Chão - de - Fábrica

Chão - de - Fábrica

(Parte 1 de 5)

Grupo: C.E.O. Orientador: Mauro Takao

James Edward Ponte Martung (1 – ADM)

Leonardo Soares Gomes (2 – E.P.) Paola de Pinho Palhais (1 – E.P.)

MACAÉ, RJ JUNHO 2010 i CHÃO-DE-FÁBRICA

James Edward Ponte Martung (1 – ADM)

Leonardo Soares Gomes (2 – E.P.) Paola de Pinho Palhais (1 – E.P.)

PROFESSOR MIGUEL ÂNGELO DA SILVA SANTOS (FeMASS) COMO PARTE DA SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO POR PROJETOS (SAP).

Banca Examinadora:

MACAÉ, RJ - BRASIL JUNHO DE 2010

mudanças ocorridas nos processos realizados no chão-de-fábrica

A pesquisa concentra-se na identificação da origem do termo chão-de-fábrica e suas mudanças com o passar dos tempos. Com esta proposta buscou-se a origem dos modos de produção, assim como as passagens de um modo para outro apontando principalmente as

PALAVRAS-CHAVE: chão-de-fábrica, modo de produção, Taylorismo, Fordismo, produção enxuta.

iv

Tabela 1. Comparativo entre Modos de Produção17

LISTA DE TABELAS Tabela 2. Comparação entre os Modos de Produção Americano e Japonês.............................31

LISTA DE TABELASiv
SUMÁRIO5
1. INTRODUÇÃO7
1.1. OBJETIVOS8
1.1.1. Objetivo Geral8
1.1.2. Objetivo Específico9
1.2. JUSTIFICATIVA9
1.3. METODOLODIA9
2. CHÃO-DE-FÁBRICA – TRANSFORMAÇÕES HISTÓRICAS10
2.1. MODO DE PRODUÇÃO – CONCEITO10
2.2. DOS PRIMEIROS MODOS DE PRODUÇÃO AO MODO FEUDAL10
2.2.1. Modo de Produção Primitivo10
2.2.2. Modo de Produção Asiático1
2.2.3. Modo de Produção Escravista12
2.2.4. Modo de Produção Feudal12
2.3. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E O MODO DE PRODUÇÃO INGLÊS14
2.4. MODO DE PRODUÇÃO AMERICANO18
2.4.1. Origem18
2.4.2. Administração Científica, segundo Taylor18
2.4.3. Ford e a produção em massa21
2.4.4. As transformações no Chão-de-Fábrica23
2.4.5. O apogeu e a crise do modo de Produção Americano24
2.5. O SISTEMA DE PRODUÇÃO JAPONÊS25
2.5.1. Origem25
2.5.2. Consolidação e Princípios26
2.5.2.2. Transformações quanto ao layout do Chão-de-Fábrica28
2.5.2.3. Transformações e aprimoramento das operações29
2.5.3. Comparações dos Modos de Produção Japonês e Americano30
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS32
3.1. CONCLUSÕES32
3.2. PROPOSTAS DE TRABALHOS FUTUROS3

1. INTRODUÇÃO

O termo chão-de-fábrica remete a ideia de ser um lugar onde ocorre somente a transformação de matéria-prima em produto acabado, porém existe muito mais a se falar sobre ele do que o termo em si oferece. O chão-de-fábrica teve uma evolução ao passar dos tempos, e hoje se observa que muitas características que mudaram profundamente na definição ainda resistem em paralelo com as novas características implantadas.

Porém para iniciar um estudo sobre o chão-de-fábrica, deve-se voltar ao passado e resgatar todas as informações para a criação do termo. Todo chão-de-fábrica está diretamente ligado ao modo de produção e este está subjugado às características da sociedade como: política, cultura, organização social e economia.

Os primeiros modos de produção (modo primitivo e modo asiático) foram os mais longos na linha do tempo que se tem registro. Enquanto o homem aprendia a viver em sociedade, mesmo que primitivas, ele entendeu que era necessário existir ordens e regras para realizar os serviços, dai passou a existir a divisão do trabalho na produção artesanal da época. Com esta evolução foram criando-se sociedades cada vez mais complicadas e complexas, cada vez mais dependentes do modo de produção artesanal.

Já no século XVIII, a Revolução Industrial foi um marco, a virada que o capital vinha galgando desde a época das grandes navegações com o acumulo de riquezas e abertura para novos mercados. Este período ficou caracterizado com as grandes transformações, a produção de máquinas e a subjugação do conhecimento e das habilidades das pessoas por ela. Neste período é que se observa com maior clareza o aparecimento do termo chão-de-fábrica.

Porém, apesar de todas as transformações ocorridas ainda faltava organizar este novo processo industrial, a partir desta necessidade aparecem modelos de controle. O Taylorismo junto com o Fordismo fundamentaram a ideia de organização da produção, simplificando e subdividindo processos, organizando o modo como os operários devem trabalhar e quanto tempo devem gastar em cada tarefa. Este modelo chegou ao seu auge após o final da Segunda Grande Guerra e manteve-se como o principal modo de produção até a década de 70..

Com as perdas materiais ocorrida no Japão durante a Segunda Grande Guerra, observa-se uma mudança no modelo de produção que a partir da década de 70 se destaca e adéqua a nova realidade daquele país, o chamado modo de produção enxuta que veio a substituir o antigo modelo fordista. Este novo modelo enxuto de produção tem a concepção de eliminar todo e qualquer desperdício, desde refugos, retrabalhos até a diminuição de estoque tanto de matéria-prima quanto de produtos já transformados. Com o modelo de produção enxuto se tem uma nova estrutura de organização do chão-de-fábrica, uma nova concepção que divide, hoje em dia, o espaço das indústrias com o modelo de Taylor/Ford.

A partir destas ideias, este projeto busca apresentar como cada mudança ocorreu no modo de produção e quais foram os fatores preponderantes para tais, sempre os relacionando como as mudanças ocorridas no chão-de-fábrica que é o foco principal deste projeto.

1.1. OBJETIVOS

1.1.1. Objetivo Geral

Apresentação histórica do chão-de-fábrica, desde o surgimento das primeiras organizações de trabalhadores para fins de produção de manufatura até os dias atuais, mostrando quais foram as mudanças ocorridas fisicamente nos métodos de produção

Aprofundar-se a cada projeto em áreas de atuação de um engenheiro de produção, tais quais estudos de tempos e movimentos, arranjo físico, PCP, entre outros, mostrando os avanços e as mudanças que podem ser feitas e aplicadas nas indústrias da cidade de Macaé.

9 1.1.2. Objetivo Específico

Apresentação dos modos de produção anteriores a Revolução Industrial. Aspectos da Revolução Industrial e o surgimento do chão-de-fábrica na Inglaterra, mostrando o modo de produção inglês e americano.

Taylorismo, Fordismo e o modo de produção enxuto. Mostrar quais foram as mudanças ocorridas fisicamente nos métodos de produção e quais fatores, tanto internos quanto externos que contribuíram para a evolução desses métodos.

1.2. JUSTIFICATIVA

A escolha do tema foi baseada na relação que os membros do grupo de pesquisa têm como graduandos, com o modelo de produção aplicado às empresas nos dias atuais. O estudo do tema permite o aprofundar de conhecimentos na evolução dos métodos de produção e da administração da produção, proporcionando uma visão do chão-de-fábrica e um entendimento dos métodos empregados em cada fase temporal do mesmo tendo como finalidade uma melhor formação acadêmica e preparação profissional.

1.3. METODOLODIA

A metodologia utilizada neste projeto será a pesquisa bibliográfica com busca de métodos já descritos em textos científicos, periódicos, livros e em material disponibilizado na Internet e, a partir deste ponto, distinguir as linhas de pensamentos e organizá-las adequadamente.

2. CHÃO-DE-FÁBRICA – TRANSFORMAÇÕES HISTÓRICAS

2.1. MODO DE PRODUÇÃO – CONCEITO

O modo de produção é a maneira pela qual uma sociedade produz seus bens e serviços, como os utiliza e os distribui, ele é formado por forças produtivas da sociedade e pelas relações de produção existentes nela. Pode-se dizer também que este conceito resume claramente o fato de as relações de produção ser o centro organizador de todos os aspectos da sociedade.

2.2. DOS PRIMEIROS MODOS DE PRODUÇÃO AO MODO FEUDAL

2.2.1. Modo de Produção Primitivo

O modo de produção primitivo é considerado, em relação a sua duração, o maior de todos, inicia-se a partir da existência das primeiras relações humanas em sociedade e vai até o momento em que se origina a dominação de grupos sobre outros grupos, aparecendo assim a ideia de Estado como instrumento de organização social e de dominação.

Este modo de produção é caracterizado pela inexistência de propriedade privada dos meios de produção, desta maneira não existe exploração do trabalho. Todas as pessoas envolvidas neste período tinham como relação à cooperação e ajuda para as atividades.

Tiveram todas [as sociedades] por comum um conteúdo histórico comprovado verídico, que tinha na centralidade da reprodução comunal a preocupação ao perpetuar da vida pela cooperação simples e interdependência solidária, concretizada através de caças aquática e terrestre, da coleta e duma incipiente agricultura comunitária e iniciante domesticação de animais. Ribeiro (2007, p.25)

Os resultados obtidos por estas atividades eram distribuídos por todos, e somando-se

com a descrição de Ribeiro (2007, p. 25) “sem-escrita, sem-dinamismo e de história

cerrada, sem-prorpiedade-privada, sem-Estado, sem-moeda e sem-História.” caracterizam a ideia de propriedade coletiva, pertencente ao Reino da Natureza. Devido a todas estas características, também era chamado de comunismo primitivo.

2.2.2. Modo de Produção Asiático

Este modo de produção surgiu com o aparecimento do Estado e da divisão de classes.

Exemplos deste modelo podem ser observados na Mesopotânia, Egito, antigas formações sociais da China, Índia entre outras.

Neste período observa-se o Estado claramente dividido em classes – aristocráticos, camponeses e escravos. A parte produtiva da sociedade era mantida principalmente pelos camponeses, obrigados a entregar o excedente de suas produções ao Estado. As comunidades eram organizadas conforme um sistema coletivo de propriedade, que estavam submetidos ao trabalho compulsório (corvéias) controlados pelos dirigentes do Estado, e a este era dado como função a religião, a organização do Estado e a guerra, esta relação de dominação era dada apenas ideologicamente através da religião, pois a noção de propriedade privada ainda era pouco difundida. Nesta época havia escravos, porém a relação dominante no modo de produção se dava entre a elite aristocrática e as comunidades camponesas.

O declínio deste modo de produção ocorreu devido ao progressivo desenvolvimento da propriedade privada, obtidos por dirigentes estatais, o crescimento do comércio e da escravidão, os altos custos para a manutenção dos setores improdutivos, e a rebelião de escravos.

12 2.2.3. Modo de Produção Escravista

Este modo de produção ocorre a partir do pleno desenvolvimento da propriedade privada com as guerras, conquistas de territórios e por consequência a escravização das sociedades derrotadas, seu início ocorre por volta de 4000 a.c. e dura até 400 d.c.. Como exemplos deste modo de produção têm a Grécia e a Roma Antiga.

Segundo Ribeiro (2008), neste período observa-se que os meios de produção (terras e instrumentos de produção) e os escravos (mão-de-obra) eram propriedade do senhor, assim o resultado de toda a transformação ocorrida era de propriedade do senhor, e servia para mantêlo. Constata-se neste momento que uma pequena minoria (senhores) era proprietário da maioria (escravos) e esta minoria continuava a crescer devido aos resultados obtidos e a subjugação de povos após as conquistas. Ainda neste período, não se observa nenhum avanço significativo nos meios de produção, sendo a agricultura e a guerra entre povos a base sustentadora de toda a economia.

Este período teve o final iniciado com as invasões germânicas (bárbaras) ao Império

Greco-Romano que começou a entrar em decadência e sendo substituído gradativamente pelo feudalismo.

2.2.4. Modo de Produção Feudal

O modo de produção feudal ocorreu inicialmente na Europa ocidental medieval por volta do século IV e teve sua consolidação a partir do século IX aproximadamente.

Neste período observa-se como característica principal a relação entre senhores e servos. Os senhores eram detentores das terras e meios de produção enquanto os servos eram proprietários da mão-de-obra, assim a relação entre eles era a seguinte: os servos ocupam pequenas partes das terras do senhor feudal, cultivam-na e produzem para a própria subsistência, em contrapartida estavam sujeitos as obrigações para com o senhor feudal, como o trabalho forçado nas terras do senhor, a entrega de parte do excedente da produção, o pagamento de taxas e impostos por dinheiro obtido no comércio.

No inicio deste período (até o século X), o camponês é que detêm a propriedade de sua mão-de-obra e também controlava os meios de produção, determinando quando e como realizar o trabalho. Porém, devido as taxas e a perda do excedente de produção para o senhor feudal, os camponeses não procuravam produzir a mais do que necessitavam e nem desenvolver novas técnicas de produção.

A partir do ano 1000, o sistema feudal entra em ascensão. Em regiões superpovoadas passa a existir a necessidade de uma maior produção de gêneros agrícolas por parte dos camponeses. E é neste momento que os camponeses começam a ver a oportunidade de conseguir comprar a própria terra e ter maior lucratividade com suas atividades. É neste momento que se passa a ter um desenvolvimento de novas tecnologias para a produção no campo, tais como novas técnicas de cultivo, novas formas de utilizar os animais e as carroças.

Com este desenvolvimento, o camponês passou a produzir mais do que necessitava e iniciou assim o comércio do seu excedente, obtendo maior lucratividade. Assim, os camponeses quando não se tornavam burgueses, mudavam-se para as cidades em busca de novas oportunidades.

Ao mesmo tempo, ocorreu o desenvolvimento de pequenos grupos de artesãos nas cidades, cuja principal característica era o modo de produção simples ou artesanal, de acordo com suas habilidades e com ferramentas rudimentares. O comércio de seus artefatos juntamente com o comércio do excedente da produção dos camponeses fundamentou as primeiras relações capitalistas de produção.

Já no final deste período de produção ocorreram as grandes navegações que segundo

Giannotti (2007) foi um processo fundamental para a acumulação de capital pelos países europeus, que durante aproximadamente 300 anos exploraram suas colônias nas Américas e na África. Durante este período, houve uma transferência de riquezas das colônias para a Europa, o que deu apoio econômico e ficou conhecido como Acumulação Primitiva de Capital, o auge da Revolução Comercial com as grandes navegações.

O modo de produção feudal teve seu declínio a partir da crise de sua sociedade, que fora provocada pelas suas próprias leis internas do sistema, que abriram caminho para o desenvolvimento progressivo das relações capitalistas de produção sendo a Revolução Industrial o marco para um novo modo de produção a partir do século XVIII.

14 2.3. REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E O MODO DE PRODUÇÃO INGLÊS

Ainda durante o período que chamamos de feudalismo, as relações do modo de produção começaram a mudar. De acordo com Luperi (2003) no inicio a manufatura não se diferencia muito do modo de produção artesanal e com o complemento de Marx apud Luperi (2003, p.04) “a não ser pelo maior número de trabalhadores ocupados simultaneamente pelo mesmo capital. A oficina do mestre-artesão é apenas ampliada”.

Pode-se observar que a diferença entre manufatura e o modo de produção artesanal é a diferença entre a quantidade de trabalhadores reunidos em um mesmo local. Com esta nova ordem, faz-se a otimização dos meios de produção que segundo Luperi (2003) fazia com que os meios de produção ficassem mais baratos devido à utilização coletiva no processo de trabalho e ainda de acordo com Marx apud Luperi (2003, p.04) “A forma de trabalho em que muitos trabalham planejadamente lado a lado e conjuntamente, no mesmo processo de produção diferente, mas conexos”. Como se pode observar, as primeiras ideias de Chão-de- Fábrica começam a surgir neste momento.

A partir destes primeiros aglomerados de trabalhadores, surgiram as primeiras relações de trabalho assalariado, os trabalhadores passaram a ser remunerados e por consequência a serem exigidos a produzir subjugados a força do capital. De acordo com Luperi (2003, p.06) “A relação de superioridade e de subordinação substitui a escravidão, a servidão e a vassalagem, formas patriarcais de subordinação.” É esta transformação que vai caracterizar o novo modo de produção, o Capitalismo.

Esta nova forma de produção é caracterizada pela nova relação existente entre o detentor do capital e a mão-de-obra. O primeiro é dono dos meios de produção (ferramental) e do produto final o segundo detêm apenas o conhecimento de como fazer, de como utilizar suas habilidades na transformação dos insumos.

(Parte 1 de 5)

Comentários