  • Infecção de trato genital masculino ou orquite;

  • Distúrbios de coagulação;

  • Presença de fatores que impedem a realização de ato cirúrgico;

  • Homens/casais que não estejam seguros da decisão;

  • Homens/casais que não preenchem os critérios pré-determinados.

Precauções

  • Hérnia inguinal;

  • Orquidopexia;

  • Hidrocele;

  • Varicocele;

  • Desajustes sexuais.

Cuidados pós-cirurgia

  • Curativo: não é necessário. São fornecidas gazes que são colocadas na região escrotal e presas pela própria cueca. Conforme a necessidade, vão sendo descartadas aquelas mais próximas da pele.

  • Banho: pode ser tomado no mesmo dia, apenas cuidando que não caia água em abundância sobre a região escrotal (tomar banho puxando a água com as mãos).

Relação Sexual: pode ser reiniciada assim que a sensibilidade da área escrotal (que naturalmente fica aumentada após o procedimento) diminua, o que acontece em torno de 3 a 5 dias. Logo após o procedimento, o homem ainda está fértil porque os espermatozóides que já haviam passado o ponto da obstrução estão ainda sendo eliminados na ejaculação e, normalmente, são completamente eliminados a partir de 8, podendo ser necessário até 20 ejaculações.

  • Relação Sexual: pode ser reiniciada assim que a sensibilidade da área escrotal (que naturalmente fica aumentada após o procedimento) diminua, o que acontece em torno de 3 a 5 dias. Logo após o procedimento, o homem ainda está fértil porque os espermatozóides que já haviam passado o ponto da obstrução estão ainda sendo eliminados na ejaculação e, normalmente, são completamente eliminados a partir de 8, podendo ser necessário até 20 ejaculações.

ATENÇÃO: até ser realizado o exame de esperma comprovando a total eliminação dos espermatozóides, o casal deve considerar que estão plenamente férteis e, portanto, devem usar método anticoncepcional.

Medicações: é prescrito um anti-inflamatório ou analgésico que auxilia numa recuperação mais confortável. O uso destes é opcional.

  • Medicações: é prescrito um anti-inflamatório ou analgésico que auxilia numa recuperação mais confortável. O uso destes é opcional.

  • Atividade Física e Trabalho: após o procedimento o paciente deverá ficar em repouso, sentado ou deitado confortavelmente, podendo caminhar quando necessário. Na primeira semana não deve praticar nenhum esporte. Conforme a atividade que desempenha no trabalho retorna de 24 a 72 horas (um fim-de-semana).

  • Cuidados Gerais: cuidar traumatismo na área genital (batidas, crianças pequenas que vêm ao colo, etc.).

VANTAGENS

  • São métodos seguros;

  • As pessoas que apresentavam ansiedade relacionada ao medo de gravidez relatam aumento do desejo espontâneo.

DESVANTAGENS

  • A possibilidade de reversão das duas cirurgias diminui com o passar do tempo, até porque são considerados métodos irreversíveis;

  • As pessoas que não estavam suficientemente esclarecidas ou foram pressionadas pelo parceiro a submeter-se a cirurgia podem apresentar distúrbios no comportamento sexual.

ANTICONCEPÇÕES E DSTs – DUPLA PROTEÇÃO

O programa de planejamento familiar na atualidade deve abordar a prevenção da infecção HIV/AIDS e das doenças sexualmente transmissíveis, através das orientações rotineiras dos casais/mulheres.

O emprego dos métodos de barreira isoladamente, como contraceptivos, ou em associação com outros métodos é fundamental para a prevenção, já que esses últimos previnem gestação, mas não DST/HIV/AIDS.

O emprego dos métodos de barreira isoladamente, como contraceptivos, ou em associação com outros métodos é fundamental para a prevenção, já que esses últimos previnem gestação, mas não DST/HIV/AIDS.

Deve-se estimular a dupla proteção (contra gravidez e DST/AIDS).

COMPETE AO ENFERMEIRO

  • Captar para o Programa do Planejamento Familiar: mulheres/homens em idade fértil que desejam anticoncepção e mulheres/homens tenham dificuldade para engravidar;

  • Realizar e avaliar ações educativas;

  • Abrir ou dar seguimento ao prontuário do paciente;

Realizar consulta de enfermagem conforme a necessidade;

  • Realizar consulta de enfermagem conforme a necessidade;

  • Realizar a coleta do exame colpocitopatológico, se necessário;

  • Esclarecer sobre o uso e os possíveis efeitos colaterais de cada método;

  • Realizar orientação e controle periódico e contínuo;

Referenciar os casos específicos;

  • Referenciar os casos específicos;

  • Anotar no prontuário o método que a paciente está usando e possíveis intercorrências;

  • Programar o monitoramento dos usuários;

  • Realizar agendamento de retorno.

BIBLIOGRAFIA

  • Figueiredo, Nébia Maria Almeida de. Viana, Dirce Laplaca. Machado, Wiliam César Alves. – Tratado Prático de Enfermagem – Vol. 1 – 3. ed. – São Caetano do Sul, SP: Yendis Editora, 2010.

  • Planejamento Familiar – Programa Mãe Curitibana. 3. ed. 2005.

  • http://www.vasectomias.com.br

  • http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtxt=33887

  • http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/2327/laqueadura

ACADÊMICAS

  • Carolina Mespaque

  • Leticia Batalla

  • Liana Teixeira

  • Marilin Zella

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