Psicologia da Educação

Psicologia da Educação

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PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM I Maria Inês Mafra Goulart

Apresentação

Aula 1 – Breve Histórico da Psicologia Científica e suas Áreas de Investigação

O surgimento da Filosofia O surgimento da Psicologia Científica Contribuições da Psicologia da Educação ao Ensino e à Aprendizagem

Aula 2 – Concepções da Psicologia sobre os processos de Desenvolvimento e Aprendizagem

Fatores intervenientes do Desenvolvimento Humano O ponto de vista da Teoria Inatista-maturacionista O ponto de vista da Teoria Comportamentalista

Aula 3 – A Epistemologia Genética e os processos de construção do conhecimento

Piaget e seus colaboradores Os conceitos básicos

Aula 4 - A Epistemologia Genética e os processos de construção do conhecimento

Desenvolvimento das Estruturas Cognitivas Construtivismo e sala de aula

Aula 5 – A Abordagem Histórico-cultural e os processos de construção do conhecimento

Vygotsky e seus colaboradores Os conceitos básicos

Aula 6 – A Abordagem Histórico-cultural e os processos de construção do conhecimento

Processos psicológicos constitutivos do conhecimento humano A relação pensamento e linguagem e a construção dos conceitos

Conhecimento cotidiano e conhecimento escolar

Aula 7 – A aprendizagem no Ensino Fundamental e Médio

Sala de aula como ambiente de aprendizagem O que a Psicologia tem a nos dizer?

Aula 8 – A aprendizagem no Ensino Fundamental e Médio

Aprendizagem e Participação A Educação como geradora de processos de desenvolvimento e aprendizagem

Considerações Finais Referências Sobre a autora

Caro/a Aluno/a:

Apresentamos a disciplina “Psicologia da Aprendizagem I”, do curso de

Licenciatura em Matemática, modalidade a distância, de 30 horas, cuja ementa contempla: A psicologia como ciência e sua contribuição para a área educacional. Estudo das principais teorias de desenvolvimento e aprendizagem. Problematização dos processos de ensino e aprendizagem.

Com essa disciplina iniciamos uma conversa sobre como a Psicologia pode estar a serviço da Educação. O objetivo desse estudo é aprimorar nossa forma de compreender as relações entre o ensinar e o aprender. O conteúdo aqui apresentado foi distribuído em oito aulas equivalentes a oito semanas de estudo.

Para apresentar o conteúdo dessa disciplina, iniciaremos pelo acompanhamento sucinto do debate que vem sendo travado, desde o século passado, sobre as grandes questões que envolvem o desenvolvimento e a aprendizagem humana, ou seja, a forma pela qual Psicologia da Educação vem se organizando como ciência e, assim, contribuindo para a compreensão do fenômeno educativo.

Em seguida, examinaremos as diversas teorias sobre o desenvolvimento e aprendizagem que buscaram respostas para questões como: viemos ao mundo como uma folha em branco? Já nascemos com a estrutura cognitiva pronta, sendo necessário apenas esperar que ela amadureça? Como se dá o desenvolvimento do pensamento e da linguagem? Finalmente buscaremos articular o campo da Psicologia da Aprendizagem com o campo da Educação, refletindo sobre algumas questões, como por exemplo: até que ponto nossa experiência prática nos auxilia a educar e a ensinar? O que os profissionais de ensino necessitam saber sobre os processos de desenvolvimento e aprendizagem? Essas, dentre outras questões, serão debatidas ao longo da disciplina.

O percurso que iremos desenvolver envolve oito aulas (considerando uma aula para cada semana), assim distribuídas:

Aula 1: Breve Histórico da Psicologia Científica e suas Áreas de Investigação. O objetivo dessa primeira aula é identificar os processos históricos e os sistemas teóricos que deram origem à ciência psicológica. Para isso, faremos uma incursão na Filosofia para compreendermos as razões do surgimento da Psicologia enquanto ciência. Em seguida, iremos refletir sobre as contribuições da Psicologia da Educação ao ensino e à aprendizagem.

Aula 2: Concepções da Psicologia sobre os processos de Desenvolvimento e Aprendizagem.

Nessa aula faremos uma reflexão acerca dos diferentes fatores que intervêm no desenvolvimento humano e apresentaremos as bases conceituais de duas teorias: a Teoria Inatista-maturacionista e a Teoria Comportamentalista.

conhecimento

Aula 3: A Epistemologia Genética e os processos de construção do Nessa aula, vamos conhecer um pouco do contexto histórico de produção dessa corrente teórica bem como seus conceitos básicos.

Aula 4: A Epistemologia Genética e os processos de construção do conhecimento. Na aula 4 continuaremos a estudar a Epistemologia Genética, agora discutindo como essa corrente compreende o desenvolvimento das estruturas cognitivas, ou seja, de que maneira esse referencial teórico explica a aprendizagem humana desde o nascimento até a fase adulta. Depois disso, refletiremos sobre suas contribuições para a prática pedagógica.

Aula 5: A Abordagem Histórico-cultural e os processos de construção do conhecimento. Outra abordagem teórica importante para a compreensão da construção do conhecimento é a Histórico-cultural. Nessa aula conheceremos o contexto de produção dessa teoria e seus conceitos básicos.

Aula 6: A Abordagem Histórico-cultural e os processos de construção do conhecimento. Dando continuidade à aula anterior, o objetivo dessa aula é discutir sobre os processos de formação dos conceitos e a relação entre linguagem e pensamento. Feito isto, faremos uma reflexão sobre os processos psicológicos constitutivos do conhecimento humano, dando ênfase à relação entre os conhecimentos construídos no cotidiano e aqueles construídos de forma sistemática pela escola.

Aula 7: A aprendizagem no Ensino Fundamental e Médio. Essa é uma aula de reflexão sobre o que se aprende no Ensino Fundamental e Médio. Teremos como foco os ambientes de aprendizagem e as contribuições que a Psicologia tem para que o professor possa compreender os processos de ensino e aprendizagem que estão em curso em sua sala de aula. Para isso, traremos algumas contribuições da Teoria da Atividade, que pertence a essa abordagem mais ampla que denominamos Histórico-cultural.

Aula 8: A aprendizagem no Ensino Fundamental e Médio. Finalizando nosso curso, daremos continuidade ao debate empreendido na aula anterior, onde a aprendizagem é vista como mudanças nas formas de participação em contextos sociais concretos. Dessa forma, podemos ampliar nossa visão sobre a importância dos processos educativos para o desenvolvimento e a aprendizagem humana.

Esperamos que este livro possa trazer contribuições para você, professor/a, no sentido de fornecer algumas ferramentas de análise do fenômeno da aprendizagem de seus alunos.

Bom trabalho! Abraços, da autora.

AULA 1

Breve Histórico da Psicologia Científica e suas Áreas de Investigação

Nesta primeira aula faremos uma volta no tempo, desde antes mesmo do surgimento da Filosofia. Nossa intenção é identificar os processos históricos que deram origem à Psicologia Científica e as contribuições da Psicologia da Educação, para a prática educativa. Veremos que, muito antes da Psicologia ganhar o status de ciências, o ser humano já se interrogava sobre si mesmo, sua potencialidade. E, quando será que essa história começou? Não há como apontar uma data exata. Desde que o ser humano se reconhece como tal, ele investiga sobre suas origens e essa reflexão faz com que avance em seu próprio desenvolvimento.

Os objetivos específicos desta primeira aula são:

Identificar os processos históricos e os sistemas teóricos que deram origem à ciência psicológica.

Identificar a Psicologia da Educação como campo de conhecimentos relevantes para a compreensão do aprender e do ensinar.

Introdução:

Desde os tempos mais antigos, algumas questões intrigam os seres humanos de maneira peculiar: quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? São questões que vêm sendo respondidas de diversas maneiras, mas que permanecem como um grande mistério até os dias de hoje. Filósofos, antropólogos, arqueólogos, físicos, psicólogos, teólogos e tantos outros tentaram construir explicações sobre elas, sem conseguir solucionar o mistério. Por outro lado, em nosso cotidiano, estamos, a todo o momento, formulando respostas para essas perguntas, baseadas em outros princípios, crenças, valores, maneiras de ver a vida. Cada povo, dentro de uma determinada perspectiva cultural, busca encontrar o sentido da vida nas pequenas ou grandes evidências que a própria vida nos traz. Isso acontece porque o ser humano tem essa característica: é um “sujeito perguntador”.

Na Antiguidade, antes mesmo do surgimento da Filosofia, os povos buscavam compreender suas origens através dos mitos. Marilena Chauí (1995), em seu livro Convite à Filosofia, nos brinda com uma reflexão sobre as relações entre o mito e a Filosofia. Segundo a autora, um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa ligada à existência humana. Na Grécia antiga, pensava-se que algumas pessoas, geralmente os poetas, eram designadas pelos deuses para narrar histórias sobre a origem da humanidade. Assim, os mitos tinham um caráter sagrado porque vinham de uma revelação divina. Quando as pessoas queriam respostas para questões misteriosas, encarregavam seus poetas de buscá-las no oráculo, ou mesmo junto a pessoas ou divindades, cujas sentenças revelavam o sentido oculto de uma tragédia ou de fenômenos inerentes à “aventura humana”. Chauí nos dá um exemplo de uma narrativa mítica que explica o surgimento do amor. Diz ela:

Houve uma grande festa entre os deuses. Todos foram convidados, menos a deusa Penúria, sempre miserável e faminta. Quando a festa acabou, Penúria veio, comeu os restos e dormiu com o deus Poros (o astuto, engenhoso). Dessa relação sexual nasceu Eros (ou Cupido) que, como sua mãe, está sempre faminto, sedento e miserável, mas como seu pai, tem mil astúcias para se satisfazer e se fazer amado. Por isso, quando Eros fere alguém com sua flecha, esse alguém se apaixona e logo se sente faminto e sedento de amor, inventa mil astúcias para ser amado e satisfeito, ficando ora maltrapilho e semi-

Por volta de 600 anos a.C., os gregos descobriram que podiam pensar por si mesmos e procurar, eles próprios, respostas para seus questionamentos. Foi assim que surgiu a Filosofia que buscava um conhecimento racional da realidade natural e cultural, das coisas e dos seres humanos. A Filosofia, então, supõe confiança na razão. Mas, o que vem a ser RAZÃO?

Atividade 1

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